segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Onde está o busto de Lamarca?

Onde está o busto de Lamarca?

O ato final do ex-secretário de Meio Ambiente paulista foi sumir com uma estátua do guerrilheiro no Vale do Ribeira, esbravejando contra “herói ideológico”. Reavivou uma memória incômoda, que inclui bombardeios de napalm pela ditadura
Encaixotado e escondido em um canto qualquer está o símbolo maior do ocaso do ex-secretário do Meio Ambiente de São Paulo, Ricardo Salles (PP), que deixou o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) na semana passada. No dia 8 de agosto, um dia depois de ter assinado a carta de renúncia da pasta que comandou por um ano, Salles decidiu marcar sua saída com um gesto grandioso.
Em visita ao Parque do Rio Turvo, na região do Vale da Ribeira, sul do Estado de São Paulo, indignou-se com um busto do capitão Carlos Lamarca, líder guerrilheiro da organização VPR, que lutava contra a ditadura, e ordenou que o coronel Alberto Maufe Sardilli, comandante da PM Ambiental, que estava ao seu lado, retirasse a estátua. Além dela, o secretário proibiu de figurar no Museu do Parque um painel que contava a passagem de Lamarca e outros oito guerrilheiros por aquela região em 1970, onde estabeleceram um campo de treinamento.  

Em visita ao Vale do Ribeira, o ex-secretário do Meio Ambiente de São Paulo, Ricardo Salles (PP), ordenou a retirada do busto de Lamarca (Foto: Pedro Calado/ Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo)
Segundo relatos de funcionários do parque, o então secretário esbravejou que a estátua estava “plantando o comunismo no coração das crianças”.
“Pra mim ele não justificou nada não”, disse o prefeito de Cajati, que acompanhava a visita, à AgênciaPública. “Simplesmente quando veio o secretário junto com o coronel, ele disse: ‘Pode tirar isso aqui’. Quem retirou foi o funcionário do parque, e perguntou se tinha como eu ajudar a tirar, pôr no carro.”

Por aqui, 
em Cajati, onde fica o Parque do Rio Turvo, os cerca de 30 mil habitantes mal ficaram sabendo da queda da estátua. O artefato tampouco lembra o garboso monumento americano: pesa 40 quilos, é feito de cimento e coberto de piche. E não guarda lá tanta semelhança com Lamarca.O gesto de Ricardo Salles, advogado e fundador da página Endireita Brasil, antecedeu em cinco dias o conflito que eclodiu em Charlottesville, 
nos Estados Unidos, por conta justamente dos planos de retirar a estátua em homenagem a Robert E. Leeum general confederado durante a Guerra Civil Americana, símbolo dos brancos sulistas que defendiam a permanência da escravidão. Em protesto, uma marcha de brancos supremacistas levou a confrontos que deixaram três mortos e 34 feridos. Nos dias seguintes, dezenas de estátuas semelhantes foram derrubadas em diversas cidades dos Estados Unidos, abrindo uma grande discussão sobre o papel da preservação da história e a exaltação de ideologias racistas.
Feita de maneira sorrateira e sem anúncio no Diário Oficial, a retirada do busto e do painel – este custou aos cofres públicos cerca de R$ 12 mil – foram justificados por Ricardo Salles por meio de nota ao site Direto da Ciência: “Narrar fatos é uma coisa. Erguer bustos com dinheiro público e em parque público é bem diferente. Marighella [sic] foi um guerrilheiro, desertor e responsável pela morte de inúmeras pessoas. A presença desse busto no local é inadmissível”À coluna de Mônica Bergamo, na Folha, o secretário disse: “Parque não é lugar para ter busto de herói ideológico de nenhum lado”.
A retirada não gerou protestos da população, mas um zunzunzum no Facebook. A filha de Lamarca, Claudia Pavan Lamarca, chamou o ato de “autoritário”. “Resta a figura minimizada e patética do homem, travando uma ‘luta’ irracional com um fragmento de rocha e metal inerte. A cena, mais do que grotesca e medieval, traduz o MEDO que a figura do Lamarca ainda provoca nos representantes da direita”.
A professora de geografia e pesquisadora Lisângela Kati do Nascimento, que estudou o ensino de história nas escolas ao redor do parque, manifestou sua indignação em outro post. “Eu joguei nas redes sociais e falei a população não está sabendo sobre isso. Foi totalmente arbitrário da parte do secretário”, disse em entrevista à Pública. “A referência a Lamarca é superforte na memória da população de Cajati. Poderia ser retirado se tivesse uma consulta pública, junto à população, decidindo tirar. Mas ele mandar tirar é tipo chamar a população de ignorante.”

Inaugurada em 2012, a estátua foi uma decisão do Conselho do Parque, integrado por membros do poder público e da comunidade. Um deles é o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Adilson Vieira Alves. “A intenção quando se levantou essa proposta era ele ser mais um atrativo para visitação. Aqui no parque tem a própria cachoeira, com o nome de Noiva do Capitão, e tem uma cachoeira menor que tem o nome de cachoeira do Lamarca, que foi onde eles ficaram na época da guerrilha.” Os recursos vieram da construção de um pedágio da rodovia BR-116. O valor total da construção do museu foi de R$ 640 mil. “O mais interessante é que ele é o terceiro secretário que visitou o núcleo e os dois anteriores não se importaram, nem o Xico Graziano nem o Pedro Ubiratan.”
No dia da inauguração, alguns dos ex-integrantes da guerrilha foram participar das fotos oficiais. “Tem uma foto com os companheiros, o sargento Darcy Ribeiro também foi lá, eu fui convidado por um camarada que trabalhava na secretaria do Meio Ambiente”, relembra José Araújo Nóbrega, o sargento Nóbrega, um dos militares que se juntaram a Lamarca para treinamentos na região. “Pra ser sincero, eu nunca pensei que fossem chegar ao nível a que chegaram. Isso é muito baixo”, revolta-se. “Isso é tão pequeno… Eles vão mexer com um busto!”. Para ele, a ação do ex-secretário não foi nada mais do que uma “jogada de marketing”. “Ele fez isso pra aparecer. Pra poder aparecer como de direita.”
Passaram-se semanas até que a reclamação fosse ouvida por alguns políticos. Mais precisamente, dois. O deputado Luiz Turco, do PT, fez uma moção de repúdio na Assembleia Legislativa estadual no dia 24 de agosto. “Você já pensou se qualquer cidadão sair quebrando estátua por aí porque gosta ou não gosta? Pega o pessoal da esquerda e sai quebrando essas estátuas que tem aqui em São Paulo, com nome de torturador, generais?”, disse à Pública o vice-presidente da comissão de Meio Ambiente do Legislativo. “Não é justo. É uma coisa simples, mas simbólica.”
O deputado Carlos Giannazi, do Psol, foi além e protocolou uma ação do Ministério Público Estadual por improbidade administrativa e dilapidação do patrimônio público. A ação ainda não foi distribuída, mas, segundo o deputado, Salles terá de responder mesmo longe da vida pública. “Ele não podia ter feito aquilo pelo fato de ter diferenças ideológicas.”

Mas, afinal, onde foi parar o busto? Procurada pela Pública, a Secretaria do Meio Ambiente se recusou a responder. “A Fundação Florestal está apurando o caso, mas, como estamos passando por um momento de transição de comando tanto na FF como na Secretaria de Meio Ambiente, não temos nada a comentar no momento”, afirmou em nota a fundação responsável pelos parques paulistas.
Já o prefeito de Cajati, que garante que na cidade ninguém ligou muito para a retirada do busto, disse que também não tem nem ideia do seu paradeiro. “O busto saiu numa viatura da Policia Ambiental. Levou o busto, não sei se tá aqui no registro pra onde foi. Parece, pelo que eu vi, que iam devolver o rapaz que não recebeu o pagamento”, explica o prefeito. É que a pendenga também levantou fantasmas antigos, como o do pagamento do jornalista Luiz dos Passos, que garante ter feito o busto e jamais ter sido recompensado. Luiz disse que demorou 15 dias para fazer a estátua, que pesa 40 quilos e é feita de ferro, cimento e brita. “É bem artesanal mesmo. Depois que o cimento secou, foi pintado com piche para ficar preto”, diz ele, que se baseou em uma foto que achou na internet. A estátua, entretanto, ainda não está finalizada. “O que falta? Como só foi passado piche, não foi lixada, eu ia passar uma resina para ficar com a aparência bem legal.”

E agora?

A saída de Salles foi à Trump: dois dias antes de sua renúncia ter aparecido no Diário Oficial, ele anunciou no seu Facebook com alarde que sairia da pasta, deixando a secretaria uma bagunça – e um rastro de acusações no seu encalço. É alvo de uma ação civil pública sob a acusação de ter alterado ilegalmente o zoneamento da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê, que envolve 12 municípios , alterando mapas para beneficiar indústrias e empresas de mineração. O MP estadual também instaurou um inquérito para investigar sua iniciativa de chamar empresários para discutir a concessão ou venda de 34 áreas do Instituto Florestal sem a devida autorização do legislativo.
Além do busto, claro, que virou um enorme pepino para o novo secretário do Meio Ambiente, Maurício Brusadin, expert em comunicação digital e sócio de Xico Graziano.
“Essa é uma pergunta que eu faço querendo esclarecimento. O que ele [Ricardo Salles] fez com o busto? Ele vai ter que devolver esse busto. Vou acompanhar”, garante o deputado Carlos Giannazi, celebrando a saída do ex-secretário. “Já vai tarde.”
Procurado por e-mail, Ricardo Salles não respondeu ao pedido de entrevista.
Passada a onda de repercussão pelo Facebook, Lisângela Kati diz ter poucas esperanças de que a estátua volte à cidade onde nasceu. “Eu gostaria muito que tivesse alguma resposta, mas eu não acredito muito que tenha. Só teria se a população estivesse se mobilizando mais intensamente”, diz.
Já o sargento Nóbrega revela certo otimismo. “Aquele busto não atrapalhava nada, inclusive era um busto muito malfeito, me desculpe dizer. Tomara que agora façam um busto melhor.”
Um passado mais horroroso do que a estátua
Embora feio e coberto de piche, o busto de Lamarca representava, para a pequena comunidade de Cajati algo muito maior do que o próprio guerrilheiro: uma história de terror em que foi envolvida no ano 1970 e sobre a qual não se aprende nas escolas.
Pública descobriu em 2015 que o local foi alvo de bombardeios de napalm pela Força Aérea Brasileira durante a ditadura, na busca para capturar Lamarca e outros oito guerrilheiros que alugaram um sítio no local para fazer treinamentos. Além de um documento relatando o uso, assinado pelo adido militar francês, encontramos fragmentos das bombas de napalm atiradas pelos aviões T6 e B26, da FAB. Os fragmentos foram entregues para o Ministério Público estadual. Encontramos 12 testemunhas dos bombardeios e fomos levados por moradores a locais onde ainda se veem crateras feitas pelas bombas.

A Operação Registro mobilizou 2.954 homens, entre membros do Centro de Informações do Exército, regimentos de infantaria e paraquedistas das forças especiais, policiais da Policia Militar e Rodoviária de São Paulo e do Dops. Durante 30 dias de cerco, a população foi torturada, houve prisões massivas e bombardeios. Os militares decretaram “toque de recolher” durante a noite. Os que se atreviam a sair sem permissão eram presos durante dias.
Luiz dos Passos, o jornalista e autor da obra, tinha apenas oito anos quando caíram as bombas. “Eu vi os bombardeios. A minha casa era de frente pra serra onde era feita a busca deles pelo Exército. E via o comentário das pessoas que vinham do sítio, contavam que o pessoal do Exército abordava os moradores”, lembra.
“Tem pesquisadores que dizem que o vale tem antes do Lamarca e depois do Lamarca”, explica Ocimar Bin, pesquisador do Parque do Rio Turvo e ex-gestor da área. “Depois vieram investimentos em infraestrutura, escolas. O Estado passou a ter um olhar para a região.” Para ele, o cerco é ainda mais relevante na memória de uma população que é extremamente rural ainda hoje. “O acontecimento na época foi uma coisa muito grandiosa, bombardeio, 3 mil homens, houve um grande tiroteio em Eldorado, que é uma cidadezinha. A figura de Lamarca ficou muito comentada. E essas histórias de tortura deixaram marcas nas pessoas.”

O margarina que detesta política, detesta pobre, mas adora se aproveitar do poder

Doria mostra as presas e dá ultimato a Alckmin

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De Paris, pelo Estadão, o jovem Brutus, João Doria, crava o punhal do seu ex-padrinho Geraldo Alckmin.
Diz que não aceita prévias – exatamente a fórmula que, há pouco mais de um ano, Alckmin usou para legitimá-lo como candidato a prefeitura, o que jamais teria sido sem o apoio decidido do governador – e que a candidatura do PSDB deve ser decidida pelas pesquisas.
O sujeito que dizia que jamais disputaria com Alckmin a condição de candidato tucano à Presidência põe a questão em termos claros de ultimato: ou seu criador desiste e o apóia (com a desculpa de que “as pesquisas” o querem, depois  de oito meses de marquetagem descarada) ou sai do partido e leiloa sua candidatura entre os interessados.
Não tenho intenção de mudar de partido, mas é sempre bom ouvir de outros partidos que você é bem-vindo. Não é só o PMDB e o DEM. Outros dois partidos tiveram a gentileza e a delicadeza de abrir as portas caso necessário. Agradeci.
Escorregadio como uma víbora, ele mesmo lembra que foi criado por uma prévia partidária e jura que não disputará uma delas com Alckmin – quem enche de elogios envenenados – dentro do partido.
Dentro do PSDB, frisa.
O homem que se julga o mais esperto do Brasil prepara, assim, seu caminho de Fernando Collor.
Alckmin, com uma candidatura Dória, perde grande parte de seu já modesto lastro eleitoral no conservadorismo paulista. Castigo para quem trouxe a cobra para o ninho e para um partido que cevou e estimulou a histeria coxinha, da qual Doria é a mais perfeita tradução.
Para quem achava que José Serra e Aécio Neves eram o pior em controle da máquina partidária que podia ocorrer entre os tucanos, Doria mostra que é possível mais, muito mais.
Quem fez carreira se exibindo e atraindo o patrocínio de um empresariado medíocre, que gosta mais de frequentar salões e colunas sociais do que em trabalhar e produzir, o hoje prefeito de São Paulo é tudo o que apreciam como “virtude”:  vaidoso, sem compromissos que não sejam suas ambições pessoais e disposto a pisar em qualquer um por estes interesses.
Para esta gente, caráter não é virtude, é defeito.

domingo, 3 de setembro de 2017


Nós somos ingênuos mesmo ou será algo pior?!?

               

O golpe da dívida para doar estatais

30 Agosto Escrito por  Cesar Fonseca
face-homem A dívida sobe incontrolavelmente e pode chegar a 100% do PIB em 2018

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Os golpistas, que derrubaram a ex-presidente Dilma Rousseff, mediante manobra parlamentar-jurídica-midiática, construíram narrativa falsa segundo a qual os governos petistas populistas de esquerda manipularam à larga as contas públicas, com gastança excessiva, que elevou incontrolavelmente a dívida federal, tornando o país ingovernável, salvo por meio de pedaladas fiscais, incorrendo em crime de responsabilidade, justificativa para o impeachment.

Subiu, ilegitimamente, ao poder o governo Temer como discurso da austeridade, com promessa de diminuir dívida em relação ao PIB, para permitir redução dos juros e sustentar governabilidade.
O resultado é o oposto, como mostra dados acima levantados pelo economista Petrônio Portella Nunes Filho, consultor legislativo do Senado.

A dívida sobe, incontrolavelmente, podendo chegar aos 100% do PIB, já no próximo ano, anunciado calote, como alertou, nessa semana, o banqueiro-financista, Luiz Cezar Fernandes, criador dos bancos Garantia e Pactual.

Vem aí corrida bancária que pode acelerar fascismo político no Brasil, como aconteceu na Alemanha, que levou Hitler ao poder.

Eis a obra da austeridade de Temer, o golpista.

Diante do perigo iminente, os austeros neoliberais aceleram vendas de ativos públicos produtivos e indispensáveis ao desenvolvimento nacional, como as empresas Eletrobrás e Petrobrás.

Fazem isso, para fugir de previsíveis condenações decorrentes do não cumprimento de regra constitucional, determinada pelo art. 167, que proíbe ampliação de dívida pública em montante superior às despesas de capital.

Desesperados, os austeros neoliberais saem vendendo tudo, irresponsavelmente, acelerando depressão econômica e desemprego incontroláveis.

Mentira neoliberal

getulio
TEMER PISA NO CADÁVER DE GETÚLIO AO ENTREGAR DE BANDEJA PARA OS ABUTRES INTERNACIONAIS A PETROBRÁS, ELETROBRÁS, BNDES, INSTRUMENTOS DO DESENVOLVIMENTO NACIONALISTA.

Será verdadeira ou falsa afirmação comumente aceita de que, no poder, os neoliberais, com suas austeridades fiscais, diminuem dívidas do governo para melhor combater déficits públicos, de modo a reduzir tamanho do Estado e permitir maior participação do setor privado na economia, melhorando gestão e eficiência econômica capaz de produzir desenvolvimento sustentável?
Pura enganação.
Em um ano e meio de governo Temer, a dívida cresceu 76%, mais que o dobro dos 31% de crescimento registrados nos 5 anos de governo Dilma Rousseff, conforme pesquisa, feita pelo economista Petrônio Portella Nunes Filho, consultor legislativo do Senado, junto ao Banco Central, sobre finanças públicas, dívida líquida do setor público e dívida do governo federal, durante período de 1994-2017*.
Portella, especialista em dívida brasileira, autor do livro “Moratória soberana”, editora Alfa Ômega, e de estudo crítico sobre congelamento de gastos públicos, que considerou inconstitucional, destaca que escolheu o ÚNICO indicador amplo sobre a dívida federal, ao longo de 23 anos, porque seria importante incluir dados do Governo FHC, já que FHC é grande fiador da política econômica “austera” e “moralizadora” do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, homens, umbilicalmente, ligados ao mercado financeiro especulativo.
O consultor legislativo, conforme dados pesquisados que organizou, comprovou o contrário do que comumente é propagado pelo mercado e sua porta voz ativa, a grande mídia, ou seja, que, graças à austeridade fiscal, o endividamento público sempre se amplia durante governos populistas gastadores(Lula e Dilma), enquanto diminui durante governos neoliberais, austeros, responsáveis, adeptos do equilibrismo orçamentário.
Curiosamente, Temer, diz Petrônio, imita FHC.
“Observem – diz ele, com base nos dados – que o aumento explosivo da dívida no governo Temer guarda preocupantes semelhanças com o que aconteceu no governo FHC.”
A história desmente os neoliberais e seus porta-vozes: o Brasil se endivida nos governos neoliberais e se desendivida nos populistas.
A dívida diminuiu como proporção do PIB nos governos Lula e Dilma.
Na verdade, destaca Petrônio Portella, a situação é muito pior hoje.
O governo Temer, diz, pratica uma política recessiva que, segundo os próprios ultraradicais que a implantaram, deve mater o Brasil em recessão, pelo menos, até 2020.
“Se duvidam- lembra – confiram as projeções oficiais para o déficit primário. Eles projetam que o déficit primário se mantenha inalterado até 2020. Isso significa projetar a estagnação do PIB e das Receitas Tributárias(que são função direta do PIB) até 2020.”
Resumindo: o governo neoliberal austero do ilegítimo Temer é um buraco sem fundo à vista.

Informativo Semanal do Prof. Ernesto Germano Pares






Dilma Rousseff alerta!
O golpe parlamentar que colocou o ilegítimo no poder permitiu também o nascimento de uma extrema direita no país, disse Dilma em uma entrevista à rede TeleSur. “A principal obra desse golpe foi o surgimento de uma extrema direita no país, a intolerância (...). A extrema direita é um produto direto desse golpe”, disse ela.
Ela considerou que o surgimento dessa extrema direita no Brasil é perigoso para a manutenção da democracia e ressaltou a importância das eleições presidenciais marcadas para 2018. Destaca que Lula da Silva é o preferido em todas as pesquisas, mas enfrenta um “paredão” de processos judiciais.
“Em 2018 está em disputa se o golpe se reproduz ou se será contido. Se existem mecanismos de intervenção democrática que possam barrar o golpe ou se ele continuará. É um processo muito importante. Tudo o que está em jogo é a questão do que virá depois, o que construiremos depois. Tenho uma única certeza: só se pode mudar com a participação do povo brasileiro”, destacou.
Em entrevista ao jornal Brasil de Fato ela comenta toda a perseguição política que está em andamento contra Lula da Silva e diz que “teremos que ser capazes de sacar o Brasil dessa encruzilhada em que se encontra”.
Falando sobre o golpe que a tirou do governo, Dilma disse considerar que “foi um golpe, porque não havia crime de responsabilidade. Eles inventaram um processo para me tirar do Governo. E usaram uma maioria de votos comprados, que são os mesmos 217 votos de deputados que garantiram a impunidade do presidente ilegítimo. É a mesma composição do Congresso que foi construída por Eduardo Cunha e que me destituiu através de um processo absolutamente sem fundamento, sem base real, hoje reconhecido por todos”.
Perguntada sobre a candidatura de Lula, ela afirmou que “o golpe não é um ato isolado. O impeachment é a primeira etapa do golpe, a segunda etapa se revela muito conservadora e reacionária, por um lado, e extremamente radicalizada por outro. Faz parte dessa segunda etapa tirar Lula das eleições de 2018 criando factoides judiciais para isso. Toda essa absurda história do processo do tal apartamento, sobre o que o próprio juiz admite que não existe fundamentos na acusação”.
Dilma acerta no alvo em uma parte posterior de suas respostas ao dizer que “há uma terceira etapa, que pode ser simultânea, como essa do parlamentarismo. Sempre que as classes dominantes, os setores conservadores, se encontram em uma situação difícil, apelam para o parlamentarismo. Esse parlamentarismo, combinado com o ‘distritão’, tem por objetivo criar um sistema dominado pela força do dinheiro. Não é sequer hegemônica, é dominante. E o objetivo é apagar do mapa a representação progressista, popular, de esquerda ou centro-esquerda”.
“Pega na mentira”! O golpista foi à China para mentir sobre o Brasil. Na sexta-feira (01) Temer disse que o Produto Interno Bruto teve uma “boa solução” ao comentar a alta de 0,2% divulgada pelo governo.
Para o mentiroso, a alta do PIB revelou que o Brasil está “crescendo e se recuperando”. “Foram 720 mil empregos nesses últimos 90 dias, também revelação de que o Brasil está melhorando”, acrescentou.
Temer e Xi Jinping participaram, na sexta-feira, da assinatura de 14 atos internacionais. Três deles são acordos bilaterais entre os dois governos e os outros são acordos privados e interinstitucionais, que podem gerar negócios e investimentos futuros no Brasil. Ou seja, a China está de olho nas privatizações em andamento no governo ilegítimo.
Entre as ações, foram fechados acordos para facilitação de vistos de turismo e de negócios entre os dois países. Outro ato prevê uma parceria para coprodução cinematográfica entre Brasil e China. Na ocasião, também foi assinado um memorando de entendimento sobre comércio eletrônico.
Mas, como diziam os mais velhos, “mentira tem pernas curtas”! A realidade é bem diferente da mostrada por Temer na China. Na verdade, ouve uma grande frustração de receitas no programa de regularização de ativos no exterior e de arrecadação de tributos pagos pelas instituições financeiras fizeram o Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registrar o maior déficit primário da história em julho.
O resultado ficou negativo em R$ 20,152 bilhões, contra déficit de R$ 19,227 bilhões em julho do ano passado. O déficit primário é o resultado negativo nas contas do governo antes do pagamento dos juros da dívida pública.
Quando assumiu o Ministério da Fazenda, Henrique Meirelles prometeu colocar as contas do país em ordem com austeridade e medidas ortodoxas. O resultado foi oposto ao projetado. Receitas em queda levando a déficits recordes. Apesar disso, as agências internacionais de rating mostram tolerância com os resultados da equipe econômica.
Uma demonstração de que os empresários brasileiros não estão confiantes na política do golpe que eles montaram e apoiaram é que o Produto Interno Bruto (PIB) fechou o segundo trimestre do ano com alta de 0,2% na comparação com o primeiro trimestre, na série ajustada sazonalmente. Na comparação com o segundo trimestre de 2016, a variação do PIB foi de 0,3%, segundo o IBGE.
Com o resultado, o PIB acumulado nos quatro últimos trimestres continua negativo em 1,4% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores. Nos primeiros seis meses do ano, houve estabilidade (variação nula ou zero, informa o IBGE). O PIB no segundo trimestre de 2017 totalizou R$ 1,639 trilhão em valores correntes.
Cantada em versos e prosas pelos canalhas que estão no governo, a alta mínima é vista com preocupação por outros analistas. O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) salienta que o crescimento em 2017 se deveu sobretudo ao primeiro trimestre do ano (1% ante o trimestre anterior, com ajuste), calcado no excepcional desempenho da agropecuária – que se esgotou.
E os empresários pararam de investir. A Formação Bruta de Capital Fixo, que mede o quanto as empresas investiram em bens de capital, sofreu contração de 6,5% no primeiro trimestre de 2017, a 13ª consecutiva. A taxa de investimento no segundo trimestre de 2017 foi de 15,5% do PIB, abaixo do observado no mesmo período de 2016 (16,7%). Já a taxa de poupança alcançou 15,8% no segundo trimestre de 2017 contra 15,6% do mesmo período de 2016.
Queda no desemprego? Mais uma vez a mentira do golpista não dura mais do que 12 horas, se tanto! Enquanto ele dizia, na China, que o emprego voltava a crescer no Brasil os órgãos oficiais divulgavam números muito diferentes.
Sim, é verdade que a taxa de desemprego caiu 0,8% em relação ao trimestre encerrado em abril. Mas a realidade é muito dura: ainda temos 12,8% da nossa população economicamente ativa em situação de desemprego e, o que é pior, essa queda no índice de desemprego foi influenciada pelo aumento da informalidade no mercado de trabalho!
Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados na quinta-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que indica ainda que o país tem 13,3 milhões de desempregados,
Segundo o IBGE, no contexto da crise econômica e da consequente falta de oferta de empregos formais, a maioria dos 721 mil brasileiros que deixaram a fila do desemprego no trimestre encerrado em julho o fizeram via informalidade,
“O aumento aconteceu, principalmente, entre os empregados sem carteira assinada, contingente que respondeu por mais 468 mil novos empregos, e entre os trabalhadores por conta própria, que respondeu pelo ingresso de mais 351 mil pessoas no mercado”, diz o IBGE. Já a população com carteira assinada manteve-se estável em 33,3 milhões”, diz a nota.
Em comparação com o mesmo trimestre de 2016, o número de empregados com carteira assinada caiu 2,9%, chegando a 33,3 milhões de pessoas. Segundo o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, a comparação mostra tendência à informalidade no mercado de trabalho.
Sim, foi crime. Mas nada será feito! Por volta das sete horas da manhã do último dia 24 de maio quando 29 policiais, entre civis e militares, entraram na fazenda Santa Lúcia, na zona rural do município de Pau D’arco, no Sudeste do Pará, oficialmente para cumprir 14 mandados de prisão, mas que resultou na morte de dez pessoas. Não houve confronto e sim execução, sendo que quatro trabalhadores foram imediatamente atingidos, enquanto os demais foram rendidos e assassinados. Nove homens foram baleados no peito e a única mulher, Jane de Oliveira, foi atingida na cabeça à queima roupa.
Esta foi a conclusão da perícia da Polícia Federal divulgada na segunda-feira (28), em Belém.
Ainda de acordo com a perícia, a operação teria sido planejada. Comandados pelo delegado de Conflitos Agrários Valdivino Miranda, os policiais foram divididos em grupo, sendo que um seguiu a pé e o outro em carros. Ao perceberem a chegada dos policiais, os trabalhadores fugiram para o interior da fazenda e se abrigaram embaixo de uma lona para se proteger da chuva, quando os policiais já chegaram atirando.
A princípio, os policiais teriam ido ao local cumprir mandados de prisão contra 14 suspeitos de envolvimento na morte de um segurança da fazenda Santa Lúcia.  Em julho, a Justiça determinou a prisão de 13 policiais, mas eles foram liberados no dia 10 de agosto pelo juiz Jun Kubota, de Redenção, que decidiu não prorrogar as prisões provisórias. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Pará, os policiais envolvidos na operação permanecem afastados do trabalho. Mas, como sabemos, logo tudo cairá no esquecimento, não é?
O Brasil se destaca no governo golpista. Mas, lamentavelmente, trata-se de um destaque muito negativo para a nossa imagem. Apenas na última semana que antecede esse Informativo, foram registrados pelo menos cinco casos de mulheres assassinadas por seus companheiros ou ex-companheiros só em São Paulo. Dado alarmante que reflete a realidade do Brasil, país com a quinta maior taxa de feminicídio do mundo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de assassinatos chega a 4,8 para cada 100 mil mulheres. O Mapa da Violência de 2015 aponta que, entre 1980 e 2013, 106.093 pessoas morreram por sua condição de ser mulher. As mulheres negras são ainda mais violentadas. Apenas entre 2003 e 2013, houve aumento de 54% no registro de mortes, passando de 1.864 para 2.875 nesse período. Muitas vezes, são os próprios familiares (50,3%) ou parceiros/ex-parceiros (33,2%) os que cometem os assassinatos.
Não tem verba para controlar o trabalho escravo. Todos os avanços históricos no combate ao trabalho escravo que o Brasil alcançou nos últimos 20 anos estão em xeque por conta das restrições orçamentárias que o governo Temer está impondo ao Ministério do Trabalho e demais órgãos públicos. O país pode em breve chegar a uma situação vergonhosa de ter “risco extremo” de escravidão contemporânea.
A atual situação do Ministério Público do Trabalho (MPT) é um bom exemplo: sem dinheiro para manter em plena atividade seu Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), que conta hoje com apenas quatro equipes – eram 10 em meados dos anos 2000 –, o MPT precisa fazer escolhas trágicas no dia a dia: de cada 10 denúncias de trabalho escravo recebidas, a equipe só tem condições de atender uma. E a situação tende a piorar.
“A realidade é que as operações de setembro já estão comprometidas. Se não houver medidas suplementares, não teremos orçamento suficiente para seguir com as operações”, afirma o coordenador nacional da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conaete) do MPT, Tiago Muniz Cavalcanti, em entrevista ao site Investimentos e Direitos na Amazônia, do Inesc.
Onde está Santiago Maldonado? Na quarta-feira (30/08) completamos 30 dias sem notícias do jovem argentino Santiago Maldonado. Pelo que sabemos, ele desapareceu “misteriosamente” depois de visitar a comunidade mapuche “Lof en Resistencia de Cushamen”, ao noroeste da província de Chubut.
Maldonado participava de vários grupos de apoio aos indígenas e defendia as comunidades originárias, denunciando que a polícia invadia, destruía e queimava as residências e pertences dos habitantes. No primeiro informe policial seu nome aparecia apenas como “desaparecido”, mas as várias pressões e petições de seus familiares a “justiça” argentina considerou como “desaparecimento forçado”.
A Liga Argentina pelos Direito Humanos denunciou oficialmente perante os tribunais o presidente Mauricio Macri, os ministros Marcos Peña, Patricia Bullrich e Germán Garavano, os comandantes da Polícia Pabro Badie e Conrado Balari, o soldado Juan Pablo Escola e todos os integrantes da Polícia que participaram das batidas no dia do desaparecimento de Maldonado.
Mais uma vergonha da “justiça” na Nossa América! A Câmara Eleitoral da Argentina rejeitou na terça (29/08) as impugnações apresentadas contra a candidatura do ex-presidente Carlos Menem para a reeleição ao cargo de senador, o que o habilita para o pleito legislativo de 22 de outubro.
O tribunal considerou que o prazo para a apresentação de impugnações estava vencido e que uma decisão da Corte Suprema de Justiça emitida em 22 de agosto tinha esclarecido que a condenação de Menem a sete anos de prisão por contrabando de armas a Equador e Croácia “não está firme”, o que não impede que apresente uma candidatura.
Menem, de 87 anos e com mandato no Senado até dezembro, é candidato à reeleição pelo partido peronista Frente Justicialista na província de La Rioja, e nas eleições primárias legislativas de 14 de agosto venceu nessa jurisdição com 45% de votos.
Menem foi condenado a sete anos de prisão por contrabando de armas ao Equador e à Croácia durante seu governo, mas seus privilégios parlamentares o protegem para não que seja preso.
O sindicalismo na encruzilhada! (3)
(Ernesto Germano Parés)
Para encerrar esta primeira parte do nosso estudo, enquanto falamos da crise dos sindicatos de forma geral, em particular o que vem acontecendo na Europa, vamos citar o que vem sendo discutido pelos estudiosos no assunto. A grande queda no sindicalismo francês, espanhol, inglês, alemão e outros vem sendo analisada por vários estudiosos. O professor Rafael Pampillón, doutor em Ciências Econômicas e Empresariais, acredita que “os sindicatos estão perdendo muito protagonismo com a reforma trabalhista ao não terem se empenhado mais nas negociações”.
Juan Carlos Monedero, professor de Ciência Política da Universidade Complutense de Madri, diz que “os sindicatos se debilitam em momentos de bonança econômica e se incapacitam para exercer sua tarefa principal quando são chamados a agir”. Ele diz que os sindicatos europeus vivem uma situação de “esquizofrenia”. Por um lado, desejam manter-se como instituições reconhecidas e participantes do Estado, por outro lado querem ganhar as ruas para travar as lutas principais.
Alguns analistas dizem ainda que os grandes sindicatos europeus preocupam-se mais com os trabalhadores que estão empregados do que os que já estão desempregados diante da crise.
Mas, qual a origem de toda essa crise no movimento sindical? Como já dissemos várias vezes, para o ideário neoliberal o principal problema é acabar com os sindicatos, reduzir totalmente o poder dessas entidades diante dos trabalhadores. Ou, como dizia Friedrich von Hayek, os sindicatos prejudicam a acumulação capitalista ao exigirem do estado mais investimentos sociais.
Qual a história dessas mudanças no mundo sindical?
O final da Segunda Guerra Mundial, para o Japão, não significou apenas uma derrota militar apavorante - com as bombas - e a vergonha de conviver com as forças de ocupação dos EUA. Toda a indústria encontrava-se em crise e a burguesia japonesa estava derrotada e arrasada economicamente.
A crise instalada no Japão permite que surja um vibrante movimento social e um movimento operário forte e bem organizado. O Partido Comunista, praticamente inexistente no país antes da guerra, contava com 1 milhão e 600 mil filiados em 1946.
Os trabalhadores japoneses partem para a ofensiva e começam a ocupar as fábricas abandonadas pelos patrões, colocando-as em funcionamento e estabelecendo um “controle operário” sobre a produção, experiência que os leva a desenvolver e ampliar um conceito de “Comitês de Empresas” com altíssimo grau de organização, tão eficiente que conseguem dirigir a produção até nas empresas que ainda estavam nas mãos dos patrões.
É desta forma que acaba surgindo e se consolidando a poderosa Confederação de Sindicatos da Indústria (Sambetsú), de extensão nacional e aglutinando trabalhadores de vários ramos e/ou setores.
Fatores externos, no entanto, vão alterar profundamente a vida e a organização dos trabalhadores japoneses. O início da chamada Guerra Fria e a Revolução Chinesa (1949) fazem o governo dos EUA mudar sua tática com relação ao Japão. De um simples país ocupado militarmente, passa a ser visto como um importante aliado e centro das ações para impedir o crescimento do comunismo na Ásia.
Em 1950 tem início a Guerra da Coréia e a burguesia japonesa recebe um "sangue novo", pois os EUA passam a investir altas somas na indústria local para suprir as necessidades das tropas. Em particular, as fábricas de armamentos japoneses voltam a produzir em escala crescente.
Antes de devolver a independência ao Japão (1952), as forças estadunidenses de ocupação teriam ainda uma outra “batalha” para travar: vencer o forte movimento operário local e limpar o caminho para se estabelecer uma sociedade capitalista aliada e pronta para assumir o papel de representante do sistema na região.
A luta dos trabalhadores japoneses havia experimentado grandes avanços, enfrentando em primeiro lugar a burguesia local e, depois, a forte repressão por parte das forças militares de ocupação.
O primeiro grande confronto se dá na Greve Geral convocada pela Sambatsú para o dia 1 de fevereiro de 1947. Sob a orientação dos militares estadunidenses, inicia-se um processo de repressão e vários líderes sindicais são presos e/ou demitidos das empresas.
Em 1948 o movimento sindical volta à luta, mas as relações internas do governo japonês já são outras e os trabalhadores enfrentam novas dificuldades. Neste mesmo ano, baseando-se em orientações dadas por banqueiros dos EUA, o general MacArthur (comandante das forças de ocupação dos EUA) havia proposto um “Plano de Estabilização” para a economia japonesa que consistia em congelar os salários, aumentar o número de horas de trabalho e realizar demissões em massa. Cerca de 700.000 trabalhadores perderam seus empregos em consequência destas medidas.
Para garantir o êxito do Plano, MacArthur promoveu uma caçada aos membros do Partido Comunista e militantes do movimento sindical. Em 1950, as ações do governo já haviam atingido 11.000 membros do PC e 2.500 dirigentes sindicais.
Ainda assim, o movimento sindical japonês tentaria resistir. Acompanhando as orientações do governo, em 1950, a empresa Toyota anuncia a demissão de um grande número de trabalhadores (entre 1.600 e 2.000). O sindicato organiza uma greve contra as demissões e o governo dos EUA assume a direção da repressão ao movimento, determinando à direção da Toyota que não ceda aos grevistas. Chega mesmo a assumir todo o prejuízo causado pela greve, desde que o sindicato saísse derrotado.
Esta foi a primeira grande derrota dos sindicalistas e a que abriu espaço para as ações que se seguiram.
Dois anos mais tarde (1952), o movimento sindical volta a se mobilizar. Desta vez promovendo greves em várias indústrias para protestar contra a “racionalização do trabalho”. A tática estadunidense se repete: o governo dos EUA assume os prejuízos dos dias parados, mas exige que as empresas não negociem com os grevistas. A direção da Nissan recorreu ao lockout (greve dos patrões) e mandou fechar a fábrica.
Depois de 55 dias de greve, sem qualquer negociação, os trabalhadores voltam derrotados. Este foi o golpe final no sindicalismo combativo japonês, pois as empresas se aproveitaram da longa paralisação e da experiência da greve de 1950 para formar grupos de trabalhadores fiéis às direções e criarem um sindicalismo paralelo, por empresa.
O movimento sindical no Japão, hoje, é praticamente inexistente. Há sindicatos, por empresas, que na verdade atuam como correia de transmissão entre a direção e os trabalhadores. Ter passado por um cargo no sindicato é, atualmente, um dos requisitos para conquistar um alto cargo na direção da empresa! (Este artigo continua)
Espanha, armas e educação. Enquanto muitos ainda debatem os atentados terroristas na Espanha, poucos se dão ao trabalho de analisar o papel da Espanha na União Europeia e, principalmente, na OTAN.
Acontece que a Espanha é o terceiro maior exportador mundial de armas para a Arábia Saudita, país conhecido como braço militar dos EUA no Oriente Médio e que promove terrorismo e invasões na região. O monarca da Arábia Saudita é o rei e primeiro-ministro Abdullah bin Abdul Aziz. No país, a monarquia tem o poder político de fato. A família real saudita tem cerca de 30 mil membros. A Arábia Saudita é uma monarquia absoluta teocrática e o único país árabe onde nunca houve eleições nacionais desde a sua criação. Partidos políticos ou eleições nacionais são proibidas! Mas ninguém fala nisto, não é?
Entre 2013 e 2016 a Espanha exportou, segundo dados oficiais, armas no valor de 1,363 bilhão de euros, 29 vezes mais do que o período anterior (2009/2012)!
No outro extremo dos dados que temos, a Espanha é o quinto país que menos investe em Educação! Isso mesmo, fatura bilhões vendendo armas e não investe em Educação. Onde vai parar esse dinheiro?
Segundo os informes oficiais do Eurostat (agência de estatísticas da União Europeia), a Espanha destinou, em 2015, apenas 43,780 bilhões de euros para a Educação, ou seja, 4,1% do seu PIB. Está na frente apenas da Romênia (3,1%), Irlanda (3,7%), Bulgária e Itália (4%). Está atrás da Alemanha e Eslováquia (4,2% cada) e Grécia (4,3%).
Ficou doente? Quem vai ganhar? Você pensa que o tráfico de drogas é o que mais dá lucros no mundo? Ou você acredita que a venda de armas é o negócio mais lucrativo no planeta? Talvez você acredite que o ramo das telecomunicações seja o que mais dá lucros, mas qualquer dessas alternativas está errada! Um estudo recente demonstrou que o mercado farmacêutico supera todos os demais na hora de lucrar. Para cada um dólar investido para fabricar remédios eles alcançam mil dólares de lucro!
Praticamente todas as empresas farmacêuticas são internacionais e estão presentes em vários países através de suas muitas filiais. Estamos falando de um setor muito avançado tecnologicamente que envolve a biologia, a bioquímica, engenharia, microbiologia, farmácia e farmacologia, medicina, enfermagem, etc. Uma indústria que desenvolve pesquisas e desenvolvimento, produção, controle de qualidade, publicidade, representações médicas e relações públicas. Ou seja, envolve muita gente e praticamente todo o sistema globalizado que hoje temos.
E é essa mesma globalização que permite à indústria farmacêutica lucros cada vez maiores. Compram matérias primas nos países onde são mais baratas (geralmente nos países chamados “em desenvolvimento”), montam suas fábricas onde há condições mais vantajosas (baixos salários e legislação trabalhista fraca) e vendem seus produtos fundamentalmente nos países onde a população tem maior poder aquisitivo e os serviços de saúde estão mais desenvolvidos.
As dez primeiras empresas do setor faturaram, em 2012 (último dado disponível) um total de 335 bilhões de dólares, o quer representa um lucro 29,8% superior ao de 2004. E todas essas empresas estão nos países mais desenvolvidos: 5 estão nos EUA, 2 na Suíça e as demais estão no Reino Unido (2) e França (1). As margens de lucro dessas empresas são surpreendentes, chegando a alcançar entre 70% e 90%, superando de longe os bancos comerciais.

Eis as principais: Pfizer (EUA), Novartis (Suíça), Maerck (EUA), Sanofi Aventis (França), Roche (Suíça), Glaxo Smith Kline (Reino Unido), Astra Zeneca (Reino Unido), Johnson & Johson (EUA), Aboboltt Labs (EUA) e Ell Lilly (EUA).

Venezuela: como encarar a realidade

Internacional

Debate

Venezuela: como encarar a realidade

por Vicente Ribeiro* — publicado 21/08/2017 12h44
Uma reflexão sobre os impasses no país vizinho a partir de um artigo de Gilberto Maringoni
Divulgação
Nicolás Maduro
A Constituinte convocada por Maduro não diminuiu os conflitos
O artigo de Gilberto Maringoni sobre a situação da Venezuela é representativo da forma como parte da esquerda busca se posicionar sobre a situação atual do país vizinho. Gostaria de debater seus argumentos e me contrapor ao que considero o maior problema do texto: a sensação de certeza com a qual deixamos sua leitura. A ideia de que não há mais nuances e de que devemos nos perfilar em um dos lados pode ser reconfortante. É, porém, insuficiente para analisar uma complexa realidade.
Na primeira metade dos anos 2000, Maringoni contribuiu para trazer à esquerda brasileira uma importante análise do processo bolivariano na Venezuela. Nela nos convidava a refletir sobre a existência de outros caminhos para além da aliança com os partidos tradicionais capazes de construir modos de governar e transformar, em contraste evidente com a experiência petista então em curso. A importância de apostar no protagonismo popular para não ser refém dos poderosos interesses estabelecidos teve como uma de suas expressões mais importantes o processo constituinte de 1999.
O atual processo constituinte passa longe disso. Desde sua convocação até as regras com as quais foram eleitos seus integrantes, mais do que 18 anos separam os dois processos. Chama a atenção a ausência de qualquer menção a essas diferenças. Vale perguntar: as regras da Constituinte importam? Importa que o sistema de votação, ao estipular um representante por município, distorça completamente a proporcionalidade em detrimento das cidades mais povoadas? Importa que em um sistema com voto territorial e setorial sejam excluídos desse segundo voto cerca de 5 milhões de eleitores?
Essas perguntas podem ser multiplicadas, mas giramos ao redor da seguinte questão: importa que as regras democráticas básicas, expressas na Constituição de 1999, sejam abandonadas para criar uma nova Assembleia Nacional Constituinte, cujos plenos poderes contrastam com sua escassa legitimidade? Mais do que ganhar tempo, o governo Maduro, mesmo sem apoio popular, criou uma instância que lhe permite governar sem contrapeso. Os primeiros decretos passaram pela destituição da procuradora-geral e a retirada das atribuições que ainda restavam à Assembleia Nacional.
No âmbito da economia, a explicação de Maringoni passa das características estruturais de uma formação social dependente da exportação de petróleo para a ações ilegais dos comerciantes, deixando de lado a análise da política econômica do governo.
Tomemos o caso da política cambial. Há no país duas taxas oficias, de 10 bolívares para o dólar oficial e 2.970 para o DICOM (Divisas de Tipo de Câmbio Complementar Flutuante de Mercado). A quase totalidade das divisas é oriunda do setor exportador de petróleo, controlado pelo Estado, e a maior parte dos dólares é transacionado na taxa mais baixa, mais uma unidade contábil do que uma taxa de câmbio. Enquanto isso, a taxa do mercado paralelo ultrapassa hoje os 15 mil bolívares. A diferença entre a cotação do câmbio oficial e o paralelo é apresentada como resultado de uma ação de especuladores, sem definir a responsabilidade da própria política cambial do governo, o que impede debater quais mudanças devem ser realizadas.
O ponto de partida desse debate é a escassez de divisas devido tanto à diminuição do aporte do setor exportador quanto ao aumento do seu comprometimento com o pagamento da dívida externa. A diminuição das entradas via setor petroleiro está relacionada à queda dos preços no mercado mundial, ao aumento dos custos com insumos importados no setor e ao comprometimento de parte do petróleo extraído para o pagamento da dívida com a China.
As diminuídas divisas em dólar disponíveis para o restante da economia estão cada vez mais comprometidas com o serviço da dívida, restando poucos recursos para importações. A diminuição drástica das importações afeta tanto a oferta de bens de consumo básicos, como alimentos e medicamentos, quanto os insumos necessários para o funcionamento do aparato produtivo do país.
As consequências para o nível de vida da população são dramáticas. O Cendas-FVM (Centro de Documentação e Análise Social da Federação Venezuelana de Professores) estima que em julho a cesta básica de alimentos para uma família de cinco integrantes custava 1,4 milhão de bolívares, enquanto a soma do salário mínimo e do vale alimentação chegava tão somente a 250 mil bolívares (97 mil de salário e 153 mil de vale alimentação).
Uma das formas como o governo enfrenta a escassez de divisas é por meio da ampliação das concessões de recursos naturais para as corporações transnacionais do setor, aprofundando a condição do país de fornecedor de parcelas da natureza em troca de capacidade de pagamento no mercado mundial. O Arco Mineiro do Orinoco é uma das expressão do aprofundamento desse modelo e de sua diversificação para além do petróleo.
A polarização no qual Maringoni nos convida a perfilar não permite encarar esses elementos, bem como a urgência em ampliar as importações de  bens de primeira necessidade no país. Esta passa por construir as condições internacionais para uma suspensão dos pagamentos do serviço da dívida externa venezuelana, para que as necessidades mais básicas possam ser atendidas e a economia possa começar a se reorganizar em um padrão menos dependente das importações. Contribuir para uma campanha neste sentido é talvez uma das tarefas mais urgentes que podemos realizar desde o Brasil. O pagamento de juros dos títulos venezuelanos pode esperar. As necessidades de alimentos, medicamentos e insumos para a produção da população venezuelana, não. 
* É professor da Universidade Federal da Fronteira Sul