segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

SERRA RETOMA A ENTREGA DA BASE DE ALCÂNTARA AOS ESTADOS UNIDOS

SERRA RETOMA A ENTREGA DA BASE DE ALCÂNTARA AOS ESTADOS UNIDOS

Rogério Cerqueira Leite


Acordei nesta manhã com a notícia de que o Governo brasileiro está negociando secretamente um acordo com os Estados Unidos para utilização da Base de Alcântara. Para quem não sabe, Alcântara é a localização mais estratégica do mundo, do ponto de vista militar e político, para lançamento de foguetes.

Um acordo secreto conforme noticiado daria aos americanos enormes vantagens. Em primeiro lugar, atenderia a seu desejo explícito de não deixar o Brasil desenvolver uma tecnologia própria de foguetes. Em segundo lugar, impediria um eventual acordo brasileiro com outra potência na área, por exemplo, a Rússia.

O Governo brasileiro tentou desenvolver tecnologia de foguetes num acordo com a Ucrânia que, tendo sido uma das repúblicas soviéticas, estava em condições de oferecer uma parceria vantajosa ao Brasil. Como se sabe, só a Rússia, como herdeira dos soviéticos, tem tecnologia aeroespacial comparável à dos EUA, o que de alguma forma compartilhava com a Ucrânia. Entretanto, a Ucrânia sofreu um golpe de Estado comandado pelos americanos, que exigiram o fim do acordo com o Brasil, conforme informações do WikiLeaks. Além disso, em 2003, Alcântara sofreu um acidente devastador destruindo instalações e dezenas de vidas.
O “acidente” de Alcântara nunca foi claramente explicado. Só interessava aos EUA. Considerando que os americanos tem tecnologia suficiente para invadir o Palácio do Planalto e o prédio da Petrobras para coletar informações, não pode ser atribuído exclusivamente aos teóricos da conspiração a ideia de que houve, sim, um atentado para evitar o desenvolvimento tecnológico brasileiro na área de foguetes.

Os que sofrem do “complexo de vira-latas” podem subestimar essa considerações dizendo que um país como os EUA, forte e rico, jamais se preocuparia em bloquear o desenvolvimento de uma nação tão insignificante como o Brasil.

Entretanto, como explicar os telegramas do embaixador americano na Ucrânia manifestando sua oposição ao acordo com o Brasil? Mais do que isso: por que a Ucrânia se desinteressou do acordo tão logo assumiu um novo governo apoiado num golpe nazista direcionado contra a Rússia, que os neoconservadores americanos consideram inimiga?

Tudo isso é muito suspeito. E mais suspeito ainda é a pouca informação que a sociedade brasileira teve a respeito. Aparentemente as autoridades americanas “ajudaram” nas investigações para esclarecer o acidente ficando na confortável situação de acobertar o que lhes interessava.

Agora, colhendo os frutos do “acidente”, os americanos obtiveram do ministro das Relações Exteriores, José Serra, a sugestão de retomar o acordo de forma próxima do que foi rejeitado pelo Governo Lula antes do acordo com a Ucrânia.

A sujeição é total. Perderemos a soberania sobre a base.

Nada de parceria tecnológica. O comando pleno das instalações passa a ser dos Estados Unidos – naturalmente, de suas Forças Armadas. Todos os resultados financeiros serão de propriedade americana. De um lado estará o patriotismo de Trump, do outro nossa subjugação total a uma potência estrangeira.

Aos oficiais da Força Aérea Brasileira restará cuidar do serviço de limpeza, juntando-se aos oficiais do Exército e da Marinha que estão cuidando dos presídios.


Alberto Goldman e o retrocesso da Comissão da Anistia

Alberto Goldman e o retrocesso da Comissão da Anistia

por Luiza Sansão — publicado 06/02/2017 08h50
Ex-governador paulista, militante comunista na juventude, é acusado de tentar barrar o pagamento de indenizações às vítimas da ditadura. Tucano nega
George Gianni/Divulgação
Alberto Goldman
Goldman nega ser contra as reparações aos perseguidos pela ditadura
Militante do Partido Comunista no período de clandestinidade da agremiação, nos anos 1950, o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman, segundo relatos obtidos por CartaCapital, tem pautado sua participação na Comissão de Anistia pela defesa de um ponto-de-vista estritamente reacionário. Embora o tucano negue a informação publicada pelo jornal O Globo de que se opõe às indenizações a anistiados políticos, outros integrantes da comissão confirmam sua atuação para barrar as reparações financeiras.
Em resposta enviada por email, Goldman classificou de incorretas e falsas as informações publicadas pelo Globo no mês passado. “Nunca me manifestei contra as reparações pecuniárias. Ao contrário, as julgo necessárias e de acordo com a lei de anistia, aliás aprovada por mim na ocasião de sua votação na Câmara  dos Deputados, quando eu exercia o mandato popular”.
A afirmação não é corroborada por colegas do conselho. Segundo esses relatos, Goldman tem sistematicamente se posicionado contra as indenizações da comissão, criada em 2002 para implantar uma política de reparação às vítimas da ditadura e preservação da memória dos crimes da repressão.
Um dos conselheiros cita “embates muito pesados com Goldman” logo nas primeiras sessões das quais o tucano participou, em novembro. “Ele questionava a reparação pecuniária, principalmente quando analisava a situação de o indivíduo ter sido demitido em razão de perseguição política. A própria legislação diz que, nesses casos, o postulante tem direito a uma prestação mensal permanente e continuada. Ele dizia: ‘Mas como é que sobreviveu esses anos todos? Passou fome? Morou na rua? Trabalhou?’”
Na primeira semana de dezembro, durante a Caravana da Anistia na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Goldman teria mantido o posicionamento e defendido o “indeferimento em todos os casos”. No julgamento do processo de um professor demitido durante o regime militar, que reivindicava uma pensão, o tucano teria insinuado que o requerente desejava “ficar rico às custas do Estado”.
Revolta da militância
Indignados, movimentos sociais, ex-presos políticos e familiares de mortos e desaparecidos fizeram duras críticas a Goldman. Os movimentos “Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça”, “Movimento por Verdade, Memória, Justiça e Reparação”, “Coletivo RJ por Memória, Verdade e Justiça” e “Campanha Ocupa Dops” assinaram uma nota conjunta na qual afirmam que o direito à reparação econômica, baseado na Constituição de 1988, “está embasado no entendimento de que, durante os mais de 20 anos de regime ditatorial, milhares de projetos de vida foram interrompidos pela violência do Estado e instituições foram marcadas pelo autoritarismo estatal”.
Tanto para Leonardo Vieira, integrante do coletivo de Filhos e Netos por MVJ, quanto para Lucas Pedretti, assessor da Coordenadoria Estadual por Memória e Verdade do Rio de Janeiro, as declarações de Goldman representam um “desconhecimento” do que determina a própria Lei 10.559 de 2002, que instituiu a Comissão de Anistia, e das referências adotadas por órgãos internacionais, entre eles o Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas e a Corte Interamericana de Direitos Humanos. “A busca por memória, verdade e justiça trata de formas de reparação. A indenização é apenas um item”, ressalta Vieira. “Quando ele se coloca contra a reparação econômica, retrocede décadas no debate”, critica Pedretti.
Ex-presa política, Ana Bursztyn-Miranda afirma que o tucano demonstra desconhecer o fato de que o Estado brasileiro tem o dever de reparar cidadãos cujos direitos violou de diversas formas no período. “A Comissão de Anistia veio justamente para aprofundar a democracia, especialmente depois de 2007. Começou muito tarde, em 2002, e logo no início priorizou a reparação pecuniária, opção que sempre mereceu uma crítica, à esquerda: só entendemos reparação, inclusive econômica, simbólica, com memória, verdade e justiça. Nesse sentido, muito pouco se fez”.
CartaCapital, Goldman afirmou que o principal objetivo da luta contra a ditadura, a redemocratização do Brasil, foi alcançado. Pedro Pomar, integrante do comitê paulista do Movimento Verdade e Justiça, discorda. A não punição dos agentes da repressão, afirma, provam justamente a ausência de um Estado democrático. “O que Goldman chama de democracia é um regime político que tolera chacinas comandadas pela Polícia Militar, massacres em presídios, encarceramento em massa graças ao instrumento da prisão preventiva, linchamentos, assassinato de indígenas e de trabalhadores sem-terra”. Pomar vai além. O tucano, diz, cumpre “um papel deletério na Comissão de Anistia”.
Retrocesso
As mudanças na comissão aconteceram após Michel Temer assumir a presidência da República. Uma portaria assinada pelo ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, exonerou seis conselheiros históricos dois dias após o impeachment de Dilma Rousseff, e nomeou outros 20 novos integrantes, alguns suspeitos de terem colaborado com a ditadura, conforme noticiado pelo site Ponte Jornalismo, parceiro de CartaCapital.
As exonerações foram publicadas no Diário Oficial da União sem comunicação prévia aos integrantes. Diversos movimentos manifestaram indignação contra a atitude arbitrária. Em nota, o Movimento por Verdade, Memória, Justiça e Reparação se referiu às intervenções como “iniciativas muito graves e unilaterais que sinalizam o início de um desmonte na Comissão de Anistia, conquista histórica da sociedade democrática brasileira, e uma ofensa aos direitos das vítimas da ditadura e de seus familiares”.
Nova portaria, publicada na quinta-feira 26, nomeou Fernando Dias Menezes de Almeida presidente da comissão. O posto estava vago desde dezembro, quando Almino Monteiro Álvares Afonso pediu exoneração.

OS ATAQUES EM ESCALA INTERNACIONAL ÀS EMPRESAS LÍDERES DA ENGENHARIA BRASILEIRA

SÁBADO, 4 DE FEVEREIRO DE 2017

OS ATAQUES EM ESCALA INTERNACIONAL ÀS EMPRESAS LÍDERES DA ENGENHARIA BRASILEIRA


Por Bruno Lima Rocha

Existe uma diferença gritante entre “teoria da conspiração” e prática conspiratória. Entendo que bastam algumas observações pontuais para fazer a lógica da obviedade. O texto que segue tem as devidas ponderações legais, por isso a cautela necessária. Vale observar que ao reconhecer que houve participação do Império no golpe no Brasil, não me alinho ao lulismo, tampouco a condenáveis práticas empresariais, menos ainda ao ‘batismo nos contratos’ como prática regular brasileira e nem nego a condição de que agentes nacionais (domésticos) possam aplicar golpes e também contra golpes. A conspiração que vem de cima encontra eco ou não, é bem sucedida ou não, de acordo com cada sociedade e seus agentes coletivos nacionais. Infelizmente, no Brasil, o golpe aplicado pelo BraZil deu certo (para eles). Vamos aos pontos.

1) Existem pessoas com certo prestígio cibernético alegando que há uma teoria da conspiração na internet brasileira em relação a participação dos EUA no golpe parlamentar que derrubou o governo reeleito de Dilma Rousseff. Os Estados Unidos, embora correspondam a 12% de nossa balança comercial – perdendo em quase o dobro para os 21% de volume de trocas com a China, tem plenas condições de exercer hegemonia e projeção de poder em termos ideológico-culturais, institucionais, militares e financeiros sobre toda a América Latina, o Brasil incluído.

2) A modalidade de participação dos EUA no golpe do Brasil – ou a suposta participação uma vez que os elementos cabais e probatórios estão em documentação sigilosa no Departamento de Estado do Império – seria a de LAWFARE. Esta é uma modalidade onde o emprego de acordos de cooperação e convênios entre órgãos jurídico-policiais-investigativos implicam em uma facilidade de investigação e punição para os alvos domésticos, mas cujas informações centrais são devidamente selecionadas através da vantagem estratégica que os EUA detêm através de sistemas de monitoramento e espionagem como o PRISM. Negar isso é praticamente negar a vigilância sobre a internet e o novo Complexo Industrial-Militar, balizado pelo Ato Patriótico assinado por Bush Jr e em nada modificado pelo governo Obama.

3) Tivemos – temos – evidências de efeitos dos acordos de cooperação tendo o conglomerado da Odebrecht como alvo de investigação e punição em escala mundo. Assim, perdem-se contratos e espaços no Sistema Internacional (SI), setores de difícil acesso e penetração, cuja entrada de capitais brasileiros só pode ser viabilizada através da aliança entre as campeãs nacionais (incluindo a super campeã Odebrecht),o banco de fomento (BNDES) e um governo de centro mas minimamente nacionalista (os do lulismo). Um país da semi-periferia como o Brasil não pode ser visto como candidato a potência média sem imediatamente gerar hostilidade aos EUA – por tabela, não importa o quão ‘bem comportado’ fora o período de Lula e também o de Dilma no Planalto, à exceção do acertado protesto após o escândalo das denúncias de Snowden.

4) A guarda baixa e a vigilância ausente – por parte das autoridades de Estado brasileiras – teve seu momento de porteira aberta quando do Projeto Pontes, em mega conferência realizada de 4 a 9 de outubro no Rio de Janeiro. Esta Conferência teve amplo alcance dentro do aparelho de Estado brasileiro, em especial na criação da Força Tarefa da Lava Jato aliás, conforme recomendado no próprio link difundido pela própria correspondência diplomática difundida pelo Wikileaks1. Detalhe: o Projeto Pontes teve início em fevereiro de 2009 segundo o Departamento de Estado dos EUA. Ou seja, seu desenvolvimento se deu quando o titular da pasta da Justiça era Tarso Genro; revelando que para além das abundantes críticas ao então ministro, a inteligência brasileira e a defesa do Estado eram incapazes para suas atividades-fim.

Desmontando os conglomerados econômicos relevantes no Brasil e imediatamente diminuindo o poder do Brasil no Sistema Internacional (SI)

Vamos entender as obviedades. As maiores empresas de construção pesada, a indústria naval e os conglomerados econômicos complexos do Brasil estão parados. Poderíamos pensar que interromper as obras e suspender os contratos é um ato de Justiça, em função da corrupção endêmica nos contratos “batizados” através de diretores técnicos de carreira e suas indicações políticas. Mas a evidência é oposta. A União poderia decretar a intervenção nas empresas, poderíamos haver tentado aprovar leis que favorecessem o controle – ou maior controle – dos trabalhadores das grandes empresas em suas rotinas produtivas e assegurar a manutenção dos empregos através da sequência das obras e encomendas. Deu-se exatamente o oposto conforme explicado no bom texto de Emanuel Cancella, enviado aos mais poderosos veículos de mídia brasileira e jamais publicado2.

Acordos de delação de testemunhas-chave brasileiras nos EUA supostamente estariam acontecendo com intermediação informal da Lava Jato

O tema é recorrente, mas através das gravações das audiências presididas pelo juiz de 1ª instância federal Sérgio Moro, é possível se dar conta da profundidade do problema. Em bom artigo publicado em O Cafezinho3 a sequência de fatos inequívocos é recordada. Ao mesmo tempo, constata-se que o Estadão (O Estado de São Paulo) admite a possibilidade da existência de cooperação informal de membros da Força Tarefa, e em assim sendo, totalmente ilegal. Como já vimos tanto neste site como com este analista que escreve, os acordos de cooperação judicial com outros países precisam ser rigidamente coordenados por uma Autoridade Central. Esta, pela lei brasileira, seria o Ministério da Justiça (MJ) e não a Procuradoria Geral da República (PGR) através de sua Secretaria de Cooperação Internacional (SCI). Acontece uma situação ainda mais drástica, pois nem o decreto presidencial 3810/2001 foi formalmente alterado como tampouco procuradores, magistrados, delegados e auditores federais têm autorização formal para coordenar esforços com seus pares e colegas de outro país. Menos ainda se tais colegas pertencerem aos quadros da superpotência do planeta, com vantagem estratégica sobre todas as demais, e projeção de poder absoluta na América Latina, cujo pivô geopolítico é o Brasil. Tal cooperação informal seria a evidência de um Estado Paralelo no Brasil?

Estado Paralelo? Qual o tamanho da internalização de interesses?

A segurança nacional estaria sendo ameaçada pelo Estado Paralelo, algo evidenciado pela ida do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, em fevereiro de 2015, aos EUA. Na ocasião, Janot foi entregar pessoalmente documentação sigilosa e sensível para os interesses do Brasil. Segundo o portal da Exame Janot visitara ainda sob o governo Dilma no segundo mandato, o Banco Mundial, a OEA e com Leslie Caldwell, o titular da Divisão Criminal do Departamento de Justiça (DoJ, equivalente ao MJ dos EUA). Ainda segundo a publicação do Grupo Abril, o então titular da PGR viajou aos EUA acompanhado de procuradores e peritos que investigaram as possibilidades de propinas em contratos com a Petrobrás ou obras brasileiras financiadas por nosso banco de fomento por mais de uma década.

A agenda de colaboração do ‘Estado paralelo’ já estava a pleno vapor em 2015, quando o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, encontrou-se com Leslie Caldwell, procuradora-adjunta da Divisão Criminal do Departamento de Justiça dos EUA. Até ser indicada ao cargo pelo presidente Obama, em 2014, Leslie Caldwell havia sido sócia do escritório Morgan Lewis de Nova York, especializado em contenciosos no setor de energia, especialmente nuclear.

Na sequência do encontro nos Estados Unidos, a Operação Lava Jato desviou do alvo central, a Petrobras, e apontou para a Eletronuclear, deflagrando a “Operação Radioatividade”, com objetivo de investigar suspeitas na área nuclear. Em 2 de abril de 2015, dois meses após a visita de Janot aos EUA, o almirante Othon Luiz Pereira da Silva foi denunciado, preso e condenado a 43 anos de prisão – na prática, prisão perpétua, considerando a idade avançada do militar.

Os EUA contra a engenharia brasileira. A ação estratégica de minar internamente as capacidades instaladas e com possibilidades de avanço no rumo de um excedente de poder

Uma das tarefas permanentes de uma potência hegemônica é de preservar, assegurar e ampliar sua condição de exercício de hegemonia. Para tal, o hegemon, ou a Superpotência – já que a única realmente existente é os Estados Unidos – trabalha com uma lógica de antecipação, usando suas vantagens competitivas em relação a supostos rivais. Tal rivalidade não está diretamente relacionada a um discurso anti-imperialista no Brasil (sendo sincero, quem dera que este existisse) ou ao ‘bom comportamento’ do Estado brasileiro como operador diplomático de primeira grandeza e central na solução de controvérsias em organismos internacionais. O que entra no cálculo permanente são as capacidades exercidas e já instaladas, e as potencialidades que podem vir a existir. Como ativo na competição mundializada, está a complexa engenharia pesada brasileira, cujos conglomerados econômicos têm uma relação umbilical com o aparelho de Estado (como ocorre em escala mundo com todos os países poderosos) e podem avançar seus empreendimentos para cadeias de valor sensíveis, como o beneficiamento de urânio.

O rigor advindo das punições para a Odebrecht ocorridos nas Justiças de EUA e Suíça, não encontram eco nas penas executadas contra os maiores conglomerados de capital estadunidense em qualquer setor da economia. Como diz o ditado gringo: “too big to fail, too big to jail!”. Se algum leitor ou leitora considerar exagero sugiro uma breve leitura nestes dois portais – corporatewtach.org e corporatecrimereporter.com. Se me permitem o neologismo macabro, “compliance é lenga lenga para os mais fracos”. Para reforçar o argumento, trago este trecho do excelente texto de Mauro Santayana “Nota de falecimento: a engenharia brasileira está morta”4.

Leniente com suas próprias companhias, que não pagam mais do que algumas dezenas de milhões de dólares em multa, os Estados Unidos costumam ser muito mais duros com as empresas estrangeiras.

Tanto é que da lista de maiores punições de empresas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos por corrupção em terceiros países – incluídos alguns como Rússia, que os Estados Unidos não querem que avancem com apoio de grupos europeus como a Siemens – não consta nenhuma grande empresa norte-americana de caráter estratégico.

A Lockheed Martin e a Halliburton, por exemplo, pagaram apenas uma fração do que está sendo imposto como punição, agora, à Odebrecht brasileira, responsável pela construção do nosso submarino atômico e do míssil ar-ar da Aeronáutica, entre outros projetos, que deverá desembolsar, junto com a sua subsidiária Braskem, uma multa de mais de R$ 7 bilhões, a mais alta já estabelecida pelo órgão regulador norte-americano contra uma empresa norte-americana ou estrangeira.

Síntese conclusiva teórico-analítica

Entendo que a exposição de argumentos e motivos já está mais que suficiente, demonstrando mesmo a uma hipotética audiência leitora não treinada, as possibilidades concretas do acionar dos EUA tendo como alvo os conglomerados econômicos cuja cadeia de valor central foca na engenharia pesada. Não por acaso, este oligopólio nacional – controlado por famílias e acionistas majoritários, além de financiados pelos megacontratos com a Petrobrás ou através do BNDES – é um ativo central na criação e projeção de excedentes de poder do Brasil para o Sistema Internacional. Tal posição estratégica no ambiente externo e interno, não modifica a natureza destes conglomerados e tampouco dos intermediários políticos profissionais. Assim, simplesmente não estamos negando a existência de corrupção, ou mesmo de corrupção estrutural. Afirmamos sim que para a Superpotência, as acusações de práticas empresariais criminosas são um recurso de guerra, uma arma com emprego tático, assim como o uso da força ou da espionagem. Logo, o alvo estratégico da relação EUA com os frutos das delações da Lava Jato, é o desmonte da Petrobrás e das empresas de engenharia complexa operando a partir do Brasil.

Assim, são duas rodadas simultâneas no meu ponto de vista. Uma, é em escala mundo, onde os Estados capitalistas apostam em suas TNCs e suas áreas de expertise. Nisso os EUA atacam. Outra rodada, interna, pode ocorrer quando o oligopólio local se reposiciona (caso isso ocorra em definitivo), e, em última instância, aceita a quebra da reserva de mercado, os acionistas majoritários vendem seus ativos e financeirizam seus lucros. Entendo que estamos vendo isso ocorrer hoje com as maiores das empreiteiras. Não se trata de uma defesa de classe, e sim de um ataque capitalista contra outra estrutura capitalista de menor envergadura. Por ser de menor envergadura, o oligopólio da engenharia pesada e complexa brasileira se enfraquece e perdemos tanto posições no SI como empregos diretos no país.

http://migre.me/vOaKG

http://migre.me/vOaLZ

http://migre.me/vOb0e

http://migre.me/vOb3c

Ilustração de Victor Beuren.

Brasil de Fato[https://www.brasildefato.com.br/]:04/01/2017.

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Bruno Lima Rocha. Cientista Político e Jornalista.

BRUCUTU-COMPADRE NO STF, COLOCA O TRIBUNAL SOB SUSPEITA

brucutu-compadre no STF, coloca o tribunal sob suspeita

Fernando Brito

O Estadão publica hoje a estranha ironia de que o ministro da Justiça de Michel Temer tenha, em sua tese de doutorado, registrado sua visão de que era incompatível com a isenção do Supremo Tribunal Federal a indicação de pessoas que ocupassem ministérios do presidente que estiver em exercício.

Como se sabe, Alexandre de Moraes vem sendo apontado como um dos possíveis indicados por Michel Temer para a vaga aberta pela morte de Teori Zavascki, o que o tornaria mais um dos nem tão raros “esqueçam o que escrevi” do PSDB.

Mas a indicação não é suspeita porque Moraes seja ministro, simplesmente.

É que Moraes é da cota de quem virou ministro por íntima ligação pessoal com Temer, tanto que, já nos dias anteriores ao golpe, ele era o único – além dos operadores apontados nos depoimentos da Odebrecht, Primo, Babel e Angorá – com presença garantidíssima no governo.

Nem é preciso que aqui se diga os mistérios que ligam ambos e que o mantiveram no cargo mesmo quando até o Estadão dizia que ele era “insustentável” ali e que só o “compadrio com Temer o garantia:
O maior problema é a inaptidão de Alexandre de Moraes, cuja vocação para o exibicionismo não combina com a discrição que o cargo de ministro da Justiça exige. Essa inclinação já havia ficado clara quando Moraes transformou em espetáculo a prisão de suspeitos de planejar atentados terroristas durante a Olimpíada, amplificando a ameaça em vez de tranquilizar a sociedade.

Mas só se surpreende com Alexandre de Moraes quem não o conhece.

O paulistano teve a oportunidade de experimentar seu modo atabalhoado de trabalhar quando ele foi o “supersecretário” do prefeito Gilberto Kassab, entre 2009 e 2010, acumulando funções nos Transportes e nos Serviços.

Naquele período, anunciou decisões sem comunicá-las ao chefe, teve de voltar atrás de medidas apressadas que atrapalharam o trânsito e, em meio a enchentes causadas pelo acúmulo de lixo em bueiros, disse que a cidade estava mais limpa do que nunca.

Só velhas relações de compadrio podem explicar como o dono desse desastroso currículo virou ministro da Justiça.

A se confirmarem as notícias dos jornais de hoje, explicarão também que vire ministro do Supremo.


Boletim do NPC

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Você estava esperando fevereiro chegar para comprar a agenda na promoção?

6 de fevereiro de 2017
ARTIGOS

A inclusão digital no Brasil serve ao consumo e não à cidadania

ENTREVISTAS

Entrevista com Lívia Perez, diretora de ‘Lampião da Esquina’, documentário sobre o primeiro jornal LGBT do Brasil

A COMUNICAÇÃO QUE QUEREMOS

Revista Radis, da ENSP/Fiocruz, debate a Reforma da Previdência

DE OLHO NA MÍDIA

Sardenberg articula o pensamento da Globo em tempos de Eike e Odebrecht

PROPOSTA DE PAUTA

Proposta de pauta: quem se beneficia com políticas sociais?

[Por Reginaldo Moraes - NPC/SP] Cotas? Ação afirmativa? Discriminação positiva? Tratamento desigual para desiguais? Todos esses temas viraram maldição para nossa classe média conformista. Agora está em marcha um programa federal de destruição e privatização da previdência e do SUS. As politicas de cotas são alvo de tiroteio, inclusive de um vereador negro de São Paulo, um garoto do MBL filiado ao DEM. Fiquem de olho nos programas especiais de TV que vão bater nessa tecla. Essa reação, aqui no Brasil, não é muito original. Podemos aprender alguma coisa vendo o que acontece na matriz. Coisa parecida aconteceu nos Estados Unidos quando foram votadas leis de apoio aos direitos civis dos negros. Para mostrar como essas reações eram “pouco informadas”, o estudioso americano Ira Katznelson disse que as políticas afirmativas tinham sido “brancas”. Desde muito tempo, no século XIX, a lei do acesso à terra era redigida de tal modo que só brancos podiam ser proprietários. Formalmente, negros também podiam se beneficiar da lei. Só que as regras... Mesmo no período de legislação mais avançada, o New Deal dos anos 1930, com Franklin Roosevelt, acabava por beneficiar, fundamentalmente, os brancos. Naquela ocasião, se fez uma lei sobre previdência social e direitos trabalhistas, por exemplo. Detalhe: ficavam fora os trabalhadores rurais e os trabalhadores domésticos. Adivinhem onde estavam os negros e negras? Em 1946, uma lei fantástica de bolsas para acesso ao ensino superior, a lei dos veteranos (o chamado GI Bill). Beneficiados? Quase todos brancos. Acesso à casa própria via financiamento de hipotecas? As normas eram tão bem definidas que beneficiavam apenas... os brancos. Leia o texto completo.
PROPOSTA DE PAUTA

Mães lembram filhos mortos pela violência policial

DE OLHO NO MUNDO

Entrevista com Francisco Louçã no 22º Curso Anual do NPC

DE OLHO NA VIDA

De trabalho escravo a marketing ambiental: a face agrária de Eike Batista

DE OLHO NA VIDA

Observatório da Mulher contra a Violência (OMV) lança estudo da violência

DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO

CNS aprova realização da 1ª Conferência Livre de Comunicação em Saúde

NPC INFORMA

Unicamp promove colóquio nos 80 anos de morte de Antonio Gramsci

NPC INFORMA

Seminário “Darcy Ribeiro 20 anos”

MEMÓRIA

Marisa Letícia, a companheira do ex-presidente Lula da Silva

DICAS

Cinema: ERA DAS UTOPIAS

DICAS

Teatro: Companhia do Latão apresenta peça sobre as greves do ABC paulista

DICAS

Teatro: Espetáculo “Substânc Engenho de Dentro

DICAS

Livro: Coletânea de textos de Frantz Fanon disponível na internet

PÉROLAS

Por Nilson Lage

PÉROLAS

Por Angela Davis

PÉROLAS

Por Boaventura de Sousa Santos

Edição 326
Para jornalistas, dirigentes, militantes e assessores sindicais e dos Movimentos Sociais
Índice
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Equipe
Coordenação: Claudia Giannotti
Edição: Claudia Giannotti (MTB 14.915)
Redação: Claudia Giannotti e Luisa Santiago
Colaboraram nesta edição: Eric Fenelon (RJ), Katia Marko (RS), Marina Schneider (RJ), Mario Camargo (SP), Najla Passos (MG), Sergio Domingues (RJ), Sheila Jacob (RJ), Reginaldo Moraes (SP), Rosangela Ribeiro Gil (SP).