sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Carta Capital

 

SEXTA-FEIRA, 1º DE OUTUBRO EM 2021
INTERVISTA

'Há o risco de surgir um candidato mas extremista que Bolsonaro'

Para a pesquisadora Michele Prado, chegará o momento em que bolsonaristas acharão que o presidente não fé radical o suficiente

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TECNOLOGIA

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ELEIÇÕES 2022

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Você também acredita?

 

Sexta-feira, 1º  de outubro de 2021
Você também acredita?

Olá, 

Pouco antes de 7 de setembro, os repórteres Amanda Audi e Fábio Bispo revelaram no Intercept que as mobilizações golpistas eram financiadas por ruralistas. Os devem mergulharam em grupos do Telegrama e do WhatsApp e conversaram com as pessoas que estavam organizando as ações com Bandeiras como a dissolução do Supremo Tribunal Federal e a adoção do voto impresso. Descobriram aquele um dos grupos mas ricos do país ajudava a bancar o movimento: a Associação de Produtores de Soja. 

Depois da nossa reportagem, o ministro Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de R $ 20 milhões das contas bancárias da Aprosoja-MT e da Aprosoja Brasil- dinheiro que poderia ser usado para financiar atos antidemocráticos. Cantamos a bola no final de agosto, cumprindo nossa missão de dar nome aos bois.

Dias depois, fomos pra cima dos poderosos mas uma vez na reportagem corajosa de Hyury Potter. Ele mostrou que uma mineradora novata no meio da Amazônia já extraiu um volume de ouro 32 vezes maior que o estimado, com licença irregular. A empresa Gana Gold Mineração é investigada pela Polícia Federal e só opera porque a prefeitura de Itaituba atropelou a legislação. Mas uma vez, as instituições que escolhem proteger a Amazônia facilitam a mineração na região graças ao lobby com deputados e ministros do governo Bolsonaro.

Uma semana depois da publicação da reportagem, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) embargou as atividades da Gana Gold. A empresa fé multada em R $ 10 milhões e está proibida de funcionar. Embora não faltassem indícios da atividade irregular que acarreta em forte dano ambiental na Amazônia, só depois que denunciamos o caso como medidas para impedir a atuação da empresa foram eliminados. Isso é impacto!

Fazer jornalismo investigativo capaz de mudar a realidade é nossa missão e exemplos como esses nos motivam ainda mais. É o que nos faz continuar acreditando no tipo de jornalismo ao qual nos dedicamos incansavelmente. Casos como os que comentei here só reforçam a importância do nosso trabalho. Trabalho que você conhece, confia e que depende da ajuda de apoiadores de apoiadores para existir. Jornalismo combativo custa caro. 

Precisamos de bons profissionais e precisamos garantir que eles possam trabalhar em segurança, com todo o respaldo jurídico. Também deslig a eles a estrutura para que facam o que for necessário para denunciar a corrupção e as injustiças, onde quer que elas pré-escolhidas. Queremos fazer muito but. Para que mensagens como essa, te contando novos impactos do nosso jornalismo, não parem de chegar, peço que você contribua, com quanto e como puder.

QUERO AJUDAR A GERAR IMPACTO!   

Um abraço forte,

Paula Bianchi
Editora
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As principais notícias desta manhã no Brasil 247

 

Se o critério for o tamanho do patrimônio líquido, a minoria mais rica não passa de 0,2% da humanidade em vez de 1%

 

Foto: ISTOCKPHOTO
A "inveja do iate", em que bilionários pretendem superar uns aos outros em tamanho da embarcação, todos os anos, é representativo do comportamento da minoria riquíssima

Se o critério for o tamanho do patrimônio líquido, a minoria mais rica não passa de 0,2% da humanidade em vez de 1%

Professor de universidade da Austrália analisa em livro o comportamento dos ricos a partir de 1 milhão de dólares, segundo a propriedade de ações, títulos do governo e imóveis 

“---Quem são os 1% mais rico e o que eles querem?”, perguntou  Tom Mills, pesquisador da University of Bath e co-editor do New Left Project, a Tim DiMuzio, professor de Relações Internacionais e políticas públicas na Universidade de Wollongong, na Austrália. A pergunta remete ao título de um livro recém publicado por  DiMuzio, intitulado “O 1% e o resto de nós: uma economia política da propriedade dominante”, uma tentativa de “examinar as vidas insulares dos super-ricos globais, o sistema socioeconômico que dirigem e seu impulso inquieto de dominar a sociedade e a natureza”, nas palavras do entrevistador.

O problema, respondeu DiMuzio, é que a maioria das pessoas tem ideias diferentes sobre o que constitui riqueza e quem podem ser os "ricos". Em seu trabalho, o professor examina como os bancos de investimento e outras instituições financeiras concebem o 1%. Sua definição para esse universo diminuto e ultrapoderoso é ‘indivíduos de alto patrimônio líquido’, que têm pelo menos 1 milhão de dólares investidos em ativos geradores de renda, como ações de empresas, títulos do governo e imóveis. 

No último relatório World Wealth da Capgemini e RBC Wealth Management, havia 13,7 milhões de indivíduos de alto patrimônio líquido. Como porcentagem da população global, de cerca de 7 bilhões, isso significa que eles constituem 0,2% da humanidade ou 0,7% dos adultos. “Na realidade, essa classe do que eu chamo de proprietários dominantes é muito menor do que o movimento Occupy Wall Street percebeu, se recorrermos à definição de indivíduos de alto patrimônio usada por instituições financeiras, e houver poucas razões para não fazê-lo”, sublinha DiMuzio.

Há muito poucas evidências, diz, sobre a psicologia dos detentores de patrimônio líquido elevado. “Há algumas características reunidas em pesquisas, a exemplo de The New Elite, de Jim Taylor e outros autores, mas os dados são difíceis de avaliar, pois as pessoas sempre podem mentir. Portanto, embora não seja possível realmente “entrar na cabeça” do 1% como um todo, o que podemos fazer é examinar suas práticas e a lógica que estão seguindo.” 

Uma prática que certamente existe, diz, é o consumo competitivo por status. “Eu uso o exemplo de "inveja do iate" no livro, em que bilionários pretendem superar uns aos outros em tamanho de iate e futilidades, todos os anos. Mas temos que lembrar que a maioria dos indivíduos de alto patrimônio líquido está na categoria de 1 milhão a 5 milhões de dólares, portanto eles estão longe de consumir no nível de indivíduos com patrimônio líquido ultra-alto --- aqueles com pelo menos 30 milhões de dólares em ativos de investimento ou mais. O que o grupo inferior da hierarquia parece estar fazendo também é competir por status, mas faz isso contraindo mais dívidas para mantê-lo.”

O professor concebe, de modo peculiar, cabe assinalar, o capitalismo como modo de poder e não como modo de produção. “Nesta conceituação”, diz, “estamos examinando principalmente como o poder é organizado e como ele cria e recria uma determinada ordem hierárquica. Na verdade, há muito mais a dizer sobre isso. O que nos preocupa na estrutura de capital como poder é a propriedade, a capitalização de ativos geradores de renda e como as maiores entidades capitalizadas, que são os governos e as corporações, moldam e remodelam a reprodução social em benefício dos proprietários.” Eles fazem isso, sublinha DiMuzio, frequentemente sabotando direta ou indiretamente o potencial criativo da sociedade. 

Uma questão pertinente e que cabe indagar, é como DiMuzio terá tratado, no livro a ser lançado, a questão da propriedade de patentes e similares, ativos dos mais relevantes e além disso, forma de riqueza em ascensão enquanto proporção da riqueza geral dos capitalistas e ainda uma fonte significativa de rentismo. 

Em mil dias de governo Bolsonaro o gás de cozinha subiu 73%, a gasolina 57%, o óleo diesel 45% e a inflação, 15%

 

Foto: ISTOCKPHOTO
O desmantelamento da Petrobras, com a venda da BR e outros ativos, inviabilizou a proteção de longo prazo em relação às flutuações cíclicas da cotação internacional do petróleo, antes possibilitada pela estrutura integrada vertical da companhia, e os preços dos derivados explodiram

Em mil dias de governo Bolsonaro o gás de cozinha subiu 73%, a gasolina 57%, o óleo diesel 45% e a inflação, 15%

Motoristas por aplicativos, caminhoneiros e alimentação em domicílio sofreram os impactos mais fortes, mostram levantamentos do Ineep e do Dieese/Fup

Em mil dias de governo Bolsonaro, o preço do gás de cozinha subiu 73%, o da gasolina 57% e o do óleo diesel 45%, muito acima da inflação do período, de 15%, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2021, o preço do gás de cozinha nas refinarias da Petrobras aumentou 40%. As contas são do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), com base em dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP). Os números refletem os reajustes da política de preço de paridade de importação (PPI), adotada pela administração da Petrobrás, e que acompanha a variação dos preços internacionais do petróleo, a cotação do dólar e os custos de importação. No mesmo período, a cotação do petróleo no mercado internacional subiu 31%.

O peso dos derivados de petróleo pressionou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), de 1,14% em setembro. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além da energia elétrica, influenciaram o indicador as altas da gasolina, do óleo diesel e do gás de cozinha. 

“A inflação”, destaca Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP, “voltou com força total no país, atingindo a todos, sobretudo os mais pobres. É mais uma prova do fracasso deste governo e do equívoco da política de preço de paridade de importação, adotada pela gestão da Petrobrás para reajuste dos combustíveis”. Enquanto essa política não mudar, diz Bacelar, a inflação continuará a disparar, deteriorando ainda mais o poder de compra dos trabalhadores.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, subseção FUP (Dieese/FUP), apurou as altas em 12 meses dos itens com maior peso para algumas categorias de trabalhadores e no orçamento doméstico. O óleo diesel, com variação de 34,55%, impacta com força o custo do trabalho dos caminhoneiros. No caso dos trabalhadores por aplicativo, as elevações com maior peso, no mesmo período, são as da gasolina, em 39,05%, do etanol, em 56,62% e do gás veicular, em 37,14%. Os aumentos com maiores efeitos no custo e manutenção domésticos foram os de alimentação e bebidas, em 13,36%, gás de botijão, em 32,93% e da energia elétrica, em 25,26%.

Segundo o economista do Dieese/FUP, Cloviomar Cararine, somando-se as variações de energia elétrica e alimentação, constata-se que a inflação mudou de grau e subiu para o patamar dos dois dígitos anuais. 

Acrescente-se que a política de preços de derivados, a chamada PPI, de alinhamento automático à variação da cotação internacional do petróleo, à cotação do dólar e aos custos de importação, não é a única possível de se praticar, como pretendem fazer crer o governo e a Petrobras. No caso do Brasil, no período Lula e Dilma os preços dos derivados eram ajustados em ciclos longos, levando em conta as expectativas de variações futuras da taxa de câmbio, do preço do petróleo, dos preços dos derivados e do mercado interno brasileiro. Neste período, os acionistas tiveram os maiores lucros da história da Petrobras e o valor de mercado da empresa atingiu seus picos históricos. Isso foi possível porque a Petrobras, em desmantelamento acelerado desde as gestões de Aldemir Bendine na presidência da companhia e de Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, tinha uma integração vertical, isto é, controlava a exploração, o refino, o transporte e a distribuição. 

A integração vertical permitia proteção de longo prazo em relação às flutuações cíclicas dos preços do petróleo, uma vez que as margens de refino e os preços dos derivados, apesar de acompanharem os preços do óleo cru no longo prazo, não variam com a mesma intensidade nos mercados com grandes refinadores e com produção doméstica relevante. As empresas integradas internacionalmente têm mais lucro e maior sustentabilidade de longo prazo. 

Essa possibilidade de proteção de longo prazo em relação às flutuações cíclicas dos preços do petróleo foi extinta, entretanto, com a privatização de refinarias, da distribuidora BR, dos gasodutos e da Gaspetro e a condição para recompor aquele arranjo é a encampação dos ativos do Estado vendidos em processos com muitas irregularidades, segundo amplamente noticiado.