terça-feira, 9 de agosto de 2016

O Brasil à venda: como um golpe preparou o terreno para as privatizações

03/08/2016 15:08 - Copyleft

O Brasil à venda: como um golpe preparou o terreno para as privatizações

Mais austeridade e a venda de patrimônios públicos importantes irão piorar a terrível recessão.


Andy Robinson, The Nation
Cacalos Garrastazu / FEBRABAN
“Sou o 'Papa Mike' – polícia militar”, disse o policial ao lado de sua BMW. Ele está preparado para acompanhar o novo trem do VLT (veículo leve sobre trilhos), em sua volta experimental, indo e voltando no melhorado Porto Maravilha, com seu deslumbrante Museu do Amanhã, idealizado por Santiago Calatrava, pelo velho centro do Rio de Janeiro e para dentro do Aeroporto Santos Dumont, que logo será privatizado. “Minhas ordens são para evitar que as pessoas sejam atropeladas”, ele explica enquanto o trem parte, passando por um sinal de alerta que lê: “Cuidado! O VLT não faz barulho.”
 
Quem poderia questionar a preocupação do prefeito Eduardo Paes com a segurança dos pedestres da cidade anfitriã dos Jogos Olímpicos? Ainda assim, aqueles amontoados no trem, que ficam assim todos os dias nos ônibus nas viagens diárias intermináveis da vasta classe trabalhadora do Rio, devem se perguntar porquê tais precauções não foram tomadas para evitar o real perigo: a falência do estado do Rio, que suspendeu salários e pensões de dezenas de milhares de trabalhadores do setor público. Cortes draconianos foram feitos nas escolas, hospitais, e no tráfego, enquanto 39 bilhões de reais (quase $10 milhões) são gastos nas Olimpíadas. Dois em três brasileiros entrevistados essa semana pela Folha de S. Paulo disseram que as Olimpíadas trouxeram mais problemas que vantagens.
 
Outros dentro do trem podem se perguntar porquê proteções similares não são fornecidas aos três milhões de trabalhadores que perderam seus empregos desde 2013. A recessão, a pior do Brasil, desfez décadas de progresso na redução da pobreza em um país cuja desigualdade de renda chocou o mundo, ainda quando a desigualdade ainda causa choque. Ao final de 2016, a recessão terá limpado quase 9% do PIB do país em dois anos. A economia prevê uma maior contração, com um programa de austeridade oficialmente inserido em Brasília pelo governo de direita de Michel Temer, que assumiu o poder em maio depois do que muitos chamam de golpe parlamentar.
 
De muitas maneiras, Temer está continuando de onde a presidente impichada do Partido dos Trabalhadores (PT), Dilma Rousseff, parou sua conversa com a austeridade em um segundo mandato desastroso. Agora, no entanto, os cortes de gastos estão coincidindo com um programa radical de privatização. “Eles estão aplicando muitas das mesmas políticas de Dilma, mas com um chapéu neoliberal”, disse Luiz Eduardo Melin, conselheiro econômico, em tempos mais prósperos, do segundo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2007-11). “Eles irão derrubar nossa economia em uma espiral negativa, mas eles não se importam pois não irão concorrer reeleição.”





 
Comumente no Rio, a depressão vem depois do Carnaval, mas mesmo antes da cerimônia de abertura das Olimpíadas, “já estamos de ressaca”, disse Joel Birman, psicoterapeuta que trabalha na área nobre da Gávea, enquanto a classe média carioca horrorizada e neurótica procura ajuda. Para a massa empobrecida, os macro-templos evangélicos realizam uma função similar. Aqui, o conservadorismo cristão burguês – um elemento chave do movimento que suspendeu Dilma – constrói sua base entre mais de um quinto da população.
 
“Eu descobri a liberdade; agora eu só me preocupo com a vida após a morte”, disse Luis, que está sentado na fileira de trás da Igreja Universal do Reino de Deus em Botafogo. Luis trabalha por R$1500 por mês como assistente de cozinheiro em um restaurante próximo e gasta R$200 por mês em transporte para sua casa, que fica 90 minutos do seu trabalho, em Duque de Caxias. A crise do petróleo pegou forte lá, dizimando os empregos na refinaria local e pelo interior industrial, e limpando os ativos da companhia de petróleo estatal, Petrobras.
 
* * *
 
Uma vez a jóia da coroa do PT, a Petrobras foi rasgada ao meio pelo colapso do preço do petróleo e uma massiva investigação anti-corrupção. Pode estar agora em seu primeiro estágio de privatização. Nas salas de reunião subterrâneas embaixo do futurístico Congresso de Oscar Niemeyer em Brasília, a lei que iria abrir a exploração das reservas do pré-sal a multinacionais está sendo discutida. Os ativos da companhia na Argentina e no Chile também estão à venda. O enorme banco de desenvolvimento estatal, BNDES, cuja sede é localizada ao lado do prédio da Petrobras no Rio, foi forçado a vender sua participação em companhias como a Petrobras e o conglomerado de mineração, Vale. Em uma redução monumental, uma instituição que já emprestou mais dinheiro do que o Banco Mundial “ficará sem um centavo e irá pedir empréstimos aos credores do corporativismo brasileiro que já estão em sérios problemas devido a recessão”, disse Melin. “Quando estiverem no limite da falência, serão vendidos a alguém a preços excelentes”.
 
Esse alguém pode ser encontrado em Wall Street ou em Houston. O governo Temer está “tentando criar as condições” para a privatização da Petrobras e dos bancos públicos, alertou Lula semana passada. O novo CEO da Petrobras negou a denúncia, declarando que “eu não acredito que a sociedade brasileira seja madura o suficiente” para uma venda total do mais valioso bem estatal na América Latina. Investidores internacionais, enquanto isso, estão se preparando para essa venda urgente. “Tendo em vista que a recessão afetou os lucros da empresa, os ativos podem ser adquiridos a preços que são mais atraentes aos compradores”, aconselhou o novo relatório do Conselho do Atlântico em Washington, entitulado graciosamente de “Petróleo e Gás no Brasil: um novo lado bom”.
 
As vendas – que também incluem aeroportos e correios – irão, cosmeticamente, abaixar o déficit orçamentário do país, que, a 10%, está fazendo subir a dívida pública. Ainda assim, como alerta a economista da Universidade de São Paulo, Laura Carvalho, privatizações irão piorar as finanças públicas a longo prazo, pois os dividendos ao estado desaparecem. “É um truque de ilusionismo fiscal; até o FMI sabe disse”, disse Carvalho.
 
A ironia é raramente reconhecida pela mídia brasileira, mas o impeachment de Rousseff surgiu supostamente do seu uso administrativo das pedaladas, uma técnica de contabilidade comum e inócua, que reduz o déficit temporariamente. (O termo se refere ao drible rápido usado pelos jogadores de futebol para enganar um oponente). Mês passado, um comitê especial do impeachment no Senado brasileiro decretou que fazer uso da pedalada não era uma ofensa digna de impeachment.  Ainda assim, há poucas chances de o Senado voltar atrás na segunda votação do impeachment em agosto. “A decisão do comitê não faz diferença nenhuma – esse é um golpe brando e parlamentar, e a pedalada foi só um pretexto”, disse Vladimir Safatle, filósofo da Universidade de São Paulo.
 
Sob pressão da confederação industrial FIESP, que financiou o impeachment, o ministro das Finanças Henrique Meirelles voltou atrás em suas promessas de aumentar os impostos e irá, ao invés, botar o fardo do programa de austeridade em mais cortes de gastos públicos e investimentos. Isso ameaçaria a fundação do programa anti-pobreza do PT. Uma proposta iria condicionar o financiamento de governos locais e estaduais já com muitas obrigações à sua habilidade em reduzir o número de famílias pobres recebendo o subsídio anti-pobreza. Pior, uma nova lei proposta iria estabelecer limites constitucionais aos gatos, aderindo à austeridade e eliminando a distribuição mínima de educação e saúde.
 
Os mercados financeiros estão contentes com tudo isso. Os investimentos mais lucrativos no mundo dos últimos seis meses têm sido o índice de ações da BM&F IBOVESPA em São Paulo e o real, que  se valorizou cerca de 20% desde sua queda em 2015. Analistas tradicionais como o FMI confiam que a economia atingiu o fundo do poço e irá começar a se recompor ano que vem. Os lucros dos bancos – liderados pelo banco pró-impeachment Itaú, o maior da América Latina – subiram enquanto as taxas de juros estratosféricas oferecem oportunidades lucrativas para a especulação no mercado da dívida do governo. “A queda de Dilma estava selada quando ela tentou usar os bancos públicos para…. forçar os bancos a diminuírem suas taxas de juros”, disse uma economista do BNDES.
 
A esquerda está agora dividida entre aqueles que pensam que Lula – ainda o político mais popular no Brasil – pode levar o corpo do PT a uma vitória eleitoral em 2018, e aqueles que são a favor de uma alternativa. “Lula ainda pode conseguir, se não o prenderem”, disse a economista do BNDES, se referindo à investigação de corrupção da Petrobras. Mesmo se o ex-presidente evitar o julgamento, Lula precisa de um partido para liderar, e a existência do PT pode não ser certa depois das eleições municipais em outubro, que inclui 20 milhões de eleitores no Rio e em São Paulo. “O único argumento deles é criar medo do que a direita pode fazer; eles não têm nenhum programa alternativo”, disse Safatle.
 
Para alguns, a melhor esperança para a esquerda pode ser Marcelo Freixo, um jovem candidato socialista, para suceder Paes como prefeito do Rio. “Freixo deveria ser a prioridade agora”, disse Tania, eleitora do PT no Rio que se exilou em Paris durante os anos de ditadura militar no país. “Não há porquê gastar tempo com Dilma e Lula.”






Créditos da foto: Cacalos Garrastazu / FEBRABAN

domingo, 7 de agosto de 2016

ODEBRECHT ABATE SERRA: CAIXA DOIS DE R$ 23 MI E CORRUPÇÃO INTERNACIONAL

ODEBRECHT ABATE SERRA: CAIXA DOIS DE R$ 23 MI E CORRUPÇÃO INTERNACIONAL

Além de destruir o governo provisório de Michel Temer, ao delatar que o interino pediu ajuda para o PMDB que se materializou num caixa dois de R$ 10 milhões em dinheiro vivo, a Odebrecht também abateu o chanceler interino José Serra e pode ter aniquilado seu sonho de chegar à presidência da República.

Em sua delação premiada, Marcelo Odebrecht, preso há mais de um ano, relatou que Serra recebeu R$ 23 milhões, via caixa dois, em sua campanha presidencial de 2010, segundo reportagem da jornalista Bela Megale que foi a Curitiba recolher as informações.

Parte dos recursos, que, corrigidos pela inflação, hoje equivaleriam a R$ 34,5 milhões, foi paga no exterior, o que, em tese, poderia levar à cassação do registro do PSDB.

Além disso, as doações também podem ser decorrentes de propina e desvios de recursos públicos da Dersa, uma estatal paulista, uma vez que a Odebrecht também apontou corrupção na construção do Rodoanel e supostos intermediários de Serra na arrecadação de propinas.

O chanceler interino nega irregularidades e diz que sua campanha transcorreu dentro da legalidade. No entanto, a Odebrecht pretende apresentar recibos de pagamentos feitos no exterior e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não terá alternativa a não ser denunciar Serra.


José Serra recebeu R$ 23 milhões via caixa dois, afirma Odebrecht. MISHELL TAMBÉM RECEBEU. E AGORA, MORO? Se não é do PT não vale, não é?

José Serra recebeu R$ 23 milhões via caixa dois, afirma Odebrecht

Yahoo Notícias7 de agosto de 2016


Executivos da Odebrecht afirmaram aos investigadores da Operação Lava Jato que a campanha do hoje ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB-SP), à Presidência da República, em 2010, recebeu R$ 23 milhões da empreiteira via caixa dois. As informações são do jornal Folha de S. Paulo. 
Corrigido pela inflação do período, o valor atualmente equivale a R$ 34,5 milhões.A afirmação foi feita a procuradores da força-tarefa da operação e da PGR (Procuradoria-Geral da República) na semana passada por funcionários da empresa que tentam um acordo de delação premiada, conforme antecipou a colunista Mônica Bergamo. 
Ver as imagens
Durante a reunião, realizada na sede da Polícia Federal em Curitiba, os executivos disseram que parte do dinheiro foi entregue no Brasil e parte foi paga por meio de depósitos bancários realizados em contas no exterior.
As conversas fazem parte de entrevistas em que os possíveis delatores da Lava Jato corroboram informações apresentadas pelos advogados na negociação da delação premiada.
Para comprovar que houve o pagamento por meio de caixa dois, a Odebrecht vai apresentar extratos bancários de depósitos realizados fora do país que tinham como destinatária final a campanha presidencial do então candidato.
Segundo informações do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a empreiteira doou em 2010 R$ 2,4 milhões para o Comitê Financeiro Nacional para Presidente da República de Serra (R$ 3,6 milhões em valores corrigidos).
Dessa maneira, a campanha do tucano teria recebido, apenas do grupo baiano, R$ 25,4 milhões, sendo R$ 23 milhões “por fora”.
Segundo os depoimentos de executivos da Odebrecht, a negociação para o repasse à campanha de Serra se deu com a direção nacional do PSDB à época, que depois distribuiu parte do dinheiro entre outras candidaturas.
DELAÇÃO
Os envolvidos nas negociações consideram o tema um dos principais anexos que integram a pré-delação da empresa. É primeira vez que o tucano aparece envolvido em esquemas de corrupção por potenciais colaboradores da operação que investiga desvios na Petrobras.
Em conversas futuras com os procuradores, os executivos também pretendem revelar que o ministro das Relações Exteriores era tratado pelos apelidos de “Vizinho” e “Careca” em documentos da empreiteira.
ACARAJÉ
O nome do tucano foi um dos que apareceram na lista de políticos encontrada na casa do presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, durante a 23ª fase da Lava Jato, a Acarajé, em fevereiro.
Folha também apurou que funcionários da companhia relatarão que houve propina paga a intermediários de Serra no período em que ele foi governador de São Paulo (de 2007 a 2010) vinculados à construção do trecho sul do Rodoanel Mário Covas.
O trecho em questão teve construção iniciada no primeiro ano da gestão do tucano e foi orçado em R$ 3,6 bilhões na época.
Na última quinta-feira (4), o ex-presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, falou pela primeira vez aos procuradores que investigam o petrolão. Ele está preso há mais de um ano na Lava Jato.
A reunião, realizada com nove procuradores e cinco advogados na superintendência da Polícia Federal de Curitiba, onde Marcelo está preso, começou por volta das 10h e terminou quase sete horas depois.
Ao longo da conversa, o executivo foi cobrado pelos investigadores a falar de maneira “explícita” dos atos de corrupção, “sem rodeios”.
O ex-presidente do grupo vinha se preparando havia meses para esse dia, com reuniões semanais com advogados. Na véspera da oitiva, ele recebeu as visitas da mulher, Isabela, e das três filhas para lhe dar apoio.

sábado, 6 de agosto de 2016

Informativo Semanal do Prof. Ernesto Germano Pares





Medalha de ouro na roubalheira!
(Ernesto Germano Parés – agosto de 2016)
O Rio de Janeiro foi escolhido para sediar as Olimpíadas de 2016 em outubro de 2009.
Não, não vou debater aqui se foi correta ou não a candidatura ou se a realização das Olimpíadas em nossa cidade será proveitosa e deixará uma “herança” para a população.
Estou escrevendo apenas porque estou abismado com a notícia que acabo de ler em uma página da Internet especializada em matérias sobre o setor de energia elétrica (Portal Ambiente Energia) dizendo que “Light solicita a Aneel Revisão Tarifária Extraordinária para compensar investimento nas Olimpíadas”!
A matéria diz ainda que a presidente da empresa, Ana Marta Horta Veloso, alega que estão “com um pleito de revisão tarifária extraordinária na Aneel, que tem como um dos principais pontos a realização desses investimentos, que são prudentes e seriam feitos pela empresa, mas foram antecipados em função da Olimpíada”.
Isso já seria motivo para um grande protesto, mas a matéria diz ainda que “o processo corre em sigilo, a pedido da própria Light. A distribuidora e a Aneel não revelaram o valor da revisão pleiteada. A expectativa da distribuidora de energia é que a revisão esteja na pauta da reunião semanal da agência reguladora, marcada para o dia 2 de agosto”.
Como assim?
A Light sabia, há sete anos, que haveria necessidade de investimentos. Nada foi feito. Pelo contrário, demitiram trabalhadores e terceirizaram serviços. Agora querem cobrar da população do Rio de Janeiro? Ainda por cima em um processo que “corre em sigilo”?
Desde a sua privatização, em 1996, a Light só prejudicou o povo! Desmandos em cima de desmandos, aumentos absurdos nas tarifas, demissões de trabalhadores, terceirizações de serviços, acidentes e explosões de bueiros, queda de energia e crescimento nos “apagões”!
Agora querem aumento de tarifas por conta das Olimpíadas?
A Light deve estar disputando uma nova modalidade olímpica: ASSALTO AO BOLSO DO CONSUMIDOR! Com o pleno acordo do governo usurpador e ilegítimo que golpeou o Brasil. E, desde já, é candidata ao ouro (nos vários sentidos do termo!)
Roubalheira neoliberal de Temer. No nosso Informativo passado, falamos sobre a venda de um bloco de exploração no pré-sal para uma estatal sueca. Mas ainda não tínhamos o tamanho da roubalheira!
A FUP (Federação Única dos Petroleiros) avalia a negociação como um desastre. Para a organização, ainda que o campo vendesse o barril a US$ 50 dólares, preço do mercado atual em baixa, a expectativa de lucro seria de US$ 5 dólares, já que a Petrobras conseguiu atingir o patamar de custo de US$ 8, muito abaixo da média mundial (US$ 15).
Estima-se que a reserva tivesse em torno de dois bilhões de barris de óleo recuperável, portanto, um lucro de US$ 10 bilhões (R$ 33 bilhões). Para a Petrobras, parte principal no consórcio, caberiam US$ 6,7 bi (R$ 22 bi).
Em rápidas palavras: venderam um patrimônio de 33 bilhões de reais por apenas 8,5 bilhões! Isso lembra os “bons tempos de FHC, quando se vendia a Vale do Rio Doce e outras estatais por ninharia.
Queda na renda do trabalhador. O rendimento médio real habitual do trabalhador brasileiro perdeu 4,2% de seu poder de compra no segundo trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Em junho de 2015, o valor era equivalente a R$ 2.058 (valor corrigido pelo INPC). Ao final do segundo trimestre de 2016, o rendimento ficou em R$ 1.972.
O valor também é 1,5% inferior ao registrado no trimestre encerrado em março deste ano (R$ 2.002, também corrigidos pela inflação). Os dados são da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicíli-os (Pnad), divulgados pelo IBGE.
A massa de rendimento real, que é a soma dos rendimentos de todos os trabalhadores, foi estimada em R$ 183,6 bilhões no trimestre encerrado em junho deste ano, representando quedas de 1,1% em relação a março deste ano e de 4,9% na comparação com junho de 2015. Rendimento médio e massa voltaram aos níveis de janeiro de 2013, segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.
A taxa de desemprego no país ficou em 11,3% no trimestre encerrado em junho. A taxa é superior aos 10,9% observados em março deste ano e aos 8,3% do trimestre encerrado em junho de 2015. O resultado de junho deste ano é o mais alto da série histórica, iniciada em março de 2012.
Onde está a crise na Petrobras? A produção total de petróleo e gás natural no Brasil em junho bateu recorde, ao totalizar 3,210 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), ultrapassando os 3,171 milhões alcançados em agosto de 2015. O resultado coloca fogo nas discussões sobre a capacidade da Petrobras. Críticos afirmam que a estatal está falida financeiramente e tecnicamente, mas o desempenho – em ambos os campos – comprova que as acusações não têm base na realidade.
Os campos operados pela Petrobras produziram 94,1% do petróleo e gás natural. Outras 23 empresas que dispõem de concessões responderam pelo 5,9% restante.
Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a produção do pré-sal, oriunda de apenas 59 poços, foi de aproximadamente 1 milhão de barris de petróleo por dia (bbl/d) de petróleo e 38,1 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d) de gás natural, totalizando 1,240 milhão de boe/d, um aumento de 8,2% em relação ao mês anterior.
O campo de Lula, na Bacia de Santos, foi o maior produtor de petróleo e gás natural, produzindo, em média, 519 mil bbl/d e 22,7 milhões de m³/d.
A ANP informou que a produção de total petróleo do país foi de aproximadamente 2,558 milhões de bbl/d, um aumento de 2,9% na comparação com o mês anterior e de 6,8% em relação ao mesmo mês em 2015. A produção de gás natural totalizou 103,5 milhões de m³/d. (Monitor Mercantil, 03/08)
Pão e circo. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a votação da proposta que retira a obrigatoriedade de atuação da Petrobras como operadora única em áreas do pré-sal (PL 4.567/16) deve acontecer na próxima semana, após a análise do Projeto de Lei Complementar 257, sobre as dívidas dos estados.
“Eu tinha nesta semana o PLP 257 e na semana que vem o pré-sal. São as duas pautas econômicas prioritárias. Eu prometi para as primeiras semanas uma pauta econômica”, lembrou o deputado. A primeira parte da pauta já deu errado. Sob críticas de servidores públicos, a votação do PLP 257 foi adiada e, apesar de desmentidos da equipe econômica, o projeto deve ser alterado.
Para Maia, o texto sobre as dívidas dos estados deve somente estabelecer um teto de gastos e deixar para cada ente definir como usar os recursos.
O presidente da Câmara falou que a votação do processo que pede a cassação do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) não ficará para depois das eleições municipais de outubro: “O ideal é que seja em agosto, mas com certeza não será depois das eleições”, sem conseguir dar uma data precisa.
Segundo ele, a leitura da decisão da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) contra o recurso de Cunha sobre a decisão do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar ficará para a segunda-feira. “Depois a gente vai decidir a data.”
A imprecisão de Maia colide com o Código de Ética da Câmara: uma vez feita a leitura e publicação do parecer do Conselho de Ética, a matéria deverá ser incluída na Ordem do Dia do Plenário dentro de duas sessões, determina a norma. (Monitor Mercantil, 04/08)
Mais sobre a reforma da Previdência. A reforma da Previdência Social também terá como foco mudanças nas aposentadorias por idade (que também exigem um número mínimo de recolhimentos ao INSS, além dos 60 anos, para mulheres, e 65, para homens). A ideia, segundo uma fonte ligada ao grupo que trata do tema, é elevar o mínimo de contribuições, neste caso, dos atuais 15 anos para 20.
A exigência para obter a aposentadoria por idade ainda poderá chegar a 25 anos de contribuição, num futuro breve. Até lá, o governo estuda criar uma regra de transição, exigindo seis meses a mais de contribuição a cada ano, ao longo de dez anos (até chegar dos 20 aos 25 anos). Se a reforma for aprovada, a regra seria modificada no ano seguinte ao da promulgação.
Na semana passada, o governo sinalizou que pretende, com a reforma, criar um regime único de Previdência no país, com as mesmas regras para trabalhadores do setor privado e servidores. Hoje, os empregados da iniciativa privada e os funcionários do setor público são regidos por regras diferentes, assim como os militares. Há ainda os professores, que por terem regime especial, conseguem se aposentar mais cedo do que os demais profissionais.
“Eles” voltaram! Pela primeira vez, desde os governos de Néstor Kirchner (2003-2007) e Cristina Fernández (2007-2015), o FMI está de volta à Argentina e já anunciou que entre agosto e setembro fará um “intercâmbio de informações” com o governo local, conforme estabelecido pelo Artigo IV que obriga todos os países membros a permitir auditorias em seus programas econômicos.
Vale dizer que Venezuela, Brasil, Argentina, Bolívia, Uruguai e Equador haviam rompido com essa exigência e não permitiam que os “auditores” do FMI interferissem nos seus programas econômicos, mas o quadro está mudando e a Argentina, agora, volta a usar a coleira.
Os representantes do FMI, comandados pelo italiano Roberto Caldarelli, já estão em Buenos Aires e passarão alguns dias “dialogando” com funcionários do governo Macri, em especial funcionários do Ministério da Fazenda, do Banco Central e empresários do setor privado.
Após a visita, vão entregar um relatório à direção do Fundo, em meados de outubro, para que a Argentina possa novamente receber empréstimos.
Cristina Fernández denuncia o aumento da pobreza. A ex-presidenta argentina, Cristina Fernández, concedeu nova entrevista alertando para as consequências da política neoliberal de Macri e falou do crescimento da pobreza, do desemprego e da precarização do trabalho.
Ela assegurou que o desemprego está em alta no país e voltou a criticar o tarifaço decretado pelo presidente Macri que, não só retirou os subsídios para as famílias mais pobres, mas aumentou demasiadamente os serviços básicos de uso da população.
Cristina Fernández assegurou que o governo de Macri tenta “distrair as pessoas e esconder a situação econômica” ao manter as acusações de corrupção contra políticos e lideranças de esquerda.
A Argentina, terceira economia da América Latina, sofre agora uma queda em vários setores de sua economia, como construção e indústria, com uma significativa queda no consumo interno em meio a uma inflação de 27% no acumulado do ano! Os sindicatos denunciam cerca de 200 mil demissões no setor privado e no público desde a posse de Macri, em dezembro passado.
Aí está o governo canalha e sua “justiça”! Guardem este nome: Marcelo Martínez de Giorgi. Trata-se do juiz argentino que ordenou a prisão da presidenta da organização Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, de 87 anos!
O “juizinho” safado alega que Hebe de Bonafini está se recusando a responder sobre uma “acusação de supostos desvios de verbas” da organização. Mas a resposta dessa senhora digna e lutadora não ficou barata: “venham me buscar, não me importo”! Em sua declaração, disse: “Quem é esse tal Martínez de Giorgi? Que tome a decisão que quiser, eu não tenho qualquer problema e o estou esperando”!
Imediatamente depois das declarações de Hebe de Bonafini, a Polícia Federal da Argentina tomou a sede da organização “Mães da Praça de Maio” em busca da presidenta. Segundo os policiais, “o juiz decretou a rebeldia da acusada”
Depois da resposta da idosa, líder da organização, dizendo que não iria buscar um advogado e estava pronta para ser presa, o juiz vendido, Matínez de Giorgi, desistiu de interrogá-la, mesmo sabendo que ela estava na sede da organização, acompanhada de uma multidão que saiu às ruas para denunciar a arbitrariedade da medida decretada por Macri.
O governo vendido não esperava tal reação. No mesmo dia, as “Mães de Praça de Maio” realizaram nova marcha e milhares de pessoas saíram às ruas apoiando o movimento.
Dirigindo-se ao povo, disse Hebe: “Tenho muito para agradecer à todas as pessoas que estão se mobilizando. Precisamos denunciar o que este governo está fazendo, libertando militares torturadores e perseguindo lideranças sociais”.
Suspensa ordem de prisão contra líder das Mães da Praça de Maio. O juiz federal argentino Marcelo Martínez de Giorgi resolveu “botar a viola no saco” e suspendeu, na sexta-feira (05) a ordem de prisão contra Hebe de Bonafini. Ele havia ordenado a detenção de Bonafini na quinta-feira (04) após ela ter se recusado a comparecer a duas audiências para tratar do caso de desvio de fundos por meio do projeto social Sueños Compartidos, de construção de moradias populares.
Após a expedição da ordem de prisão, uma multidão se reuniu na Praça de Maio, onde Bonafini se encontrava com outras Mães na vigília semanal realizada pela organização há mais de 30 anos. Os manifestantes formaram um cordão de proteção ao redor de Bonafini e a acompanharam até a sede das Mães da Praça de Maio, diante da qual se postaram para impedir sua prisão. A manifestação popular fez fracassar as duas tentativas da polícia federal de prendê-la, segundo a Télam.
“Não fiquemos tristes, aflitos, calados ou quietos. A mobilização dos povos é o que liberta. As Madres seguiremos nesta posição irredutível, para que não continuem avançando sobre nós. Já fizeram demais em sete meses. Macri, basta”. Eram pouco mais de seis da tarde de quinta-feira (04) quando Hebe de Bonafini falou pela segunda vez no dia a uma multidão que a abraçava.
Um aparato policial, inédito para executar a ordem de detenção de uma mulher de 87 anos, deslocou-se então para a Praça de Maio, na mesma hora em que, desde 1999, as Madres saem para sua ronda histórica. Não puderam cumprir a missão e a notícia começou a se difundir pelo mundo.
“Nos cercaram de policiais, atravessaram um carro na frente da van das Madres, mas saímos por cima. Demos um drible”, contou Hebe, um pouco depois, ao jornalista Víctor Hugo Morales.
“Fizeram uma jogada de Maradona”, respondeu ele.
“Sim, e o povo completou para o gol”, concluiu Hebe.
Macri persegue lideranças sociais. Vale lembrar que o ataque contra Hebe de Bonafini, com 87 anos de idade, não é uma ação isolada do governo neoliberal de Mauricio Macri.
Desde janeiro passado, encontra-se presa a deputada argentina no Parlasul, dirigente da organização Tupac Amaru, Milagro Sala. Ela foi presa em sua residência, na capital da província de Jujuy, e transferida para uma prisão de mulheres por ordem do juiz Raúl Gutiérrez, acusada de “incentivar delitos e tumultos”. O seu marido, Raúl Noro, jornalista, foi preso em julho passado para “investigações”.
Se considerarmos todas as ameaças contra Cristina Fernández e as ameaças de levá-la à prisão, podemos ver o que pretende o governo fascista de Macri.
Enquanto isso... Enquanto persegue uma mulher como Hebe de Bonafini, enquanto mantém presa Milagro Sala sem uma acusação formada, enquanto persegue Cristina Fernández, o governo Macri acaba de mostrar aa sua verdadeira face ao mandar libertar 50 militares condenados por crimes de lesa humanidade cometidos durante a ditadura (1976/1983). Os torturadores e assassinos agora vão cumprir prisão domiciliar, por medida assinada pelo covarde que persegue mulheres lutadoras.
Entre os beneficiados pelas medidas está o ex-general Eduardo Cabanillas, chefe do centro de detenções clandestino “Automotores Orletti”, onde funcionava uma das sedes da Operação Condor, coordenação de inúmeros assassinatos de lutadores no Cone Sul. Ele foi condenado à prisão perpétua, mas agora vai ficar em casa, na boa, por uma “penada” de Mauricio Macri.
O golpe na América Latina está em andamento. O Uruguai deixou a presidência temporária do Mercosul no dia 29 de julho, passado. Pelos Estatutos da entidade, a Venezuela deveria assumir a presidência no dia seguinte, mas o golpe montado por Washington está em andamento e alguns países capachos não querem aceitar a passagem.
O chanceler do Paraguai, Eladio Loizaga, disse que seu país não reconhece a Venezuela como líder da organização. O jornal argentino Clarin (um dos principais apoiadores da campanha de Macri), citando uma fonte oficial do Governo da Argentina, noticiou que seu país também não reconhece a presidência venezuelana. Vale lembrar que o governo paraguaio é ilegítimo, como o brasileiro, depois de um golpe contra o presidente eleito Fernando Lugo.
Enquanto isso, o governo golpista do Brasil também demonstra que está a serviço de Washington. José Serra, ministro das Relações Exteriores do governo interino do Brasil, afirmou na terça-feira (02) que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, “não tem condições” de presidir o Mercosul.
Serra disse que o governo interino acha “razoável” a proposta argentina de criação de uma comissão de embaixadores dos países-membros para dirigir o Mercosul “informalmente” até o fim do ano, quando deveria acabar o mandato venezuelano e começar o mandato argentino na Presidência rotativa do bloco.
“Não podemos ficar presos a situações absurdas de um país que não é uma democracia”, disse Serra. “Não dá para desviar a atenção de aspectos tão importantes da integração econômica em função da dinâmica dos problemas de um governo autoritário na Venezuela”, afirmou, lembrando a proposta do governo interino de doar medicamentos ao país sul-americano e dizendo “torcer para que haja entendimento nacional na Venezuela”.
No Japão, morrer de trabalhar. Em 1994, quando escrevi sobre “Os efeitos do neoliberalismo para a classe trabalhadora”, já alertava para um fenômeno moderno que assustava a área médica do Japão: o Karoshi, ou “morte por excesso de trabalho”. O problema acabou ganhando uma nomenclatura no código de doenças e passou a ser reconhecido internacionalmente.
Agora nos chegam novas notícias do Ministério do Trabalho japonês dizendo que, em 2015, foram registradas 189 mortes naquele país por “fadiga laboral extrema” e os registros de doenças associadas ao karoshi chegaram a 2.310 casos. Mas os especialistas japoneses acreditam que os casos são muitas vezes superiores e estão sendo maquiados pelos registros das empresas.
Itália permite uma base dos EUA para atacar a Líbia. O governo italiano autorizou que aviões dos EUA utilizem a base aérea de Sigonella, ao norte da Sicília, para bombardear a Líbia sob o pretexto de “combater o terrorismo”.
Segundo a ministra de Defesa italiana, Roberta Pinotti, esta é uma maneira de contribuir para que termine de forma mais rápida e efetiva a ofensiva da OTAN em território líbio.
Queda de braço no mar. A disputa marítima entre China e EUA pelo controle do Mar Meridional é cada vez mais preocupante. E isto mostra a importância das atuais manobras militares realizadas pela Rússia e pela China que tiveram início na sexta-feira (05).
O ministro de Defesa chinês, Chang Wanguan, conclamou o Exército, a Polícia e a população para “prepararam-se para uma guerra popular no mar”, referindo-se ao mar da China Oriental, território que é disputado com o Japão, e o mar da China Meridional, em disputa com os EUA.
E é exatamente neste último, no Mar Meridional, que acontecerão os exercícios militares russo-chineses intitulados “Interação Naval – 2016”. Foram cinco manobras conjuntas, nos últimos quatro anos, mas este é o primeiro no Mar da China.
Na verdade, China e Rússia não são oficialmente aliados, mas estão demonstrando cada vez mais interesses em manter objetivos comuns e que estão dispostos a trabalhar para contrabalançar a pressão estadunidense no planeta.
Segundo especialistas militares, com a Rússia dominando o Mar Negro, e a China, construindo ilhas artificiais no Mar Meridional, os EUA estão enfrentando uma crescente ameaça nos mares. “Pela primeira vez, em 25 anos, a Marinha dos EUA se enfrenta com uma concorrência forte no mar”, disse o contra-almirante estadunidense Michael C. Manazir em um encontro sobre segurança realizado pela Comissão de Serviços Armados da Câmara dos Deputados.
Dólar em queda? Segundo a agência avaliadora Morgan Stanley, o dólar deverá cair em torno de 5% nos próximos meses e a Reserva Federal dos EUA deverá aumentar as taxas de juros brevemente.
O diagnóstico está baseado em uma nota publicada pelo chefe de Estratégia Monetária da entidade, Hans Redeker, ao dizer que “estamos bastante pessimistas, antes de tudo, no que diz respeito aos índices que mostrarão que a economia dos EUA durante os próximos meses que demonstram uma tendência de queda na demanda doméstica”.
Segundo o informe, o dólar já teve uma queda de 1,3% depois que o Departamento de Comércio informou que o PIB cresceu apenas a metade do que era esperado no segundo trimestre do ano.
Abrindo as portas para novos assassinatos. É muito curiosa a política estadunidense com as questões de violência interna: quando acontece um massacre em uma escola, matando crianças e professores, fazem uma encenação mundial pedindo solidariedade e “momentos de oração pelas vítimas”; por outro lado, fazem feiras de armas e os grandes fabricantes produzem armas especiais para crianças.
Agora, nesta semana, ficamos sabendo de mais uma medida que demonstra que a indústria de armamentos realmente manda no governo daquele país: o estado do Texas, no sul dos EUA, acaba de promulgar uma lei que permitirá que estudantes maiores de 21 anos possam usar armas no interior dos prédios das universidades públicas. Ou seja, poderão levar pistolas e revólveres para as salas de aulas e todas as demais dependências escolares, incluindo os estacionamentos.
O que esperam com isso?
Opera Mundi publica série especial sobre prisioneiros políticos nos Estados Unidos. Série é composta por quatro blocos com reportagens feitas pelo jornalista Breno Altman, que esteve em 17 cidades dos EUA e entrevistou mais de 40 pessoas, entre advogados e líderes de organizações humanitárias. Toda a matéria pode ser encontrada em http://operamundi.uol.com.br/
ESTADOS UNIDOS OCULTAM INFORMAÇÃO SOBRE PRESOS POLÍTICOS
Dos 54 condenados identificados por organizações de direitos civis, maior parte vem de minorias raciais e está encarcerada há mais de 40 anos
O diplomata Andrew Jackson Young foi figura de destaque quando Jimmy Carter governava os Estados Unidos, entre 1977 e 1980. Nascido em Nova Orleans, negro e democrata, iria completar 45 anos quando assumiu o posto de embaixador nas Nações Unidas. Era este o cargo que desempenhava quando deu, em julho de 1978, célebre entrevista ao jornal francês Le Matin. “Ainda temos centenas de pessoas, em nossas cadeias, que poderia classificar como prisioneiros políticos”, afirmou Young, a respeito de ativistas que tinham sido encarcerados nos anos 60 e 70.

Os Estados Unidos continuam a ocultar que mantêm presos políticos, pois não fica bem para a imagem de uma nação que se autoafirma líder do mundo livre e democrático. Aliás, que explica a ação de seus tanques e aviões ao redor do planeta como exportação da liberdade. Das centenas de presos reconhecidos pelo ex-embaixador, algumas dezenas ainda permanecem em calabouço. Muitos morreram ou cumpriram suas penas. Mas novos dissidentes foram capturados ao longo do tempo.

Justiça argentina suspende ordem de prisão contra líder das Mães da Praça de Maio


Justiça argentina suspende ordem de prisão contra líder das Mães da Praça de Maio


Juiz concordou que depoimento de Hebe de Bonafini seja realizado na sede da organização; multidão formou um cordão de proteção para impedir sua prisão
O juiz federal argentino Marcelo Martínez de Giorgi suspendeu nesta sexta-feira (05/08) a ordem de prisão contra Hebe de Bonafini, líder das Mães da Praça de Maio. Giorgi havia ordenado a detenção de Bonafini na quinta-feira (04/08) após ela ter se recusado a comparecer a duas audiências para tratar do caso de desvio de fundos por meio do projeto social Sueños Compartidos, de construção de moradias populares.
A defesa de Bonafini compareceu ao tribunal federal Comodoro Py, em Buenos Aires, na manhã desta sexta-feira, quando pediu a suspensão da ordem de detenção contra ela. O advogado Juan Manuel Morente solicitou também que o depoimento de Bonafini seja realizado na sede das Mães da Praça de Maio, para preservar a saúde da líder da organização, que tem 87 anos. O juiz também anuiu com esta solicitação e o depoimento deve ser tomado nas próximas semanas.
Segundo fontes do tribunal reportadas pela agência de notícias argentina Télam, Bonafini concordou com as exigências do juiz de não sair da Argentina, permanecer domiciliada em Buenos Aires e informar o tribunal de seu deslocamento pelo país.
Agência Efe

Hebe de Bonafini durante a tradicional marcha da quinta-feira (04/08) das Mães da Praça de Maio
Giorgi considerou que a apresentação da defesa de Bonafini no tribunal é uma manifestação de sua "vontade de declarar", por isso suspendeu a ordem de prisão contra ela. Ele também disse a jornalistas ter "tomado nota" da comoção pública gerada pela determinação da ordem de prisão contra a líder das Mães da Praça de Maio.
 

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Na quinta-feira (04/08), após a expedição da ordem de prisão, uma multidão se reuniu na Praça de Maio, onde Bonafini se encontrava com outras Mães na vigília semanal realizada pela organização há mais de 30 anos. Os manifestantes formaram um cordão de proteção ao redor de Bonafini e a acompanharam até a sede das Mães da Praça de Maio, diante da qual se postaram para impedir sua prisão. A manifestação popular fez fracassar as duas tentativas da polícia federal de prendê-la, segundo a Télam.
Como líder da Associação Mães da Praça de Maio, Bonafini é acusada do delito de "administração fraudulenta" relacionado aos fundos públicos designados à organização para a realização do programa de moradias populares Sueños Compartidos (Sonhos Compartilhados). Ela é acusada de ter facilitado o desvio de 58 milhões de pesos do programa.
Bonafini e a organização negam as acusações. Antes do pedido de prisão, ela havia enviado uma carta ao juiz, por meio de seus advogados, em que afirmava estar sendo perseguida pela Justiça. A ativista disse ainda que as Mães da Praça de Maio forneceram elementos para auxiliar as investigações do caso.

O PODER JUDICIÁRIO NO EPICENTRO DA CRISE POLÍTICA

O Poder Judiciário no epicentro da crise política
Roberto Amaral
Os destinos da República se assentam sobre Poderes fragilizados. Esta é a grande crise, por se revelar de corpo inteiro. Sua fonte é a carência de legitimidade que se abate, a um só tempo, sobre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.
Não obstante havermos conseguido, até aqui, e ainda que a duras penas, preservar a ordem institucional, são graves e seguidos os ataques ao pacto constitucional de 1988, do qual nos distanciamos dia a dia, e quanto mais nos distanciamos mais nos apartamos da democracia representativa, do povo e da Nação. Presos a uma História que teima em não se libertar do passado, sempre visitado, adiamos, sistematicamente, o sonho de uma sociedade comprometida com o combate às desigualdades econômicas, sociais e políticas, e nos deixamos esmagar pela realidade perversa do catecismo neoliberal, cujos princípios estão no projeto e na ação do governo interino (interino e ilegítimo) que luta por se prorrogar, para, ainda mais desenvolto, levar a cabo as políticas de restrições sociais. É a recidiva do modelo neoliberal que, após haver fracassado em todo o mundo, nos ameaça com a concentração de riqueza, o desmantelamento do Estado, a desorganização econômica e o comprometimento de nossa soberania, já em adiantado curso.
Repita-se mil vezes: o golpe de Estado que visa à destituição de Dilma Rousseff não é um fim em si, mas o instrumento, até aqui necessário, de que se valem os setores hegemônicos da classe dominante para impor a regressão neoliberal, em sua versão ultraconservadora e antinacional, anunciada pelo governo títere. Ele se finca na aliança fática e ostensiva dos três poderes, em crise, costurada pelos interesses do grande capital, que se estrutura na Avenida Paulista e se expressa mediante o monopólio ideológico da mídia oligopolizada, a seu serviço.
Não é por serem marionetes que mal camuflam os cordéis que os comandam à distância, que esses poderes são menos responsáveis, pois nos governam em nome do grande capital financeiro, em nome da elite econômica, antidesenvolvimentista e antinacional, antipovo e antiprogresso, elite alienada que pensa poder sobreviver à destruição do país, cuja pobreza não a assusta e em cujo desenvolvimento não investe, por dele não depender.
Desgraçadamente, estamos à mercê de um Executivo sem legitimidade, de um Legislativo sem representação (ademais de dominado por procurados pela Justiça, como o ex-presidente da Câmara dos Deputados) e de um Poder Judiciário que não cumpre adequadamente o dever de julgar, e nele de um STF que atropela as competências dos demais poderes e desrespeita a Constituição, que seus membros juraram cumprir e fazer cumprir. Como o Executivo, hoje mais do que nunca, e como o Legislativo, o Poder Judiciário, em todos os seus escalões, está a serviço dos interesses de classe dominantes. Este é o fato objetivo. O resto, são suas consequências.
Mais do que nunca o país precisa ser ‘passado a limpo’, e a proclamação de Darcy Ribeiro mais se torna atual, e inadiável, na medida em que mais se enraízam os valores negativos representados pela dupla Cunha-Temer. Segundo as mais variadas premissas e de acordo com os mais distintos objetivos, a comunidade de juristas, constitucionalistas, analistas políticos e políticos concordam com a defesa das reformas, que, no entanto não se realizam. Mais do que nunca precisamos de uma reforma política que restabeleça a legitimidade dos mandatos e nos aparte da falência do presidencialismo de coalizão, e de uma reforma tributária que privilegie impostos sobre a renda e o patrimônio e não, como hoje, atrelados ao consumo e a serviços, uma reforma que estimule a produção e aponte para um novo equilíbrio da Federação. A mais importante das reformas de que carecemos, porém, nela pouco se cogita. Refiro-me à inadiável reforma do Poder Judiciário, porque sem ela não sobreviverá a opção democrático-popular de que resultou a Constituição de 1988, o alvo preferencial do golpismo conservador, que se vale do processo desse escabroso impeachment sem crime de responsabilidade, em curso, para impor um regime autoritário já em ensaio.
Em meio ao golpe de Estado de novo tipo, consagrado ele, ingressaremos em uma ‘ditadura constitucional’.
Já hoje o próprio STF agride a Constituição, seja julgando contra sua letra e seu espírito, seja imitindo-se de forma autoritária, prepotente e inconstitucional, no papel de legislador constituinte. Ei-lo legislando sobre fidelidade partidária, sobre culpabilidade sem trânsito em julgado e autorizando o encarceramento antes da decisão final; ei-lo discutindo regimentos internos do Legislativo; ei-lo decidindo sobre união estável e aborto. Não se discute o mérito. Denuncia-se a invasão de competência que agride a ordem constitucional, à qual todos os poderes estão submetidos. Agressões que o STF perpetua dizendo-se ‘instrumento do clamor das ruas’, um populismo de cabo de esquadra.
O STF, aliás, é, em nosso ordenamento constitucional, o único dos poderes sem raiz na soberania popular, alheio que está à esfera política, cumprindo-lhe, sem o poder de iniciativa (atributo dos demais poderes) a função eminentemente técnica de vigiar a constitucionalidade das leis. Assim a letra constitucional. Sua transformação em contrafação de poder politico, como pretende a maioria de hoje e como anuncia orgulhoso seu presidente ("CNJ, transparência e diálogo", Folha de SP, 25/7/2016), sua aspiração de transformar-se em poder moderador, um anacronismo monárquico, é, pois, mais do que uma exorbitância, uma agressão à história do direito brasileiro e uma aberração constitucional cuja sobrevivência deriva da anemia político-moral do Congresso.
De outra parte, o Poder Judiciário é poder autoblindado, que refuga a transparência e a responsabilidade, fugindo a qualquer sorte de fiscalização da sociedade, na contramão dos demais poderes, políticos e animados em sua gênese pelo sopro da soberania popular. E de forma pouco ética: quando os funcionários públicos sofrem as consequências do ‘ajuste fiscal’, impõe o reajuste dos altíssimos salários (considerada a realidade brasileira) de juízes e ministros. Desses não pode o contribuinte saber quanto percebem de outras fontes, e não são poucas, e é negado aos advogados conhecer a intimidade do processo eletrônico que orientaria a distribuição dos processos no STF.
Perseguindo o protagonismo político que não está em sua alçada, o STF, olímpico, inalcançável, leva alguns ministros mais afoitos (e à lembrança vem sempre o inefável Gilmar Mendes – aquele que ‘não disfarça’ como bem observa o jornalista Bernardo Mello Franco), esquecendo a circunspecção, a discrição, o recato e a moderação – exigências do Código de Ética da Magistratura – para aderir ao exibicionismo, à verbosidade irresponsável, à incontinência verbal, em episódios seguidos de prejulgamento, de pronunciamentos políticos que desvendam preferências politicas expressamente vedadas pela Constituição Federal (Artigo 95, parágrafo único, inciso III). A velha máxima de que ‘juiz só fala nos autos’ foi revogada entre nós. Lamentavelmente.
Na sua desmedida ânsia de protagonismo – que o leva a tomar partido na crise política -, o STF termina por perder a aura de isenção e respeitabilidade que seu papel constitucional exige.
Por tudo quanto dito e sabido, resulta um STF feito agente da insegurança jurídica, pois destrói o primado da ordem constitucional e altera sua jurisprudência, seguidamente, em função de maiorias ocasionais. Assim age principalmente quando – por razões político-policiais – rasga o inciso LVII do art. 5º da C.F. (“Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”); quando assim procede, a Corte diz que, sob o pretexto de interpretar o que não carece de interpretação, assume contrariar o texto da Constituição. E dito isto e feito isto, o cidadão ofendido, vítima do abuso de direito, não tem a quem recorrer, a quem pedir proteção. É inadmissível que um ministro claramente associado a um partido político (seja feita justiça ao Sr. Gilmar Mendes, ‘ele não disfarça’), tenha condições de interromper um julgamento já decidido (já se haviam pronunciado seis ministros no colégio de 11), pedindo vistas dos autos e trancando-os em suas gavetas por mais de um ano, com o único e confessado propósito de evitar a eficácia da decisão, que, no seu entender faccioso, beneficiaria um determinado partido politico. É igualmente inadmissível que, em pleno presidencialismo, a presidente da República seja impedida de nomear o ministro chefe da Casa Civil, sob o pretexto insustentável, porque subjetivo, de que a nomeação teria a intenção de proteger o ex-presidente Lula com o foro privilegiado.
Essas observações chamam para a necessidade de uma profunda reforma judiciária (e nela do STF), pois, sem poder judiciário íntegro e democrático, não há a menor possibilidade de exercício real da democracia. Essa reforma – quando seu objetivo é o fortalecimento da democracia – deverá compreender, no que tange ao STF, entre muitas outras medidas mais ou menos profundas, o fim da vitaliciedade, substituída pelo mandato não renovável de 10 anos. Qualquer reforma deverá construir instrumentos eficazes de fiscalização do Poder Judiciário (que está longe de ser cumprida pelo Conselho Nacional de Justiça), e nele do STF e dos demais tribunais superiores, e dentre essas reformas estará a facilitação dos julgamentos dos ministros por crimes de responsabilidade, hoje dependentes da coragem ou da tibieza de um presidente do Senado ameaçado de processo pelo próprio STF.

Fonte: Blog do Roberto Amaral 05/08/2016