domingo, 29 de abril de 2018

Brazil shooting: two supporters of jailed ex-president Lula injured




Brazil shooting: two supporters of jailed ex-president Lula injured

More than 20 shots fired at protest camp in southern city of Curitiba, where Lula is jailed
Supporters of former president Luiz Inácio Lula da Silva protest in front of federal police headquarters.
 Supporters of former president Luiz Inácio Lula da Silva protest in front of federal police headquarters. Photograph: Rodolfo Buhrer/Reuters

Two people have been taken to hospital, one in serious condition, following a shooting on an encampment set up to protest against the imprisonment of Brazil’s former president Luiz Inácio Lula da Silva in the southern city of Curitiba.
More than 20 shots were fired at the camp at around 4am, according to reports from supporters.




A man identified as Jeferson, 39, was shot in the neck and a woman received arm injuries from shrapnel when a chemical toilet was hit, according to local media. Photos of a bloodsoaked shirt circulated on Brazilian news sites.
“This is the result of this constructed process of persecution against Lula, the Worker’s party and the leftist movements,” the Worker’s party president and senator, Gleisi Hoffmann, said in a video posted on Facebook.
Brazil’s Agência Estado news service reported that police and a forensic team had attended the scene and found shell casings from a 9mm pistol, a weapon only used by police and armed forces. The authorities are investigating.
The supporters’ camp, visited by hundreds of activists including allied politicians, leftwing intellectuals and the Argentinian Nobel peace prize winner, Adolfo Pérez Esquível, was set up when Lula was jailed earlier this month on corruption charges.
The once wildly popular former president says the charges are to keep him from running in Brazil’s October elections for which he leads the polls by a comfortable margin.
One of Lula’s buses with guests and journalists inside was shot at in March while the former president was touring Brazil’s southern states. No one was injured.
Brazil is one of the world’s most violent countries with around 60,000 homicides annually, the vast majority of which go unsolved.
As the country has plunged into political and economic crisis in recent years, it has seen a rise in the number of killings of political, rural and environmental activists and leaders. The recent killing of Marielle Franco, a Rio de Janeiro city councillor, was one of the most shocking and emblematic cases.

Sete centrais, artistas pela democracia e um 1º de Maio histórico em Curitiba


DIA DO TRABALHADOR

Sete centrais, artistas pela democracia e um 1º de Maio histórico em Curitiba

Principal ato do país terá Beth Carvalho, Ana Cañas, Maria Gadú e Renegado, e unirá CUT, Força Sindical, CTB, NCST, UGT, CSB e Intersindical em defesa dos direitos e pela liberdade de Lula
por Redação publicado 29/04/2018 09h30
ROBERTO PARIZOTTI | RICARDO STUCKERT | JOKA MADRUGA
1 de maio Curitiba
São Paulo – Pela primeira vez desde a redemocratização do país, as sete maiores centrais sindicais brasileiras farão, este ano, um 1º de Maio unificado. O ato de Curitiba terá como mote “Em Defesa dos Direitos e por Lula Livre”. O que unificou CUT, Força Sindical, CTB, NCST, UGT, CSB e Intersindical foi a defesa da liberdade do ex-presidente Lula, mantido como preso político na sede da Superintendência da Polícia Federal de Curitiba há 20 dias, e a certeza de que eleição de Lula para presidente da República em outubro é a chance que a classe trabalhadora tem de conseguir resgatar direitos perdidos nos últimos anos.
Os sindicalistas estão também unificados em torno de uma pauta comum de interesse da classe trabalhadora, como uma política econômica de geração de empregos e renda, defesa da seguridade e da Previdência Social pública, o fim da lei do congelamento de gastos e a revogação da reforma Trabalhista. Os presidentes das sete centrais participam do ato, além de representantes de movimentos sociais como MST, MTST, UNE e Central de Movimentos Populares, entre outros integrados pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo.
Como tem ocorrido desde a instalação do acampamento Lula Livre na capital paraense, a manifestação de terça-feira, a partir das 14h na Praça Santos Andrade (Praça da Democracia), no centro histórico de Curitiba terá um forte ingrediente cultural, com apresentação de artistas conhecidos por ser posicionamento em defesa da democracia, como Beth Carvalho, Ana Cañas, Maria Gadu, o rapper Renegado e muitos artistas locais.




Ataque a tiros a acampamento pró-Lula deixa dois feridos






Política

Curitiba

Ataque a tiros a acampamento pró-Lula deixa dois feridos

por Redação — publicado 28/04/2018 08h02, última modificação 28/04/2018 16h50
O ataque teria acontecido na madrugada do sábado 28. Um integrante foi hospitalizado com um tiro no pescoço
Neudicleia de Oliveira/MAB
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Integrantes do acampamento realizam manifestação para denunciar ataque sofrido na madrugada
*Atualizado às 16h48, com a colaboração de René Ruschel

A 
 advogada Márcia Koakoski, 42 anos, moradora da cidade de Xangril-lá, no Rio Grande do Sul, foi  atingida por estilhaços de bala no acampamento Marisa Letícia, com o ataque a tiros praticado na madrugada do sábado 28. 
"Estávamos no acampamento, quando as pessoas mais próximas da saída ouviram uns gritos sobre 'Bolsonaro presidente'. Aí o pessoal da vigilância, que não estava armado, soltou fogos de artifício para afastá-los. Nesse momento, eles disseram que voltariam e matariam a gente", conta a integrante do acampamento. A situação, segundo a advogada, teria ocorrido por volta da 1h30.

Ela conta que a vigília seguiu pela noite e ninguém mais dormiu no acampamento. "Aí mais tarde eu fui ao banheiro, que é fora do acampamento, e ouvi um misto de fogos e tiros, até que senti uma pressão muito grande no meu ombro, como se fosse um soco contundente. Coloquei a mão, vi que não tinha sangue e pensei que estava tudo bem. Esperei passar aquele momento e quando retornei, vi que estava machucada".

Márcia e os demais acampados foram tentar entender a trajetória da bala que, conforme conta, atravessou a parede de dois banheiros químicos e atingiu a saboneteira do que estava, causando um estouro e o lançamento de fragmentos sobre ela.

"Foi bem assustador, eu sobrevivi por uma questão de segundos, porque eles atiraram pra matar. Estamos aqui numa luta pacífica, pela democracia, e somos alvejados pelas mesmas pessoas que dizem estar pelos direitos dos civis. Eu nunca sofri violência, aí venho para cá participar de uma manifestação e fico na linha de tiro. Eu podia estar no lugar daquele rapaz", lamenta se referindo ao companheiro de acampamento, Jeferson Lima de Menezes, de São Paulo, que foi atingido por um tiro no pescoço e se encontra na UTI, em estado grave. 

O caso 

O acampamento Marisa Letícia, localizado no bairro Santa Cândida, em Curitiba, onde dormem integrantes da vigília Lula Livre, foi atacado a tiros por volta das quatro horas da madrugada do sábado 28. Duas pessoas foram feridas, uma delas está hospitalizada. 

Jeferson Lima de Menezes, de São Paulo, foi prontamente encaminhado ao hospital com um tiro no pescoço. A autoria do ataque a tiros ainda não foi identificada até o momento. 

Segundo informações de pessoas que estavam no acampamento havia movimentação de carros passando em frente ao local desde às duas da madrugada, gritando palavras de ordem a Jair Bolsonaro.
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Integrante do acampamento mostra roupa suja de sangue. Créditos: Reprodução Facebook /Frente Brasil Popular
Após o ataque, segundo informações da vigília, os integrantes do acampamento realizaram uma manifestação em uma rua próxima para denunciar o atentado e o "estado de exceção que fere o direito de mobilização do grupo", além disso os acampados pediram agilidade por parte da Polícia e Justiça.

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Polícia encontra cápsulas de pistola 9mm no acampamento pró-Lula


A vigília Lula Livre soltou uma nota de repúdio contra o atentado alegando que a "tentativa de homicídio" não intimidará os manifestantes, que terão presença massiva em Curitiba neste 1 de maio, Dia do Trabalho. O movimento também fala em "crônica anunciada", devido ao fato dos integrantes já terem sido atacados na região no momento em que houve a troca de local do acampamento. Segundo o texto, as atividades do acampamento seguem normais.

Veja a nota na íntegra:
A vigília Lula Livre e as diversas organizações que a integram repudiam de forma veemente o ataque a tiros contra o acampamento Marisa Letícia, ocorrido na madrugada de hoje (28) e que resultou em duas pessoas feridas, uma delas de forma grave, com um tiro no pescoço. 
A sorte de não ter havido vítimas fatais não diminui o fato da tentativa de homicídio, motivada pelo ódio e provocação de quem não aceita que a vigília é pacífica, alcança três semanas e vai receber um Primeiro de Maio com presença massiva em Curitiba. Não nos intimidarão!
No fundo, é uma crônica anunciada. Desde o dia quando houve a mudança de local de acampamento (17), cumprindo demanda judicial, integrantes do movimento social haviam sido atacados na região. Desde aquele momento, a coordenação da vigília já exigia policiamento e apoio de viaturas, como foi inclusive sinalizado nos acordos para mudança no local do acampamento.
“Nós desmanchamos o acampamento cumprindo ordem oficial. Fizemos a opção de ir para um terreno e seria garantida a segurança. Agora o que cobramos da Secretaria de Segurança Pública é investigação, que identifique o atirador”, enfatiza Dr Rosinha, presidente do PT estadual e integrante da coordenação da vigília.
Seguiremos com nossas atividades, lutas, programação e debates da vigília. A cada dia vai se tornando cada vez mais impressionante como, mesmo preso, a figura do ex-presidente Lula, a força moral que ganha, as denúncias contra a injustiça de sua prisão, tudo isso causa desespero nos seus algozes.
Por isso, estamos no caminho certo e venceremos! Em repúdio contra a violência, realizamos o trancamento da rua na região e seguiremos lutando.
Convocamos a sociedade e as pessoas que prezam pela democracia, pelo livre direito à expressão, pela diversidade de vozes na política, que somem-se a nós na vigília. Não aceitaremos tentativas de retrocesso que já nos custaram muitas lutas e vidas.
Vigília Lula Livre, 28 de abril de 2018.

Munição
A Polícia do Paraná encontrou cápsulas de pistola 9mm, arma de alto poder letal, no acampamento Marisa Letícia, após ataque a tiros ocorrido na madrugada do sábado 28. Segundo informações da Secretaria da Segurança Pública do Paraná, peritos da Polícia Científica, policiais militares e da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) estiveram no local. Um inquérito foi aberto para apurar o caso.
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Os integrantes do acampamento registraram imagens das balas utilizadas no ataque. Créditos: divulgação
Em nota, a Secretaria coloca que as primeiras informações apontam que os disparos de arma de fogo contra o acampamento de manifestantes pró-Lula foi feito por um indivíduo a pé. Os tiros acertaram um dos acampados no pescoço Jeferson Lima de Menezes que, segundo informações da imprensa, encontra-se em estado grave na UTI. Os demais disparos acertaram um banheiro químico e os estilhaços feriram, sem gravidade, uma mulher no ombro.

Os acampados alegam que os policiais militares que estiveram no local apanharam os cartuchos de bala deflagrados, o que teria comprometido a perícia da Polícia Civil. Segundo os manifestantes, pode ser uma estratégia para esconder a possibilidade dos tiros terem vindo da arma de policiais. 
Repercussão

A senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, antes de embarcar para o Chile, onde participa de uma reunião com a Aliança Progressista para falar sobre o que se passa no Brasil, gravou um vídeo em solidariedade aos militantes acampados em Curitiba.

Segundo ela, a onda de violência e intolerância que se alastra pelo país é muito grave e “vem num rastro que atinge os movimentos sociais desde que o golpe do impeachment foi instaurado” Lembrou as recentes mortes da vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, no Rio de Janeiro; o atentado à caravana do presidente Lula, no interior do Paraná; a violência contra os manifestantes que estavam na porta da PF no último dia 7 para receber Lula e o ataque de uma torcida organizada na semana passada a integrantes do MST. Segundo ela, se nada for feito, essa violência pode levar o País uma “situação lamentável”.

https://www.facebook.com/Lula/videos/1690550217680638/

Para ela, toda a violência foi construída nesse processo de perseguição contra o presidente Lula, contra o PT, contra os movimentos de esquerda. “A Lava Jato e o juiz Sérgio Moro, que coordena essa força tarefa, tem responsabilidade objetiva nisso. Assim como a grande mídia e a Rede Globo, que dia após dia incita o ódio.


Com silêncio cúmplice da mídia, tiros querem acertar Lula

Com silêncio cúmplice da mídia, tiros querem acertar Lula

Os jornais, que pouco espaço deram ao atentado contra os manifestantes pró-Lula, registram a ação da Prefeitura de Curitiba – regida pelo asqueroso sr. Rafael Grecca (aquele que dizia vomitar com cheiro de pobre – para reforçar a manifestação da Polícia Federal para que se transfira Lula de Curitiba para algum outro lugar, preferiencialmente ermo e distante. Os tiros disparado contra os manifestantes – os títulos dizem que o atacado foi “o acampamento”, claro, para reduzir o impacto do crime – estão sendo descaradamente usados para “provar” que se deve retirar Lula de um centro urbano para impedir que seu cárcere seja ponto de convergência da indignação com sua prisão.
O acampamento está num terreo privado, sem atrapalhar a via pública, com um acesso que se dá, basicamente, por uma rua que poderia ser controlada por duas simples guarnições policiais. É claro que isso, de cara, tornaria impossível que qualquer atacante estivesse seguro de poder atirar e fugir, porque o som dos disparos bastaria para que as duas pontas da via fossem bloqueadas.
Mas, em lugar disso, a solução seria transferir Lula para algum lugar que impusesse mais dificuldades aos manifestantes a seu favor. Ou que colocasse os pistoleiros que vão da tiros ao abrigo de áreas vazias, escuras e sem as câmaras que registraram o facínora disparando contra pessoas que dormiam em barracas.
A questão que a mídia não investiga é a de quem fez este atentado tinha conhecimento (ou informação) para saber que sairia dali sem ser incomodado.

Só falta um cadáver

Só falta um cadáver. Por Helena Chagas

Da jornalista Helena Chagas, no site Os Divergentes:
Sempre odiei os arautos do caos, os profetas da catástrofe, as cassandras – como se dizia antigamente – que ficavam vendo crises institucionais e golpes em cada esquina. Estão quase sempre errados, ainda bem, e podemos dormir tranquilos porque a nossa democracia é forte. Que Deus nos ouça. Só que, a esta altura do campeonato, depois dos tiros disparados contra o acampamento da turma do Lula em Curitiba, e de alguns outros sinais de radicalização daqui e dali, não há como evitar certa  inquietude.
Parece que alguém está querendo um cadáver, e pode ser que, até outubro, consiga. Algo está muito errado na hora em que a política começa a ser feita com tiros –  e esta não foi a primeira vez nos últimos tempos, se lembrarmos dos ataques à caravana lulista há algumas semanas. Os tiros paranaenses deste fim de semana feriram uma pessoa gravemente e uma outra de forma mais leve. Ninguém morreu, ainda bem, e se as investigações seguirem o roteiro habitual não se saberá de onde, nem de quem, partiram os disparos. A vida seguirá até o próximo ato.
Há poucas dúvidas de que haverá um próximo ato, sabe-se lá onde e contra quem. De repente, temos a sensação de estar dentro de um paiol de pólvora, com todas as autoridades e instituições junto. E agora?
As autoridades da Lava Jato e do Judiciário perceberam que prender o ex-presidente da República e maior líder de massas da história recente não foi exatamente um passeio. Sobretudo num momento em que tantos outros, acusados de crimes envolvendo importâncias milhares de vezes maiores e flagrados em cenas vexatórias ligadas a pacotes e malas de dinheiro e a contas no exterior, continuam livres e soltos. Agora, o pessoal de Curitiba não sabe bem o que fazer com Lula – que, encarcerado, continua liderando as pesquisas.
No paiol, surgem outros focos de incêndio. Num deles, o Judiciário se estapeia a ponto de deixar a platéia confusa. Enquanto os ministros do STF se agridem, o juiz da primeira instância se coloca abertamente contra a decisão de instâncias superiores, às vezes sem cumpri-las. O fim de semana trouxe também uma nota indignada do desembargador Ney Bello, do TRF1, criticando o juiz Sergio Moro por se negar a cumprir habeas corpus por ele concedido suspendendo a extradição do empresário português Raul Schimidt.
Tão grave quanto gente levando tiros a esmo em acampamentos, juízes trombando e descumprindo decisões superiores é o bate-bocas entre o presidente da República investigado por corrupção – e chamando as investigações de perseguição – e os delegados da Policia Federal. A instituição foi desmoralizada e ofendida por seu chefe maior, associações de delegados responderam duramente ao presidente e fica tudo por isso mesmo.
Sem querer parecer cassandra nem dar razão aos catastrofistas que tanto detesto, isso não é normal…

Temer aponta nomes da Shell ao conselho da Petrobras; privatização iminente preocupa

PRIVATARIA

Temer aponta nomes da Shell ao conselho da Petrobras; privatização iminente preocupa

Três novos integrantes do conselho de administração têm passagem pela concorrente e subcontratadas da estatal

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)
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Ouça a matéria:
Afundamento da plataforma P-36, em 2001, que deixou 11 mortos, foi causado pela terceirização de serviços de manutenção / Sindipetro
Os acionistas da Petrobras aprovaram, nesta quinta-feira (25), a nova composição do Conselho de Administração da empresa, principal órgão decisório da estatal. Das 11 cadeiras, oito foram indicadas pelo governo Michel Temer. Cinco delas continuarão ocupadas por nomes que já compunham o conselho, e outras três foram destinadas a pessoas com larga trajetória em empresas privadas do setor de óleo e gás, concorrentes da Petrobras. Para especialistas, essa é uma sinalização de que o processo de privatização da companhia será acelerado.
Os três novos conselheiros são José Alberto de Paula, que desde 1989 ocupa altos postos de gerência na Shell; Clarissa de Araújo Lins, ex-presidente do comitê externo independente da Shell e atual diretora do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), organização patronal que articula a indústria petrolífera no Brasil; e Ana Lúcia Poças Zambelli, com passagem em cargos de comando da Schlumberger Brasil, Transocean América do Sul e Maersk Drilling, três empresas que mantém contratos estratégicos com a Petrobras.
O coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, explica que, historicamente, as indicações de governo para o conselho incluíam ministros de Estado e representantes das Forças Armadas, dado o peso estratégico que a Petrobras tem para o país. Porém, desde as indicações feitas para a gestão anterior do órgão, ainda na gestão Aldemir Bendine, o setor privado, especialmente o financeiro, ganharam espaço.
À época, as indicações incluíram nomes oriundos da BMF-Bovespa, Citibank, BTG Pactual e Associação Brasileira de Mercado de Capitais, todos mantidos na nova composição do órgão. Para Rangel, a experiência da gestão anterior indica como será a próxima.
“Quando o conselho de administração tinha um viés mais de mercado financeiro, só no ano passado, a Petrobras destinou aos bancos R$ 137 bilhões. Só no ano passado com pagamento de juros e amortização de dívidas, antecipando dívidas que iriam vencer em 2020 e alongando essas dívidas. Seguindo essa mesma linha, quando ela traz pra dentro do conselho pessoas ligadas ao setor de óleo e gás, na nossa avaliação, ela vai aprofundar o processo de privatização da empresa, que já está em curso”, opina. 
Para o professor de ciência política da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) e diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos do Setor de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (INEEP), William Nozaki, o novo conselho da Petrobras dá continuidade ao processo no qual os interesses da financeirazação e da desnacionalização, que antes orbitavam ao redor da empresa, agora estão dentro dela. 
Para Nozaki, está claro que o movimento do governo, que termina no final do ano, pretende acelerar a venda de ativos da empresa. 
“O movimento do governo pode ser entendido como uma combinação da própria ida do Moreira Franco para o ministério de Minas e Energia, que também está diretamente relacionada com uma tentativa do governo de garantir que, nesses últimos meses, vão acontecer de maneira célere o que eles apontaram como a venda de ativos da Petrobras. É um jogo casado, a mudança ministerial também está articulada com essa recomposição do conselho”, salienta.
O coordenador geral FUP destacou que, a partir do próximo dia 30 até 12 de maio, os petroleiros farão assembleias em todo o país para deliberaram sobre a realização de uma greve contra da privatização da Petrobras. 
Edição: Diego Sartorato

Comitiva de executivos suíços é recebida com protestos em São Paulo

MOBILIZAÇÃO

Comitiva de executivos suíços é recebida com protestos em São Paulo

Os principais alvos da ação são Nestlé, Syngenta e Ruag; manifestantes denunciaram a privatização da água

Brasil de Fato | São Paulo
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Ouça a matéria:
Ato realizado na frente do hotel onde estão hospedados os executivos / Katarine Flor
Uma comitiva formada por cerca de 60 executivos foi recebida com protestos na manhã deste domingo (29). Os alvos foram as multinacionais de origem suíça:  Nestlé, Syngenta e Ruag. Por meio de uma intervenção teatral, os militantes denunciaram a tentativa de privatizar a água, de comercializar venenos agrícolas já proibidos no país e de instalar uma fábrica de armas no estado de Pernambuco. O ato foi realizado na frente do hotel Tivoli, em São Paulo, local onde os empresários estão hospedados. 
Uma das manifestantes, que preferiu não se identificar, explica os motivos do protesto:  “é uma ação de denúncia e exposição da presença desses empresários no Brasil. Eles vieram sem divulgar a agenda e a pauta. É no mínimo suspeito que um grupo de empresários da Nestlé, da Syngenta, da Ruag e todas essas empresas venham se reunir aqui no Brasil, logo nesse contexto onde a gente acaba de passar por uma situação em que, claramente, o presidente Michel Temer estava negociando a água brasileira”. 
A ativista refere-se ao Fórum Econômico Mundial, realizado no início do ano, em Davos, na Suíça. Na ocasião, o tema da água recebeu destaque na agenda de Temer. Em um evento fechado e fora do programa oficial, ele se reuniu com o presidente do Conselho de Administração da Nestlé, Paul Bulcke. 
A militante destaca que a chegada de executivos da empresa aqui no Brasil pode sinalizar mais um avanço na tentativa de privatizar grandes mananciais, como o Aquífero Guarani, uma reserva que possui mais de 1,2 milhão de km² de água doce. 
Outra empresa que é alvo das críticas é a Syngenta, corporação biotecnológica e uma das maiores fabricantes de agrotóxicos e transgênicos do mundo. De acordo com os manifestantes, a presença dos executivos pode estar relacionada com o Paraquat, agrotóxico proibido pela Anvisa por conta de seu alto grau de toxicidade. Pouco tempo depois da proibição, a Anvisa estendeu o prazo para o banimento do veneno para três anos, devido a pressões de empresas do setor agrícola.
“Foi um grande avanço do povo brasileiro em defesa da nossa saúde, principalmente, dos agricultores, que são aqueles que trabalham diretamente com esse tipo de produto. Ela [Syngenta], se reunindo com tantas outras corporações, pode estar articulando formas de pressionar o governo, por meio de sanções econômicas, a violar esse avanço, essa conquista que foi a proibição do Paraquat”, alerta. 
As críticas também foram direcionadas à Ruag - multinacional suíça do setor armamentista. O Governo Federal vem negociando com a empresa a possibilidade de implantar uma fábrica de munições em Pernambuco. 
Participam da comitiva, empresários e cientistas ligados ao Centro de Alimentação Mundial (World Food Center), da Universidade Politécnica de Zurique, que é financiado pelas grandes corporações, como Nestlé, Syngenta, além de representantes da Swissnex, o Swiss, Business Hub e a SwissCam, Novartis e Schindler
Edição: Mauro Ramos