terça-feira, 17 de abril de 2018

Triplex “atribuído” a Lula “encalha” no leilão, diz a Folha

Triplex “atribuído” a Lula “encalha” no leilão, diz a Folha

Na coluna de Monica Bergamo, na Folha, um pedaço da notícia que não atrai a nossa “imprensa livre”:
O tríplex do Guarujá atribuído a Lula encalhou. Um mês depois de aberto o leilão determinado por Sergio Moro, nenhum comprador fez lance por ele.
E não foi por falta de “anúncio”: diz o jornal que a página oferecendo o imóvel “atribuído” por Sérgio Moro a Lula teve 22,6 mil visitas.
Ninguém quer dar o lance pedido de R$ 2,4 milhões – valor que se presta a sustentar a história da “reforma” de R$ 1,2 milhão que teria sido feita no apartamento.
A razão é simples e ficou evidenciada no vídeo postado (veja ao fim do post) pelos militantes do MTST que ocuparam, por algumas horas, o imóvel: é uma porcaria de um pombal, com uma piscina mixuruca, de fibra de vidro, uns móveis de MDF, cômodos apertados e acabamento de segunda categoria.
Procurem, até mesmo em sites como o Zap, apartamentos de padrão muito mais alto e maior área por preço compatível com o pedido por Moro. Um deles está aqui.
É inacreditável que a grande imprensa nunca – nem mesmo com o imóvel colocado em leilão e aberto à visitação dos interessados – tenha se interessado em pedir para visitar o imóvel e ver se o que era dito sobre o “luxo” se conformava com a realidade.
Segue a narrativa de meu professor na UFRJ, o veterano jornalista Nilson Lage sobre o “jornalismo investigativo” feito neste caso:
r7O triplex de Guarujá – aquele apartamento modestíssimo que foi agora mostrado, no real, em foto e vídeo – era representado assim em uma “reportagem” do site R7, da Igreja Universal do Reino de Deus, em julho do ano passado. O arquivo foi apagado, agora, na Internet, mas o cache é esse aí – documento histórico da canalhice que se permite no jornalismo brasileiro sob o comando de picaretas.
Fotografar salão de festas e área da piscina para induzir a luxo dá para fazer até em conjunto do Minha Casa, Minha Vida das faixas mais altas.
Que nenhum jornalista tenha se interessado e pegar um barco e visitar a mansão de Paraty, até se entende pelo medo de, amanhã, não ter emprego.
Mas deixar de ir lá e visitar o triplex, além de não ter nem de alugar um bote, trata-se simplesmente de mostrar o que, afinal, é o bem que se acusa um ex-presidente de ter recebido como benesse e que é, segundo Moro, a razão para mantê-lo 12 anos na cadeia.
Foi preciso que os militantes do MTST fossem lá, ocupar o imóvel, para que o víssemos por dentro.
O jornalismo deste país e o mobiliário do triplex estão no mesmo padrão “Casas Bahia”.
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Experiência solidária, acampamento Lula Livre mostra que lá o mundo tem razão


CURITIBA

Experiência solidária, acampamento Lula Livre mostra que lá o mundo tem razão

Cuidados diários com a saúde física e emocional dos acampados e visitantes diários envolvem doação de tempo, carinho, atenção e muito respeito ao próximo
por Cláudia Motta, para a RBA publicado 17/04/2018 14h10
CLÁUDIA MOTTA/RBA
Marta MST
Integrante do MST ajuda a proporcionar melhores condições físicas e mentais a quem se dispõe e deixar para trás o conforto do lar
Curitiba – O cheiro bom de comida caseira feita na hora toma conta do ar. Logo na chegada ao acampamento Lula pelo Brasil, o que se vê é uma barraca em ritmo frenético para a produção do almoço para mais um dia de luta. São centenas de bocas para alimentar. Mais adiante, outras três barracas estão mobilizadas com essa mesma função.
Essas tendas devem começar a mudar para um terreno próximo, a duas quadras dali, em função de um acordo feito entre os responsáveis pelo acampamento e a administração pública municipal. A vigília vai continuar onde sempre esteve – na Praça Olga Benário, a 100 metros do prédio da Polícia Federal, onde Lula se apresentou na noite de 7 de abril, em Curitiba –, e os cuidados diários com quem se mudou para ali também. 
Tudo que é produzido para o café da manhã, almoço, café da tarde e jantar, vem das doações que chegam diariamente ao acampamento. E muita gente doa também algo que a sabedoria popular diz valer dinheiro: seu tempo.
A aposentada Sheila Maria Ventura, 61 anos, deixou para trás os cuidados com a casa, próxima dali, no bairro de Santa Cândida. E mesmo sem o consenso na família – somente uma filha e um genro a apoiam – decidiu ser parte dos que doam tempo para lutar pela democracia.
Desde o segundo dia do acampamento já passou por várias barracas. Agora se dedica às cartas ao Lula. “E aqui eu fiquei: cada pessoa que vem escrever pergunta se está bom, pede ajuda, você começa a ler as cartas e chora junto. É uma coisa tão linda a demonstração de carinho, de entendimento do que está acontecendo e você fica muito emocionada.” 

Vem amor, vai amor

Sheila entende que está fazendo parte da história. “Estou muito feliz de estar aqui colaborando com tudo isso, para que a gente possa ter a democracia junto com a gente. E eu espero que as pessoas entendam isso, que a gente tem de lutar para esse país melhorar e não ficar do jeito que está aí, que abandonaram tudo, que não tem mais nada em educação, nada em saúde. Tudo que foi montado está sendo destruído. O parque industrial do Brasil está destruído. A gente tem essa percepção e sabe que tem de lutar. E também pelo nosso Lula, que está aí, é inocente e julgaram e condenaram igual um furacão. Então é por isso que estou aqui lutando e vou continuar.”
Na barraca de cartas a Lula pessoas simples pedem para escrever por eles, crianças desenham, pessoas que conviveram com Lula, um poeta francês, noruegueses de uma organização de defesa da América Latina, gente que chora e quer dedicar um pouco da vida a ele. “Uma senhora que escrevia sem parar de chorar, contou que bordou a bandeira do PT junto com Dona Marisa Letícia (morta em fevereiro de 2017). Outro senhor escreveu misturando todas as religiões, um homem simples, que queria passar sua mensagem.”


A aposentada descreve como transformadora a experiência de quem está há mais de uma semana dedicando os dias a ajudar outras pessoas. “O aprendizado que estou tendo é muito bom. É o sentimento de poder ajudar e você recebe aquilo com todo amor e volta amor e vem amor e a gente consegue ficar mais forte.” 

Energia na luta

Marta Lucia Di Martini Maciel, 46 anos, trabalha como voluntária na barraca de promoção de saúde do Movimento Sem Terra (MST) no acampamento Lula Livre. De acordo com a agricultora, a principal queixa são gripes e resfriados. “Está chuviscando, frio, as pessoas dormindo nas barraquinhas.”
Há seis anos, Marta estuda para ajudar a proporcionar melhores condições físicas e mentais a quem se dispõe e deixar para trás o conforto para lutar. “São várias terapias e muita gente vem voluntariamente contribuir”, diz apontando para duas massoterapeutas que, depois do almoço, atendiam na barraca onde também estava dona Maria Natividade de Lima, 65 anos, assentada do MST de Lapa (PR), e que já ficou famosa pelos tratamentos de auriculoterapia.
Médicos cubanos e profissionais do programa Mais Médicos, criado no governo Dilma Rousseff, participam desse trabalho solidário após os plantões na região. “Muitos médicos que vêm contribuir já conhecem nossas lutas e estão junto sempre.” Casos um pouco mais graves, dor no peito, pressão alta, pessoas que tomam medicamentos mas esqueceram receitas são atendidos. “Mas são poucos casos, viu”, afirma Marta, valorizando seus remedinhos alternativos. “A maioria são pessoas que estão vindo aqui tomando específicos, tomando própolis, e está dando muito resultado, muito mesmo.”
Marta valoriza os cursos feitos com apoio dos governos petistas. “Tivemos formação importante na área de saúde, terapias, o Bioenergia que conseguimos desenvolver dentro de várias brigadas do Movimento em diferentes regiões do Paraná. Assim, várias pessoas conseguem estar em cada espaço, cada local, ajudando o seu acampamento, seu assentamento. E quando a gente sai para as mobilizações, tem pessoas da equipe de saúde contribuindo com nossas terapias, remedinhos, nossas tinturas, nossos chás, nossas raízes, ervas. Estamos controlando muito bem os desarranjos em função do estresse, de dormir mal.”

Povo sofre, mas não desiste

Para Marta, Lula preso é o pior dos males para a saúde do povo. “Tiraram toda sua liberdade, é como se fosse um passarinho preso na gaiola. Acredito que ele deve estar sofrendo, assim como todo esse povo, deve estar sofrendo muito, fechado num espaço, sendo que ele é do povo. Por isso estamos aqui fazendo o máximo de esforço que podemos e vamos ficar, não vamos desistir. Só vamos sair daqui com ele, porque queremos que ele fique bem para continuar esse Brasilzão com nós, se Deus quiser.”
A tensão, diante da prisão que tantos no Brasil e no mundo consideram arbitrária e injusta e de tudo que o Brasil perde desde o golpe em 2016, também é tratada na barraca da saúde do MST.
“Tem muito estresse, porque quem é que queria estar aqui, a gente queria que nada disso fosse necessário. Mas o momento da história nos convida e a gente sai do conforto da nossa casa para vir lutar pelo Brasil. E não é uma luta só do Lula, mas pelo Brasil. Essa história aí, nossos netos, nossos filhos, isso vai ficar. Temos obrigação de estar aqui para defender nossos direitos que estão sendo roubados. Com tanta luta conseguimos adquirir e hoje está sendo roubado. Então é Lula livre, alimentos livres (de agrotóxico). Nós queremos ser livres, queremos ter nossa democracia. Estão querendo roubar de nós, mas não vamos deixar.”

Aécio já não vem ao caso

Aécio já não vem ao caso

Nenhuma surpresa no fato de Aécio Neves ter sido transformado em réu pelo recebimento de dinheiro da JBS.
Aécio, Temer (esperando janeiro) e outros são fósforos riscados, que bem serviram ao golpe mas já não tem uso e ajudam a alimentar a lenda de que “a lei é para todos”.
Um pouco de “jeito” e ficará como Eduardo Azeredo, esperando anos e anos que a “célere” justiça se faça.
Isso, num caso em que há mala, gravação de áudio e de vídeo e não simples “convicção”.
Ainda assim, O Globo, na sua piedosa manchete, diz que “Seis senadores já são réus da Lava-Jato no Supremo” e só no subtítulo menciona que Aécio se juntou a esta lista.
Mas cedo, o inefável Carlos Alberto Sardemberg diz que Aécio “estava evidentemente brincando” quando dise que seu primo Frederico, escalado para apanhador da mala de dinhero, podia ser morto se ameaçasse abrir a boca.
(Aliás, no mesmo jornals da CBN, ele reescreveu o artigo da Lei de Execução Penal dizendo que as visitas a Lula só poderia ser dos filhos e irmãos – parentes de 1° grau, disse ele – e dos advogados, embora a lei fale expressamente em “amigos”)
De toda a forma, nenhum significado tem mais Aécio senão o de representar uma suposta imparcialidade judicial.
Ele já não vem ao caso para a política.

MEMÓRIA 'Paul Singer foi um sonhador e gestor dos seus sonhos', diz Berzoini


MEMÓRIA

'Paul Singer foi um sonhador e gestor dos seus sonhos', diz Berzoini

Ex-ministro destaca "secretário obstinado" pela economia solidária. Deputada Luiza Erundina também lamenta morte
por Redação RBA publicado 17/04/2018 16h45
EBC
singer
Companheiros de governo e militantes lembraram de sua atuação. "Turrão e apaixonado", definiu Jaques Wagner
São Paulo – O ex-ministro do Trabalho Ricardo Berzoini lembra de Paul Singer, que morreu ontem, aos 86 anos, como um "secretário obstinado" à frente da área da economia solidária no governo. A Secretaria Nacional de Economia Solidária foi criada em 2003, no primeiro ano do governo Lula, com Singer à frente. 
Titular da pasta durante um ano e meio, entre 2004 e 2005, Berzoini destaca a importância de Paul Singer "na formulação de uma política para desenvolver a economia solidária no Brasil e quebrar preconceitos arraigados no setor produtivo em relação a essa modalidade de economia que é tão fundamental para organizar setores da classe trabalhadora que precisam produzir e não se inserem no mercado de trabalho". Ele cita a contribuição de Singer para a formulação econômica do PT e na gestão de Luiza Erundina na prefeitura de São Paulo (1989-1992), como secretário de Planejamento.
Em rede social, a deputada federal Erundina, hoje no Psol, lamentou a morte "do querido professor Singer", dizendo-se "particularmente grata a ele", que como secretário "foi fundamental na concepção e construção do primeiro governo democrático popular da cidade de São Paulo".
"Foi uma figura extraordinária, que merece ser registrado na história do partido e do país", afirma Berzoini. "Foi um sonhador, mas ao mesmo tempo um executor e um gestor dos seus sonhos."
Primeiro ministro do Trabalho na gestão Lula, o ex-governador Jaques Wagner lembrou do "generoso e genial" Singer. "Turrão e apaixonado – como todos os filhos da paixão – na fase atual de 'financeirização' do capital, de 'coisificação' da vida, perdemos um dos mais brilhantes teóricos da construção de outro mundo possível. Que falta fará!", afirmou, citando o economista como "dessas pessoas tocadas pelo sofrimento alheio, a quem a injustiça incomodava sobremaneira".
Outro ex-ministro, Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), lembrou do tempo em que trabalharam juntos no governo Lula. "Era um intelectual muito comprometido com a vida e, principalmente com os pobres. Agora, vamos mantê-lo vivo no coração e na memória."
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) também homenageou Paul Singer. "Militante, professor, nos deu uma grande contribuição sobre o papel da cooperação e da economia solidária. O Brasil perde um intelectual marxista e o MST um grande amigo."
A presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), lembrou que Singer foi um dos fundadores do partido. "Deixa o exemplo da coerência política, da militância de esquerda, do caráter reto e do intelectual que nunca mudou de lado."
O jornalista Leonardo Sakamoto contou que teve "a honra de levar uns puxões de orelha" de Paul Singer em sua banca de doutorado, em 2007, "quando me deu uma aula sobre o pensamento de Rosa (Luxemburgo)". E disse que "por absurda e triste coincidência", poucos antes da saber da morte, estava consultando um livro de Rosa com apresentação do professor. 
"Paul Singer foi referência não apenas intelectual como pessoal para mim e gerações de militantes, economistas e pesquisadores que sonhavam e sonham com um mundo mais justo. Definitivamente, estamos perdendo pessoas fundamentais em uma velocidade muito maior do que o mundo é capaz de repor. Se o país produzir uma geração com metade de sua envergadura intelectual e ética, teremos um futuro bonito pela frente."
O deputado Ivan Valente (Psol-SP) definiu Singer como "economista da igualdade", enquanto a deputada estadual e pré-candidata à Presidência Manuela d´Ávila (PCdoB) afirmou que ele deixou "um legado de luta por distribuição de renda e justiça social".
Há um documentário, Paul Singer: uma história do Brasil, ainda em andamento, com financiamento coletivo. A direção é de Ugo Giorgetti.

Senadores visitam Lula: condições são adequadas, mas isolamento preocupa


PERSEGUIÇÃO POLÍTICA

Senadores visitam Lula: condições são adequadas, mas isolamento preocupa

Quando indagados sobre a visita, parlamentares responderam tratar-se de um preso político. Segundo João Capiberibe (PSB-AP), ex-presidente está "tranquilo e indignado"
por Redação RBA publicado 17/04/2018 17h08
REPRODUÇÃO/PT NO SENADO
Lula Visita
Senadores afirmaram que lula "ouve" e "reage" as manifestações de apoio advindas do acampamento de militantes
São Paulo – Onze senadores visitaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sede da Polícia Federal em Curitiba na tarde desta terça-feira (17). Os integrantes da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado afirmaram que as condições das instalações da carceragem são "adequadas", mas o que os preocupa é o isolamento a que o ex-presidente vem sendo submetido. 
A presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), afirmou que Lula segue menos preocupado com ele, e mais com a situação em que se encontra o país, e pediu aos senadores para que intensifiquem a luta em prol do reequilíbrio no funcionamento das instituições.
Os senadores ressaltaram que o ex-presidente é uma figura "hiperativa", acostumado a longas discussões políticas, e por isso sente falta das conversas com familiares, políticos e amigos.
Ela reclamou que as instâncias judiciais vêm causando dificuldades em autorizar as visitas requisitadas. "O que é isso? É regime de exceção? O presidente Lula tem direito de receber visitas. Será que essa gente não consegue perceber a realidade do país? Fosse um criminoso, não teria tanta gente querendo visitá-lo."
Gleisi anunciou que nesta quarta-feira (18) os presidentes das centrais sindicais devem visitar Lula, e destacou ainda a ida de figuras como a do ex-presidente do Uruguai, José Mujica, e o Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, nos próximos dias.  
"As condições são razoáveis, mas o que é importante é que ele está isolado", declarou também a senadora Regina Sousa (PT-PI), que preside a CDH. Ela afirmou que os demais presos da carceragem também disseram aos senadores que as condições físicas e sanitárias são adequadas.
"O presidente Lula está tranquilo e indignado. Indignado com as distorções das informações que chegam à população", afirmou o senador João Capiberibe (PSB-AP). Segundo ele, a afirmação do petista que mais chamou a atenção foi a sua crença reiterada na democracia e na Justiça. "Ele disse por diversas vezes que a sua única arma é a sua inocência."
A uma pergunta se a visita dos senadores era política, Capiberibe rebateu. "Não deixa de ser uma visita política, porque se trata de um preso político. É um ex-presidente que tem cerca de 35% da preferência do eleitorado." O senador também afirmou que Lula "está acompanhando tudo o que ocorre no entorno da sede da PF. "Ele ouve, ele reage", disse Capiberibe, sobre as manifestações de apoio que ecoam do acampamento Lula Livre.
Ao final da coletiva, Gleisi também informou que na noite dessa segunda-feira (16) um carro da assessoria do ex-presidente foi arrombado, nos arredores da Superintendência da Polícia Federal, e documentos, cartas de apoiadores, roupas e até mesmo o seu passaporte teriam sido furtados. O caso foi objeto de um boletim de ocorrência. A senadora cobrou providências das autoridades de segurança, nos níveis estadual e federal, e denunciou a “série de abusos e ilegalidades” que Lula vem sofrendo.
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Comentário deste blogueiro: não considero que as "condições são adequadas". Não se podem considerar adequadas porque o cárcere não dispõe sequer de uma bacia sanitária. Obrigar um ex-Presidente, com 72 anos, a usar um vaso turco jamais poderá ser considerada uma condição adequada.

"O Congresso do Povo vai fazer a luta pela democracia", afirma Dilei Shiochet


MOBILIZAÇÃO

"O Congresso do Povo vai fazer a luta pela democracia", afirma Dilei Shiochet

Em entrevista ao Brasil de Fato, a dirigente nacional do MST aponta para a necessidade de organização popular

Brasil de Fato | João Pessoa (PB)
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"O Congresso do Povo quer ser um instrumento pedagógico de retorno ao trabalho de base e de construção de um projeto de nação" / Júnior Lima

Convocado no final de 2017 com o objetivo de realizar mutirões de debates e formações populares sobre os rumos do país, o Congresso do Povo é uma iniciativa da Frente Brasil Popular (FBP) que pretende lotar, no segundo semestre de 2018, o estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, com mais de 50 mil pessoas para sua etapa nacional. No momento, a iniciativa, considerada inédita no país, está em sua fase estadual. 
Brasil de Fato Paraíba conversou com Dilei Schiochet sobre o Congresso do Povo, que inicia sua construção na Paraíba neste mês de abril. Dilei é integrante da FBP e membro da direção estadual e nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
"O Congresso do Povo será um acúmulo do que nós viemos construindo ao longo dos anos. As pessoas não perderam o objetivo de construir um projeto de nação. Na prática, esses militantes esparramados é que serão motivados a construir o Congresso do Povo. É importante juntar todo mundo e ir colocando essa sinfonia harmonizada, ‘pra’ gente caminhar junto", afirma.
Confira a íntegra da entrevista a seguir: 
Brasil de Fato: O Brasil vive desde de 2016 fortes ataques à democracia. Como o Congresso do Povo pauta a luta em defesa da democracia?
Dilei Schiochet:  O Congresso do Povo vai fazer a luta pela democracia. A nossa Constituição brasileira diz que todo o poder emana do povo. Nós vivemos um momento histórico no Brasil e no mundo em que o povo não manda mais em nada. Quem manda em nosso país, lamentavelmente, ainda é o capital financeiro e as grandes empresas multinacionais, que inclusive são as grandes causadoras da perda de direitos e as responsáveis por rasgar a Constituição com as reformas que foram feitas nesse país, porque elas têm um objetivo, que é o de obter lucro. 
Em momentos de crise, os grandes não perdem. Os grandes jamais perdem. Então, eles precisam destruir os direitos e as democracias dos países que ousaram construir leis para o povo e que ousaram distribuir riqueza e renda. E aí, não podemos deixar de dizer que nesse período histórico nós tivemos dois presidentes, Lula e Dilma, que insistiram na democratização de renda no Brasil. As pessoas melhoraram suas condições de vida. Com isso, Lula acaba se transformando nesse símbolo de melhores condições de vida para o povo. E é um símbolo tão forte no Brasil que gera uma contradição interna grandiosíssima, a qual hoje perturba e incomoda a direita do país.

Nele, não ‘tá’ só o Lula. ‘Tá’ o negro, ‘tá’ o LGBT, ‘tá’ o sem-terra, ‘tá’ o favelado, ‘tá’ o sem-teto. Prender o Lula hoje é prender uma classe, é prender todos os pobres do Brasil; os pobres se veem nele.
Qual a proposta do Congresso do Povo?
O Congresso do Povo quer reanimar, aglutinar, ser um instrumento pedagógico de retorno ao trabalho de base e de construção de um projeto de nação para o Brasil. Hoje, nós temos uma militância dispersa, desmotivada, anestesiada, e é preciso e necessário sentar para discutir o futuro do país. Nesse sentido, o Congresso do Povo é um caminho, uma saída frente a esse cenário que nós estamos hoje. 
São 80 entidades integrantes da Frente Brasil Popular que estão convocando o Congresso, em um contexto no qual se acirra a luta de classes e há um sequestro da democracia brasileira. Assim, ele tem esse objetivo, que é o de zelar pela organização e pelas instituições políticas, além de reanimar a nossa juventude. Um país que entrega a nação, perde a soberania. O que ele vai deixar para as futuras gerações? A nossa juventude já não tem mais opção. Então, o Congresso do Povo também é esse resgate, essa motivação, para que nossa juventude possa lutar e reconstruir os seus sonhos.
Qual o objetivo do Congresso do Povo?
É uma oportunidade de dialogar com as bases, com o nosso povo, com as periferias, com as comunidades camponesas, com a classe trabalhadora, fazendo um debate sobre o momento político que o Brasil atravessa, buscando saídas para esse momento. Além disso, fazer presente a defesa dos direitos, da democracia, da soberania dos povos e, principalmente, enfatizar o sequestro dos nossos recursos naturais, que estão sendo privatizados.
Também tem o objetivo de articular e envolver o maior número possível de militantes das comunidades, dos municípios, dos bairros, das cidades e do campo, e motivar para que em cada bairro e em cada comunidade a gente comece a organizar as nossas vidas, os nossos núcleos de base, para fazer lutas e reconquistar os direitos exterminados do povo brasileiro.
Como está a construção na Paraíba para o Congresso do Povo? Já tem uma agenda?
Agora, dia 14 de abril [em Campina Grande], iremos fazer um encontro de formação de formadores, com militantes e lutadores de todas as regiões do estado, com objetivo de retornar aos municípios e alavancar esses núcleos e essa articulação municipal em um processo organizativo rumo ao Congresso do Povo brasileiro, que será em meados de julho, no Maracanã.
O Congresso do Povo será um acúmulo do que nós viemos construindo ao longo dos anos. As pessoas não perderam o objetivo de construir um projeto de nação. Na prática, esses militantes esparramados é que serão motivados a construir o Congresso do Povo. É importante juntar todo mundo e ir colocando essa sinfonia harmonizada, ‘pra’ gente caminhar junto. 
Na sua opinião, qual o grande desafio da esquerda brasileira hoje?
Lamentavelmente, a esquerda perdeu um elemento importantíssimo para esse momento histórico. A sua grande maioria não formou quadros. A esquerda está com dificuldade de interpretação do momento histórico desse país. 
Nós temos que buscar unidade interna. E essa unidade tem que ter uma premissa: unidade na luta, unidade ideológica e unidade sobre onde queremos chegar. Se não houver esses três elementos, nós teremos dificuldade de construir unidade.
Edição: Redação