sexta-feira, 19 de maio de 2017

O Clube de Engenharia e a situação atual

19/05/2017 09:05 - Copyleft

O Clube de Engenharia e a situação atual

É hora de nos unirmos, independentemente de convicções políticas, para construir a única solução legítima para a saída do atoleiro em que nos encontramos


Pedro Celestino
Pixabay/Creative Commons
Chegamos ao fundo do poço.
 
Foi com as lutas e o sacrifício de gerações de brasileiros que nos tornamos nos últimos anos uma das maiores economias do mundo. A quadrilha que, hoje se vê, assaltou o poder, dedicou-se a desmontar conquistas sociais e trabalhistas alcançadas nas últimas 6 décadas e a alienar, a toque de caixa, o patrimônio nacional a interesses estrangeiros.
 
É hora de nos unirmos, independentemente de convicções políticas, para construir a única solução legítima para a saída do atoleiro em que nos encontramos: devolver ao povo os mandatos existentes, através de eleições diretas para a Presidência da República. Tal solução, entretanto, há de ser construída nos marcos da nossa Constiuição, e pressupõe a prévia retirada das propostas de "reformas" supressoras de direitos sociais e trabalhistas, para que sejam adequadamente debatidas, bem como o estabelecimento de regras consensuais para essas eleições, com base nos entendimentos em curso, entre lideranças da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, o TSE, a CNBB e a OAB e da revogação dos inúmeros atos lesivos ao patrimônio nacional, simbolizados pelo desmonte da Petrobras e do BNDES, pois a radical mudança de curso promovida pelo governo Temer careceu, desde o primeiro instante, da necessária legitimidade, por não ter provinda do voto popular.
 
O Clube de Engenharia, nessas circunstâncias, conclama as forças vivas da Nação a desinterditarem o debate, para que possamos construir o país democrático, soberano, economicamente desenvolvido e socialmente inclusivo que almejamos.
 
Em 18 de maio de 2017.
 
Pedro Celestino
Presidente


Créditos da foto: Pixabay/Creative Commons

Flagrante

19/05/2017 12:13 - Copyleft

Flagrante

Segundo informações na imprensa, o silêncio de Cunha foi comprado por 500 mil semanais por 20 anos. Uma velha raposa foi colhida, num momento de distração


Pedro Tierra
Ueslei Marcelino - Reuters
Um dos chefes da quadrilha que assaltou o país há um ano, Michel Temer, foi colhido por um flagrante. Avalizava a compra do silêncio de outro chefe da mesma organização que conduziu o golpe de estado de 2016, se encontra preso e se tornou conhecido no país pelos métodos de chantagem que costuma utilizar nas relações políticas: Eduardo Cunha. Segundo as informações correntes na imprensa, o silêncio de Cunha foi comprado por 500 mil semanais por 20 anos.
 
Uma velha raposa foi colhida, num momento de distração, com a boca cheia de penas. Confirma-se assim diante da sociedade o caráter corrupto do grupo que impediu por meio de um processo fraudulento, uma Presidente honesta, eleita por 54 milhões de brasileiros e assumiu as rédeas do país para executar o Programa derrotado nas urnas em quatro eleições sucessivas: abrir mão da soberania nacional no que diz respeito às fontes de energia – as jazidas do Pré-sal – indispensáveis ao desenvolvimento autônomo do país e a venda de terras a estrangeiros; destruir as conquistas dos trabalhadores que resultam de mais de um século de lutas expressas nas Reformas Trabalhista e da Previdência Social.
 
O segundo alvo da operação, o Senador Aécio Neves protesta inocência e só consegue expor a imagem do cinismo que o acompanha desde as primeiras articulações políticas iniciadas com o anúncio dos resultados eleitorais de 2014 e que resultaram na composição de forças que deram suporte ao Golpe de 2016.
 
Temer já não reúne condições para conduzir a pauta de reformas contra os direitos dos trabalhadores e a soberania nacional, fundamento da ruptura da Constituição Democrática de 1988. Foi lançado ao mar por seus apoiadores para que o golpe prossiga sua agenda. A afirmação da tarde desta quinta-feira, 18 de maio: “não renunciarei” reflete apenas a manifestação do instinto de sobrevivência de um personagem lamentável. Alguém que parece ter emergido do submundo de uma peça de Shakespeare para assombrar os viventes com sua capacidade de mesquinhez, intriga, traição e impostura.
 
Nessa novela de quinta categoria produzida e dirigida pela Rede Globo de Televisão, em certos momentos personagens de fancaria se rebelam contra o script, imaginando que escaparão da lógica imposta pela diretor da cena. Em vão. Temer seguirá o destino dos que o precederam na pantomima oferecida desde a Ação 470: o ostracismo ou, em alguns casos, a prisão.
 
O país não vai alterar esse folhetim se não romper, pelas mãos dos movimentos sociais dos trabalhadores, a partir da ocupação das ruas, com o monopólio dos roteiristas: esse anacronismo que resiste ao país e à Constituição, o monopólio das famílias controladoras das redes de comunicação social, em particular a Rede Globo de Televisão.
 
Os movimentos populares que vêm acumulando forças, na disputa do imaginário da sociedade brasileira, sobretudo com as mobilizações de meados de março último, com a Greve Geral de 28 de abril, com a vigorosa manifestação do 10 de maio em Curitiba em defesa de Lula diante do Tribunal de Exceção definem o contorno de um discurso que vai sendo absorvido pelo cidadão comum: a Reforma Trabalhista impõe ao país uma regressão que nos remete aos tempos da escravatura; a Liquidação da Previdência Social abole a possibilidade da velhice com dignidade e rompe o pacto de solidariedade entre a geração presente e a que a sucede em benefício do capital rentista que investe na Previdência Privada. Deter essa agenda criminosa contra direitos conquistados passa pela destituição de Temer e pela convocação de eleições Diretas Já.
 
A etapa política que se abriu na tarde de 18 de maio prepara o processo de eleições indiretas para Presidente, a partir do voto de um Congresso sem qualquer resquício de autoridade política perante o país, objetiva acelerar essa agenda rejeitada pela esmagadora maioria dos brasileiros.
 
Os movimentos sociais que irão às ruas no próximo dia 24, convocados pelas centrais sindicais e frentes populares dão clareza e concisão ao seu discurso: “Contra a Reforma Trabalhista, contra a Liquidação da Previdência Social e por Diretas Já!” A elaboração política desta síntese pode significar o freio necessário ao desmonte do projeto antinacional e antipopular em curso. A ação das ruas é que romper a lógica criminosa do script traçado para essa tragicomédia que parece não ter fim.
 
*Pedro Tierra – É poeta. Ex-Presidente da Fundação Perseu Abramo

O caso das APAEs, os Arns e a esposa de Sérgio Moro


SÁBADO, 13 DE MAIO DE 2017

O caso das APAEs, os Arns e a esposa de Sérgio Moro

Liberalidades abriram espaço para desvios e utilização política da estrutura das APAEs, através de sua Confederação e Federações, incluindo a do Paraná

Luis Nassif

Circula na Internet um vídeo editado de palestra que proferi no mês passado em um evento em São Paulo. O vídeo é fiel ao que eu disse. Mas o título e o texto podem induzir a conclusões taxativas que não fiz ou passar a ideia de que o vídeo faz parte dessas guerrilhas que ocorrem periodicamente em redes sociais. As informações foram divulgadas em 2014 e 2015. Estão sendo agitadas agora.
O trecho em questão faz parte de um seminário no mês passado, do qual participei com a colega Helena Chagas

Limitei-me a apontar indícios, indícios fortes, sem dúvida, que merecem ser investigados, mas não acusações frontais.

Aqui, o que falei sobre o tema, não editado.


A história é a seguinte.


Historicamente, as APAEs (Associações de País e Amigos de Excepcionais) fizeram-se contando, na ponta, com cidadãos bem intencionados, mas passando a trabalhar com recursos públicos, sem prestar contas para os órgãos formais de controle.

Essas liberalidades abriram espaço para desvios e uma utilização política da estrutura das APAEs, através da Confederação e das Federações estaduais de APAEs, incluindo a do Paraná.

Na sua gestão, o ex-Ministro da Educação Fernando Haddad decidiu assumir a tese da educação inclusiva – segundo a qual, o melhor local para desenvolvimento de crianças com necessidades especiais seria as escolas convencionais, convivendo com crianças sem problemas.

Sabendo da resistência que seria feita pelas APAEs – já que a segregação de crianças com deficiência, apesar de tão anacrônica quanto os antigos asilos para tuberculoses, é o seu negócio – Haddad pensou em um modelo de dupla matrícula: a escola pública que acolhesse um aluno com deficiência receberia 1,3 vezes o valor original da matrícula; e uma segunda matrícula de 1,3 se houvesse um projeto pedagógico específico para aquela criança. Imaginava-se que essa parcela seria destinada à APAE de cada cidade, atraindo-a para os esforços de educação inclusiva.

As APAEs mais sérias, como a de São Paulo, aderiram rapidamente ao projeto, sabendo que a educação inclusiva é pedagogicamente muito superior ao confinamento das pessoas, tratadas como animais.

O jogo das Federações de APAES foi escandaloso. Trataram de pressionar o Congresso para elas próprias ficarem com as duas matrículas, preservando o modelo original.

O ápice desse jogo é a proposta do inacreditável senador Romário, nesses tempos de leilão escancarado de recursos públicos, visando canalizar para as APAEs e Institutos Pestalozzi todos os recursos da educação inclusiva.

É um jogo tão pesado que, na época da votação do Plano Nacional da Educação, a própria Dilma Rousseff pressionou senadores a abrandar a Meta 4, que tratava justamente da educação inclusiva, com receio de que as APAEs do Paraná boicotassem a candidatura da então Ministra-Chefe da Casa Civil Gleise Hoffmann.


O caso do Paraná


Comecei a acompanhar o tema através da procuradora da República Eugênia Gonzaga, uma das pioneiras da luta pela educação inclusiva.

Em 2002, Eugenia levantou princípios constitucionais - do direito à educação - para forçar o poder público a preparar a rede para crianças com deficiência. Na ocasião, foi alvo de 3.500 ações judiciais de APAEs de todo o país.

No auge da pressão política das APAEs, ainda no governo Dilma, decidi investigar o tema.

As APAEs tem dois lobistas temíveis. A face "boa" é a do ex-senador Flávio Arns, do Paraná; a agressiva de Eduardo Barbosa, mineiro, ex-presidente da Federação das APAEs, que pavimentou sua carreira política com recursos das APAEs.
Uma consulta ao site da Secretaria da Educação do Paraná confirmou o extraordinário poder de lobby das APAEs. O então Secretário de Educação Flávio Arns direcionou R$ 450 milhões do estado para as APAEs, com o objetivo de enfrentar a melhoria do ensino inclusivo da rede federal.

No próprio site havia uma relação de APAEs. Escolhi aleatoriamente uma delas, Nova California.
Indo ao seu site constatei que tinha um clube social, com capacidade para 2.500 ou 4.500 pessoas; uma escola particular. Tudo em cima das isenções fiscais e dos repasses públicos dos governos federal e estadual.

O argumento era o de que o clube era local para os professores poderem confraternizar com a comunidade; e a escola privada para permitir aos alunos com necessidades especiais conviverem com os demais.

Telefonei para a escola. Não havia ninguém da direção. Atendeu uma senhora da cozinha. Indaguei como era o contato dos alunos com deficiência e os da escola convencional. Respondeu-me que havia um encontro entre eles, uma vez por ano.


A república dos Arns


As matérias sobre as APAEs, especialmente sobre o caso Paraná, tiveram desdobramentos. Um dos comentários postados mencionava o controle das ações das APAEs do estado pelo escritório de um sobrinho de Flávio, Marlus Arns.

Entrei no site do Tribunal de Justiça. Praticamente toda a ação envolvendo as APAEs tinha na defesa o escritório de Marlus.

Uma pesquisa pelo Google mostrou um advogado polêmico, envolvido em rolos políticos com a Copel e outras estatais paranaenses, obviamente graças à influência política do seu tio Flávio Arns.

Quando a Lava Jato ganha corpo, as notícias da época falavam da esposa de Sérgio Moro. E foi divulgada a informação de que pertencia ao jurídico da Federação das APAEs do estado.
Por si, não significava nada.

No entanto, logo depois veio a dica de um curso de direito à distância, de propriedade de outro sobrinho de Flávio Arns, irmão de Marlus, o Cursos Online Luiz Carlos (http://www.cursoluizcarlos.com.br).. No corpo docente do cursinho, pelo menos um da força tarefa da Lava Jato.

Finalmente, quando Beatriz Catta Preta desistiu de participar dos acordos de delação, um novo elo apareceu. Até hoje não se sabe o que levou Catta Preta a ser tão bem sucedida nesse mercado milionário. Nem o que a levou a sair do Brasil.Mas, saindo, seu lugar passou a ser ocupado justamente por Marlus Arns que, pouco tempo antes, escrevera artigos condenando o instituto da delação premiada.


Sâo esses os elementos de que disponho.

Recentemente, fui convidado pela Polícia Federal para um depoimento em um inquérito que apura um suposto dossiê criado pela inteligência da PF supostamente para detonar com a Lava Jato – conforme acusações veiculadas pela Veja.

Fui informado sobre o dossiê na hora do depoimento. Indagaram se eu tinha tomado conhecimento das informações.

Informei que o dossiê tinha se limitado a reproduzir os artigos que escrevi acerca da República dos Arns.

'Bomba de proporções inimagináveis estourou nas mãos de Temer', diz jornal Página/12; veja repercussão

'Bomba de proporções inimagináveis estourou nas mãos de Temer', diz jornal Página/12; veja repercussão


Denúncias contra Michel Temer (PMDB-SP), de que ele teria dado aval ao dono da JBS, Joesley Batista, para continuar pagando propina ao ex-deputado Eduardo Cunha, foi destaque nos principais veículos de imprensa internacionais
Atuaizada às 12h56
As denúncias contra o presidente brasileiro Michel Temer (PMDB-SP), de que ele teria dado aval ao dono da JBS, Joesley Batista, para continuar pagando propina ao ex-deputado Eduardo Cunha, foi destaque nos principais veículos de imprensa internacionais.
A informação, revelada pelo jornal O Globo após delação premiada de Batista, também implica o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que teria pedido R$ 2 milhões para pagar sua defesa na Operação Lava-Jato. Além disso, o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega (PT), foi citado como negociador de supostas propinas em seu partido.
Veja como a imprensa internacional tratou o assunto:
Página/12 – Argentina
“Uma bomba de proporções inimagináveis estourou nas mãos de Michel Temer e pode implodir seu governo”, começa a reportagem do jornal argentino Página/12. O periódico lembra que, logo após as denúncias, a oposição pediu o impeachment de Temer.
teleSUR – Venezuela
A emissora multiestatal já questiona o que aconteceria em uma eventual destituição de Temer, lembrando que a Constituição brasileira determina a convocação de eleições indiretas após 30 dias uma queda de Temer. No entanto, diz a emissora, “os movimentos sociais e a maioria da oposição no Congresso brasileiro reclamam eleições diretas no caso de o atual mandatário não eleito, Michel Temer, deixe o Palácio do Planalto”.
El Desconcierto – Chile
Para o site El Desconcierto, o Brasil está “on fire” (pegando foto): “O Fora Temer se escuta forte nas ruas depois da gravação do presidente pedindo para se comprar o silêncio de deputado corrupto”, diz o noticiário. “O país sofre novos terremotos políticos a cada semana, e o desta quarta pode significar o início da pior crise do atual mandatário.
Cubadebate – Cuba
“Temer compra silêncio de Cunha: empresa de carnes assegura ter gravações” é o título da reportagem do diário Cubadebate. “O presidente do Brasil, Michel Temer, suspendeu nesta quinta-feira toda sua agenda do dia devido ao escândalo de corrupção que o implica e mantém em suspenso o país.”
Agência Efe

Presidente Michel Temer é acusado de dar aval a propina a Eduardo Cunha; ele nega

Esquerda espanhola apresenta moção de censura contra Rajoy por denúncias de corrupção envolvendo PP

Rússia critica 'interferências externas destrutivas' e se dispõe a buscar 'solução pacífica' na Venezuela

Aula Pública com Fernando Haddad: São Paulo se tornou uma cidade mais democrática?

 
The New York Times – EUA
jornal norte-americano diz que Temer nega as acusações, mas lembra que o governo do presidente “tropeça de crise em crise desde que chegou ao poder há cerca de um ano, após uma longa batalha para derrubar sua antecessora de esquerda, Dilma Rousseff.  “Apesar da baixa popularidade, Temer vinha tentando ganhar apoio para medidas de austeridade”, disse o periódico.
Guardian – Reino Unido
Segundo o jornal The Guardian“gravações explosivas implicam o presidente Michel Temer em suborno”. “Protestos e panelaços (uma tradicional forma de protesto na América Latina) puderam ser ouvidos quando as alegações foram divulgadas na TV. Manifestantes também se reuniram fora do palácio presidencial gritando “Fora Temer””, afirma o jornal.
Le Monde - França
O francês Le Monde afirmou que "os dias do presidente da República parecem contados" e que a situação piora com o fato de Temer sofrer uma "megaimpopularidade".
La Nación – Argentina
O jornal argentino La Nacion, por sua vez, deu detalhes de como Temer teria autorizado o pagamento de suborno para manter o silêncio de Cunha. "Foi em 7 de março, às 22h30. O empresário Joesley Batista, um dos donos do maior frigorífico do país, o JBS, entrou no Palácio do Jaburu, residente do presidente do Brasil, e o viu ali, esperando", relatou o diário.
(*) Com Ansa

Rússia critica 'interferências externas destrutivas' e se dispõe a buscar 'solução pacífica' na Venezuela

Rússia critica 'interferências externas destrutivas' e se dispõe a buscar 'solução pacífica' na Venezuela


'Estamos prontos para falar com todas as forças políticas da Venezuela dispostas a dialogar', disse porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo após conversa telefônica entre Vladimir Putin e Nicolás Maduro
O governo da Rússia afirmou nesta quinta-feira (18/05) que está disposto a contribuir para buscar “uma solução pacífica” à crise política na Venezuela, caso Caracas queira a colaboração de Moscou.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, disse que seu país está disposto a contribuir para buscar a paz entre o governo de Nicolás Maduro e a oposição.
“A Rússia se manifestou e continua a fazê-lo sobre a resolução de conflitos internos na Venezuela através de meios pacíficos e civilizados. Estamos prontos para falar com todas as forças políticas da Venezuela dispostas a dialogar. Se fosse requerida a ajuda da Rússia no processo, proporcionaríamos assistência na medida solicitada", afirmou Zakharova.
A porta-voz russa descartou que a crise interna vivida pela Venezuela represente “uma ameaça à paz e à segurança da região”, em referência à consulta convocada na quarta-feira (17/05) pela embaixadora norte-americana Nikki Haley no Conselho de Segurança da ONU.
“Qualquer ação das partes envolvidas – o governo ou a oposição – deve ser tomada exclusivamente dentro do espaço legal da Constituição venezuelana e sem interferências externas destrutivas”, disse Zakharova, que convidou outros governos a trabalharem juntos para ajudar a “reduzir a tensão” na Venezuela.
Reprodução Twitter @DrodriguezVen

Vladimir Putin, presidente da Rússia, e Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, se falaram ao telefone nesta quinta-feira (18/05)

Venezuela: é 'muito preocupante' oposição não querer participar, diz chefe de comissão da Constituinte

Putin oferece registro de conversa de Trump com chanceler russo na Casa Branca

Venezuela prende seis colombianos suspeitos de participar de atos violentos em protestos

 
“A instigação de conflitos através da provocação de desordem pública e enfrentamentos é um caminho para lugar nenhum, que pode derivar em caos, derramamento de sangue e novas tragédias humanas”, afirmou a porta-voz em referência aos atos violentos em protestos antigoverno que têm acontecido quase diariamente na Venezuela e que já deixaram pelo menos 43 mortos no país.
Conversa entre Putin e Maduro
A chanceler venezuelana, Delcy Rodriguez, anunciou também nesta quinta-feira (18/05) que Maduro teve uma “excelente conversa” ao telefone com Vladmir Putin na manhã de hoje, na qual “consolidou uma relação estratégica” com o presidente russo. 
De acordo com comunicado divulgado pelo Kremlin, Putin recomendou a Maduro que busque resolver os problemas do país “dentro da legalidade”.
“Nicolás Maduro informou sobre a situação política interna na Venezuela e sobre as medidas para resolver a crise. O presidente da Rússia desejou sucesso ao governo da Venezuela para normalizar a situação e enfatizou a importância de que os problemas sejam resolvidos dentro da legalidade, de acordo com as leis nacionais”, diz o texto.

Putin e Maduro, segundo a nota, “conversaram sobre a situação no mercado do petróleo, também no contexto dos acordos entre os países membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e outros países (produtores) para reduzir os volumes de produção” de hidrocarbonetos.

O PODER ESTÁ NAS RUAS. E A LEGITIMIDADE TAMBÉM: DIRETAS, JÁ!

O poder está nas ruas. E a legitimidade também: Diretas, já!

Reordenar a sociedade a partir de agora é uma tarefa que só a rua poderá exercer integralmente, devolvendo-lhe a prerrogativa das urnas.


O Brasil adormeceu nesta quarta-feira, 17 de maio de 2017, sem saber as respostas para muitas das perguntas essenciais cobradas pelo passo seguinte de sua história.

Mas a principal delas para ir direto ao ponto - dispensando-se o retrospecto da implosão da frente golpista, com as gravações de pedidos de propinas feitas aos donos do JBS por Aécio Neves e Michel Temer - é saber se a mobilização popular será capaz de preencher o vazio vertiginoso que se abriu agora não apenas na cúpula política, mas na estrutura do poder na sociedade.

As instituições que dão coesão a uma sociedade fundada em conflitos de interesses agudos, como é o caso da brasileira, cujos abismos de desigualdade são sabidos, estão no chão.

Não há legitimidade no parlamento.

O judiciário tornou-se a armadura desfrutável do assalto das elites contra as urnas, na farsa de um impeachment – confirma-se agora - arquitetado com uma escória a soldo.
A mídia foi a voz da exortação e da institucionalização desse esbulho.

Como será o amanhã de uma nação na qual o amálgama político foi destruído em nome do combate à corrupção. E sob esse biombo faiscante operou-se a virulenta destituição de direitos arduamente conquistados em um século de lutas democráticas?

O conservadorismo está na defensiva.

A plutocracia perdeu seu manto moral.

Desnudou-se como uma reles devoradora de libras de carne humana barata.

Moro e seus promotores terão que se explicar: por que nunca – nunca- abriram o foco para a tempestade que ora desabou, sobre as suas cabeças inclusive?

O contato mais próximo do califado de Curitiba com o assunto ‘Aécio Neves’ está documentado na série de fotogramas de sorridente cumplicidade entre o presidente nacional do PSDB e o juiz Sergio Moro.

Da mídia é suficiente dizer que sem ela o golpe teria sido impossível, assim como inviável a preservação da capatazia que ora sucumbe às gravações.

Reordenar a sociedade a partir de agora, portanto, é uma tarefa que só a rua poderá exercer integralmente, devolvendo-lhe a prerrogativa das urnas.

As sirenes da história anunciam confrontos intensos no front.

Não existe uma fórmula macroeconômica autossuficiente – seja a do golpismo, ou uma de ‘esquerda’ - para tirar o Brasil do plano inclinado em que se encontra.

O que existe é uma derrocada vergonhosa do conservadorismo que amplia o espaço para o debate das reformas verdadeiramente indispensáveis à destinação social do desenvolvimento. A saber:

1.             Uma reforma política para capacitar a democracia a se impor ao mercado;

2.             Uma reforma tributária para buscar a fatia da riqueza sonegada à expansão da infraestrutura e dos serviços;

3.             Uma reforma do sistema de comunicação para permitir o debate plural dos desafios brasileiros – que, insista-se não se resolvem sem ampla e permanente renegociação.

O Brasil será aquilo que a rua conseguir que ele seja.

E o momento nunca foi tão propício para escrever isso no asfalto e nas praças de todo o país.

A legitimidade das ruas precisa ser exercida.

Urgentemente.

Só as lideranças populares têm condições hoje de falar à população em um palanque.

O conservadorismo usará o palanque privado da Globo para barrar o escrutínio da sua crise nas urnas.

A ocupação das ruas definirá quem é a liderança popular hoje no Brasil capaz de devolver credibilidade à política e seriedade à repactuação do desenvolvimento, arrebatando assim o apoio indispensável de setores da classe média democrática para levar a nação às urnas e retomar o fio de uma construção interrompida - mais uma vez - pela violência política conservadora.


quinta-feira, 18 de maio de 2017

"O clima é pela aprovação", diz Miro Teixeira sobre eleições diretas


PEC 227/2016

"O clima é pela aprovação", diz Miro Teixeira sobre eleições diretas

por Redação — publicado 18/05/2017 12h29, última modificação 18/05/2017 15h01
'Não há mais ambiente para que Michel Temer conduza o País', declarou o deputado da REDE
Maryanna Oliveira/ Câmara dos Deputados
O deputado Miro Teixeira
'Está claro que as ruas irão na direção das eleições diretas', afirmou Miro Teixeira (REDE-RJ)
Autor da PEC que prevê eleições diretas em caso de vacância da Presidência da República (PEC 227/2016), o deputado Miro Teixeira (REDE-RJ) afirmou que o clima é de aprovação da proposta entre os parlamentares, após o tsunami político que atingiu o centro do governo de Michel Temer.
"A PEC entrará  na pauta na terça-feira 23 na Comissão de Justiça e Cidadania." Ele relatou uma "madrugada intensa de conversas" com outros políticos e que há a expectativa para um "desfecho rápido". Confira a entrevista:
CartaCapital: O senhor é autor da PEC 227/2016, que prevê eleições diretas no caso de vacância da Presidência da República. Ela estava parada desde junho do ano passado, mas, diante dessas novas revelações, a PEC tende a ser pautada?
Miro Teixeira: A PEC entrará na pauta na terça-feira 23 na Comissão de Justiça e Cidadania. Eu tive uma madrugada intensa de conversas e o clima é de expectativa para que haja um desfecho rápido para esse episódio. O clima é de aprovação da PEC.

CC: Quais são os possíveis desdobramentos?
MT: A primeira possibilidade seria a renúncia (de Michel Temer). A outra é o Tribunal Superior Eleitoral antecipar o julgamento (da chapa Dilma-Temer) que estava marcado para 3 de junho. Conversei com Marina Silva (presidente da REDE) e ela deu essa ideia de antecipar.  

CC: Como o senhor analisa este momento de crise?
MT: Não há mais o ambiente para que o Michel Temer conduza o País. Infelizmente, a vida é assim: aconteceu com Dilma e agora aconteceu com ele. De toda forma, isso demonstra que o Brasil melhorou. Antigamente, diante de uma crise política dessa magnitude, haveria filas nas portas dos quartéis. Mas, agora, o debate se dá com serenidade e no âmbito jurídico-político. Não é hora de intensificar ou radicalizar posições contrárias, é hora de buscar uma solução com serenidade. 

CC: O senhor acredita que haverá pressão nas ruas por Diretas Já?
MT: Sim, a pressão já começou. Ontem à noite já houve manifestações. A classe política tem de saber sentir o clima e está claro que as ruas irão na direção das Diretas.  

CC: Na sua avaliação, quais seriam as consequências da eleição indireta para o Brasil neste momento?
MT: O candidato eleito em tais circunstâncias não teria sustentação da legitimidade da origem de seu mandato. Isso faria muito mal para o País.


Fonte: Carta Capital