quinta-feira, 18 de agosto de 2016

João Havelange nos 'Años Locos'


João Havelange nos 'Años Locos'


Em texto publicado em 2008, engenheiro conta o que ouviu ao presenciar um jantar de João Havelange, ex-cartola da Fifa morto aos 100 anos
Em recente entrevista dada ao jornal Folha de S.Paulo, Havelange revelou que talvez tenha havido arranjos em algumas Copas do Mundo de Futebol.
Referiu-se a escolha de árbitros e outros arranjos.
Naquela Copa da Argentina em 1978 houve alguns fatos suspeitos.
O mais comentado foi a derrota do Peru para a Argentina por uma diferença de gols que era exatamente a que classificava a Argentina e desclassificava o Brasil para a final.
Misturar interesses por prestigio esportivo e comercial, como eram os da Inglaterra e Alemanha, com os interesses dos Militares argentinos, como ele fez na entrevista, é uma sacanagem, para dizer o menos.
Casualmente fui testemunha de um almoço entre Havelange e os dirigentes da Associação de Futebol Argentino e também dos membros do governo militar argentino.
Fernando Carvall
Estivemos, eu e minha esposa Neusa, na Argentina entre os dias 24 e 28 de maio de 1978.
Fomos até Mar del Plata e aproveitamos para visitar o estádio onde o Brasil jogaria daí a alguns dias. Voltando a Buenos Aires também visitamos o estádio de River Plate onde seriam jogados as partidas mais importantes, inclusive a final. O passeio evidentemente não tinha esse objetivo como único. Em Buenos Aires estivemos em todos os lugares que já havíamos visitando antes com nossos filhos..Nessa visita anterior fomos com as crianças almoçar no restaurante Años Locos que ficava na “costanera”amurada ao longo do Rio da Prata como era a do Flamengo no Rio e o “Malecon” em Havana. Era domingo e ficamos surpresos com a elegância dos freqüentadores. Todos bem vestidos. Os homens, inclusive meninos, com terno e gravata.
Era quinta ou sexta feira e deixamos compras feitas de manha no hotel e fomos almoçar nos Años Locos. Chegamos pouco após o meio dia. Fomos os primeiros clientes.

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Estávamos no meio do almoço, com o restaurante quase vazio, quando notamos uma grande movimentação na entrada. Vimos entrar vários homens de terno e gravata e entre eles alguns militares com seu uniforme. Com eles estava Havelange. Pudemos ver e ouvir a conversa que mantiveram.
Foram acertados algumas ações a serem desenvolvidas pela FIFA na organização dos jogos. Entre elas a escolha dos árbitros, as datas dos jogos, o horário dos jogos onde jogaria a Argentina.
Na ocasião o Havelange mostrou-se prestativo, subserviente e mais ainda fez referencias de apoio a ditadura Argentina e fez algumas críticas a fraqueza da repressão da ditadura brasileira e elogios à dureza do governo argentino. Chegou a lamentar que o governo brasileiro começasse a afrouxar a repressão.
Não me surpreendi com as posições do Havelange. Sempre foi apoiador da ditadura brasileira tendo inclusive apoiado publicamente o golpe de 1964.
É preciso lembrar sempre o passado dos que usaram o seu prestigio público como esportistas, e outros conhecidos comunicadores, para apoiar o golpe de 1964, a ditadura, a repressão, a tortura. Raramente em público, mas sempre ajudando, escondidos, todas as ações que os militares dos países latino-americanos tiveram naquela época.
Hoje, julho de 2008, 30 anos após, julgo de meu dever contar este acaso encontro com Havelange nos Años Locos de Buenos Aires.
(*) Artigo originalmente publicado no blog de Juca Kfouri, em agosto de 2008

No Brasil, Pepe Mujica defende Mercosul e pede 'moderação para evitar conflitos' na região


No Brasil, Pepe Mujica defende Mercosul e pede 'moderação para evitar conflitos' na região


'Não há causa mais importante para os latino-americanos que a integração', disse ex-presidente uruguaio em evento na cidade de Franca, em São Paulo
Em visita ao Brasil, o ex-presidente uruguaio José "Pepe" Mujica fez um apelo em defesa da integração regional e do Mercosul, dizendo que a união "é a coisa mais importante dos latino-americanos". "Não há causa mais importante para os latino-americanos que a integração econômica e universitária", disse Mujica, em um evento nesta segunda-feira (15/08) na Unesp (Universidade Estadual Paulista) da cidade de Franca, em São Paulo, que contou com a presença de quase três mil estudantes.
Apesar de fazer menção explícita ao Mercosul, Mujica evitou tocar na polêmica sobre a presidência temporária do bloco, que está com a Venezuela, mas que está sob contestação de Brasil, Argentina e Paraguai, que alegam que o país não cumpriu todos os requisitos de adesão.
Ele fez pedidos para que as pessoas ajam com "moderação para evitar conflitos".
Agência Efe

Ex-presidente uruguaio, José "Pepe" Mujica: união "é a coisa mais importante dos latino-americanos"  

'Conta pendente do povo brasileiro é não permitir que ódio germine por divergências políticas', diz Pepe Mujica

Aos 90 anos, Fidel Castro está 'feliz', diz Frei Betto

Elke Maravilha, filha da guerra

 
O chanceler brasileiro, José Serra, tem feito campanha há meses para evitar que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, assuma o comando do Mercosul. Foi cogitada a criação de uma presidência colegiada entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai até dezembro, quando se concluiria o período de liderança da Venezuela. No entanto, o chanceler do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, descartou a proposta por ela não estar prevista no estatuto do Mercosul.
O bloco está sem presidência desde o dia 1º de agosto, quando encerrou a gestão temporária do Uruguai.

Rodrigo Maia se irrita ao ser questionado sobre corrupção em entrevista para rádio da Colômbia

Rodrigo Maia se irrita ao ser questionado sobre corrupção em entrevista para rádio da Colômbia


Presidente da Câmara dos Deputados acusou jornalista de ter posição 'ideológica' ao ser perguntado sobre Michel Temer, 'Lista de Furnas' e corrupção no Congresso
O presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se irritou durante uma entrevista à rádio colombiana W, nesta terça-feira (17/08) ao ser questionado sobre corrupção e o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, atualmente afastada do cargo. Ele chegou a acusar a entrevista de estar “partidarizada” e disse que o entrevistador, o jornalista Julio Sánchez Cristo, tinha uma posição “ideológica”.
A emissora faz parte do grupo Caracol, uma das maiores do país e tem uma linha editorial mais ligada a posições da direita. A Caracol, por exemplo, chama o governo de Nicolás Maduro de “regime” e, em suas redes de televisão, trata a Venezuela com tom bastante crítico.
Questionado pelo jornalista sobre a acusação de ele teria recebido dinheiro, de acordo com a chamada “Lista de Furnas”, Maia se irritou, afirmou que a lista “foi uma acusação do PT em 2005” e questionou de onde a informação havia saído. “Esse assunto não existe na pauta brasileira há dez anos, essa lista falsa de Furnas. Há dez anos esse assunto não existe”, afirmou.
A “Lista de Furnas” é um suposto esquema de corrupção revelado em 2000 que envolve a Furnas Centrais Elétricas e beneficiaria vários políticos – a maioria do PSDB e do então PFL (hoje DEM, partido de Maia). A CPI dos Correios, em 2006, com base em dois laudos, considerou que a listagem, que citava 150 pessoas, era falsa. No entanto, no mesmo ano, um laudo diferente comprovou a autenticidade da lista.
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Preisdente da Câmara se irritou com perguntas de jornalsita colombiano
Em seguida, Sánchez Cristo questiona se o presidente interino Michel Temer é “o homem” que “leve adiante e recupere a confiança dos brasileiros”, já que ele, de acordo com o jornalista, está “com suspeita e está recebendo acusações de corrupção”. Maia novamente se exalta e chega a insinuar que a entrevista estivesse “patrocinada” – porém interrompe a palavra e diz a conversa está “estranha”.
“O presidente Michel Temer não tem nenhuma acusação, não tem uma investigação contra ele. Citações podem ocorrer, é bom que existam. Todos têm direito de falar, mas ninguém tem nenhum encaminhamento contra o Michel. Eu não tô entendendo, se uma rádio estrangeira está nesse encaminhamento. Eu, de fato, tô perplexo”, afirmou Maia.
presidente interino foi citado em investigações das operações Lava Jato e Castelo de Areia, da Polícia Federal, e como beneficiário de um suposto esquema de corrupção no porto de Santos (SP). O nome de Temer aparece também como responsável por acertar a entrega de propina em 2012 para a campanha do então candidato à Prefeitura de São Paulo Gabriel Chalita (na época, no PMDB, hoje no PDT). A acusação foi feita pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, em um acordo de delação premiada.
Deputados
A temperatura da entrevista subiu quando o jornalista questionou Maia se a Câmara dos Deputados, “onde há mais de 300 parlamentares e a maioria deles é investigada por corrupção” (a Câmara tem 513 deputados), tinha “legitimidade” para julgar Dilma – que, continua, “até onde sabemos, não cometeu um delito de corrupção, mas sim de má gestão de governo”.
“Eu, de fato... perplexo. Quais são os 300 deputados que estão investigados e por quais crimes? Quais são os objetos... tem centenas de deputados estão em inquéritos de... de... de... questões eleitorais, tem nada a ver com corrupção. Eu não... e a sua pergunta, sobre a presidente, é o que eu digo: você está... a sua posição é ideológica também”, afirmou, compreendendo erroneamente que o jornalista havia afirmado que 300 deputados eram investigados  por corrupção.
Sánchez Cristo tenta interromper o deputado, que, irritado, insiste e ameaça acabar com a entrevista. “Eu estou respondendo sua pergunta. (...) Eu vou terminar! Deixa eu falar! O senhor vai deixar eu responder! (...) Então a gente vai acabar a entrevista! Então o senhor vai deixar eu falar tudo e depois o senhor vai falar o que quiser!”, disse Maia.
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Maia (dir.) defendeu presidente interino Michel Temer (esq.) durante entrevista a radio colombiana
O presidente da Câmara, então, começa a falar sobre o processo de impeachment de Dilma. “A presidente Dilma cometeu crime de responsabilidade. A legislação brasileira, queira a presidente Dilma ou não, trata de forma muito clara o equilíbrio fiscal”, afirma. O jornalista, por sua vez, diz que Maia “não respondeu à pergunta” sobre os deputados, e completa: “aqui ninguém ideologizou a entrevista, nem perguntou, nem colocou em dúvida a legislação brasileira”.
Rodrigo Maia, em seguida, afirma que a Câmara “tem legitimidade”. “A Câmara não tem 300 deputados respondendo por corrupção. A Câmara de Deputados têm legitimidade porque, se não tivesse a legitimidade, a Suprema Corte brasileira, que tem todas as condições, já tinha tirado o mandato de alguns, como suspendeu o mandato do ex-presidente da Câmara dos Deputados. A Câmara dos Deputados apenas autoriza a abertura do processo de impedimento de forma legítima. A partir daí, quem está julgando é o Senado.”
Atualmente, segundo um levantamento da Transparência Brasil feito para o jornal Los Angeles Times, 303 deputados são investigados por algum tipo de crime; ao menos 150 deles são acusados de corrupção, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e outros.

Uruguai diz que Serra tentou 'comprar voto' do país para evitar que Venezuela assuma Mercosul

'Nada nem ninguém' tiram Venezuela da Presidência do Mercosul, diz Nicolás Maduro

Líder do PT na Câmara pede que Serra explique suposta tentativa de compra de voto do Uruguai

 
Leia e ouça trecho da entrevista:
Jornalista: Como vai a acusação de que o senhor supostamente tenha recebido comissões pela prestação de serviços à empresa elétrica do Estado, Furnas?
Maia:
 Eu? Isso não existe. Isso não existe. Aonde tá isso? Isso foi uma acusação do PT em 2005, eu não sei por que esse assunto tá entrando na entrevista.
Jornalista: Mas a acusação existe ou não existe, deputado?
Maia:
 Não, não existe. Onde tá isso? Cadê a investigação? Cadê o inquérito? [o tradutor tenta passar as frases de Maia para o espanhol] Isso é uma acusação feita pelo PT, que inventou. Isso é uma coisa de 2005, inventada pelo PT, uma coisa que não entendi por que entrou nessa entrevista. De onde vocês tiraram isso? Porque esse assunto não existe na pauta brasileira há dez anos, essa lista falsa de Furnas. Há dez anos esse assunto não existe.
Jornalista: Mas pode ser Michel Temer o homem que leve adiante e recupere a confiança dos brasileiros, quando o mesmo presidente atual estava com suspeita e está recebendo acusações de corrupção? Pode alguém com esses sinais recuperar uma confiança perdida e que de alguma maneira se refletiu na abertura dos Jogos Olímpicos com a estrondosa vaia contra o presidente Temer?
Maia: 
Olha, eu acho que essa entrevista ela tá patro..., ela tá muito estranha pro meu ponto de vista. O presidente Michel Temer não tem nenhuma acusação, não tem uma investigação contra ele. Citações podem ocorrer, é bom que existam. Todos têm direito de falar, mas ninguém tem nenhum encaminhamento contra o Michel. Eu não tô entendendo, se uma rádio estrangeira está nesse encaminhamento. Eu, de fato, tô perplexo.
Fazendo uma entrevista para discutir a conjuntura política brasileira, econômica, das investigações, nenhum problema, mas esse encaminhamento pessoal que vocês estão dando às duas últimas perguntas, eu não tô entendendo. Essa entrevista tá partidarizada de uma rádio do exterior. Eu tô querendo compreender o que tá acontecendo nessa entrevista.
Jornalista: Mas não há nenhuma demonstração de testemunhas de todas essas investigações contra o presidente, isso não é certo?
Maia: 
Não, eu posso passar para você a lista do que tem contra o ex-go... contra o governo anterior. Tudo o que eles fizeram, a destruição da Petrobras. Se você quiser aqui, a gente pode ficar três horas só citando isso. Eu não tô entendendo. Vocês são uma rádio do exterior. Não cabe a uma rádio do exterior que... é... especificar desse jeito. Vamos discutir o Brasil, vamos discutir o que vocês querem de informação do país. O presidente Michel Temer não tem nenhuma investigação contra ele. Não tô entendendo.
Jornalista: Senhor Maia, mudando um pouco de tema, como brasileiro, como vê os Jogos Olímpicos, como lhe parece esse evento?
Maia: 
Muito bem, acho que o Brasil está indo muito bem nos Jogos Olímpicos, acho que o Brasil tá dando uma demonstração de superação, com toda a crise que o Brasil vive, econômica, moral, ética. Sem dúvida nenhuma, há um momento de dificuldade do país, mas acho que os Jogos Olímpicos têm demonstrado que os brasileiros, apesar de toda a crise, tem dado uma demonstração de superação e têm feito Jogos Olímpicos que têm representado muito bem não só o Brasil, mas toda a América do Sul.
Jornalista: Senhor Maia, o senhor desculpe que, mesmo que sejamos uma rádio estrangeira, que lhe perguntemos sobre assuntos locais. Para isso lhe chamamos. Senhor Maia, em uma Câmara dos Deputados, como a que o senhor preside, onde há mais de 300 parlamentares e a maiora deles é investigada por corrupção. Minha pergunta é a seguinte: com que legitimidade pode essa Câmara dos Deputados, infestada de corrupção, julgar uma presidenta que, até onde sabemos, não cometeu um delito de corrupção, mas sim de má gestão de governo?
Maia:
 Eu, de fato... perplexo. Quais são os 300 deputados que estão investigados e por quais crimes? Quais são os objetos... tem centenas de deputados estão em inquéritos de... de... de... questões eleitorais, tem nada a ver com corrupção. Eu não... e a sua pergunta, sobre a presidente, é o que eu digo: você está... a sua posição é ideológica também.
Jornalista: Não, senhor Maia...
Maia: 
A lei brasileira...
Jornalista: Não, senhor Maia...
Maia: 
Não, não, você perguntou e eu...
Jornalista: Não, não, desculpe-me, senhor Maia, eu faço uma pergunta e você me responde se quiser.
Maia: 
Eu vou responder!
Jornalista: [incompreensível]
Maia: 
Então deixa eu falar!
Jornalista: Não, deixe-me falar primeiro e faço a pergunta se estiver tudo bem para você.
Maia: 
Eu estou respondendo sua pergunta. [incompreensível] Eu vou terminar! Deixa eu falar! O senhor vai deixar eu responder! [incompreensível] Então a gente vai acabar a entrevista! Então o senhor vai deixar eu falar tudo e depois o senhor vai falar o que quiser!
Jornalista: Não, senhor Maia, o que estamos fazendo aqui...
Maia: 
Não, não, não. Tá bom, eu vou responder. Você tá errado. A presidente Dilma cometeu crime de responsabilidade. A legislação brasileira, queira a presidente Dilma ou não, ela trata de forma muito clara o equilíbrio fiscal. Quando você desrespeita a lei de forma objetiva e prevista, é crime de responsabilidade o desrespeito à liberação do orçamento sem autorização do Congresso Nacional. Isso é crime de responsabilidade. E mais: banco público não pode emprestar dinheiro para seu controlador, para o Estado brasileiro. Como um banco privado não pode emprestar dinheiro para seus controladores. A legislação é muito objetiva. E o governo dela cometeu esses dois crimes. Você pode achar que a legislação brasileira pode estar errada, mas é a legislação do Brasil que diz isso, que aprovar orçamento, liberação do orçamento sem autorização do Congresso é crime. E emprestar dinheiro de banco público para fechar as contas dos gastos do governo é crime. Se você é contra que essa lei exista, essa é outra questão. Por isso que eu digo que é uma questão ideológica, pra quem não acredita... Esses dois pontos estão claros na lei brasileira. É por isso que eu digo, sem nenhum demérito, que quem não acredita nisso está ideologizando o debate. Por isso que eu digo que você está ideologizando o debate.
(o locutor tenta interromper Maia)
Maia: Deixa eu terminar! Vocês gostam de criticar, vocês não gostam de ouvir. Não é só aí. É todo mundo. Então, na hora que a legislação é desrespeitada, se a legislação tá errada, que se mude a legislação. O que não pode é porque o governo achava que não devia respeitar a legislação, descumpriu a legislação. É crime de responsabilidade e ponto final.
Jornalista: Senhor Maia, a minha pergunta, o senhor não respondeu. Porque aqui ninguém ideologizou a entrevista, nem perguntou, nem colocou em dúvida a legislação brasileira. E, se foi cometido um crime, é preciso julgá-lo. E creio que você não respondeu, e, por isso, pergunto de novo: você acredita que a Câmara dos Deputados que você preside, flagrada em casos de corrupção, está legitimada para julgar a presidenta que, supostamente, cometeu esse delito - não coloco em dúvida o delito, coloco em dúvida a legitimidade da Câmara e pergunto a você na qualidade de presidente e de quem representa os brasileiros.
Maia: 
A Câmara não tem 300 deputados respondendo por corrupção. A Câmara de Deputados têm legitimidade porque, se não tivesse a legitimidade, a Suprema Corte brasileira, que tem todas as condições, já tinha tirado o mandato de alguns, como suspendeu o mandato do ex-presidente da Câmara dos Deputados. A Câmara dos Deputados apenas autoriza a abertura do processo de impedimento de forma legítima. A partir daí, quem está julgando é o Senado. É assim a regra do impedimento no Brasil e não vejo, e não conheço 300 processos de deputados que estejam respondendo por corrupção. Não vejo isso, isso não existe na Suprema Corte brasileira.
Jornalista: Deputado, não tiveram que renunciar vários ministros do presidente por estarem envolvidos também em investigações? E por isso também lhe falo no tema da confiança da cidadania frente ao novo governo, quando vários de seus ministros tiveram que renunciar também por denúncias?
Maia: 
Eu acho que se o ministro... é bom que um governo que escolha um ministro, se apareça um problema com algum ministro, que esse problema não seja conhecido anteriormente, que o governo faça a mudança de forma rápida, para mostrar que não há por parte do governo nenhum tipo de comprometimento com essas questões. Então eu acho que, quando o governo nomeia um ministro e as informações não estão claras, são informações que não existiam na sociedade, no momento em que elas aparecem, se elas forem graves, ou se existirem indícios de dúvidas, o que o presidente Michel fez em poucos casos exatamente o afastamento, o que eu acho correto.
Jornalista: Presidente, uma última pergunta, muito simples, muito concreta. Quando saberemos o futuro da senhora Rousseff?
Maia: 
De quem, da presidente?
Jornalista: Sim, quando saberemos o futuro político dela, o que vai acontecer?
Maia: 
Começa no dia 25 no Senado, 25 de agosto, e deve terminar no dia 29 de agosto o julgamento. São três ou quatro dias de julgamento.
Jornalista: Presidente, obrigado por seu tempo e desculpe-me por algumas perguntas que o tenham incomodado. Faz parte do nosso ofício e desejamos o melhor para o futuro do Brasil, presidente Maia.
Maia: 
Um abraço.

Líder do PT na Câmara pede que Serra explique tentativa de 'compra de voto' do Uruguai


Líder do PT na Câmara pede que Serra explique tentativa de 'compra de voto' do Uruguai

Afonso Florence diz ser 'clara' tentativa de 'fazer com que Uruguai não cumprisse normas' do Mercosul; senadores querem pedido de desculpas formal a país
Atualizada às 17:00
O líder do PT na Câmara dos Deputados, o deputado Afonso Florence (BA), protocolou na terça-feira (16/08) um pedido de convocação do ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, para que explique “pessoalmente” a afirmação feita pelo chanceler uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, de que ele teria tentado “comprar o voto” do governo do Uruguai para suspender a transferência da Presidência temporária do Mercosul à Venezuela.
No requerimento, Florence afirma que a fala de Novoa demonstra “claramente” que o ministro Serra, em viagem à nação vizinha acompanhado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, “tentou fazer com que o Uruguai não cumprisse as normas impostas ao Mercosul”.
Wilson Dias/Agência Brasil

Afonso Florence pediu que Serra explique "pessialmente" caso de suposta "compra de voto" do Uruguai
“É evidente que um representante do governo brasileiro, notadamente um ocupante de um Ministério federal, não pode, de forma alguma, usar de subterfúgios para que se descumpram as normas internacionais, ratificadas pelo Brasil, em favor de um posicionamento político desarrazoado”, disse o deputado.
 

Venezuela rejeita acusações de 'Tríplice Aliança' e diz ter cumprido protocolo de adesão a Mercosul

Uruguai diz que Serra tentou 'comprar voto' do país para evitar que Venezuela assuma Mercosul

'Nada nem ninguém' tiram Venezuela da Presidência do Mercosul, diz Nicolás Maduro

 
Durante Comissão de Assuntos Internacionais de Deputados, na semana passada, Novoa alegou que Serra teria insinuado que levaria o país como “sócio” em negociações futuras com outros países se suspendesse a transferência do comando do bloco à Venezuela, “tentando comprar o voto do Uruguai”.
Segundo o chanceler, a atitude de Serra “incomodou muito” o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez.
Senado
No Senado brasileiro, alguns parlamentares também criticaram a postura de Serra – nomeado chanceler pelo vice-presidente no exercício da Presidência, Michel Temer, em 12 de maio – e sugeriram um pedido de desculpas formal para o Uruguai.
"Se [a tentativa de compra de voto] não fosse verdade, por que ia o chanceler [Novoa] se dirigir aos deputados do seu país? São graves essas acusações, elas têm que ser esclarecidas, não negadas. E penso que o Brasil deve retratação ao Uruguai, um pedido de desculpas por essa situação", afirmou Gleisi Hoffmann (PT), senadora do Paraná .
Durante reunião do plenário, o senador Roberto Requião (PMDB), também do Paraná, reforçou a posição de Hoffmann e pediu desculpas ao Uruguai pelo comportamento “inadequado e violento” do chanceler brasileiro que, segundo Requião, transformou a política externa do país em “motivo de chacota”.

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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Além do impeachment, o golpe visa conter a democracia, destruir direitos dos trabalhadores e alienar a soberania do país


Além do impeachment, o golpe visa conter a democracia, destruir direitos dos trabalhadores e alienar a soberania do país

O golpe em curso não é só parlamentar, mas institucional. Ele envolve desde o empresariado, banqueiros, a grande mídia, setores do Judiciário e da PF.


Fórum 21
Miguel Schincariol/AFP
A derrubada da presidente eleita por mais de 54 milhões de votos é uma parte necessária de um golpe Muito Maior que está em andamento no Brasil hoje. É um golpe para destruir  os direitos sociais que o povo brasileiro conquistou depois que derrubou a ditadura. Para acabar com o regime político que se iniciou com a Constituição de 1988 e garantiu a eleição de líderes populares. Para impedir que futuros líderes comprometidos com o povo possam vir a ser eleitos não só para a presidência da república, mas também para os governos estaduais e para milhares de prefeituras pelo país afora.

A mudança do regime político que os golpistas pretendem implantar significa a revogação da eleição direta para cargos executivos. Ou seja, se o golpe se consumar, todo prefeito, governador e presidente da república terá uma espada sobre sua cabeça: se os donos do poder não gostarem de quem foi eleito, declaram que o vencedor cometeu alguma irregularidade ou não tem apoio político, e cassam seu mandato. Revogam a soberania popular expressa nas urnas.  O voto do povo não terá mais valor e suas vozes serão caladas pela repressão policial e pela censura promovida pelos próprios meios de comunicação controlados pelo grande capital.

Isso poderá ser feito em surdina, através da aplicação distorcida de dispositivos legais em vigor, como vem acontecendo há tempos, e de forma avassaladora no ambiente criado pela operação Lava Jato. Mais adiante, quando as circunstâncias permitirem, a mudança assim produzida será consolidada em fórmulas jurídicas novas, muitas delas de natureza constitucional. 

Os magos do regime em formação dão tratos à bola na busca da combinação perfeita de ingredientes conhecidos: parlamentarismo; voto distrital, não obrigatório; redução do tempo e restrições ao acesso à propaganda eleitoral gratuita; restauração do financiamento privado às campanhas. Podem não estar de acordo quanto a meios e modos exatos, mas estão firmemente unidos em torno do objetivo comum:  ampliar as esferas de decisão “independentes”, isto é, blindadas contra os controles democráticos, bloquear a participação popular, expulsar as grandes massas da vida política.






Enquanto confabulam, os golpistas fazem uso sistemático da violência policial para calar o protesto, reforçando a tendência já antes visível de transformação da força policial em polícia política.

O golpe em curso não é só parlamentar, mas institucional. Ele envolve várias atores e instituições, desde o empresariado, os banqueiros, a grande mídia, setores do Judiciário do Ministério Público, da Polícia Federal, formando um campo de poder unificado contra as mudanças  ocorridas no país desde os governos populares de Lula e Dilma: a elevação do salário mínimo de forma sistemática, durante 13 anos e inúmeras políticas sociais que diminuíram a desigualdade social e reduziram a pobreza. 

O programa econômico desse bloco antidemocrático é conhecido. Arrocho fiscal dramático a fim de liberar recursos para a remuneração de uma dívida pública permanentemente onerada por taxas de juros indecorosas, aliado a uma política radical de  privatização, que no contexto atual significa entregar, a preços aviltados, setores essenciais da economia nacional ao capital estrangeiro. Desprovido de projetos e estratégias de desenvolvimento plausíveis, o programa em questão acena, no longo prazo, com a miragem da integração nas cadeias produtivas globais e advoga a adesão acrítica aos mega-acordos comerciais liderados pelos Estados Unidos. Ele é, portanto, recessivo, antinacional e desindustrializante.  

A contra-face desse projeto econômico nefasto é o ataque maciço aos direitos dos trabalhadores.  A ofensiva começou na Câmara Federal com o projeto de lei sobre a terceirização, logo no início do segundo governo Dilma. Agora ela é comandada diretamente do Planalto, e se traduz em inúmeras propostas em discussão na Câmara e no Senado visando a restringir direitos previdenciários, reduzir despesas com salários e retirar a proteção legal a todas as conquistas dos trabalhadores.

Essa coalizão também se movimenta contra o novo  realinhamento que o Brasil assumiu no cenário internacional adotando posição de maior protagonismo, especialmente na América Latina e nas alianças com os BRICs. 

No equilíbrio frágil que marca no presente as relações internacionais, a pretensão de autonomia exibida por um país de  tamanho continental e peso econômico expressivo situado na área de influência direta dos Estados Unidos torna-se inaceitável para os donos do poder em escala global. Os golpistas brasileiros se aprestam a servi-los. Por isso, seus passos estão sendo acompanhados de perto e com grande interesse pelas empresas estrangeiras e por estrategistas da geopolítica internacional.  

Mas eles estão sendo seguidos também, com atenção crescente, pelo povo brasileiro, que há vinte anos gritou “Diretas-já” e agora voltará a gritar: “Diretas, sempre”. A resistência popular saberá vencer os golpistas e construir uma pátria mais justa, democrática, livre e soberana.


Créditos da foto: Miguel Schincariol/AFP




Para juiz, fotógrafo é culpado por perder olho em protesto


Para juiz, fotógrafo é culpado por perder olho em protesto

Olavo Zampol Júnior nega indenização a Sérgio Silva, que perdeu visão de um olho em junho de 2013. Para ele, o profissional pôs-se em perigo
por Piero Locatelli — publicado 17/08/2016 20h08
Sergio Silva/Arquivo Pessoal
sergiosilva.jpeg
Sérgio Silva foi atingido durante um protesto em SP, mas juiz diz ter dúvidas de que ferimento foi causado pelas balas de borracha da PM
O fotógrafo Sérgio Silva perdeu parte da sua visão por causa de algo que acertou o seu olho esquerdo no dia 13 de junho de 2013. Ao lado de manifestantes queprotestavam contra o aumento da tarifa de ônibus, ele fotografava policiais que disparavam balas de borracha na direção deles no centro de São Paulo.
Responda rápido: o que atingiu o olho de Sérgio?
O juiz Olavo Zampol Júnior não tem certeza. Por isso, nesta terça-feira 16, o magistrado da 10ª vara do Tribunal de Justiça de São Paulo negou o pedido de indenização de Sérgio. Ele diz que não há “provas de que o ferimento experimentado pelo autor tenha sido provocado por bala de borracha”, já que a perícia foi inconclusiva.
Mais à frente, o juiz diz que, na verdade, nem sequer importa se a Polícia Militar o atingiu ou não: Sérgio colocou-se em perigo. “Mesmo que houvesse provas de que o ferimento experimentado pelo autor tenha sido provocado por bala de borracha disparada pela polícia, ainda assim, não haveria de se cogitar da pretendida indenização,” diz o magistrado.
A culpa, para o juiz, seria de Sérgio, que estava no lugar onde a polícia atirava. “Ao se colocar o autor entre os manifestantes e a polícia, permanecendo em linha de tiro, para fotografar, colocou-se em situação de risco, assumindo, com isso, as possíveis consequências do que pudesse acontecer.”
Por fim, o juiz diz que os jornalistas deveriam, além de não ficar perto da notícia, se proteger. “Não por outro motivo alguns jornalistas buscam dar visibilidade de sua condição em meio ao confronto ostentando coletes com designação disso, e mais recentemente, coletes a prova de bala e capacetes.”
Ao escrever isso, o juiz ignora porque os jornalistas agora usam capacetes, coletes à prova de bala e outros equipamentos: para não ser o próximo Sérgio, ou um dos outros tantos colegas feridos daquele dia diante de ações desproporcionais da PM.

Na decisão, por fim, o juiz diz não estar “insensível ao drama do autor”. Mas Sérgio segue sem olho ou indenização.