segunda-feira, 3 de julho de 2017

PALESTRAS RENDERAM R$ 219 MIL AO HOMEM QUE QUER PRENDER O LULA

Palestras renderam R$ 219 mil ao HOMEM QUE QUER PRENDER O LULA

O Valor traz a informação de que Deltan Dallagnol recebeu, ano passado, R$ 219 mil por remunerações de palestras onde se apresentou como “estrela da Lava-Jato” e o homem que vai prender o Lula.

Ao jornal, ele disse que “não controlou” os valores recebidos no ano passado com as palestras. “Foram dadas – segundo informações do próprio hospital [do interior paulista, que ele alega receber os recursos], porque eu não controlava isso diretamente – 12 palestras, que somaram R$ 219 mil”.

Será que se deve quebrar o seu sigilo bancário e o de quem recebeu o dinheiro para ver se não tem “lavagem de dinheiro”, doutor?

Dallagnol diz que não pode dizer quem pagou e quanto pagou, porque os contratos têm ”cláusulas de confidencialidade”. Porque deveriam ser confidenciais contratos entre alguém que vai defender posições “cívicas” como as medidas contra a corrupção e empresas que foram se juntar à promoção de sua “ética” e “compliance”?

Ainda mais quando tudo vai para a benemerência de um hospital infantil?

Ontem, ele foi a estrela de um evento promovido pela XP Investimentos. Diz o jornal que “Dallagnol não quis falar qual o cachê recebido’ pela palestra “no maior evento da América Latina para a indústria de investimentos”, conforme descrição da XP Investimentos.

O ingresso para o evento custa R$ 800.

O procurador, no entanto, disse que prestará as informações à Receita Federal e que em 2018 divulgará o total recebido este ano.

O procurador Dallagnol é uma figura pública, se apresenta como paladino da transparência, acha que a corrupção é “sistêmica” e vem falar em “cláusulas de confidencialidade”?

Ele argumenta que tudo é legítimo, citando regulamentos que reconhecem “palestras como aulas, atividades docentes”.

Os alunos de ontem do Dr. Dalllagnol eram, então, a papa-fina da turma da bufunfa, aprendendo que a corrupção “é uma causa que toca a todos nós porque recursos públicos desviados geram mal-estar e mortes ao nosso redor.”

Os 50% do orçamento público que saem para pagar juros aos alunos da escolinha do Professor Dalllagnol não vêm ao caso.

O Conselho Nacional do Ministério Público abriu uma investigação sobre os valores recebidos pelas palestras do Dr. Dallagnol.

É pra rir?

PS. E as palestras do Dr. Moro, são gratuitas?


BRASIL PRECISA DE PROJETO DE DESENVOLVIMENTO

Brasil precisa de projeto de desenvolvimento

Nesta quinta-feira (22), em audiência pública do Senado, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, afirmou que o Brasil é uma nação sem consciência da sua própria grandeza e das riquezas de seu território.

Segundo o comandante Villas Bôas, projeções feitas pelo Exército calculam em cerca de U$ 23 trilhões o potencial em recursos naturais existentes na região amazônica. Apesar disso, não existe nenhum projeto de aproveitamento destas gigantescas riquezas, o que revela a ausência de um projeto nacional.

Ele concordou com a afirmação do senador Roberto Requião (PMDB-PR) para quem “o Brasil é grande demais pra abrir mão de um projeto nacional”.

“É exatamente isso, o Brasil é um superdotado num corpo de adolescente. A Amazônia continua praticamente abandonada, falta um projeto e densidade de pensamento”, enfatizou o comandante do Exército, que voltou a reiterar declarações recentes dadas à imprensa de que “o Brasil está à deriva, sem rumo”, como consequência de um acúmulo de crises que iria além de seus aspectos econômicos.

“Se fôssemos um país pequeno, poderíamos nos agregar a um projeto de desenvolvimento de outro país. Como ocorre com muitos. Mas o Brasil não pode fazer isso, não temos alternativa a não ser sermos uma potência. Não uso esse termo na conotação negativa, relacionada a imperialismo, mas no sentido de que necessitamos de uma densidade muito grande”, salientou.

Ele reforçou que o Brasil precisa de um projeto de desenvolvimento nacional com um plano estratégico de monitoramento de fronteiras e defesa cibernética. “Todos os programas estão sofrendo restrições e atrasos”, destacou ele, se referindo ao congelamento de gastos imposto pelo governo de Michel Temer, que cortou os investimentos por 20 anos, colocando em risco esses projetos.

Questionado sobre a possibilidade de intervenção militar, invocada por setores da direita conservadora, o general foi categórico: “É muito triste que a população veja como alternativa uma intervenção militar. Isso está absolutamente anacrônico, haja vista o que aconteceu na Turquia. Esta hipótese está absolutamente afastada”.

Polarização política

Em uma análise profunda da atual conjuntura política, em que a polarização afastou o debate político dando vazão à antipolítica, Villas Bôas afirmou que um dos equívocos cometidos pela sociedade brasileira foi deixar-se levar pelas linhas de confrontação ideológica existentes na Guerra Fria, o que dividiu setores, levou ao abandono de um projeto nacional e evolui hoje para a “perda da identidade e o estiolamento da autoestima”.

Sobre os projetos anunciados pelo governo Temer, que ampliam a liberação para exploração estrangeira em relação a minérios, assim como também a venda de terras para estrangeiros, Villas Bôas disse ser contrário à venda de terras nas regiões fronteiriças, reiterando que se absteria de comentar a questão em relação a outras partes do território.

Projeto de Temer sobre exploração estrangeira

No entanto, o comandante do Exército fez questão de reiterar que vê com “preocupação” uma maior abertura para a exploração das riquezas minerais por empresas estrangeiras. Ele citou levantamentos feitos pelo Exército que indicam uma “estranha coincidência” entre a demarcação de terras indígenas com a presença das riquezas minerais.

Segundo ele, a Bolsa de Futuros relacionada à exploração mineral sedia-se no Canadá, de onde advém grande parte da pressão internacional pela instalação de unidades de conservação.

“Eles trabalham no sentido de neutralizar áreas, amortecer, já que não têm a capacidade de explorar imediatamente. E ficam esperando certamente momentos oportunos pra buscar estas oportunidades, então acho que isso tem que ser muito considerado”, denunciou.

Villas Bôas disse ainda que é preciso entender que não há contradição entre desenvolvimento e preservação ambiental, no que se refere à Amazônia.

“Morei lá por oito anos e penso justamente o oposto. O que vai salvar a região amazônica, inclusive a natureza, é o desenvolvimento. É a implantação de polos intensivos para empregar aquela grande mão de obra, impedindo que ela vá viver do desmatamento extensivo”, argumentou, afirmando que a Amazônia é um reflexo da ausência de um projeto como um todo para o país e sua “vulnerabilidade” à ações externas.

Crítica ao decreto de Temer

O general afirmou que o uso de militares em atividades de segurança pública é “desgastante, perigoso e inócuo” e disse que o modelo, usado por meio de decretos presidenciais, deveria ser repensado.

A afirmação do general Villas Bôas foi uma crítica à decisão de Temer de convocar as Forças Armadas para conter manifestações contra as reformas trabalhista e previdenciária, de 24 de maio, conflagradas por uma greve geral convocada pelas centrais sindicais que paralisou o país.

Por meio de decreto, Temer convocou o Exército a fazer a segurança do Distrito Federal por uma semana. Após uma saraivada de críticas, o governo revogou o decreto em menos de 24 horas após a sua publicação.

“Nós não gostamos desse tipo de emprego. Não gostamos”, disse o general aos senadores.

Villas Bôas disse que, internamente, o recurso ao decreto “causou agora recentemente alguma celeuma”.

O general também criticou o uso das Forças Armadas em operações classificadas como “garantia da lei e da ordem”, entre as quais a ocupação da Favela da Maré, no Rio de Janeiro.

“Eu, periodicamente, ia até lá [Favela da Maré] e acompanhava nosso pessoal, nossas patrulhas na rua. E um dia me dei conta, nossos soldados, atentos, preocupados, são vielas, armados, e passando crianças, senhoras, pensei, estamos aqui apontando arma para a população brasileira, nós estamos numa sociedade doente”, relatou.

“Lá [na favela da Maré] ficamos 14 meses. No dia em que saímos, uma semana depois, tudo havia voltado ao que era antes. Temos que realmente repensar esse modelo de emprego, porque ele é desgastante, perigoso e inócuo”, complementou Villas Bôas.


Boletim do NPC


Boletimdo NPC

22 de junho de 2017
NOTÍCIAS DO NPC

CLAUDIA GIANNOTTI no cursinho popular VITO GIANNOTTI

ARTIGOS

A reforma trabalhista aumenta a desigualdade social

ENTREVISTAS

Mino Carta critica omissão de governos petistas na democratização da mídia

PROPOSTA DE PAUTA

Entrevista com Maria Lucia Fatorelli, símbolo da Auditoria Cidadã da Dívida

DE OLHO NA MÍDIA

STJ libera site ‘Falha de São Paulo’

RADIOGRAFIA DA COMUNICAÇÃO SINDICAL

História do Sindipetro-NF é contada em livro editado pelo NPC

A COMUNICAÇÃO QUE QUEREMOS

Curso Vito Giannotti de Comunicação Popular

NPC INFORMA

Eu sei aonde você foi na noite passada

NPC INFORMA

Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal rejeita mudanças na EBC

DE OLHO NA VIDA

Pesquisadora diz que moradores rejeitam Exército e polícias na Maré

DE OLHO NO MUNDO

Revolução e contrarrevolução no Oriente Médio

DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO

Intervozes e Repórteres Sem Fronteira no monitoramento da mídia

MEMÓRIA

Vigário Geral: histórias ainda contadas sobre a chacina

DICAS

Autobiografia de ex-escravo no Brasil é lançada em português

DICAS

Direitas emergentes na América Latina

PÉROLAS

Por Leonardo Boff, em 29 de maio de 2017

PÉROLAS

Por Murilo César Ramos, em 25 de maio de 2017

Edição 338
Para jornalistas, dirigentes, militantes e assessores sindicais e dos Movimentos Sociais
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Edição: Claudia Giannotti (MTB 14.915)
Redação: Claudia Giannotti, Ívina Costa e Sheila Jacob
Colaboraram nesta edição: Eric Fenelon (RJ), Katia Marko (RS), Luisa Santiago (RJ), Marina Schneider (RJ), Mario Camargo (SP), Najla Passos (MG), Sergio Domingues (RJ), Sheila Jacob (RJ), Reginaldo Moraes (SP), Rosangela Ribeiro Gil (SP).

O FIASCO DE TEMER NO MUNDO

O fiasco de Temer no mundo


Sobre o fiasco da viagem de Michel Temer ao exterior, a reportagem de hoje do Le Monde, em versão em português pela Rádio França Internacional:

A estrela pálida do Brasil na cena internacional é o título da análise que Le Monde traz nesta quinta-feira, assinada pela sua correspondente no país, Claire Gatinois.

Segundo ela, o presidente brasileiro ignorou a ameaça da Justiça e foi para Rússia em viagem oficial, posando até mesmo ao lado do chefe de Estado russo Vladimir Putin em um espetáculo do balé Bolshoi, em Moscou.

Para o Le Monde, a viagem, que termina na Noruega nesta sexta-feira, é uma “demonstração do ativismo internacional de um presidente que está “determinado a mostrar que seu país não está paralisado.”

 Apesar da Operação Lava-Jato, que revelou um esquema de corrupção com tentáculos mais longos do que o esperado, Temer busca convencer os outros países que o Brasil não se transformou em uma República das Bananas. Segundo Le Monde, a tentativa é em vão.
A crise moral no país se aprofunda e o mergulha em um ostracismo diplomático. Impossível, lembra o diário, não notar que nenhum chefe de Estado vem visitar o país, contrariamente à época de Lula, admirado por pesos pesados da política internacional como o ex-presidente dos EUA Barack Obama, por exemplo. Período em que o Brasil também foi escolhido para sediar a Copa do Mundo (2014) e os Jogos Olímpicos (2016).

A destituição de Dilma e os escândalos de corrupção também fragilizaram a imagem do Brasil dentro da América Latina, lembram especialistas citados pelo Le Monde, onde o país também não exerce mais uma liderança.

A perda de influência na cena internacional, lembra o Le Monde, começou entretanto com Dilma – economista tecnocrata que nunca foi uma “expert” em política externa, observa o jornal. Foi início de uma derrocada que se concretizou depois do impeachment.

Paulo Sergio Pinheiro, ex-secretário dos Direitos Humanos, relator da ONU, diz querer acreditar em um “parênteses maldito”.

Para o jornal francês, o tamanho do Brasil e seus recursos naturais podem ajudar o país virar novamente o jogo e voltar a ser um ator nas questões internacionais. “Mas é necessária uma limpeza de sua paisagem política”, conclui o artigo.


O PSDB ESTÁ SE DESINTEGRANDO

O PSDB está se desintegrando

Após a decisão de manter o apoio ao quadrilheiro Michel Temer para salvar a carreira de Aécio Neves, figuras históricas da legenda – como o jurista Miguel Reale Júnior e o empresário Ricardo Semler – pediram sua desfiliação.
Altamiro Borges*


Deputados da chamada “ala jovem” também ameaçam debandar.

O clima é tão depressivo que o grão-tucano FHC entrou em parafuso e até parece que está gagá – conforme já havia alertado o sumido José Serra. A cada dia, ele dá uma declaração. Até o início desta semana, ele defendia manter-se na “pinguela” do covil golpista; agora, ele já prega a renúncia do Judas. Para piorar, novas denúncias infernizam a vida do PSDB.

Nesta sexta-feira (16), a Folha noticiou que o vazamento de um grampo coloca sob suspeita o governador do Mato Grosso.
Segundo a reportagem de Pablo Rodrigo, “as suspeitas de que o governador Pedro Taques (PSDB) tenha se beneficiado de caixa dois na eleição de 2014 e de supostas interceptações telefônicas clandestinas para monitorar rivais colocam mais uma vez um ocupante do Palácio Paiaguás, sede do governo de Mato Grosso, nos holofotes de investigações... Taques foi eleito ainda no primeiro turno, ancorado na carreira de procurador da República. Em maio de 2016, viu o Gaeco (Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público, deflagrar a Operação Rêmora contra fraudes em processos licitatórios na Secretaria da Educação. As investigações apontaram que o suposto esquema começou em 2015 e envolvia ao menos 23 obras em escolas, com valores totais que ultrapassam R$ 56 milhões”.

De acordo com o empresário Alan Malouf, preso em dezembro, o objetivo do esquema era quitar as dívidas não declaradas da campanha eleitoral de 2014.

Além do caixa 2, o governador foi atingido pela revelação da existência de uma central clandestina de interceptações telefônicas no comando da Polícia Militar. Uma deputada da oposição – Janaina Riva (PMDB) –, jornalistas e servidores foram inseridos ilegalmente num pedido de quebra de sigilo para investigar traficantes.

Caso as denúncias se confirmem, o governador tucano poderá sofrer processo de impeachment e ter o mesmo fim do seu antecessor – Silval Barbosa (PMDB) –, que foi preso em setembro de 2015.

Blairo Maggi (PP), que também governou o Estado e hoje é ministro da Agricultura do covil golpista, também está enrolado em processos. Ele foi acusado de ter participado de esquema de compra de vagas no Tribunal de Contas e recentemente teve o seu nome citado na Operação Lava Jato.

Estes e outros fatos, que desmascaram os falsos moralistas do PSDB, explicam porque a situação da legenda é dramática. Em entrevista à revista Época nesta semana, um dos ideólogos da sigla, o “cientista político” Bolívar Lamounier, confirmou que “o eleitor tucano está indignado”. Para ele, a legenda deu um tiro no pé ao continuar no covil de Michel Temer. “O PSDB acabou se tornando fiador e avalista de um governo que já sofre acusações graves e que poderá sofrer outras mais ainda. Então ele fica adiando: ‘Vamos ver se aparece alguma outra coisa mais grave e aí então tomamos outra decisão’. Isso não é um comportamento partidário coerente no meu entender. Ao decidir ficar e examinar o assunto outra vez mais adiante, acabou reforçando esse aspecto antipático que atribuem ao partido, que é o Hamlet em cima do muro. O PSDB vira o PHB, o Partido Hamletiano do Brasil”.

“Tenho certeza de que isso vai comprometer o PSDB no futuro. Foi uma posição equivocada. O eleitor tucano está indignado, nas redes sociais, com essa atitude e essa participação neste governo. E eu iria até mais longe. Veja o que aconteceu na França na eleição legislativa. O voto antiestablishment foi arrasador. O Emmanuel Macron [presidente da França] praticamente destruiu o sistema partidário da França, porque ele captou esse sentimento da opinião pública que é contra a corrupção e é contra a política envelhecida. O PSDB já está sendo visto como política envelhecida. Essa decisão de agora reforçou a imagem. É provável que o voto antiestablishment também ocorra aqui no Brasil. Não sei se na escala da França, mas certamente vai ocorrer aqui também. E vai atingir o PSDB, o PMDB e outros partidos”.