sexta-feira, 16 de março de 2018

Milhares protestam no Rio e em SP contra assassinato de Marielle; fotos

Milhares protestam no Rio e em SP contra assassinato de Marielle; fotos

O deputado estadual Marcelo Freixo discursou em frente à Assembleia, no Rio de Janeiro

Milhares protestam no Rio e em SP contra assassinato de Marielle - Rio de Janeiro
Notícias ao Minuto Brasil
HÁ 2 HORAS POR FOLHAPRESS
BRASIL LUTA
Milhares de pessoas protestam nesta quinta-feira (15) no Rio de Janeiro e em São Paulo contra a morte da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, assassinados na noite de quarta (14) no centro do Rio.
No começo da noite, uma multidão em frente à Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) pedia por justiça numa das maiores manifestações de grupos de esquerda desde os protestos de junho de 2013.
A Polícia Militar do Rio não divulga estimativas de público.Em São Paulo, o ato no vão livre do Masp chegou a bloquear a avenida Paulista também no começo da noite.
O protesto conseguiu unir sob uma mesma pauta as diversas correntes do pensamento de esquerda do Rio. Em razão da proximidade das eleições, os grupos estavam divididos, com parte apoiando o nome de Lula e parte de um possível candidato do PSOL a Presidência. A candidatura de Guilherme Boulos, por exemplo, pelo PSOL e com a bênção de Lula, gerou um racha interno do partido. 
Na manifestação desta quinta, as diferenças eleitorais foram postas de lado, explicou o militante do PCB Vinícius Brandão, 18. "A luta da Marielle era pelos trabalhadores. Então, as diferenças estão de lado nessa marcha em memória dela."Em coro, as pessoas pediam justiça e o fim da Polícia Militar. Eles entoavam cânticos como "Sem hipocrisia, a PM mata gente todo dia" e "Pisa ligeiro, pisa ligeiro, quem mexeu com a Marielle atiçou o formigueiro". 
Na escadaria da Assembleia, carregavam faixas que diziam "Quem matou Marielle Franco?" e "Não Recuaremos, Marielle vive".
O deputado estadual Marcelo Freixo discursou em frente à Assembleia.
"Nem que seja a última coisa que eu faça na vida, vou descobrir quem fez essa covardia", disse.
Por volta das 18h30, manifestantes saíram em direção à Candelária, enquanto outro grupo seguiu para a Cinelândia, local de início do ato no começo da tarde, em frente à Câmara do Rio, onde foram velados os corpos de Marielle e do motorista Anderson Gomes. Uma multidão de manifestantes levou flores e cartazes contra a intervenção federal na cidade. Eles também fizeram coro contra a Polícia Militar.
Políticos e colegas da Câmara também estiveram no local. Uma das principais lideranças do PSOL, o deputado federal Chico Alencar fez um discurso na escadaria do Palácio e disse que as famílias pediram uma cerimônia reservada.
Ele disse que há "opressão" e pediu uma vigília em memória à vereadora, com "serenidade". Os organizadores do ato se revezaram em discursos na frente da Câmara, nos quais repetiram o lema "Marielle, presente", e na leitura de notas de pesar de movimentos de todo o país.
A cantora Zelia Duncan esteve no ato e disse que o momento é de luto e pediu mobilizações de rua. Manifestantes colaram cartazes em memória à vereadora e jogaram tinta vermelha em um monumento e na fachada do prédio da Câmara.Líderes religiosos participaram do ato e pediram orações. Roberto Cavalcanti, da Assembleia de Deus, disse que o crime representa a morte "da esperança". Com informações da Folhapress. 

O silêncio dos indecentes

O silêncio dos indecentes

Lê-se na Folha que o Governo Federal pressiona as autoridades da segurança pública do Rio de Janeiro a apontar, em 48 horas, os culpados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
O  governo avalia que é preciso mostrar resultado rapidamente —ou seja, os investigadores têm que encontrar os culpados pelo assassinato de Marielle em pelo menos 48 horas— para que uma crise não se instale definitivamente no coração do governo.
Em O Globo, isso se reforça com a entrevista do general Carlos Alberto dos Santos Cruz, secretário nacional de Segurança Pública, dizendo  que a reação das Forças Armadas e da Polícia do Rio precisará ser “enérgica e arrasadora”:
A reação tem de ser enérgica, porque a sociedade não pode conviver com este tipo de ousadia criminosa. Este tipo de ousadia precisa ser contida de forma contundente, forte, aberta, com ação das Forças Armadas e das forças policiais e apoio de toda a sociedade, do Ministério Público, do Judiciário e dos órgãos de controle. 
Por mais hediondo que tenha sido o crime, o Estado tem de se preocupar com a verdade, não com o “me apontem o culpado até amanhã”.
É no que dá politizar a ação policial. Ou a judicial, como aprendemos com Sérgio Moro e seus subordinados dos tribunais “superiores”.
Fica evidente que o delegado Rivaldo Barbosa, cuja competência profissional é reconhecida e que foi colocado no cargo pela intervenção há apenas três dias, e o general Braga Netto, que tem sido um homem prudente há um mês estão sendo politicamente pressionados para salvar a credibilidade  decrescente da exploração política da segurança pública.
É evidente que o esforço para apurar o crime deve ser intenso, máximo, mesmo.
Mas misturar polícia e política é algo que, sempre, dá resultados desastrosos.
No atentado do Riocentro, obrigar um oficial do Exército a apresentar uma explicação fantasiosa de um crime produziu zero de credibilidade e um dano terrível aos militares.
A repercussão política da brutal execução de Marielle Franco dá todos os sinais de que quem a fez fazia politica com a sua morte.
Isso pode ser próprio de bandidos, ainda que acobertados por fardas policiais, mas não pode ser  próprio de instituições policiais, que não devem e não podem seguir o caminho da conveniência política.
O que acontece, agora, é uma espécie de momento onde o vento do policialismo  – que dominou a mídia e, através dela, uma parte significativa da opinião pública – fez a curva e se mostrou em todo o seu horror.
Uma virada destas de deixar calados os Bolsonaro – embora o bolsonarismo esteja falante, nas redes sociais – e atrapalhados os que queriam fazer demagogia fácil com a segurança pública.
No início dos anos 90, a política de garantias individuais do Governo Brizola apanhava como Judas em Sábado de Aleluia por “não deixar a polícia entrar nas favelas”, pelo simples fato de que se tentava – sob fortíssima resistência – acabar com a política do “pé na porta” e o achaque policial, na época atendia pelo nome de “polícia mineira”.
A extorsão de policiais sobre bandidos tinha até um “verbo” próprio: “mineirar”, com seu rico duplo sentido.
Na madrugada do dia 29 de agosto de 1993, policiais entraram na Favela de Vigário Geral do jeito que se defendia que a polícia entrasse: sem lei, sem respeito aos seres humanos, atrás “dos vagabundos”. E para mostrar que a marginália que se formou a se alimentar do crime não obedeceria à política do que a direita de hoje chama de “direito dos manos”.
O resultado? 21 corpos macabramente enfileirados no chão e o pior ataque que sofreu o governo Brizola.
Agora, os corpos de Marielle e Anderson cumprem este doloroso papel: o de caírem como armas que foram disparadas contra a razão, contra o respeito ao ser humano e contra qualquer ameaça ao sistema de  hipocrisia com que se trata a segurança pública e a droga, no qual se concede, como paga, mais poder, mais armas e mais direito de dispor de vidas humanas ao aparato repressivo do Estado.
E, claro, de “mineirar” nas águas turvas do Rio.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Velório de vereadora vai virar um ato político contra intervenção

Velório de vereadora vai virar um ato político contra intervenção


Já há um grande número de pessoas diante da Câmara dos Vereadores, no centro do Rio de Janeiro, esperando para velar a vereadora Marielle Franco.
Não é difícil adivinhar que. logo mais, haverá uma multidão revoltada contra o assassinato dela e do motorista que conduzia seu carro.
E que haverá um grande ato político ali, no qual os ânimos exaltados, se os pretenderem controlar à base de tropa da choque, levará, provavelmente, a conflitos e enfrentamentos.
Na berlinda, o general Braga Netto e a intervenção que lhe coube executar.
Exatamente onde os assassinos de Marielle o queriam colocar.
O crime, no Rio de Janeiro não está, senão secundariamente, onde querem e mandam que o Exército vá buscar.
Os comentários brutais nos sites dos jornais, onde a postura de defensora dos direitos humanos da vereadora, de seu partido e da esquerda, mostram a cegueira de ódio que domina o debate sobre segurança pública e o da política.
Espera-se que os interventores tenham a lucidez de prevenir um confronto, do qual eles próprios sairão mais feridos.

As Marias Antonietas de toga

As Marias Antonietas de toga

Enquanto o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes toma conta das conversas entre as pessoas em todo o país, nos salões refrigerados dos prédios da Justiça, em todo o país, os senhores magistrados e promotores faziam sua “greve” em defesa do auxílio-moradia indiscriminado e de reajustes dos vencimentos que, nas palavras do presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Guilherme Feliciano, “hoje estariam em R$ 47 mil”.
É o escárnio escancarado em um país que tem juízes – e muitos, quase 20 mil – e não tem Justiça e  que tem outros milhares de promotores de Justiça que não a promovem, preferindo dedicar-se à uma espécie de cruzada moralista que perdeu todos os cuidados com a honra alheia e que transforma julgamentos em linchamentos.
É o deboche à inteligência humana, que se soterra ante a histeria de quem diz que uma sociedade que encarcera 700 mil pessoas, quase, tem de resolver seus problemas imensos de segurança prendendo mais gente e por mais tempo.
Poucos e raros dos “gravatinhas” que querem ganhar quase R$ 50 mil, afora “penduricalhos”, tiveram a coragem trágica de agir, com a energia devastadora que agem quando se trata de criminalizar a política quando lhes caíam às mãos, às centenas, indícios de que as corporações policiais estavam infestadas até a medula por esquemas de controle do tráfico de drogas, de armas, de contrabando, de todos os ilícitos que se possa imaginar.
Um destes casos, todos recordam, foi o da juíza Patrícia Acioli, assassinada com 21 disparos, aqui perto de casa, por ter  sido a responsável pela prisão de cerca de 60 policiais ligados a milícias e a grupos de extermínio.
Se houvesse no país um Ministério Público digno deste nome, o Ministro da Justiça seria chamado a explicar-se por ter dito, com todas as letras, há seis meses, que comandantes de batalhões da PM fluminense eram “sócios do crime organizado”.
Quem pode garantir que não veio de um destes sócios o medonho comando para a morte de Marielle, que deixa pendurado no pincel o general interventor da Segurança e suas anunciadas – apenas anunciadas – intenções de moralizar a polícia. Pois não foi preciso atravessar a distância entre intenção e gesto para que lhe jogassem um cadáver aos pés.
Num caso com tudo para ter toda a imensa repercussão que está tendo aqui e lá fora e que mostra o quanto é estúpida e constrangedora a tática primária de “fichar pelo celular” os moradores desta ou daquela favela.
Os juízes gulosos, os policiais corruptos que comandam ou se associam às drogas e armas, os políticos que se associam a este jogo hipócrita de pedir mais penas e mais balas sobre os “bagrinhos do crime” e a mídia que despertou a corja de imbecis que se regojizam nos sites e redes da internet por ter sido assassinada uma mulher a quem, por defender pobres, chamavam de defensora de bandidos são todos parte do cinismo dominante da sociedade brasileira.
Eles são o caldo podre de uma cultura de repressão e de morte, cujos antídotos –  a justiça social, a educação, a polícia e o judiciário que ajam sobre as causas e não sobre o varejo das consequências da criminalidade – se tornaram “malditos”.
O crime, afinal, é um bom negócio para eles: garante-lhes os empregos, o reconhecimento dos salões, o “faz diferença”.
Portanto, que se elimine qualquer um que tente tornar este país um pouco menos dividido.
O Brasil das elites pode ser bem vestido, bem banhado, perfumado. Mas como fede.

Mercosul: Depois de morte de Marielle, deputados da União Europeia pedem suspensão imediata de acordo

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 Yahoo Finanças 1 hour 41 minutes ago 

'Nós seremos resistência', diz filha de Marielle Franco

'Nós seremos resistência', diz filha de Marielle Franco

Estudante de 19 anos lamentou morte da mãe em publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (15)

'Nós seremos resistência', diz filha de Marielle Franco
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BRASIL HOMENAGEM
Aestudante Luyara Santos, filha da vereadora Marielle Franco, se manifestou sobre a morte da mãe nas redes sociais na tarde desta quinta-feira (15). As informações são do G1.
Na publicação, a jovem de 19 anos fez referência ao número de votos que a Marielle recebeu na eleição de 2016, quando foi a quinta vereadora mais votada do município.
"Mataram a minha mãe e mais 46 mil eleitores! Nós seremos resistência porque você foi luta! Te amo", escreveu Luyara.
Marielle foi morta a tiros na noite desta quarta (14) na região central do Rio. O motorista do veículo, Anderson Pedro Gomes, também foi baleado e morreu. Os corpos das vítimas foram velados na tarde desta quinta na Câmara dos Vereadores, no Centro do Rio.

Presidenciáveis condenam execução de Marielle

Política

Reações

Presidenciáveis condenam execução de Marielle

por Redação — publicado 15/03/2018 17h25, última modificação 15/03/2018 17h30
Bolsonaro foi o único dos concorrentes mais cotados a não comentar publicamente morte de vereadora
Mauro Pimentel/AFP
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Amigos, eleitores e colegas de partido carregam caixão de Marielle na chegada ao velório
O assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSol do Rio de Janeiro, provocou uma onda de reações entre os pré-candidatos à presidência. Entre os mais cotados, o único a não se manifestar até a tarde desta quinta-feira, 15, foi Jair Bolsonaro, que tem no combate à criminalidade um dos principais pilares de discurso. 

Leia também:
A luta de Marielle: um mandato dedicado aos direitos humanos

Pelo PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou pesar pela morte e afirmou: "O Rio de Janeiro e a democracia brasileira foram atingidos por esse crime político bárbaro", afirmou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na mesma linha, Ciro Gomes declarou que o crime é "uma situação grave que deve ser apurada rapidamente e com profundidade". 
Companheiro de partido de Marielle, líder do MTST e pré-candidato, Guilherme Boulos disse não haver dúvidas sobre a motivação política para o assassinato: "Marielle fazia da denúncia a execuções como essa o centro da sua valorosa militância". Marina Silva, da Rede, pediu uma investigação rigorosa do caso. 
Manuela D'Ávila, pré-candidata pelo PCdoB, prometeu luta em nome de Marielle. Geraldo Alckmin, do PSBD, afirmou que o assassinato é um "crime bárbaro" que "revolta o Brasil inteiro".