segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

As incógnitas da política brasileira em 2018

Política

Eleições

As incógnitas da política brasileira em 2018

por Deutsche Welle — publicado 07/01/2018 00h04, última modificação 05/01/2018 11h45
Após quatro anos de polarização e crise, brasileiros voltam às urnas. Cenário eleitoral permanece embaralhado, mas atual classe política ainda deve se manter no poder
Fotos: Marcelo Camargo / ABr
Congresso.jpg
O Congresso deve ficar repleto de políticos em busca de foro privilegiado
Em dezembro de 2015, a então presidente Dilma Rousseff chegou ao fim do ano aparentemente fortalecida e capaz salvar o mandato. No Ano Novo de 2016, analistas questionavam se o impopular Michel Temer seria capaz de sobreviver até o próximo réveillon. No final, Dilma caiu e Temer sobreviveu a três episódios que por pouco não lhe custaram o mandato. Fazer qualquer exercício de previsão no Brasil tem sido um desafio considerável nos últimos anos.   
Uma das únicas certezas políticas para 2018 são as eleições. Embora postos de governador, senador e deputados federais e estaduais também estejam em disputa, as atenções devem se voltar para a corrida pela Presidência e a substituição de Temer. E assim como ocorreu com o cenário político, várias incógnitas embaralham as previsões. 
No início de 2014, outro ano de disputa presidencial, a Lava Jato não existia, a economia ainda não havia entrado em marcha ré, o senador Aécio Neves era uma figura popular, Dilma havia deixado claro que tentaria a reeleição, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era considerado um estadista de prestígio praticamente incontestável. O dinheiro sujo de empreiteiras e de grandes empresas ainda irrigava campanhas, e a polarização política ainda era concentrada na clássica rivalidade PSDB x PT. 
Já neste ano, a economia continua a passos lentos. A disputa que se avizinha tem seu líder nas pesquisas, Lula, em uma situação legal precária e um presidente impopular que terá dificuldades para influenciar diretamente na escolha do seu sucessor. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) tenta ocupar o espaço de Aécio Neves, mas o tucano paulista ainda patina nas pesquisas. O PT e o PSDB também sofreram com escândalos nos últimos anos. 
Ocupando o segundo lugar nas pesquisas, um radical de direita, Jair Bolsonaro, tenta dissipar dúvidas se a sua candidatura é realmente competitiva. Há ainda o risco de pulverização do cenário, repetindo o que aconteceu em 1989, quando duas dezenas de concorrentes se apresentaram. O dinheiro das empresas, por sua vez, foi proibido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e a polarização e guerras culturais se expandiram para outros aspectos da sociedade.
O fator Lula e a recomposição do establishment
"Nem mesmo o grid de largada da eleição está definido. A começar pelo primeiro colocado nas pesquisas. Ninguém á capaz de afirmar se Lula será candidato ou não. Nem mesmo, individualmente, cada um dos membros da Justiça, envolvidos com seu processo", afirmou o cientista política Carlos Melo, do Insper.
A candidatura de Lula, que aparece com mais de 30% das intenções de voto em algumas pesquisas, por enquanto parece depender do resultado de um julgamento. Marcado para o dia 24, o caso envolve o recurso do petista em relação a sua condenação pelo caso do tríplex no Guarujá. Ainda não se sabe se o petista será mesmo impedido de concorrer com uma eventual nova sentença desfavorável, mas sua candidatura pode ficar vulnerável.
Em um cenário com o petista enquadrado na Lei da Ficha Limpa, aumentam os temores de que o radical Bolsonaro assuma a liderança ou de que o espaço seja ocupado por aventureiros. Segundo o analista Oliver Stuenkel, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com Lula fora da disputa, pode ocorrer um cenário de pulverização, distribuindo os votos do petista em diversas candidaturas no primeiro turno, repetindo o que ocorreu em 1989.
No entanto, Stuenkel aponta, que o establishment político, mesmo acossado pela Lava Jato, ainda demonstra força para influenciar a disputa, e que nas eleições deste ano ainda não haverá vez para radicais como Bolsonaro e eventuais outsiders fora do universo político.
"Os partidos tradicionais ainda não implodiram como na França, o que abriu espaço para um Emmanuel Macron. Eles ainda contam com dinheiro, influência e a presença nos Estados e municípios que são fundamentais em uma disputa nacional. Não é a vez dos paraquedistas na política", disse.
Stuenkel aponta ainda que, mesmo com o cenário marcado pela imprevisibilidade e pelo radicalismo, um candidato que se promove como alternativa de centro e faz parte de uma velha máquina partidária, como Alckmin, deve terminar como vencedor por ter mais capacidade de aglutinar diferentes forças. Portanto, algo com que um Bolsonaro ou um novato não contam. 
"É mais provável um cenário chileno, em que parece não ter mudado nada e em que um político tradicional [Sebastián Piñera] venceu. No entanto, alguma renovação deve acontecer, como no Chile, em que surgiram novos movimentos na sociedade. No Brasil, devemos ver a mesma coisa, só não vai ser desta vez que eles vão assumir o protagonismo. Isso deve ficar para 2022", diz.
Jair Bolsonaro.jpg
Bolsonaro: o extremista aparece em segundo lugar nas pesquisas
Por fim, Stuenkel aponta que mesmo a possível vitória de um candidato de centro não será suficiente para frear a polarização da sociedade brasileira, que só se acentuou depois das eleições de 2014.
"Uma eleição não necessariamente acalma as coisas. Basta ver o que aconteceu nos EUA a partir de 2008. A vitória de Barack Obama, um candidato de centro, deu início à radicalização de grupos opositores, um fenômeno que culminou em 2016 com Donald Trump", conclui.
Carlos Melo, do Insper, concorda. "Há poucas esperanças de que a eleição, com o cardápio de candidaturas que se tem, venha a consertar o processo desses anos tortos."
Sem perspectiva de renovação do Congresso
Mesmo acossada pela Lava Jato, a classe política conseguiu se defender. As próximas eleições não vão contar oficialmente com o dinheiro das empresas, mas deputados e senadores conseguiram desenhar novas regras que devem ajudar a manter seus mandatos.
Entre elas estão a criação de um bilionário fundo eleitoral, que vai distribuir gordas fatias para os partidos que já possuem bancadas na Câmara, e a diminuição do tempo de campanha, que beneficia candidatos já conhecidos. As propagandas caras com imagem de cinema devem sair de cena, mas o tempo de TV ainda vai ser dominado por velhos rostos. 
Um estudo do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) projetou um índice menor de renovação do Congresso nas próximas eleições, abaixo da média de 49% dos últimos cinco pleitos. O grupo ainda aponta que mais deputados e senadores devem tentar a reeleição do que em pleitos anteriores. O motivo: manter o foro privilegiado.
"O desgaste dos atuais detentores de mandato certamente irá diminuir suas votações individuais, mas não terá o condão de evitar a reeleição. E quem não conseguir se reeleger terá sua vaga ocupada, majoritariamente, por ex-prefeitos, ex-governadores, ex-deputados federais, estaduais ou distritais, ex-vereadores, ex-secretários, ex-ministros, por endinheirados, por parentes de caciques regionais e por celebridades, como os jogadores de futebol", afirmou Antônio Augusto de Queiroz, diretor de documentação do Diap.
A saída de Temer
Temer chega ao seu último ano de mandato ainda mais distante da sua promessa de compor um ministério de "notáveis". Nos primeiros dias de 2018, ele nomeou Cristiane Brasil – notável apenas por ser filha do cacique partidário Roberto Jefferson, protagonista do escândalo do mensalão – para a pasta do Trabalho, acentuando o fenômeno de troca de tecnocratas ou políticos de expressão nacional por membros do baixo clero do Congresso.
O presidente também voltou a aumentar o número de ministérios, criando pastas sob medida para figuras como Moreira Franco, que garantiram a concessão de foro privilegiadopara aliados. A partir de abril, o governo deve registrar um novo número de baixas, quando uma dezena de ministros deve deixar os cargos para concorrer nas eleições.   
Desde que Temer assumiu, o governo aprovou duas grandes reformas importantes: o teto de gastos públicos e a reforma trabalhista. Mas as mudanças na Previdência ainda estão longe de serem concretizadas. A votação da emenda está marcada para 19 de fevereiro na Câmara. O Planalto já aceitou submeter uma versão mais leve do texto, mas consultorias internacionais apostam que é bastante improvável que o governo consiga aprovar qualquer versão. O assunto corre o risco de ficar para o sucessor de Temer.
Sem força para aprovar mais reformas conforme se aproxima o calendário eleitoral, que vai monopolizar as atenções do Congresso, o governo deve tentar capitalizar a melhora da economia. Segundo relatório da  Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), o Brasil deve crescer 2% em 2018. Para 2017, a comissão prevê que a economia brasileira avance 0,9%, pondo fim aos dois anos de recessão que marcaram 2015 e 2016. 
Os números na economia, no entanto, não têm sido suficientes para tirar o governo do fosso da impopularidade. Com expectativas baixas, o Planalto chegou ao ponto de celebrar, em dezembro, o fato de a aprovação de Temer ter subido de 3% para 6%. O índice é mais baixo que os 9% de José Sarney no final de 1989, quando o país era castigado pela hiperinflação.
Fonte: Carta Capital

TRF4 confessa uso de critério político contra Lula

Acessem:

https://www.youtube.com/watch?v=-0yTO2ijgYQ

Em livro, filósofo aponta falácias de Moro em sentença contra Lula

Política

Operação Lava Jato

Em livro, filósofo aponta falácias de Moro em sentença contra Lula

por Miguel Martins — publicado 08/01/2018 00h30, última modificação 06/01/2018 13h54
Euclides Mance identifica dezenas de equívocos lógicos de magistrado em peça que será julgada pelo TRF-4 em 24 de janeiro
Marcelo Camargo / Agência Brasil
Moro
Segundo o filósofo, Moro incorre em equívocos de raciocínio dos mais variados tipos
"As declarações de (Léo) Pinheiro Filho soam críveis", assinala Sergio Moro na sentença que condenou Lula a nove anos e meio de prisão, prestes a ser analisada em segunda instância pela Justiça. 
O magistrado diz não vislumbrar motivo para o delator do ex-presidente no processo do tríplex admitir "a prática de um crime de corrupção", no caso, o repasse de propina ao petista na forma do imóvel, e negar "o outro", relativo ao recebimento de vantagens ilícitas para o armazenamento do acervo presidencial.
"Caso sua intenção fosse mentir em Juízo em favor próprio e do ex-presidente, (Pinheiro) negaria ambos os crimes", conclui o magistrado. "Caso a intenção fosse mentir em Juízo somente para obter benefícios legais, afirmaria os dois crimes."
A argumentação do juiz pressupõe que a confirmação de um crime e a negação de outro permitem concluir pela veracidade da narrativa de Léo Pinheiro. Como a tese de Moro não pode ser verificada a partir do raciocínio lógico, sua conclusão pode ser considerada uma falácia de "apelo à crença", de acordo com o filósofo Euclides André Mance.
Assim como os desembargadores do TRF-4, que julgarão em segunda instância a condenação de Lula por corrupção e lavagem de dinheiro, o pesquisador debruçou-se sobre a sentença de Moro contra Lula. Em vez de avaliá-la do ponto de vista jurídico, seu objetivo foi identificar equívocos de raciocínio, ou argumentações sem consistência lógica (confira alguns exemplos). A falácia do apelo à crença é apenas um dos erros lógicos identificados pelo filósofo.
Integrante da coordenação geral do Instituto de Filosofia da Libertação e ex-professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), estado que abriga a força-tarefa da Lava Jato comandada pelo juiz, Mance está prestes a publicar o livro "Falácias de Moro", que estará disponível para compra no site da Editora IFIBE nas próximas semanas.
Na obra, o autor identifica dezenas de equívocos lógicos do magistrado na peça. O estudo não é uma abordagem jurídica ou mesmo política da sentença, mas uma verificação das conclusões do magistrado a partir de suas premissas.
Embora tenha sentido perjorativo no senso comum, uma falácia não é necessariamente um ato de má fé. Se for cometida sem intenção, lembra Mance, trata-se de um paralogismo. Quando realizada de forma proposital, é um sofisma. "Os defensores do autor da sentença, possivelmente, verão nessas falácias apenas paralogismos oriundos da análise lógica de um problema bastante complexo. Seus críticos poderão entendê-las como sofismas politicamente motivados", escreve o filósofo.
Mance diz que, ao ler a sentença de Moro, começou a perceber algumas inconsistências. "Lecionei lógica e filosofia da linguagem por alguns anos e percebi essas particularidades". O filósofo elaborou uma versão preliminar do estudo e solicitou a contribuição de outros professores de filosofia. Ele diz não ter parâmetros para avaliar se a sentença de Moro tem mais erros lógicos que a média das peças jurídicas no País. "É a primeira vez que analiso uma sentença, mas fiquei estarrecido".
Muitas das falácias identificadas estão relacionadas a erros de inconsistência ou equivocação, quando há duas afirmações excludentes sobre um mesmo fato. Para reconhecê-las, o filósofo teve de confrontar passagens que estão a centenas de parágrafos de distância.
Lula
Em seu estudo, o pesquisador notou que Moro trata o apartamento no Guarujá em certa passagem como um duplex, e mais à frente como um tríplex. A ambiguidade é importante, pois Moro afirma que já havia anotações sobre o tríplex em documentos de aquisição de direitos subscritos pela ex-primeira dama Marisa Letícia, quando na verdade o apartamento ainda era um duplex, diz Mance.
O filósofo lembra ainda da afirmação de Léo Pinheiro de que não havia contado a ninguém no interior da OAS sobre as ilicitudes relacionadas ao tríplex. Em seu depoimento, Agenor Medeiros, diretor da empreiteira, contradiz Pinheiro ao afirmar ter ouvido dele numa viagem que os prejuízos com o tríplex seriam abatidos de uma conta de propinas. "Isso revela que um dos dois, ou talvez ambos, tenham faltado com a verdade em juízo."
Conheça outras falácias identificadas por Mance em seu livro.
"Já foi me dito que era do presidente”: Falácia do apelo à crença comum
O primeiro equívoco lógico apontado pelo filósofo está relacionado à afirmação de Léo Pinheiro de que o apartamento no Guarujá era de fato de Lula. No depoimento a Moro, Pinheiro afirma: "Desde o dia em que me passaram para estudar os empreendimentos da Bancoop, já foi me dito que era do presidente Lula e de sua família, que eu não comercializasse e tratasse aquilo como uma coisa de propriedade do presidente".
Segundo Mance, o fato de Moro utilizar essa afirmação como evidência de que Lula era o destinatário do imóvel é uma falácia do argumento ad populum,ou de apelo à crença comum. Pinheiro afirma que "já foi me dito que era do presidente Lula", mas a sentença não elucida quem na OAS teria informado Pinheiro do esquema.
Assim, a forma argumentativa de Pinheiro aceita por Moro seria:
Se já foi me dito que o triplex era do presidente, então, o triplex era do presidente. 
A argumentação, diz o filósofo, é semelhante a afirmar que:
Se já foi me dito que um extraterrestre pousou em Varginha, então, um extraterrestre pousou em Varginha.
A Matéria de "O Globo": Falácia de circularidade
Na sentença, Moro cita como um elemento probatório de que o tríplex era de Lula uma matéria do jornal O Globo publicada em 2010. Na reportagem, intitulada "Caso Bancoop: triplex do casal Lula está atrasado", Lula e Marisa são apontados como donos de uma cobertura no Guarujá.
Mance lembra que Moro não questiona a veracidade da matéria jornalística publicada e a valoriza como elemento probatório. Segundo o filósofo, trata-se de uma falácia de circularidade, quando a premissa e a conclusão apresentam um círculo vicioso. A forma argumentativa de Moro, segundo o filósofo, é a seguinte:
A afirmação, publicada na matéria em 2010, de que o ex-presidente é proprietário do imóvel é elemento probatório de que o ex-presidente é proprietário do imóvel. Porque se ele não fosse proprietário do imóvel, não existiria essa afirmação na matéria em 2010
Mance argumenta que a falácia é semelhante à seguinte:
A afirmação, relatada na bíblia, de que Deus criou o mundo é elemento probatório de que Deus criou o mundo. Porque se Deus não tivesse criado o mundo não haveria essa afirmação relatada na bíblia.
“As reformas foram feitas por solicitação do ex-Presidente”: Falácia non sequitur
Leo Pinheiro
Segundo Mance, Moro incorre em falácias ao confiar na narrativa de Léo Pinheiro (Foto: Agência Câmara)
Uma das controvérsias do processo reside sobre Lula eMarisa terem solicitado reformas no imóvel. Segundo Mance, Moro considera que o fato de eles terem autorizado mudanças no apartamento constitui prova de sua propriedade sobre o imóvel. Mance considera esse argumento um falácia no sequitur, quando não há conexão entre as premissas e a conclusão. 
A forma argumentativa de Moro, segundo o filósofo, é:
Se alguém é proprietário de um imóvel, então aprova as reformas.
Ora, o ex-presidente aprova as reformas
Então ele é proprietário do imóvel.
De acordo com Mance, o argumento é falacioso pois não há uma relação necessária e suficiente entre autorizar reformas e ser o proprietário de um imóvel. A forma argumentativa de Moro permitiria também dizer que:
Se alguém é proprietário de um imóvel, então aprova as reformas.
Ora, o arquiteto, o engenheiro e o corpo de bombeiros aprovaram as reformas do imóvel.
Então, o arquiteto, o engenheiro e o corpo de bombeiros são proprietários do imóvel.
“Reformas não seriam pagas”: Falácia de apelo à presciência
Na sentença, Moro argumenta que os gastos das reformas do apartamento "não seriam pagos pelo ex-presidente e por sua esposa", mas seriam consumidas como vantagem indevida em um acerto de corrupção. Mance considera a argumentação falaciosa por utilizar o futuro do pretérito como tempo verbal. Segundo o autor, a afirmação "toma por fato acontecido o que era mera suposição do que poderia ser dar no futuro".
Moro acaba por confiar que Lula "não pagaria" as reformas, mas não tem conhecimento do futuro para saber se os custos ficariam a cargo do ex-presidente ou da OAS. É um argumento que considera apenas um cenário em meio a outros tantos possíveis. Na lógica, esse tipo de presciência sobre o futuro, diz Mance, costuma ser reservado apenas a entidades divinas. No âmbito da teologia, Deus é o único capaz de prever o futuro.
“Foi abatido nesse encontro de contas”: Falácia do argumentum ad hominem
Um dos pontos centrais da argumentação de Moro para condenar Lula reside na declaração de Pinheiro de que a diferença entre o preço do imóvel comprado pelo ex-presidente e Marisa em 2005 e o valor do tríplex reservado ao casal posteriormente teria sido abatido de uma conta de propinas.
Segundo Mance, Moro não investigou o destino do valor supostamente abatido das contas de propina, cerca de 800 mil reais, embora a própria sentença afirme que ele não foi gasto com as reformas. Além disso, o magistrado não comprova, segundo o filósofo, "a real ocorrência daquilo que é afirmado".
Ao tomar como verdadeiro algo que Pinheiro diz sem verificar, Moro incorre, segundo Mance, em uma falácia do tipo argumentum ad hominem, quando reputa-se a condição da pessoa, as circunstâncias em que se encontra ou a sua atitude para confirmar a validade do que ela afirma.
Fonte: Carta Capital

Temer deixa filha de Jefferson cozinhar no “fogo amigo”

Temer deixa filha de Jefferson cozinhar no “fogo amigo”

Michel Temer não devia brincar com Roberto Jefferson.
O homem dos “instintos mais primitivos” já identificou que vem do Palácio do Planalto boa parte da artilharia que se detonou contra a sua filha Cristiane Brasil.
Foi dele, claro, o pedido para antecipar a posse, de amanhã para hoje, e criar um fato que interrompesse o bombardeio de denuncias contra o “arranjo” que paga sua dívida trabalhista com o dinheiro de uma assessora sinaliza que os Jefferson queriam testar a solidariedade de Temer diante da ameaça que pode inviabilizar a própria ascensão da filha-deputada ao cargo, bastando que um dos vários juízes que receberam ações contra a sua posse dê uma liminar.
Foi negado, porém.
Jefferson sabe que a moça pode não aguentar mais 24 horas e irritou-se profundamente com os comentários – em off – que estão alimentando O Globo, como o atribuído a um ” assessor palaciano”.
— Ela no Ministério do Trabalho é como alguém sair de Bangu e assumir a Secretaria de Segurança Pública. Sem contar que ela não é nenhuma Madre Teresa, o passado da família já condena.
Se aguentar, assume sem poder, vigiada por mil olhos.
O papai ” resgatado” está uma fera.

Por que os comunistas venceram as eleições no Nepal?


Por que os comunistas venceram as eleições no Nepal?


Vitória pode ser atribuída ao desgaste do Partido até então no poder, sacudido por escândalos de corrupção, lutas internas e que jamais apresentou um projeto de país
Os comunistas venceram as eleições parlamentares e provinciais no Nepal. No Parlamento, a aliança comunista terá uma maioria de quase dois terços. O governo eleito terá cinco anos de mandato e, com essa maioria parlamentar, poderá reformar a Constituição de 2015 e aplicar seu programa político.
Os resultados parlamentares e provinciais mostram que os comunistas ganharam em todo o país, tanto no campo como nas cidades. Em suas primeiras declarações, o provável primeiro-ministro KP Oli se mostrou cauteloso: “Vimos no passado que a vitória tende a tornar os partidos arrogantes. Existe o temor de que o Estado seja opressivo. Os ganhadores tendem a ser indiferentes às suas responsabilidades. Mas isso não vai acontecer com um governo comunista”, disso Oli.
A vitória dos comunistas pode ser atribuída ao desgaste do Partido até então no poder, sacudido por escândalos de corrupção, lutas internas e que jamais apresentou um projeto de país. Em 2015-16, quando o governo da Índia fechou as fronteiras com o Nepal, o Congresso não condenou a Índia. Mas os comunistas, e, em particular, Oli, não se contiveram e a sensibilidade nacionalista uniu a sociedade contra o Congresso e a favor dos comunistas. Mais ainda, a aliança que governava o país apresentou-se nas eleições com uma aliança incoerente, improvisando uma coalizão que incluía os partidos madhesis (representantes das minorias nacionais) e os partidos monárquicos.
Os comunistas, ao contrário, fizeram a campanha com uma proposta simples: “prosperidade pela estabilidade”. Desde que o Nepal acabou com a monarquia, em 1990, houve muitos problemas. O fracasso do processo democrático empurrou uma parte dos comunistas para a insurgência armada entre 1996 a 2006. Cerca de 17.000 pessoas morreram nessa guerra, que convergiu para um novo processo democrático com uma Assembleia Constituinte. A monarquia foi abolida em 2008 e a Assembleia Constituinte redigiu a Constituição de 2015. No entanto, a partir de então, o país teve 10 primeiros ministros e muito pouco desenvolvimento social.
Duas das principais correntes do comunismo nepalense – os maoístas e o Partido Comunista do Nepal (Unificado Marxista-Leninista) – decidiram ir às urnas juntos e prometeram que iriam formar um novo partido unido depois das eleições. Esse projeto oferecia mais estabilidade, era a demostração de que os comunistas podiam elaborar um programa conjunto e manter a unidade, que seriam capazes de oferecer um governo estável por cinco anos.

Alto comparecimento às urnas marca eleições municipais em Cuba

Conselho denuncia violação de direitos humanos em Honduras na repressão a protestos contra possível fraude eleitoral

Presidente da Itália dissolve Parlamento e convoca eleições para março

 
Reprodução

Comunistas venceram eleições no Nepal
O custo da luta armada havia sido muito elevado para o país. A maior parte das esquerdas não pegou em armas, mas empreendeu muitas lutas populares contra a monarquia, as autoridades feudais e as relações de propriedade capitalistas. A frente da Esquerda Unida, que se formou em 1990 para lutar por um sistema democrático, era dirigida pelo grupo que se converteria no Partido Comunista do Nepal (Unificado Marxista-Leninista), um dos principais pilares da aliança comunista atual. O outro pilar são os maoístas, que passaram a aceitar a democracia parlamentar. Esses dois partidos provavelmente se fundirão em 2018 para se constituírem em uma das forças políticas mais fortes do Nepal.
O programa do novo governo deverá concentrar-se no combate à pobreza e à falta de infraestrutura. O futuro primeiro-ministro Oli declarou que não recusará os investimentos estrangeiros para construir a infraestrutura básica do país, incluindo uma ferrovia chinesa desde o Tibete. Provavelmente, o novo governo se manterá numa posição cuidadosamente equidistante entre Índia e China – os gigantes regionais. O pragmatismo é o nome do jogo, e não a lealdade à China por motivos ideológicos. A aliança comunista se compromete a elevar a renda per capita para o equivalente a 5.000 dólares anuais a partir dos magros 862 dólares atuais. Pretende-se investir em Educação e Saúde, assim como aumentar drasticamente o número de empregos para os jovens.
Os recursos virão, segundo os comunistas, do fim da corrupção, do uso mais eficiente do dinheiro dos impostos, da devolução de cerca de 50% dos recursos para os governos provinciais e municipais, para que seja usado no desenvolvimento local. A aposta é que um governo estável atrairá investimentos e turistas ao Nepal e que os recursos possam ser utilizados no desenvolvimento da agricultura orgânica e na energia limpa (incluindo-se a energia hidroelétrica), o que aliviará o custo da importação de energia.
Oli pediu a todos a união com a aliança comunista para elevar o nível de vida da população. É uma política que aponta para a conversão da agenda comunista em agenda nacional, e que vai pressionar as classes dominantes e castas superiores a não bloquear a política de desenvolvimento social. Trata-se claramente de um projeto nacional-desenvolvimentista, dentro de um processo de longa transição para o socialismo, tendo em vista as profundas contradições da sociedade nepalesa.
(*) Tradução do Olhar Comunista
Fonte: Opera Mundi

De José Fevereiro, do PSOL, para Marcelo Freixo ler

De José Fevereiro, do PSOL, para Marcelo Freixo ler

Do blog de José Luiz Fevereiro, dirigente nacional do PSOL e dos meus  tempos de movimento estudantil na UFRJ, a mostrar que existe vida inteligente por lá, capaz de perceber que no Brasil não há apenas uma sociedade de classes, mas de castas. E que as “instituições” são, frequentemente, a porta de entrada para o mundo da adesão ao conservadorismo e à manutenção do status quo.  A esquerda que quer ser “limpinha e cheirosa” – e isso nada tem a ver com ser honesto, mas  com ser “palatável” ao pensamento dominante – de tanto louvar as virtudes dos “homens bons” acaba por se tornar parte deles. Gabeira está aí que não me deixa mentir.

O TRF-4, o Irã , os perus e as rabanadas

José Luiz Fevereiro, em seu blog
Em 2010 o Congresso Brasileiro aprovou a lei complementar 135, a Lei da Ficha Limpa, com apoio da esquerda. De 2008 a 2010 travei o bom combate para que o PSOL não votasse a favor dessa lei. Numa sociedade de classes, reduzir direitos nunca é uma boa opção para quem defende o andar de baixo. Fiz esse debate até ser finalmente vencido em votação na executiva nacional do PSOL onde apenas contei com mais um voto além do meu, algumas abstenções e grande maioria a favor da aprovação.
Delegar a uma casta como a do judiciário o poder de supervisionar a democracia brasileira, definindo por decisões de 4 juízes, 1 de primeira instancia e 3 de segunda instancia , em quem o povo pode ou não votar nunca me pareceu uma boa ideia. A maioria do Poder Judiciário, pela sua própria origem de classe, tenderá a refletir os valores, a cultura e os interesses inerentes a essa condição. Mais de 400 mil presos provisórios, a maioria “pretos-pardos- e-pobres” em penitenciarias superlotadas são a prova quotidiana disso. Permitir restrição de direitos sem condenação transitada em julgado, exceção aberta com a Lei da Ficha limpa, mostra como a fantasia da “neutralidade das instituições” contaminou a esquerda.
Os recentes arreganhos do judiciário avançando na criminalização dos movimentos sociais eram pedra cantada. Daqui até termos sindicalistas, dirigentes de movimentos sem teto e sem terra, dirigentes de trabalhadores rurais, ativistas ambientais e quilombolas afastados das disputas eleitorais por condenações de fancaria não faltará muito. Oligarquias que controlam o judiciário dos seus estados com mão de ferro podem afastar adversários incômodos da disputa dessa forma. Se alguém tinha duvidas disso quando fizemos o debate de 2008 a 2010, o processo que Lula responde dia 24 em Porto Alegre, feito sob medida para afastá-lo da disputa eleitoral de 2018, é o “se situa” que faltava.
Toda a esquerda apoiou essa lei em 2010. Sob o aplauso fácil de um moralismo despolitizado, uma crença infantil que o judiciário seria melhor que os outros poderes da República, coisa que os fatos desmentem a cada dia, colocamos o escrutínio do povo sob tutela do único poder que não responde diretamente a ele porque não é eleito mas concursado, composto portanto pela “meritocracia” tal qual ela existe nestes trópicos.
No Irã, o Conselho de Guardiães, composto por 6 clérigos xiitas indicados pelo Grão  e 6 juízes indicados pelo parlamento, decide quem pode e quem não pode ser candidato. No Brasil 4 juízes terão essa prerrogativa. É menos plural.
Naqueles dias de maio de 2010, os perus votaram pela antecipação do Natal.
As primeiras rabanadas serão distribuídas dia 24 em Porto Alegre.