segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O imperialismo estadunidense: câncer do mundo


a intervenção estrangeira na Síria


Duas notícias, cuja fonte é a agência síria Dampress, podem talvez carecer de confirmação mais exata - ainda não disponível - nomeadamente quanto ao número de militares franceses presos em território sírio. Mas fazem todo o sentido, sabendo-se que a “revolta” síria é comandada, apoiada, armada e justificada pela máquina militar e midiática das grandes potências. E como está sendo repetida na Síria a intervenção conjunta França-Estados Unidos já ensaiada na ocupação da Líbia.

 




Militares franceses detidos

O rumor circulava nos últimos dias nas redes sociais, e agora é o sítio da agência de notícias síria Dampress que anuncia. A detenção teria se dado na última segunda-feira, 20 de fevereiro:
“Os serviços especiais sírios prenderam, em Zabadani, um batalhão francês de transmissões com um efetivo de 120 soldados”. A agência de notícias acrescenta que “isto explica a nova mudança de tom de Paris, que adota agora um perfil baixo com receio de que este caso afete a campanha eleitoral de Nicolas Sarkozy. Alain Juppé ficou responsável pela negociação com o seu homólogo russo, Sergei Lavrov, de uma tentativa de solução e da libertação dos 120 soldados franceses.”

Segundo a mesma fonte, “Sarkozy enviou um arsenal militar aos opositores de Assad, mas as informações recolhidas pelos serviços de informações franceses confirmam que a maior parte desse material caiu nas mãos do exército sírio.”

Aviões não tripulados

Segundo fontes militares norte-americanas contatadas pela cadeia de televisão NBC, aviões não tripulados comandados à distância (drones) estariam operando na Síria. Esses aviões serviriam para recolher informações acerca das operações do exército do país visando fazer frente aos ataques da “oposição” síria.

Além disso, o exército estadunidense estaria colaborando na intercepção de comunicações do exército sírio com idêntica finalidade. http://noalaguerraimperialista-madrid.blogspot.com/



Hillary Clinton faz chamamento à guerra civil


A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, fez neste domingo (26) um chamamento à guerra civil na Síria, ao sugerir que a população das duas maiores cidades da Síria, Damasco e Aleppo, se junte à luta dos bandos armados contra o governo do presidente Bashar Assad em Homs, a terceira maior cidade do país.

Usando gestos histriônicos e linguagem caricata, a responsável pela política exterior do imperialismo norte-americano afirmou que "um massacre horrível" está em curso em Homs e pediu o apoio do resto da população síria à oposição.

Em entrevista à BBC, a secretária de Estado americana admitiu que uma intervenção estrangeira na Síria não é possível no momento e hipocritamente disse que seu chamamento é justamente “para evitar a guerra civil”.

A secretária de Estado norte-americana também voltou a criticar a Rússia e a China por seus vetos a uma resolução contra a Síria no Conselho de Segurança da ONU.

"Eles são livres para negociar a qualquer momento para tentar terminar com isso, mas o que posso ver é que suas negociações servem apenas para reforçar as tendências e as ações já existentes de Assad. As ações desses países são muito preocupantes, porque eles poderiam ser parte da solução", afirmou.

Para ela, se esses países não estivessem apoiando o governo sírio, Assad estaria mais pressionado a deixar o poder.

"Se eles tivessem se juntado a nós no Conselho de Segurança, acho que teríamos mandado uma mensagem muito forte a Assad de que ele precisaria começar a planejar sua saída, e as pessoas em seu entorno, que já estão se protegendo, começariam a fazer o mesmo", afirmou.

As declarações da secretária de Estado no mesmo dia em que milhões de sírios, atendendo ao apelo do governo, comparecem às urnas para referendar a nova Constituição, revela que os imperialistas estadunidenses acusaram o golpe. Assad, acusado de ditador, fez uma jogada política inteligente para legitimar seu regime, ao passo que os Estados Unidos, que se apresentam como paladinos da democracia, deixam patente seu desprezo para com a vontade popular e os sinais de evolução política na Síria.

Assad acenou não só com a aprovação de uma Constituição democrática, como também está levando adiante um plano de reformas integrais que contemplam reivindicações da própria oposição.

A titular do Departamento de Estado - que pretende superar em truculência e unilateralismo a chefe da diplomacia de Bush, Condoleezza Rice, patrocinadora do massacre ao Líbano, mas também derrotada pelas armas do Hezbolá (Líbano) – demonstrou todo o seu nervosismo com as posições de Rússia e China, que em boa hora decidiram retificar o erro crasso que cometeram ao facilitar o ataque à Líbia, quando aprovaram no Conselho de Segurança da ONU uma resolução a favor do uso da força contra o país norte-africano em caso de “violação” da “Zona de exclusão aérea”.

Washington percebe que a oposição desses dois grandes atores globais aos seus planos agressivos no Oriente Médio é um sinal a mais do isolamento estadunidense, que permanece falando sozinho na companhia apenas de alguns aliados da União Europeia e de regimes fantoches da região, como a Arábia Saudita e o Catar.

Na última sexta-feira (24) sob o pomposo nome de encontro dos países “amigos” da Síria, realizou-se um convescote na Tunísia, onde esses “muy amigos” revelaram-se como verdadeiros inimigos, voltando a bater na tecla surrada da derrubada de Assad e do apoio incondicional aos bandos armados que aterrorizam a população síria.

O governo sírio está dando sinais de que não fecha a porta ao diálogo, não ignora as críticas nem as deficiências do regime. Dá um passo construtivo ao realizar o referendo constitucional e opor em prática o plano de reformas integrais. A intolerância vem do imperialismo, em seu afã de controlar a região do Oriente Médio, essencial no quadro de sua estratégia para exercer o domínio mundial. O problema, para os imperialistas, é que a realidade muda velozmente. Há fenômenos novos na resistência e luta dos povos, há protagonistas regionais, como o Irã, que se opõem aos Estados Unidos e Israel, seu incondicional aliado e cabeça de ponte. E há potências no Conselho de Segurança que não se mostram dispostas a dar luz verde às ações agressivas de Washington.

A crise síria e as pressões sobre o Irã por parte das potências imperialistas estão afigurando-se como os principais temas da agenda de conflitos internacionais. Em torno desses temas vão deslindando-se os alinhamentos de forças e logo se verá quem é quem. As forças progressistas e anti-imperialistas no mundo não são indiferentes ao posicionamento do Brasil.

A luta de fundo é sempre a mesma. De um lado o imperialismo, de outro os povos, em busca de soberania e autodeterminação.



Notícias

Do Informativo Semanal do Prof. Ernesto Germano Pares

Trabalhador com mais de 11 anos de estudo já é maioria.

Em 2002, a população ocupada com 11 anos ou mais de estudo representava 44,7% do total. Esse percentual saltou para 60,7% em 2011. De acordo com a 14ª edição do boletim “Economia Brasileira em Perspectiva”, publicado pelo Ministério da Fazenda neste mês, esse aumento explica o incremento da produtividade brasileira, o que aumenta os salários.
De acordo com o último Censo da Educação Básica (2010), o número de vagas no ensino profissionalizante saltou de 565 mil, em 2002, para as atuais 924 mil. E, se forem consideradas as matrículas do ensino médio integrado, são 1,1 milhão de matrículas - 74,9% mais do que em 2002.
O orçamento para a educação profissional passou de R$ 1,2 bilhão, em 2003, para pouco mais de R$ 9 bilhões, em 2012. Dentre as ações que contribuíram para este aumento significativo de oferta de vagas está a criação dos institutos federais de educação, ciência e tecnologia na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, que passou de 140 unidades, em 2002, para 354, ao final de 2010.
Até 2014, serão 562 campi em funcionamento. Houve também o fortalecimento das redes estaduais de ensino técnico, por meio do convênio de recursos do programa Brasil Profissionalizado, por exemplo, e o acordo de gratuidade na oferta de vagas pelo “Sistema S”. (Fonte: Em Questão)
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Contra Cuba vale qualquer “arma”. Não basta o bloqueio econômico que já dura mais de meio século e nem as constantes propagandas mentirosas contra a Ilha. Para o governo dos EUA, qualquer arma é válida para atacar o pequeno país socialista que sobrevive apesar de todos os ataques. Agora virou moda entre os jovens estadunidenses os jogos (games) fazendo propaganda contra Cuba e seu povo. Um desses jogos que está em moda é o “Trópico 4”, um vídeo-game que acontece em uma “ditadura caribenha” e que usa todos os tipos de estereótipos racistas, insinuando que “a ilha” deve sofrer uma intervenção militar urgente.
Outro jogo que faz muito sucesso entre jovens estadunidenses é o “Call of Duty: Black Ops”. O objetivo do jogo é assassinar Fidel Castro e o “herói” virtual é um mercenário que realiza missões em vários países inimigos dos EUA (China, Vietnam, Rússia, etc.). E por aí vai... São dezenas de “games” para induzir jovens a odiar Cuba e aceitar que um ataque contra a Ilha seria lógico e correto. Quem quiser conferir é só procurar em sites de vídeo- games na internet. Vai encontrar uma quantidade de jogos envolvendo ataques a Cuba!
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Jorge Rafael Videla ataca o casal Kirchner. Em entrevista para a revista espanhola Cambio 16, o criminoso que comandou a última ditadura argentina, Jorge Rafael Videla, defendeu a tomada do poder pelos militares, em 1976, e disse que o país estava com “vazio de poder, paralisado institucionalmente e sob risco de anarquia”. Fez questão de destacar o apoio prestado pela Igreja Católica e se disse “orgulhoso” da excelente relação dos militares com ela. Confirmou o apoio e a colaboração dos empresários.
Em certa parte da entrevista ele critica duramente a reabertura dos julgamentos de militares por crimes de direitos humanos e chamou o casal Kirchner de “revanchista” por apoiar esses processos. Videla disse que se considera vítima de uma vingança. “Nosso pior momento chegou com os Kirchner”.
Vale lembrar. Videla vive desde outubro de 2008 em uma cela da prisão de Campo de Maio, um antigo cárcere militar, agora sob o comando do Ministério da Justiça. Lá estão os acusados e condenados pela prática de crimes contra a humanidade.
O ex-ditador foi julgado e condenado a prisão perpétua, em 1983, com perda da patente militar por numerosos crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura. Estava cumprindo a pena em dependências militares ou em prisão domiciliar. Mas uma ação movida pelas Abuelas de Plaza de Mayo, por causa do plano sistemático de roubo de bebês, fez com que perdesse as regalias. Mais tarde, em 22 de dezembro de 2010, foi condenado à prisão perpétua em cela comum pelos fuzilamentos na unidade penitenciária de San Martín, ocorridos entre março e outubro de 1976.
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Torturador argentino está preso em Santa Catarina. O ex-repressor argentino Claudio Vallejos, que atuou na repressão a presos políticos na ESMA (Escola de Mecânica da Armada), foi preso em Santa Catarina, dia 4 de janeiro, acusado de estelionato, segundo informou à agência italiana Ansa um funcionário da prisão para onde ele foi levado.
O argentino reside no Brasil há anos. Em 1986, declarou a jornalistas brasileiros e em depoimento a diplomatas suecos que atuava na ESMA em março de 1976 quando, segundo seu relato, o ex-capitão da Marinha, Alfredo Astiz, assassinou o pianista brasileiro Francisco Tenório Cerqueira Junior. O músico continua desaparecido até hoje e foi sequestrado quando se encontrava em uma turnê em Buenos Aires no grupo do poeta, compositor e ex-diplomata Vinicius de Moraes. Vallejos afirmou ter participado de “grupos de tarefa”, bandos que sequestraram, torturaram e assassinaram milhares de pessoas entre 1976 e 1979. Segundo seu próprio depoimento, a ESMA era sua base de operações.
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Militarização do Atlântico Sul. Muito esclarecedora a entrevista concedida pelo jornalista e escritor argentino Luis Bilbao sobre a questão das Malvinas e a insistência da Inglaterra em militarizar a região.
A entrevista foi transmitida pela emissora de televisão venezuelana (Venezolana de Televisión) e Bilbao demonstra que as Malvinas são “um ponto de apoio geoestratégico que permite a projeção de forças da OTAN até o Atlântico Sul e a Antártica”. Ele demonstra que a região é rica em petróleo e também em reservas de água potável, o que a torna ainda mais importante. E afirma que “a militarização do Atlântico Sul por parte da OTAN é uma ameaça não apenas para a Argentina, mas para toda a América Latina”.
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O terror está implantado na Líbia. Hala Misrati, a mais conhecida apresentadora de televisão da Líbia e defensora do governo de Muamar Kadafi, foi encontrada morta neste domingo (19) na prisão. O anúncio do falecimento da jornalista acontece no momento em que a ONU e diversas organizações de direitos humanos denunciam práticas de tortura e assassinatos contra simpatizantes do regime de Kadafi desde a execução do coronel.
Segundo a agência de notícias Al Arabija, ainda não foram apuradas as circunstâncias da morte de Misrati, porém, os primeiros indícios indicam que se tratou de um homicídio cometido por membros do CNT (Conselho Nacional de Transição). Misrati, de 31 anos, teve especial destaque no início da guerra civil líbia, em fevereiro de 2011, ao discursar frente às câmeras contra os opositores do coronel e à invasão da OTAN.
Após ser presa, Misrati foi exibida como um troféu. A última aparição diante das câmeras aconteceu em 30 de dezembro passado, quando ela apareceu em silêncio, segurando uma folha com a data da gravação, e com o rosto cheio de hematomas. Depois disso, mais ninguém soube do paradeiro da jornalista. Mas não encontrei qualquer matéria sobre isto na nossa imprensa. Se fosse em Cuba...
Vingança e terror. Na cidade de Tauerga, a oeste da Líbia, milhares de habitantes estão denunciando a discriminação, a violência, os saques e assassinatos cometidos contra aqueles que haviam apoiado o governo de Kadafi. Os moradores da cidade dizem que estão proibidos de voltar para suas casas e correspondentes internacionais confirmam que Tauerga está completamente vazia depois que as tropas do CNT (Conselho Nacional de Transição) passaram por lá.
Alguns jornalistas que conseguiram registrar o terror dizem que as casas foram destruídas, mulheres foram violentadas e milhares de pessoas foram mortas. A única acusação é de terem apoiado Kadafi. A matéria está no noticiário da TeleSUR.
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A miséria cresce nos EUA. Uma equipe da BBC de Londres foi aos EUA e visitou vários acampamentos de sem-teto no país. Segundo a matéria, é cada vez maior o número de pessoas que perderam suas casas e vivem em acampamentos. Os dados oficiais do governo dizem que “cerca de 47 milhões de pessoas vivem abaixo da linha de pobreza”, mas a cifra continua aumentando.
Novos acampamentos de sem-teto surgem a cada dia e já estão registrados em 55 grandes cidades estadunidenses. O maior acampamento está na cidade de Pinella Hope (Flórida), exatamente na região conhecida mundialmente por abrigar a Disney World. A matéria da BBC mostra que muitas dessas pessoas viviam bem até pouco tempo atrás, mas agora dormem em cabanas e dependem de ajuda de entidades.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Mutatis mutandis: a atual vergonha de ser paraibano


Sobre a atual vergonha de ser brasileiro
Affonso Romano de Sant'Anna

(Diante da pesquisa que aponta F.H. (presidente da República Fernando Henrique) como o brasileiro que mais envergonha o país, o cronista se vê forçado a publicar um texto de 17 anos atrás, atualíssimo)


Que vergonha, meu Deus! ser brasileiro
e estar crucificado num cruzeiro
erguido num monte de corrupção.
Antes nos matavam de porrada e choque
nas celas da subversão. Agora
nos matam de vergonha e fome
exibindo estatísticas na mão.
Estão zombando de mim. Não acredito.
Debocham a viva voz e por escrito
É abrir jornal, lá vem desgosto.
Cada notícia é um vídeo-tapa no rosto.
Cada vez é mais difícil ser brasileiro.
Cada vez é mais difícil ser cavalo
desse Exu perverso
nesse desgoverno terreiro.
Nunca vi tamanho abuso.
Estou confuso, obtuso,
com a razão em parafuso:
a honestidade saiu de moda
a honra caiu de uso.
De hora em hora a coisa piora:
arruinado o passado,
comprometido o presente,
vai-se o futuro à penhora.
Valei-me Santo Cabral
nessa avessa calmaria
em forma de recessão
e na tempestade da fome
ensinai-me a navegação.
Este é o país do diz e do desdiz,
onde o dito é desmentido
no mesmo instante em que é dito.
Não há lingüista e erudito
que apure o sentido inscrito
nesse discurso invertido.
Aqui o discurso se trunca:
o sim é não. O não, talvez.
O talvez, nunca.
Eis o sinal dos tempos
este o país produtor
que tanto mais produz
tanto mais é devedor.
Um país exportador
que quando mais exporta
mais importante se torna
como país mau pagador.
E, no entanto, há quem julgue
que somos um bloco alegre
do ‘‘Comigo Ninguém Pode’’
quando somos um país de cornos mansos
cuja história vai dar bode.
Dar bode, já que nunca deu bolo,
tão prometido pros pobres
em meio a festas e alarde
onde quem partiu, repartiu
ficou com a maior parte
deixando pobre o Brasil.
Eis uma situação
totalmente pervertida
-- uma nação que é rica
consegue ficar falida,
o ouro brota em nosso peito,
mas mendigamos com a mão,
uma nação encarcerada
que doa a chave ao carcereiro
para ficar na prisão.
Cada povo tem o governo que merece?
Ou cada povo
tem os ladrões a que enriquece?
Cada povo tem os ricos que o enobrecem?
Ou cada povo tem os pulhas
que o empobrecem?
O fato é que cada vez mais
mais se entristece esse povo num rosário
de contas e promessas num sobe e desce de prantos e preces.
C’est n’est pas um pays sérieux!
já dizia o general.
O que somos afinal?
Um país-pererê? folclórico? tropical?
misturando morte e carnaval?
Um povo de degradados?
Filhos de degredados
largados no litoral?
Um povo-macunaíma
sem caráter-nacional?
Por que só nos contos de fada
os pobres fracos vencem os ricos nobres?
Por que os ricos dos países pobres
são pobres perto dos ricos
dos países ricos? Por que
os pobres ricos dos países pobres
não se aliam aos pobres dos países pobres
para enfrentar os ricos dos países ricos,
cada vez mais ricos, mesmo
quando investem nos países pobres?
Espelho, espelho meu!
há um país mais perdido que o meu?
Espelho, espelho meu!
há um governo mais omisso que o meu?
Espelho, espelho meu!
há um povo mais passivo que o meu?
E o espelho respondeu
algo que se perdeu
entre o inferno que padeço
e o desencanto do céu.
OBS: Publicado no Jornal do Brasil e incluído em "Política e Paixão" (1984)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Brasil: postura inadmissível

BRASIL AFASTA-SE DOS BRICS E VOTA CONTRA A SÍRIA NA ONU

Às vésperas do carnaval, a representante do Brasil na ONU votou resolução de condenação ao governo sírio, afastando-se dos BRICS, dos países da ALBA , emitindo contraditória e perigosa mensagem de aproximação com as potências que sustentam intervencionismo militar crescente em escala internacional.

Beto Almeida

Às vésperas do carnaval, a representante do Brasil na ONU votou resolução de condenação ao governo sírio, afastando-se dos BRICS, dos países da ALBA , emitindo contraditória e perigosa mensagem de aproximação com as potências que sustentam intervencionismo militar crescente em escala internacional, especialmente contra países com políticas independentes e emergentes. Um voto que pode ser um tiro no próprio pé futuramente.

O Brasil ficou ao lado dos EUA, Inglaterra, França, Canadá, Espanha, Austrália, Alemanha, que deram sustentação à agressão ao Iraque, ao Afeganistão e , mais recentemente, à Líbia. Contra esta resolução que tendenciosamente condena e responsabiliza apenas o governo da Síria pela escalada de violência generalizada que atinge o país - na qual há farta evidência de ingerência estrangeira - estão a Rússia, China, Índia, África do Sul, países do grupo Brics - do qual o Brasil faz parte - e nove países da Alba, além do Irã, da Argélia, do Líbano, da Coréia do Norte. Este grupo reivindica que a solução da crise síria deve ser exclusiva dos sírios, que escolherão, nos próximos dias, pelo voto popular direto, um novo modelo de Constituição.

A votação na ONU ocorre em meio a pressões das grandes potências de realizarem uma ação de armar a oposição síria. A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Victória Nulandi declarou a insatisfação de seu país diante do veto da Rússia e da China a uma intervenção militar internacional aos moldes da Fórmula Líbia. Ela afirmou, entretanto, que seu país não descarta o fornecimento de armas ao autodenominado Exército Livre da Síria, que, conforme demonstra abundante informação, conta com armamentos, apóio logístico, de comunicações, recursos financeiros e a presença de mercenários que atuaram e atuam na Líbia, com apoio dos principais aliados norte-americanos na região, especialmente da Arábia Saudita e do Qatar.

O papel intervencionista da TV Al-Jazeera

A participação da oligarquia do Qatar no conflito sírio inclui a sistemática falsificação midiática da situação síria por parte da TV Al-Jazeera, emissora que foi fundamental também na sustentação midiática da invasão neocolonial à Líbia, com sofisticada over dose de desinformação, reproduzida ad nauseun por toda a mídia comercial internacional como única fonte informativa, questionada apenas pela Telesur que informava sobre o monumental massacre promovido pela Otan. Aliás, completamente confirmado. A TV Al-Jazeera é uma emissora capturada e plenamente a serviço da oligarquia petroleira internacional e nem mesmo o elogio de certas vozes da esquerda guiada pela Otan ou de ongs internacionais metidas no movimento de democratização da mídia, podem mais evitar esta constatação. O Qatar é um enclave oligárquico onde tem sede uma das mais importantes bases militares dos EUA na região.

Estaria o Itamaraty entrando em algum desconhecido estado de hipnose para não prestar a devida atenção ao público e assumido propósito intervencionista das grandes potências ocidentais na Síria, como revelam as declarações da porta-voz do Departamento de Estado? Em entrevista recente à BBC, o Ministro de Relações Exteriores da Inglaterra, Willian Hauge, disse estar preocupado com uma guerra civil na Síria, mas, confessando o sentido e a sinceridade de sua preocupação, afirmou, na mesma entrevista: “Como todos viram, não conseguimos aprovar uma resolução no Conselho de Segurança por causa da oposição da China e da Rússia. Não podemos intervir como fizemos na Líbia, mas podemos fazer muitas coisas”. Declarações semelhantes, anunciando a disposição para apoio militar à oposição no conflito foi dada pelo Chanceler da Holanda, Uri Rosenthal. Com o emblemático silêncio do Itamaraty. Pior ainda, com a adesão do Brasil à
resolução patrocinada por este grupo de países historicamente marcados pelo intervencionismo colonial.

Autorização para a matança

Sinais de que algo está se movendo negativamente no Itamaraty de Dilma Roussef surgiram quando, logo no início de seu governo, o Brasil absteve-se na votação da ONU que decidiu - tomando por base informações não confirmadas prestadas por emissoras como a Al Jazeera - pela gigantesca intervenção armada contra a Líbia. Aproveitando-se da frágil e acovardada posição da chancelaria brasileira naquele episódio, o presidente Barack Obama, o inacreditável Prêmio Nobel da Paz, desrespeitou a Presidenta Dilma e a todos os brasileiros ao declarar guerra à Líbia estando em Brasília! O que mereceu reparos posteriores da própria Dilma. E, pouco depois, uma espécie de confissão governamental sobre o trágico erro da posição brasileira então, quando o Assessor Internacional do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia, afirmou que aquela resolução foi na verdade uma “autorização para a matança”.

Foram 203 dias de bombardeios para “salvar civis”, destruindo toda a infraestrutura construída pelo povo líbio em 40 anos, o que levou aquela nação a registrar o mais elevado IDH da África. Hoje, o petróleo líbio, antes nacionalizado, e utilizado com alavanca para sustentar um sistema de eliminou o analfabetismo, socializou a educação e a saúde, já está nas mãos das transnacionais petroleiras, evidenciando a guerra de rapina. Nem mesmo a esquerda otanista, que apoiou a invasão, pode negar os 200 mil mortos líbios, as prisões abarrotadas, a dizimação sumária das populações negras em cidades totalmente calcinadas, as torturas. Qual é o balanço que o Itamaraty faz de seu próprio voto que, em última instância, encorajou semelhante massacre?

Também é sinal de involução na posição do Itaramaty em relação à gestão de Lula-Celso Amorim, o voto brasileiro na ONU contra o Irã na temática direitos humanos, sobretudo quando é conhecidíssima a descarada manipulação desta esfarrapada bandeira humanista pelo militarismo imperial. Aliás, aquele voto contra o Irã, só não foi acrescido de vexame diplomático internacional porque o governo persa advertiu com informações objetivas ao governo brasileiro de que a tão difundida cidadã iraniana Sakhiné foi condenada por ter assassinado seu marido e não porque teria praticado adultério como tantas vezes se repetiu no sempre duvidoso jornalismo global. E também de que era apenas uma grosseira mentira a “notícia” de que os livros de Paulo Coelho eram censurados no Irã, quando são vendidos livremente, e muito, em todas as livrarias das grandes cidades persas. A ministra da cultura de um país com taxas de leituras raquíticas e
analfabetismo vergonhoso quase comete o papelão de um protesto oficial. Desistiu a tempo.

Telhados de vidro

Que diferença da postura firme do Itamaraty no governo que condenou veemente a criminosa guerra imperialista contra o Iraque! Agora, observa-se uma gradual aproximação das posições do Itamaraty aos conceitos e valores daqueles países que promoveram aquelas intervenções indefensáveis contra o Iraque, o Afeganistão e a Líbia. O que indicaria uma contradição evidente também diante das próprias declarações da presidenta Dilma Roussef sobre direitos humanos em Cuba, rejeitando, com justeza, a pressão das grandes potências para a condenação unilateral e descontextualizada de países com posturas independentes.

“Todos temos telhados de vidro”, lembrou a mandatária verde-amarela. Corretíssimo! Mas por que então só o Irã foi alvo de voto da delegação brasileira na ONU? Por que não há voto brasileiro na ONU contra Guatânamo, as torturas praticadas pelos dispositivos militares dos EUA, os seqüestros de cidadãos islâmicos em várias partes do mundo, com a conivência dos países europeus que se gabam de serem professores em matéria de democracia e direitos humanos mas que oferecem seu território, seu espaço aéreo e suas instalações militares para, submissos, colaborarem com as repressivas leis exclusivas dos EUA? Será que o Itamaraty vai fazer algum protesto na ONU diante de declarações de autoridades do Pentágono de que comandos militares dos EUA que executaram Bin Laden no Paquistão poderão atuar também na América Latina?

Não estará havendo um descolamento de algumas posturas do Itamaraty em relação à posição estratégica que a política externa vem construindo ao longo de décadas, reforçada de modo mais elevado e coerente no governo Lula? Neste período, formatou-se uma estratégica prioridade para uma relação cooperativa com os países do sul, uma integração concreta com a América Latina e Caribe, agora consolidada na criação da Celac, a igual prioridade para o fortalecimento da Unasul (inclusive de seu Conselho de Defesa), a defesa da legítima soberania argentina sobre as Malvinas contra a ameaçadora pretensão colônia inglesa e, finalmente, a coordenação e inclusão do Brasil no Grupo do Brics, sem esquecer os objetivos que levaram Lula a promover a Cúpula de Países Árabes e América do Sul.

O Brasil diversificou prudentemente suas relações internacionais tendo agora como maior parceiro comercial a China e não os EUA, com quem possui perigoso e crescente déficit comercial, além de ser um país que já promoveu sanções contra o Brasil por causa do Acordo Nuclear, por causa da Projeto Nacional da Informática, , sem esquecer, claro, o nefasto golpe militar de 64, confessamente apoiado pelo Departamento de Estado dos EUA.

A sinistra mensagem da Líbia

Enquanto o Itamaraty parece hipnotizado por uma relação de aproximação com os países que mais promovem intervencionismo militar unilateral e ilegal no mundo, nos círculos militares brasileiros se ouviu e se entendeu com clareza e concretude a ameaçadora mensagem enviada pelas grandes potências com a agressão à Líbia, inclusive, aplicando arbitrariamente, ao seu bel prazer, os termos da Resolução aprovada na ONU. Especialistas militares brasileiros já discutem em organismos superiores a abstração de uma visão política que não considera que a intervenção rapinadora sobre as riquezas da Líbia são também ensaios e testes para ações mais amplas e generalizadas que podem ser aplicadas contra todo e qualquer país que também possua riqueza energética e alguma posição independente no cenário internacional. O figurino não serve para o Brasil? Tal como Kadafi, que se desarmou, que abandonou seu programa nuclear, que se aproximou
perigosamente dos carrascos de seu próprio projeto de nação, e que não pode organizar uma linha estratégica de defesa em coordenação com países como Rússia e a China, o Brasil também desarmou-se unilateralmente durante o vendaval neoliberal. A indústria bélica brasileira foi levada ao chão praticamente, configurando-se, agora, um perigoso cenário: é possuidor de imensas reservas de petróleo descobertas, como também de urânio, de nióbio, de água, de biodiversidade, e , simultaneamente, não possuidor da mais mínima capacidade de defesa para controlar eficientemente suas fronteiras ou até mesmo a Baía da Guanabara como porta de entrada do narcotráfico internacional, cujas noticiadas vinculações com organismos como a Cia deveria merecer a preocupação extrema do Itamaraty. Será que a robusta e impactante revisão pela Rússia e China de suas posições adotadas quando admitiram a agressão imperial contra a Líbia para uma nova
postura de veto a qualquer repetição da fórmula líbia que a Otan confessa pretender aplicar contra a Síria não deveria alertar os formuladores da política do Itamaraty?

Da mesma forma que se ouviu estrondoso a acovardado silêncio itamaratiano quando um avião Drone dos EUA foi capturado, em dezembro pelos sistemas de defesa iranianos quando invadia ilegalmente o espaço aéreo do Irã, agora, repercute novo silêncio brasileiro diante das jorrantes informações de infiltração de armas e de mercenários da Al-Qaeda em território, como admitem autoridades de países membros da Otan. O que pretende o Itamaraty? Defender os direitos humanos dos mercenários da Al-Qaeda subvencionados por países como a Arábia Saudita e o Qatar, que já haviam violado a soberania da Líbia, com o conivente voto brasileiro na ONU?

Manifestações populares defendem posição da Rússia e da China

Que significado terá para o Itamaraty a gigantesca manifestação popular em Damasco para receber o Chanceler russo , Sergei Lavrov, e agradecer a posição da Rússia e da China contra qualquer intervenção militar na Síria? Não estará a própria Rússia saindo de uma fase de hipnose de anos que, baseada na insustentável credulidade em torno dos acordos de redução de arsenais firmados com os EUA, levou-a, de fato, apenas a um desarmamento unilateral enquanto os orçamentos militares norte-americanos multiplicam-se e já suplantam os orçamentos militares de todos os países do mundo somados? Que significa para o Itamaraty a contundente declaração do Primeiro Ministro da China, Hu Jin Tão, propondo uma aliança militar sino-russa, após advertir que os EUA “só entendem a linguagem da força”?

Enquanto o Brasil vota com os países intervencionistas contra a Síria, a Inglaterra eleva sua presença militar nuclear no Atlântico Sul e os organismo militares brasileiros, como já tinham detectado durante da guerra das Malvinas nos anos 80, percebem que não há suficiente e adequada capacidade de defesa nacional para as riquezas do pré-sal.

Naquela época, embora posicionando-se pela neutralidade, o Brasil assumiu uma posição de neutralidade imperfeita que não o impediu de dar ajuda logística e de material de reposição militar à Argentina em sua guerra contra o imperialismo inglês, ocasião em que Cuba também ofereceu tropas ao governo portenho para lutar contra a Inglaterra. Compare-se com a posição atual no caso sírio. Será que é motivo de preocupação concreta para o Itamaraty, tendo como base o princípio sustentado pelo Brasil, de que quantidades indeterminadas de aviões drones dos EUA vasculham o território sírio, como anunciam autoridades norte-americanas, violando, portanto, sua soberania? Esta ingerência externa não merece posicionamento formal do Brasil na ONU? Mas, na rasteira filosofia dos dois pesos e duas medidas, o Brasil vota em aliança os países intervencionistas para intimidar o Irã em matéria de direitos humanos, mesmo quando a presidenta Dilma
anuncia que todos têm telhado de vidro e que a discussão sobre os direitos humanos deve iniciar-se pela sistemática câmara de torturas que os EUA mantém na base de Guantânamo. Será que as palavras de Dilma não são ouvidas no Itaramaty?

O governo do Líbano já está adotando posições políticas, que incluem manobras militares, para evitar que suas fronteiras com a Síria sejam utilizadas pelas nações que estão patrocinando o armamento e a infiltração de mercenários, com o apoio ostensivo de países intervencionistas, com o objetivo de derrubar o governo de Damasco. O mesmo está ocorrendo na Turquia, inclusive, com a ocorrência de uma grande manifestação popular em cidade turca fronteiriça à Síria, em apoio ao governo de Damasco. Em Curitiba, a Igreja Ortodoxa realizou Missa de Ação de Graças, organizada pelas comunidade sírio-libanesa e palestina, em agradecimento à Rússia e a China, gesto parecido ao ocorrido em Brasília, quando a mesma comunidade levou flores e agradecimento à embaixada da Rússia no Brasil.

Partidos e sindicatos

É importante que os partidos e sindicatos, sobretudo a aliança dos partidos progressistas e antiimperialistas que sustentam o governo Dilma, discutam atentamente as sombrias involuções da política do Itamaraty. Os militares brasileiros, certamente, já estão discutindo em seus organismos de estudo e planejamento, como indica a quantidade de textos e participações de autoridades militares brasileiras em audiências públicas e em publicações especializadas, sobretudo a partir da sinistra mensagem da Líbia.

Enquanto o Brasil é alvo de uma guerra cambial desindustrializadora, como advertem membros do governo, enquanto especialistas militares advertem para o período de nosso desarmamento unilateral frente a nossas gigantescas e cobiçadas riquezas naturais, observa-se, enigmaticamente, um reposicionamento do Itaramaty distanciando-se não apenas dos princípios e posturas aplicadas mais acentuadamente durante o governo Lula, mas, distanciando-se também do conjunto de países com os quais vem construindo uma linha de cooperação para escapar dos efeitos da crise que as nações imperialistas tentam descarregar sobre a periferia do mundo. E aproximando-se dos sinais e valores impregnados nos discursos e atos da sinistra Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, aquela que comemorou com uma gargalhada hienística quando viu as imagens de Muamar Kadafi sendo sodomizado e executado graças a informações prestadas pelos comandos militares dos EUA,
conforme denunciou Vladimir Putin.

Ponto alto da campanha eleitoral de Dilma Roussef foi a declaração de Chico Buarque em defesa de sua candidatura porque com Lula e Dilma, disse ele, “o Brasil não fala fino com os EUA e não fala grosso com a Bolívia”. O que explicaria então esta enigmática e contraditória aproximação do Itamaraty com as posturas ingerencistas de Hillary Clinton com relação à Síria e ao Irã? Seria afastamento em relação à genial síntese feita pelo poeta e revolucionário Chico Buarque?


Jornalista, Membro da Junta Diretiva da Telesur.

A ordem criminosa do mundo