sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Áudio de WhatsApp sobre déficit da Previdência é verdadeiro

Mensagem resume as conclusões do relatório de CPI que analisou o tema, em gravação atribuída à Voz do Brasil
16 de Fevereiro de 2018
Geraldo Magela/Agência Senado
O senador Hélio José (Pros-DF), em audiência que discutiu o relatório da CPI da Previdência
“Para quem não escuta a Voz do Brasil.Resultado da CPI da Previdência.30/10/2017Faça ampla divulgação desse áudio, muito bom!!!Os meios de comunicação não divulgam porque também devem e sonegam!!!”
Verdadeiro
Uma mensagem sobre o déficit da Previdência tem circulado pelo WhatsApp, acompanhada de um áudio que seria da Voz do Brasil. A gravação apresenta algumas das conclusões do relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Previdência, elaborado pelo senador Hélio José (Pros-DF). O documento defende que a Previdência Social não é deficitária. O Truco – projeto de checagem de fatos da Agência Pública – analisou a corrente e concluiu que o áudio não foi manipulado. Embora a existência ou não do déficit seja controversa, a mensagem é verdadeira.
Como a Voz do Brasil aparece como origem da gravação e logo no início é mencionado o Jornal do Senado, a reportagem verificou os áudios no site do Jornal do Senado. O texto diz que a veiculação ocorreu em 30 de outubro, mas na verdade o programa foi ao ar em 23 de outubro de 2017.
O relatório da CPI defende que não há déficit na Previdência, mas a questão é discutível. Defensores da aprovação da reforma afirmam que há rombo nas contas do governo. Já os críticos garantem que sobra dinheiro e que o déficit não existe. O Truco já checou duas frases sobre o tema e a conclusão foi de que, de acordo com a metodologia adotada para analisar os dados, pode-se dizer tanto que existe o rombo como o contrário.
Em 20 de abril, foi analisada uma frase de George Soares, secretário do Orçamento Federal do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. “Em 2016, (…) nós tivemos um déficit desse sistema [da seguridade social, da qual faz parte a Previdência] de R$ 258,7 bilhões, uma ampliação de 55,4% em relação a 2015”, disse. O dado, contudo, é questionado por várias organizações da sociedade civil, como a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip) e a Confederação Brasileira de Aposentados, Pensionistas e Idosos (Cobap).
Também foi verificada uma frase de Guilherme Portanova, assessor jurídico da Cobap. “É uma falácia dizer que existe déficit. Em dez anos, entre 2005 e 2015, houve uma sobra de R$ 658 bilhões”, afirmou. O governo, contudo, contesta esse cálculo, por considerar que algumas despesas não podem ser excluídas, como os pagamentos de aposentadoria de servidores públicos e oficiais militares, nem incluídas algumas receitas.
A conclusão das checagens foi de que os dois lados usam metodologias distintas para chegar a resultados matematicamente corretos e, segundo especialistas independentes, igualmente válidos, de acordo com os critérios adotados. Por isso, não é possível determinar que um deles está correto e o outro, errado.
Reprodução
Corrente que circula no WhatsApp, sobre o déficit da Previdência


SOBRE O TRUCO

Entenda a nossa metodologia de checagem e conheça os selos de classificação adotados em http://apublica.org/truco. Sugestões, críticas e observações sobre esta checagem podem ser enviadas para o e-mail truco@apublica.org e por WhatsApp ou Telegram: (11) 96488-5119.

E tome ‘retomada’: emprego na construção cai 5% e vai cair mais

E tome ‘retomada’: emprego na construção cai 5% e vai cair mais

O número de pessoas empregadas na construção civil caiu 5% em 2017, segundo o Sinduscon-SP (sindicato paulista do setor).
Foram 125 mil vagas a menos em relação a 2016, quando houve retração de 14%.
“Áreas que antecedem as obras e tinham melhorado, como preparo de terrenos, voltaram a cair no fim do ano”, diz José Romeu Ferraz Neto, presidente da entidade.
“Não temos uma projeção oficial para 2018, mas deveremos ter uma nova queda, com redução de 100 mil postos. Isso em um cenário sem a reforma da Previdência, que libera verba para investimento.”
A única “retomada” que temos é financeira. O resto é rastejar no fundo do poço, com uma “colina” ali, outra aqui.
Bolsa e dólar estão em patamares sabidamente irreais e sacodem todos os dias com qualquer trepidação externa.
Não haverá retomada do crescimento econômico digna deste nome – não espasmos, já se viu – sem um programa de investimentos públicos.
E não há coisa mais distante dos horizontes brasileiros que algo assim.

'Rio precisa de investimentos, não intervenção militar', afirma Jandira

16 de fevereiro de 2018 - 14h51 

'Rio precisa de investimentos, não intervenção militar', afirma Jandira


Álvaro Portugal/PCdoB na Câmara
  
A medida, que foi anunciada oficialmente nesta sexta-feira (16) em uma cerimônia no Palácio do Planalto de assinatura do decreto, colocam as Forças Armadas como as responsáveis pelo comando tanto da Polícia Militar como da Polícia Civil. Agora, o decreto será encaminhado ao Congresso Nacional e em até 10 dias, poderá aprovar ou rejeitar a decisão.

O estado do Rio de Janeiro, bem como outros estados do país, enfrentam uma aguda crise na segurança. No vídeo, Jandira afirma que compreende o anseio da população por uma solução, diante da realidade cotidiana que o estado enfrenta. Mas manifesta preocupação quanto às consequência reais da medida, principalmente para a população mais pobre.

"Entendo que a sociedade queira algo e até parte dela aplauda essa intervenção, mas eu pergunto: quantas vezes as Forças Armadas aqui já estiveram? Dezenas de vezes. E conseguiu resolver? As Forças Armadas não são forças policiais. São preparados para a guerra, para matar. Não são forças de segurança do cidadão. A cidadania precisa de uma segurança pública que a proteja", defendeu Jandira.

Para a deputada, as Forças Armadas não devem ser utilizadas como força policial, mas podem contribuir na construção de um plano de inteligência para a detecção cirúrgica do comando do crime, do tráfico de armas e drogas.

"Quantos civis e quantos inocentes poderão, a partir de uma truculência, serem assassinados dentro das favelas, das comunidades ou nas ruas. Tenho muito medo por estas comunidades que já estão sendo assassinadas sem uma apuração correta, tendo suas casas invadidas, pé na porta e agressão", frisou.

Para a deputada Jandira, os principais responsáveis são os governos Temer, Pezão e Crivela. "Em primeiro lugar, o governo federal que tirou recursos da segurança pública e nunca, de fato, fez um plano integrado utilizando a sua expertise no campo da inteligência. Nem recurso, nem inteligência", salientou a deputada federal. "Esse governo com a sua agenda neoliberal - que tirou direitos, congelou investimentos por 20 anos em todas as política, inclusive de geração de emprego, infraestrutura e direitos - aumentou a desigualdade, devolveu o país ao Mapa da Fome e não atuou na repressão onde de fato tem que reprimir", completou.

Ela salientou que o governo dispõe de instrumentos de inteligência capazes de detectar a lavagem de dinheiro, como foi utilizado nas investigações da Lava Jato. "Por que o Banco Central e Receita não utilizam esses instrumentos para detectar os comandantes do mercado de armas e drogas? Ou nós achamos que são esses meninos sem camisa no meio da rua que assumiram a bandidagem assaltando, roubando e até tirando vidas que são os comandantes do mercado de armas e drogas?", indagou a deputada comunista.



Jandira classificou o governo de Fernando Pezão (MDB) como "inepto", o que levou o Estado para o colapso e a anomia. Segundo ela, Pezão "diz que não planejou, não viu e se escondeu no interior do Estado". Sobre Marcelo Crivela (PRB), a deputada afirmou que o atual prefeito tratou a cidade com "desprezo" e "sequer estava na cidade, nem no Carnaval nem na enchente", se referindo as centenas de pessoas que tiveram as suas casas invadidas pela água, após fortes chuvas que abateram a cidade.

Premeditato

Ela lembrou ainda que tal medida não se trata de uma ação de emergência, como diz o governo, mas um plano preparado desde janeiro. "Por que agora? Porque o Carnaval foi a vitrine dessa insegurança, dessa anomia que jogou para o mundo o que está acontecendo no Rio de Janeiro. E também explodiu no Carnaval a rejeição absoluta ao governo Temer, Pezão e Crivela. Ai eles buscam algum grau de sustentação através de ações desse tipo que não será só no Rio, estão anunciados outros nove estados", advertiu.

Jandira ressaltou que outra consequência dessa medida é o protagonismo das Forças Armadas no país. "Cria-se o Ministério da Segurança Pública. Esse governo está preocupado com a vida do cidadão ou preocupado em aumentar os seus votos na bancada da bala para manter a sua agenda neoliberal de retirada de direitos?", questiona.

Ela também afirma que não acredita que o interesse do governo em decretar uma intervenção seja apenas disfarçar uma possível derrota na votação da reforma da Previdência, já que o governo não conseguiu convencer 308 deputados - quórum mínimo para votar o texto na Câmara dos deputados. De acordo com a Constituição, o decreto de intervenção interrompe todas as reformas constitucionais em tramitação no Congresso Nacional.

Alerta: democracia sob ameaça

"Acho que as razões são mais amplas e mais preocupantes", diz ela, destacando que há muitos interesses por trás dessa medida, sendo um deles a divisão e desestabilização de vários núcleos que tem a direita organizada no Brasil. "Isso tende a endireitar o processo eleitoral com um candidato mais facistizador da política ou até não ter eleição", avalia.

"Faço esse alerta porque não podemos ser ingênuos neste momento. Ao mesmo tempo que tenho uma profunda preocupação com a segurança da cidadania - e essa é uma questão central para nós, pois se trata de vidas que estão em jogo e por isso, precisamos de uma saída para a segurança pública -, acho que as Forças Armadas não resolvem. O que resolve é uma política de segurança pública de fato, com investimento, inteligência e uma polícia coordenada e capacitada que pode ter a ajuda das Forças Armadas nessa construção, mas não nas ruas", acrescentou.

E conclui: "Temos que garantir a transparência, a ordem pública, mas com democracia. Não podemos permitir que a eleição não seja feita ou que ela seja endireitada, facistizada. E aqui eu me socorro do recente discurso do comandante do Exército de que as Forças Armadas seguirão a Constituição. E é isso que nós queremos. Chamo as forças democráticas desse país a ficarem atentas e mobilizadas. E que as mobilizações contra a reforma da Previdência também tenham com muita força a defesa da democracia nas ruas".
 

Do Portal Vermelho

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O poder do financismo

Economia Política

O poder do financismo

O mito da força do mercado impõe ao conjunto da sociedade os sacrifícios coletivos para que sejam drenados, de forma segura e contínua, a essa ínfima parcela os recursos extraídos de todos os demais setores

 
15/02/2018 12:17
 

Paulo Kliass *

O período entre as festas do final do ano e a folia do Carnaval é normalmente marcado pela divulgação de informações que deveriam deixar envergonhados todos os que se preocupam com um mínimo de decência e justiça em termos da organização de nossa sociedade. Em especial, me refiro à forma como são apropriadas e distribuídas as diferentes formas de renda e riqueza entre nossos cidadãos.
Durante os meses de janeiro e fevereiro as instituições financeiras apuram seus balanços patrimoniais e contabilizam os lucros realizados ao longo do ano anterior. Um dos aspectos que mais impressiona nessa maratona de publicação de seus resultados é a aparente naturalidade com que esses números são tratados por aqueles que são os responsáveis pelas editorias de economia dos grandes meios de comunicação e também por parte da maioria de nossos dirigentes políticos.
Nesses tempos de endeusamento da meritocracia e de loas incomensuráveis lançadas às virtudes dos empresários eficientes em suas áreas de atuação, tudo isso parece tão normal. Afinal, se ganharam mesmo tanto dinheiro assim só pode ser pelo simples fato de que são bons e competentes naquilo que fazem como operadores sua área de negócios. A realidade dos lucros bilionários dos bancos tornou-se uma espécie de tradição intocável em nossa sociedade, cada vez mais tão marcada pelo abismo verificado entre as duas centenas de milhões dos que quase nada possuem e o punhado de trilhardários que adoram ostentar suas fortunas. Estes últimos parecem adorar a acirrada disputa da presença em listas de bilionários, tão cuidadosamente elaborada por revistas especializadas, como as mais conhecidas Forbes e Fortune.
Assim, em 2017 a duplinha dinâmica dos líderes do capital privado em nosso sistema financeiro mantiveram sua dianteira. Enquanto Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal eram orientados a atrasarem suas respectivas divulgações, os donos de Itaú e Bradesco exibem orgulhosos as suas façanhas. O primeiro é o banco do presidente do Banco Central e ofereceu um novo recorde, ao registrar um lucro líquido de R$ 25 bilhões. O segundo é o banco do candidato de Lula a presidente do Banco Central em 2015 e apresentou ligeira queda em seu lucro, obtendo apenas R$ 15 bi ao longo do ano passado.
Brasil: paraíso dos bancos
A terceira posição dentre os bancos privados operando por nossas terras ultimamente tem sido ocupada pelo conglomerado financeiro espanhol Santander. Em 2017 o lucro obtido pela filial tupiniquim foi de R$ 10 bi. Esse resultado representou um salto de 36% em relação ao ano anterior. Tal performance assegurou a lucratividade do grupo em sua escala de atividade global. Os rendimentos auferidos pelo banco apenas no Brasil representaram 26% do total dos ganhos do grupo espanhol em todo o mundo. Recordemos que se trata do sétimo maior banco do planeta.
A soma dos lucros dos 3 maiores bancos privados em nosso mercado financeiro no ano passado alcançou a cifra de R$ 50 bi. Sabe-se de todo o esforço realizado pelas áreas jurídicas e de planejamento tributário das instituições para escapar do pagamento de impostos. Assim, os ganhos reais foram muito maiores do que esses aqui contabilmente revelados e declarados. Isso sem contar a generosidade absurda oferecida pela legislação criada por FHC - e mantida desde então pelos sucessivos governos de Lula, Dilma e Temer - que isenta de tributação o recebimento privado de lucros e dividendos. Uma loucura!
O Brasil está mergulhado há mais de 2 anos em uma profunda recessão econômica. O PIB encolheu mais de 8% desde 2015, como consequência direta do aprofundamento da estratégia do austericídio. O desemprego chegou a atingir 14 milhões de trabalhadores e a quebradeira das empresas foi generalizada ao longo desse período. Apesar de todo esse clima de catástrofe social e econômica, o único setor que não foi sequer atingido pela crise foi justamente a banca. As instituições financeiras continuaram faturando muito alto e apresentaram seguidamente resultados ostentando lucros vergonhosamente bilionários.
O poder do financismo ultrapassa os limites da área de atuação das instituições financeiras. O mito da força do mercado - tão amedrontador aos olhos dos analistas e especialistas forjados no interior do próprio sistema - impõe ao conjunto da sociedade os sacrifícios coletivos para que sejam drenados, de forma segura e contínua, a essa ínfima parcela os recursos extraídos de todos os demais setores.
A cumplicidade do Banco Central
As fontes desses ganhos inexplicáveis e inaceitáveis são multivariadas. A sinecura proporcionada pela permanência das nossas taxas oficiais de juros em níveis de campeã do mundo é uma delas, com toda a certeza. Os bancos têm rentabilidade muito elevada sem fazer absolutamente nada: basta emprestar ao governo com ganhos balizados pela SELIC. A prática antiga e conhecida da sonegação tributária no interior do sistema das finanças reforça o poder das empresas e retira recursos do conjunto da sociedade. As tarifas cobradas pelos chamados “serviços” bancários no interior de nossas fronteiras também figuram dentre as mais elevadas do planeta. Além desses fatores, ganha participação especial os ganhos proporcionados pelos impressionantes níveis de “spread” praticados pelos bancos.
A farsa da colocação de dirigentes de bancos privados no comando do Banco Central cai como sopa no mel em tal quadro incestuoso. Ao brandir pela “independência” do BC para que este opere em termos supostamente “técnicos”, os defensores dos interesses do financismo buscam legitimar a prática daquilo que a sabedoria popular chama de “colocar a raposa para tomar conta do galinheiro”. Afinal, nada mais “político” do que deixar a instituição responsável pela regulamentação e fiscalização do sistema financeiro nas mãos dos próprios banqueiros.
Ora, como encontrar outra resposta para a ausência de ação do BC no controle do crime de abuso econômico praticado há décadas pelos bancos? A prática articulada das empresas em regime de oligopólio é por demais conhecida para que se tente outra forma que não a intervenção pesada do órgão regulador na defesa dos interesses das partes mais frágeis na relação econômica determinada. Fiquemos apenas com o exemplo mais escandaloso do “spread” praticado nas operações realizadas com cartões de crédito.
Lucros dos bancos só crescem
O BC acaba de divulgar seu mais recente relatório com tais informações. Em dezembro de 2017, a média da taxa cobrada pelos bancos nessas operações era 335% ao ano. Recordemos apenas que naquele momento a SELIC estava na faixa de 7% ao ano. Quem se dedicar a calcular o diferencial de ganho nessa operação chegará ao inacreditável percentual de 4.685%. É por isso que a posição de chefe de tesouraria de instituições financeiras no Brasil é tão cobiçado. Em nenhuma outra praça do mundo uma singela operação de crédito oferece tamanha rentabilidade sem praticamente nenhum risco envolvido.
Mas Paulo, poderão arguir alguns leitores, o fato é que a taxa SELIC baixou no período mais recente e isso deve ter impactado os custos das operações. Pois peguemos os valores observados nos finais de ano anteriores:

Como se pode perceber, os ganhos dos bancos nas operações só fizeram crescer nesse período mais recente, como vinha ocorrendo desde sempre. Esteja a SELIC em alta ou em baixa, esteja a inflação mais ou menos controlada, os interesses dos bancos não são afetados. Muito pelo contrário! A complacência e a cumplicidade do BC só contribuem para essa verdadeira sensação de impotência do conjunto da sociedade frente ao poder exacerbado do sistema financeiro.
A proximidade do pleito de outubro e a oportunidade gerada pelo debate de alternativas eleitorais não podem deixar de lado a questão da dominância do financismo. É necessário uma ampla discussão nacional a essa respeito. É urgente que superemos nossa condição de uma sociedade que permite se deixar escrava dos desejos do parasitismo rentista por tanto tempo. Um modelo social e econômico menos desigual pressupõe maior capacidade de controle e regulação do Estado perante esse perigoso poder. Por outro lado, as empresas do mundo das finanças deveriam contribuir com maior capacidade de arrecadação tributária para um Brasil mais justo e desenvolvido.

* Paulo Kliass é doutor em Economia pela Universidade de Paris 10 e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal.
Fonte: Carta Maior

Nise da Silveira: a mulher que revolucionou o tratamento mental por meio da arte


PSIQUIATRIA

Nise da Silveira: a mulher que revolucionou o tratamento mental por meio da arte

Com terapia ocupacional, psiquiatra alagoana enxergou potencial de pacientes com estigma da loucura

Brasil de Fato | São Paulo
,
Ouça a matéria:
Nise da Silveira ficou conhecida por seu trabalho como psicoterapeuta e na Luta Antimanicomial / Centro Cultural da Saúde/Ministério da Saúde

Já dizia Machado de Assis que “De médico e louco todo mundo tem um pouco”. O ditado ficou famoso pelo livro O Alienista, de 1882, que faz um debate sobre a loucura. Uma frase parecida é da nordestina Nise da Silveira, grande admiradora do autor brasileiro: “Não se curem além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas muito ajuizadas.”
Nise Magalhães da Silveira nasceu em 1905 e ajudou a escrever e revolucionar a história da psiquiatria no Brasil e no mundo. Nascida em Maceió, Alagoas, ela ficou conhecida por humanizar o tratamento psiquiátrico e era contrária às formas agressivas usadas em sua época, como o eletrochoque.
De uma inteligência rara e inquietação gigantesca, Nise também inspirou quem conviveu com ela, como é o caso de Gonzaga Leal, artista e terapeuta ocupacional. Ele foi amigo pessoal da alagoana e afirma que "estar junto dela era objeto de amor". "A Nise, para mim, é uma grande inspiração. Ela era uma mulher de uma cultura muito superior e de uma curiosidade absurda; uma mulher que, como ela dizia, era um Lampião, no melhor sentido da coragem, de ser destemida e, além de tudo, uma nordestina; uma mulher que andava de braços colados com o seu desejo."
Gonzaga Leal e Nise da Silveira/Arquivo Pessoal Gonzaga Leal
Inspirada em Carl Jung, um dos pais da psiquiatria, Nise foi uma das primeiras mulheres a se formar em medicina no Brasil. Em meados de 1940, ela foi pioneira na terapia ocupacional, método que utiliza atividades recreativas no tratamento de distúrbios psíquicos. A alagoana se destacou por usar a arte como uma forma de expressão e de dar voz aos conflitos internos vivenciados principalmente pelos esquizofrênicos, que tiveram suas obras expostas ao redor do mundo.
A revolucionária frequentava grupos marxistas e ficou presa por dois anos acusada de envolvimento com o comunismo. Afastada da psiquiatria, ela continuou seus estudos enquanto estava no presídio Frei Caneca. Para Mariana Sgarioni, jornalista e pesquisadora, Nise da Silveira continua atual por ter quebrado paradigmas muito à frente de seu tempo. "O legado dela como mulher, estudiosa e médica, a gente colhe até hoje. Exemplo disso é o Movimento Antimanicomial, que começou com ela. Nise era incômoda, isso incomodava muita gente, por isso que ela acaba presa e, logo depois da prisão, ela ficou meio escondida e viveu na clandestinidade durante muito tempo."
De Nise da Silveira, muitos movimentos, exposições, filmes e ocupações surgiram na resistência contra os manicômios. Um deles é a Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial (Renila), que luta contra o aprisionamento e exclusão dos chamados loucos, como destaca Beatriz Viana, integrante da organização. "A Renila está com uma lema levantando a bandeira de que a democracia é antimanicomial. Não existe um modelo antimanicomial em uma situação que não seja a democrática. A luta é não só pela desconstrução dos manicômios com muros, mas da cultura manicomial, para romper o estigma que o louco tem na sociedade."
Em 1956, Nise fundou a Casa das Palmeiras, um passo na direção da luta contra os hospícios, que chegaria a seu ápice com a Lei Antimanicomial, de 2001. Do esforço da psiquiatra e de seus pacientes foi criado o Museu do Inconsciente, aberto até hoje no Rio de Janeiro junto ao Instituto Municipal Nise da Silveira, atual nome do Centro Psiquiátrico de Engenho de Dentro, onde a médica construiu seu projeto.
Obra de Adelina Gomes, uma das pacientes de Nise da Silveira/Acervo Museu de Imagens do Inconsciente
Gonzaga Leal conta que Nise era muito ligada ao sagrado e tinha consciência plena da finitude do ser humano. Ele lembra que a amiga queria passar os últimos dias de vida em um mosteiro. "Por ela ser uma defensora dos animais e um amor profundo pelos gatos, ela dizia sempre que queria morrer como um gato, que se recolhe e morre sozinho."
Em 15 de fevereiro deste ano, Nise completaria 113 anos, mas a sua luta reflete os avanços que a psiquiatria já alcançou e o caminho que ainda precisa trilhar. Nise da Silveira é mais do que atual, é sinônimo de resistência atemporal e expansão do pensamento, como destaca o amigo. "A Nise é uma das grandes brasileiras, ela continua vivíssima e acho que temos muitas provas da existência dela."
Para conhecer um pouco mais sobre a psiquiatra alagoana, assista ao filme Nise - O coração da Loucura, lançado em 2016 e dirigido por Roberto Berliner. Confira o trailer:

Edição: Anelize Moreira

--------------------------------------------------------------------------------------------------------
Observação deste blogueiro: sugiro ler sobre a vida e a obra de Artur Bispo do Rosário.

Pedro Casaldaliga, o eterno lutador

Pedro Casaldaliga, o eterno lutador 

...............................................

Pedro, Profeta e Poeta.
Em Homenagem aos 90 anos (16 de fevereiro de 2018) do mestre de todos nós.
Em Homenagem aos 90 anos (16 de fevereiro de 2018) do mestre de todos nós.
Quem poderia imaginar um catalão, sair de sua terra, nunca mais voltar e apaixonar-se pelos
povos indígenas da America latina?
Quem poderia imaginar em plena ditadura empresarial-militar, nos confins da Amazônia, um
homem franzino, usar a fé e a coragem para denunciar e exigir justiça, em defesa dos
trabalhadores, posseiros, povos indígenas e camponeses, humilhados e explorados?
Quem poderia imaginar , que jurado de morte pelos latifundiários da região, em 1976, foram à
Delegacia interceder por duas mulheres pobres que estavam sendo torturadas. E um dos
policiais, confundiu a aparência de bispo e assassinou seu colega, padre João Bosco Burnier,
em seu lugar?
Quem poderia imaginar, que um homem de igreja relutasse até os últimos instantes por que
não queria ser nomeado bispo, até ser convencido pelo seu melhor amigo, o bispo Dom Tomas
Balduino?
Quem poderia imaginar, que quando poucos podiam, ele se engajou desde a década de
setenta em defesa da causa dos povos nicaraguense, cubano, guatemalteco..
Quem poderia imaginar que esse homem, além de pastor e profeta, era um grande poeta?
Usou as letras e a força das palavras, para denunciar o injusto, solidarizar-se com os
trabalhadores e pregar as mudanças..Com sua vocação literária, ajudou a escrever a Missa da
terra sem males, a Missa dos quilombos.. cantada por nosso querido Miltom Nascimento e
outros músicos. E escreveu centenas de poemas, que expressam a linguagem da alma e do
coração.
Quem poderia imaginar, que apesar de viver no longínquo São Felix do Araguaia, e das
dificuldades de comunicação da época, contribuiu decisivamente para articular e fundar,
primeiro, o CONSELHO MISSIONARIO INDIGENA(CIMI), na CNBB, para defender os povos
indígenas. E depois a Comissão Pastoral da Terra(CPT), como um serviço ecumênico dos
cristãos em apoio à organização dos camponeses brasileiros?
Quem poderia imaginar que um bispo brasileiro, com todo seu poder e influencia, preferisse
viver como pobre, entre os pobres, com suas sandálias havaianas e sua sabedoria de
verdadeiro mestre?
Quem poderia imaginar sua coragem, de ir a Roma e dizer umas verdades para o todo
poderoso cardeal Ratzinger? Pedro foi um defensor e praticante do ecumenismo, de todas as
práticas e crenças religiosas, de um Deus-pai- mae-irmão, de todos e todas, que aparece em
diferentes formas e práticas. Às vezes, até nas manifestações da natureza e sobretudo na voz
do povo!

Quem poderia imaginar, que apesar de conviver muitos anos com seu “primo” parkison, como
o chama, nunca desanimou , recusando-se a mudar para outros centros com maior atenção
médica.
Pedro tornou-se um grande brasileiro e latino-americano. Um exemplo de luta, dignidade e
coerência. É nosso orgulho , dos povos indígenas, dos camponeses, dos pobres e de todas as
igrejas. Com seus noventa anos de corajosa teimosia, palavra, que gosta muito de usar.
Certa vez disse aos jornalistas da imprensa burguesa, que criticavam nossas ocupações de
terra, “Se o MST não existisse teríamos que criá-lo! “
O MST se orgulha de seu carinho e agradece seu exemplo!
Por Joao Pedro stedile,
(Conheci Dom Pedro numa ocupação urbana, Vila Santo Operário, em Canoas-RS, nos idos de
1979, junto com o Irmão Antonio Cecchin. Cultivo desde então, admiração e amizade. Ele
esteve em muitas atividades do MST, sempre nos ajudou com sua presença, reflexões, escritos
e sobretudo seu exemplo. Foi um dos privilégios que a vida me deu).

O ridículo de Huck: “”Vou ali chorar um pouquinho e já volto”

O ridículo de Huck: “”Vou ali chorar um pouquinho e já volto”

nota de Monica Begamo, agora há pouco, na Folha, dá ideia do patético que era esta pantomima da “candidatura Huck”.
Luciano Huck está triste “como quem interrompe uma gravidez” por ter desistido de disputar a Presidência, diz um de seus mais próximos interlocutores.
“O corpo todo se preparava e se movia para a chegada dessa nova vida. E ela teve que ser interrompida. É frustrante”, completa o amigo do apresentador.
“Vou ali chorar um pouquinho e já volto”, disse o próprio Huck a colegas que conversaram com ele depois da decisão.
Ah, tenham paciência, mas só pode ser a reação de um menino mimado que se viu sem o brinquedo que já achava ser seu.
E “abortou” a candidatura por quê? Ora, por dinheiro, porque é o que perderia se tivesse chutado os belíssimos contratos que tem para ser candidato. Chorar por isso é ter lágrimas de crocodilo.
Monica diz que “Huck teria percebido também que a campanha presidencial não seria um passeio: desde a semana passada, começou a ser questionado sobre a compra de um avião particular com financiamento do BNDES e sobre o uso de leis de incentivo para projetos sociais.”
Ora, cara, você não é capaz de explicar e defender o que faz? Só “se garante” no discurso neoliberal porque suas “mordidas” ficam ocultas pela cumplicidade da grande mídia?
Você até estava saindo “no lucro”, com todo o marketing que acumulou com a bajulação. Mas agora, com essa apelação, pôs tudo fora.