segunda-feira, 19 de abril de 2021

TIB Seu novo passado

 


Sábado, 27 de março de 2021
Seu novo passado

Decodificamos os sinais nazistas do governo Bolsonaro.

 

Foi espetacular a conversa que tive com o historiador, antropólogo, pesquisador e analista político Michel Gherman. Não acho que vale a pena tomar o tempo de vocês com este e-mail. 

Querem saber o que a “ala ideológica” do governo Bolsonaro oferece ao povo?

Querem entender por que a bandeira de Israel começou a aparecer em manifestações e redes sociais?

Querem entender qual o real sentido da ligação do governo Bolsonaro com o que o Michel chama de “Israel imaginária”?

Está tudo lá – um mergulho muito mais profundo do que a imagem de um assessor da Presidência espalhando um sinal usado por supremacistas brancos e nazistas em geral.  


Assista agora.

Leandro Demori
Editor Executivo

Destaques

 

‘Eu vou te apagar’
Schirlei Alves, Hyury Potter
ATENÇÃO! IMAGENS FORTES. Câmera no uniforme registra PM estrangulando dona de padaria por longos 38 segundos em SC.

LEIA MAIS →

Bolsonaro não vai parar de nos matar. Quem vai parar o genocida?
João Filho
Na última live, o presidente imitou uma pessoa se asfixiando quando o país contabilizava 285 mil mortos. Só nos resta pensar que estamos na fila do matadouro.

LEIA MAIS →

Nos escandalizamos com a fome, mas sabotamos as possíveis soluções
Fabiana Moraes
Apresentadores de TV, jornalistas e até mesmo BBBs se chocam com a situação no Nordeste, mas a tratam como uma sina de alguns predestinados. Com isso, prejudicam as reais iniciativas para eliminar a extrema pobreza.

LEIA MAIS →

Lobby farmacêutico quer que EUA punam países que buscam vacinas baratas
Lee Fang
Grandes empresas do ramo tentam controlar a produção da vacina contra a covid-19, limitando sua disponibilidade em todo o mundo e lucrando bilhões.

LEIA MAIS →

A crise do coronavírus
É mais fácil a ivermectina e a cloroquina te matarem do que te protegerem da covid-19. Saiba por quê

Rômulo Neris
Em vídeo, Rômulo Neris explica como esses medicamentos agem no organismo. Taquicardia e problemas no fígado estão entre as consequências do uso indevido.

LEIA MAIS →


Recebeu este e-mail encaminhado por alguém? Assine! É grátis
Mudou de ideia e não quer receber nossa newsletter?
Clique aqui para cancelar a inscrição.
Obrigado por nos ler! Que tal nos dizer o que achou?
Nosso e-mail é: newsletter@emails.theintercept.com

Acompanhe o TIB nas redes sociais:
Facebook
Twitter
Instagram
YouTube

Não existe mais limite entre as histórias que contamos e as que vivemos

 

Boa tarde, Glauco, tudo bem?

Profissionais de saúde descreveram cenas aterrorizantes à reportagem da Pública na semana passada. Em hospitais de todo o país, faltam remédios para intubação, UTIs estão lotadas e os profissionais de saúde muitas vezes se veem obrigados a fazer escolhas difíceis para salvar o maior número de pessoas possível.   

Na newsletter de hoje, o repórter e editor Bruno Fonseca faz uma reflexão sincera sobre como a pandemia implodiu os limites entre nosso trabalho como jornalistas e nossas vidas pessoais. "Ao mesmo tempo que buscamos histórias da pandemia, vivemos nossas próprias: telefonemas aflitos – mas cheios de carinho – ao fim do dia, abraços virtuais, encontros raros, despedidas difíceis", escreve. 

Que limites a pandemia implodiu na sua vida? E como você está lidando com isso? Responda esse email com seu comentário para as Cartas dos Aliados.


Um abraço,

Giulia Afiune
Editora de Audiências
Não existe mais limite entre as histórias que contamos e as que vivemos 
por Bruno Fonseca

A notícia chegou no penúltimo final de semana deste longo e difícil mês de março. Apesar de ser um sábado à noite, mensagens de conhecidos soaram o alerta: medicamentos para intubação de pacientes estavam no limite em alguns hospitais de Belo Horizonte. Médicos e médicas com quem tenho contato discutiam, com evidente desespero, o que era possível fazer. Economizar? Transferir pacientes? Substituir medicações de referência por outras? Quanto tempo ainda teriam disponível? Quanto oxigênio? Quantos leitos? Quanta força?

À medida em que lia essas mensagens, apertava a angústia de imaginar a possibilidade de alguma pessoa amada estar entre os pacientes que enfrentam esse cenário de caos. É lá, em Belo Horizonte — aquela cidade que tanto gosto, mas não visito há um ano — que está boa parte da minha família. A pandemia, afinal, implodiu o que ainda poderia haver de limites entre jornalista e cidadão, entre quem narra histórias e quem as vive e sofre com elas.

Faz um ano que me entristeço e me angustio escrevendo e lendo reportagens sobre esse cenário devastador que nunca imaginei viver. Nós, jornalistas da Pública, ao mesmo tempo que buscamos histórias da pandemia, vivemos nossas próprias: telefonemas aflitos – mas cheios de carinho – ao fim do dia, abraços virtuais, encontros raros, despedidas difíceis. Alguns de nós perdemos pessoas nesse trajeto, outros, acompanharam recuperações promissoras cheias de esperança. Em comum, nós — imagino que você também — temos vivido um dia de cada vez, tentando firmar o pé a cada passo, para atravessar essa época tão dura.

Ouvir o relato de uma médica de BH que viu uma paciente de menos de 30 anos falecer ao seu lado, enquanto outro paciente pedia “pelo amor de Deus, que não o deixasse morrer”, foi mais um desses momentos que embaralha o jornalista e o cidadão. Imagino não ter sido muito diferente para as minhas colegas Mariama Correia e Bianca Muniz, que escreveram a reportagem comigo. Mariama ouviu de uma enfermeira em Recife que “um dia tem remédio, no outro acaba”. E Bianca apurou denúncias que medicamentos já teriam faltado para intubar pacientes em São Paulo.

Trazer essa realidade dura para você não é fácil. Imagino que para você ler, também não. Mas apesar do sofrimento, há retornos que nos fazem acreditar que contar histórias, ainda que tristes, tem sentido. Essa mesma médica com a qual conversei para a reportagem, após a publicação, agradeceu pelo texto e disse esperar que ele toque e conscientize ao menos uma pessoa para que se cuide e evite aumentar as filas já lotadas das UTIs. E falou sobre como é importante esse tipo de denúncia para pressionar autoridades a se mexerem para comprar medicamentos e fazerem seu dever.

É pra isso, afinal, que seguimos repórteres-cidadãos em meio a esse caos. O jornalismo tem se mostrado uma ferramenta muito importante para pressionar pelo compromisso dos governantes, pela consciência dos cidadãos, para estabelecer uma realidade comum que nos impulsione a tomar alguma ação que nos ajude a sair desses tempos sombrios. E também para registrar e compartilhar histórias, ainda que muito tristes, dessa experiência humana avassaladora, e também corajosa, de viver e seguir vivendo numa pandemia.

Cuide-se, cuide de quem é importante para você. Desejo muita saúde.
Bruno Fonseca é editor e repórter multimídia da Pública. 

Rolou na Pública
 

Suspeição do juiz da tragédia em Mariana. O Ministério Público Federal entrou ontem com pedido de suspeição do juiz da 12ª Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte, Mário de Paula Franco Júnior, responsável por julgar os processos envolvendo a tragédia de Mariana. A reportagem da Pública que revelou ameaças e intimidação da advogada da Fundação Renova durante reunião com os atingidos, publicada em fevereiro, é citada na argumentação. Nela, mostramos que a advogada se colocou como porta-voz do juiz e disse que os processos de indenização iriam parar caso manifestações realizadas pelos atingidos continuassem.

Influencidadores e "atendimento precoce". Documentos obtidos pela Pública via Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que a Secretaria de Comunicação e o Ministério da Saúde gastaram mais de R$ 1,3 milhão em ações de marketing com influenciadores sobre a pandemia. Campanhas falam sobre "atendimento precoce", mas não citam isolamento social. A reportagem, publicada hoje, saiu também no UOL

Instituto Lula

 


mer. 31 mars à 16:30
EDIÇÃO 24 • MARÇO DE 2021
 
ZANIN RESPONDE PERGUNTAS SOBRE A SITUAÇÃO JURÍDICA DE LULA
 
O advogado Cristiano Zanin participou do Mutirão “Justiça para Lula é justiça para o Brasil” e respondeu às questões enviadas pelo público sobre a atual situação jurídica do ex-presidente Lula. Tem dúvidas sobre o assunto? Aperte o play e assista ao vídeo.
 
 
"INDÚSTRIA DA DELAÇÃO” NA LAVA JATO É EVIDENCIADA EM NOVA PETIÇÃO DA DEFESA DE LULA
 
O documento traz novos diálogos entre os procuradores, incluindo uma mensagem de José Robalinho, então presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), que sugere movimentações para pressionar advogados contrários a acordos de delação premiada.
 
 
CAMPANHA LULA LIVRE CONTINUA MESMO APÓS STF DECIDIR PELA SUSPEIÇÃO DE MORO
 
A Campanha Lula Livre reuniu os comitês estaduais na última quinta (25). Além de comemorar as conquistas do último período, como a decisão do STF que declarou o ex-juiz Sérgio Moro suspeito, a campanha pediu para que a militância se mantenha atenta e ativa contra as tentativas de perseguição a Lula.
 
 
A CAMPANHA LULA LIVRE DEFENDE A VACINA GRATUITA O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL
 
Se o comércio e as escolas estão fechadas é porque Bolsonaro não agiu para conter a pandemia. Queremos vacina gratuita para todas e todos e o mais rápido possível para que possamos reconstruir o País. O Brasil pode voltar a ser uma nação grande, desenvolvida e com justiça social. E esse caminho começa com a vacinação.
 
 
 
QUEREMOS TE AGRADECER POR ERGUER BEM ALTO A BANDEIRA #LULALIVRE
 
Queremos agradecer a cada ativista, militante, entidades e movimentos que nunca desistiram de erguer bem alto a bandeira #LulaLivre e estiveram sempre conosco na Vigília Lula Livre, nas panfletagens, atos e outras atividades presenciais ou digitais. Nossa gratidão! E continuem com a gente. A luta continua.
 
 
Facebook
Twitter
Instagram
Youtube
 
 

A Pública

 



As notícias de episódios de violência contra indígenas e seus territórios infelizmente se tornaram comuns, principalmente no governo Bolsonaro. Aqui na Pública acompanhamos esse tema de perto, e relatamos mais um caso de agressão contra os povos Guarani e Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, ocorrido há duas semanas, em plena pandemia. 

Hoje, a repórter Anna Beatriz Anjos explica o que a proteção dos territórios indígenas tem a ver com as mudanças climáticas, e por que a proteção dos direitos dessas populações é benéfica para a toda a sociedade.   

O que você pensa sobre a situação dos direitos indígenas? E sobre as mudanças climáticas? Responda este email com seu comentário e participe das Cartas dos Aliados.


Um abraço,

Giulia Afiune
Editora de Audiências
Por que a demarcação de territórios indígenas é importante pra sua vida
por Anna Beatriz Anjos
 
Lembro da primeira vez em que visitei uma retomada Guarani e Kaiowá no Mato Grosso do Sul. A ocupação Tekoha Ñu Verá, situada nas bordas da Reserva Indígena de Dourados, era uma tentativa dos indígenas de recuperar parte da área que reivindicam como seu território tradicional, da onde foram expulsos há décadas para dar lugar aos colonos que chegavam para povoar o estado. 

Quando estive no acampamento, em setembro de 2019, 
fazia poucos dias que os funcionários da fazenda tinham destruído os barracos de lona que as famílias haviam erguido para se abrigar e, com eles, boa parte de seus pertences. Ainda assim, os indígenas não pensavam em ir embora. "A terra aqui é nossa e nós não vamos sair", me disse um rapaz de pouca idade. 

Me recordo de ter ficado impressionada com aquela convicção que não era só dele, mas de cada um ali. Apenas com a roupa do corpo, sem comida ou teto, enfrentando constantes ameaças que quase sempre se concretizavam, diante de um adversário muito mais poderoso, e sem grandes perspectivas de vitória, eles estavam dispostos a ir até o fim pelo seu tekoha, o "lugar onde se é”, na língua tradicional Guarani. Naquele mesmo dia, debaixo de um sol escaldante, já estavam iniciando a reconstrução do acampamento. 

O ataque a Ñu Verá não foi o primeiro e nem o último capítulo do extenso histórico de violência contra as retomadas Guarani e Kaiowá espalhadas pelo Mato Grosso do Sul. No último 16 de março, dois moradores do Tekoha Guaiviry, em Aral Moreira, na fronteira com o Paraguai, foram agredidos com socos, pontapés e coronhadas por homens que, segundo organizações indígenas, trabalham na Fazenda Querência, vizinha à ocupação. Uma das vítimas desmaiou e, com lesões em várias partes do corpo, ambas precisaram ser atendidas no hospital da cidade. O Ministério Público Federal acompanha o caso, mas não divulga as linhas de investigação adotadas até o momento.

Como mostra a nossa reportagem sobre o assunto, o episódio, para variar, não é fato isolado: o dono da propriedade, Idelfino Maganha, foi denunciado pelo Ministério Público Federal junto a outras 19 pessoas pelo assassinato, em novembro de 2011, do cacique Nísio Gomes, então líder do Tekoha Guaiviry, cujo corpo até hoje não foi encontrado. O fazendeiro chegou inclusive a ser preso pelo crime, mas está em liberdade. Além da propriedade vizinha a Guaiviry, Maganha e a esposa são donos de uma das três fazendas que os Guarani e Kaiowá ocupam atualmente.

Eu e a repórter Rute Pina apuramos que a Funai iniciou a demarcação de Guaiviry em 2008, quando instituiu um grupo de trabalho para estudar a área de ocupação tradicional dos indígenas. O antropólogo Vinícius José Santos, integrante do grupo, nos contou que o relatório de identificação do território foi entregue ao órgão há quase uma década, em 2012, mas até hoje o processo não foi concluído. Questionada, a Funai até agora não explicou as razões da demora. A única certeza é de que, nesse meio tempo, o conflito entre os indígenas e os fazendeiros que os cercam vem se acirrando e produzindo episódios sangrentos como o do mês passado.

Nas gavetas da Funai jazem mais de 230 processos como o de Guaiviry. Sobretudo na última década, o Estado brasileiro vem sistematicamente desrespeitando a Constituição e falhando em reconhecer formalmente as terras indígenas. Sob Bolsonaro, nem se fale: em mais de dois anos, seu governo não apenas cumpriu a promessa eleitoral de não concluir nenhuma demarcação, como travou 70% dos procedimentos abertos

Sabemos bem que nesse aspecto – e em tantos outros –, o presidente escolhe a mão contrária ao que a lei manda e a ciência recomenda. No fim de março, a ONU engrossou o coro dos que acusam o negacionismo. Baseado em mais de 300 artigos acadêmicos, um relatório do órgão concluiu que os povos indígenas são os mais eficientes guardiões das florestas da América do Sul e Caribe, quando têm seus territórios oficialmente reconhecidos e protegidos. Entre as várias constatações do estudo, está a de que, entre 2000 e 2012, o desmatamento em florestas situadas dentro de terras indígenas demarcadas no Brasil foi 2,5 vezes menor do que fora dessas áreas.

"A violação de direitos indígenas já garantidos pela própria Constituição e pelo marco jurídico internacional afeta tudo o que se refere às mudanças climáticas", me disse em entrevista a médica indígena Myrna Cunningham, presidente do Fundo para o Desenvolvimento dos Povos Indígenas da América Latina e do Caribe (Filac), que ajudou a elaborar o relatório. Ela explicou que demarcar os territórios indígenas é investir em uma forma eficiente de proteger as florestas e mitigar as mudanças climáticas, o que é benéfico para toda a sociedade. Embora preocupada com o negacionismo do nosso governo, Cunningham acredita que o estudo favorece a pressão de outros países sobre o Brasil na área ambiental e que há um contexto global favorável "para se discutir a situação dos povos indígenas em todo o mundo."

Que as palavras de Cunningham se provem certas. Caso contrário, o sangue indígena continuará a escorrer por aqui e a humanidade vai "torrar" em um planeta superaquecido e devastado, como já bem definiu Ailton Krenak.
Anna Beatriz Anjos é repórter da Pública. 

Rolou na Pública
 

Reportagem da Pública bombou. Na semana passada, revelamos que o governo Bolsonaro contratou influenciadores para propagandear o "atendimento precoce" em suas redes. A reportagem foi republicada por 72 sites, como IGYahoo! e MSN. Ela também foi repercutida por dezenas de outros veículos, como TV CulturaO GloboExtraDiário de Pernambuco e O Povo.

E teve efeitos na justiça. Após a publicação, a bancada do Psol na Câmara protocolou uma denúncia contra o Ministério da Saúde no Ministério Público Federal por "abuso do poder e desvio de finalidade manifestado pela atuação do governo federal”. O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas também pediu para o governo federal esclarecer a fonte dos recursos usados para pagar a campanha com influenciadores. Nesta segunda, a Justiça Federal em São Paulo deu prazo de 72 horas para que a Advocacia Geral da União responda a uma ação civil pública que pede a devolução dos recursos usados nas ações de marketing reveladas pela nossa reportagem.

Impacto na vacinação. Por conta da publicação da reportagem "Brasil registra duas vezes mais pessoas brancas vacinadas que negras", nossos repórteres foram convidados para participar de uma reunião do Conselho Nacional de Saúde sobre o Plano Nacional de Vacinação. Os dados da reportagem foram apresentados ao Conselho, que no dia 30 de março publicou uma recomendação cobrando a adoção de ações antirracistas no acesso à saúde. O documento é destinado ao Ministério da Saúde, secretarias e conselhos de saúde dos estados e municípios.