terça-feira, 17 de abril de 2018

Triplex “atribuído” a Lula “encalha” no leilão, diz a Folha

Triplex “atribuído” a Lula “encalha” no leilão, diz a Folha

Na coluna de Monica Bergamo, na Folha, um pedaço da notícia que não atrai a nossa “imprensa livre”:
O tríplex do Guarujá atribuído a Lula encalhou. Um mês depois de aberto o leilão determinado por Sergio Moro, nenhum comprador fez lance por ele.
E não foi por falta de “anúncio”: diz o jornal que a página oferecendo o imóvel “atribuído” por Sérgio Moro a Lula teve 22,6 mil visitas.
Ninguém quer dar o lance pedido de R$ 2,4 milhões – valor que se presta a sustentar a história da “reforma” de R$ 1,2 milhão que teria sido feita no apartamento.
A razão é simples e ficou evidenciada no vídeo postado (veja ao fim do post) pelos militantes do MTST que ocuparam, por algumas horas, o imóvel: é uma porcaria de um pombal, com uma piscina mixuruca, de fibra de vidro, uns móveis de MDF, cômodos apertados e acabamento de segunda categoria.
Procurem, até mesmo em sites como o Zap, apartamentos de padrão muito mais alto e maior área por preço compatível com o pedido por Moro. Um deles está aqui.
É inacreditável que a grande imprensa nunca – nem mesmo com o imóvel colocado em leilão e aberto à visitação dos interessados – tenha se interessado em pedir para visitar o imóvel e ver se o que era dito sobre o “luxo” se conformava com a realidade.
Segue a narrativa de meu professor na UFRJ, o veterano jornalista Nilson Lage sobre o “jornalismo investigativo” feito neste caso:
r7O triplex de Guarujá – aquele apartamento modestíssimo que foi agora mostrado, no real, em foto e vídeo – era representado assim em uma “reportagem” do site R7, da Igreja Universal do Reino de Deus, em julho do ano passado. O arquivo foi apagado, agora, na Internet, mas o cache é esse aí – documento histórico da canalhice que se permite no jornalismo brasileiro sob o comando de picaretas.
Fotografar salão de festas e área da piscina para induzir a luxo dá para fazer até em conjunto do Minha Casa, Minha Vida das faixas mais altas.
Que nenhum jornalista tenha se interessado e pegar um barco e visitar a mansão de Paraty, até se entende pelo medo de, amanhã, não ter emprego.
Mas deixar de ir lá e visitar o triplex, além de não ter nem de alugar um bote, trata-se simplesmente de mostrar o que, afinal, é o bem que se acusa um ex-presidente de ter recebido como benesse e que é, segundo Moro, a razão para mantê-lo 12 anos na cadeia.
Foi preciso que os militantes do MTST fossem lá, ocupar o imóvel, para que o víssemos por dentro.
O jornalismo deste país e o mobiliário do triplex estão no mesmo padrão “Casas Bahia”.
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