segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Por que Moro anulou as perguntas do Cunha sobre Yunes e Henriques?

16/12/2016 12:49 - Copyleft

Por que Moro anulou as perguntas do Cunha sobre Yunes e Henriques?

As duas primeiras delações dos diretores da Odebrecht comprovam que Moro não é um juiz, mas um tucano de toga que atua motivado por interesses partidários.


Jeferson Miola
Beto Barata/PR
Num dos processos em que é réu na Lava Jato, Eduardo Cunha arrolou para testemunho de defesa, dentre outros, seu sócio golpista Michel Temer.
 
Em despacho de 28 de novembro de 2016, o juiz Sérgio Moro anulou 21 das 41 perguntas preparadas por Eduardo Cunha para a oitiva de Temer: considerou treze “inapropriadas” e oito sem “pertinência com objeto da ação penal”.
 
No grupo das “impertinentes”, estavam as perguntas 35, 36 e 37, que se referiam a José Yunes – histórico dirigente do PMDB, super amigo de mais de meio século de Temer e assessor especial da Presidência que se demitiu do cargo ocupado no Planalto depois da publicidade da delação do diretor da Odebrecht Cláudio Melo Filho:
 
-35: “Qual relação de Vossa Excelência [Temer] com o Sr. José Yunes”?;





 
-36: “O Sr. José Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB?”;
 
-37: “Caso Vossa Excelência tenha recebido, as contribuições foram realizadas de forma oficial ou não declarada?”.
 
Cláudio Melo Filho detalhou que um dos pagamentos pedidos por Temer, de R$ 4 milhões, “ocorreu entre 10 de agosto e o final de setembro de 2014 na Rua Capitão Francisco, 90, Jardim Europa, sede do escritório de Advocacia José Yunes e Associados”.
 
As perguntas 31 e 34, consideradas “inapropriadas” por Moro, se referiam a João Augusto Henriques, empresário-lobista do PMDB que está preso desde setembro de 2015 por envolvimento na corrupção na Petrobrás:
 
-31: “Vossa Excelência conhece o Sr. João Augusto Henriques?”;
 
-34: “Vossa Excelência tem conhecimento se houve alguma reunião sua com fornecedores da área internacional da Petrobrás com vistas à doação de campanha para as eleições de 2010, no seu escritório político na Avenida Antônio Batuira, nº 470, em São Paulo/SP, juntamente com o Sr. João Augusto Henriques?”.
 
Na delação, o diretor da Odebrecht Márcio Faria citou João Henriques como participante de reunião no escritório de Temer, com a presença do próprio Temer, para acertar as propinas para o PMDB, tal como Cunha insinuou na pergunta 34, inclusive com a mesma riqueza de detalhes sobre data e local de encontros: em 2010, no escritório do Temer!
 
No despacho que justificou a anulação de mais da metade das perguntas do Cunha, justamente aquelas que incriminam Temer, Moro abdicou da condição de julgador e atuou como advogado de defesa, usando argumentos para proteger e absolver Temer por antecipação:
 
[1] “apesar da afirmação [de Cerveró] de que teria procurado o então Deputado Federal Michel Temer para lograr apoio político para permanecer no cargo de Diretor da Petrobrás, não há qualquer referência de que a busca por tal apoio envolveu algo de ilícito ou mesmo que a conversa então havida tenha tido conteúdo ilícito” [sic]; e
 
[2] “não há qualquer notícia do envolvimento do Exmo. Sr. Presidente da República nos crimes que constituem objeto desta ação penal” [sic].
 
O conteúdo das delações dos lobistas da Odebrecht seguramente era do conhecimento prévio do onipotente e onipresente juiz titular da Lava Jato e dos procuradores e policiais tucanos da força-tarefa. Como, todavia, tais delações não atingem Lula e o PT; mas sim políticos do PMDB, PSDB, DEM, PSD, Moro anulou seletivamente as perguntas que poderiam esclarecer fatos e revelar a verdade sobre a corrupção na Petrobrás.
 
Moro não age sempre com a mesma “parcimônia” processual; é um juiz posicionado, com clara orientação partidária. Nos processos nos quais Lula foi abusivamente convertido em réu, Moro fica com sangue nos olhos, rechaça perícias técnicas, dificulta oitiva de testemunhas de defesa, atua como acusador e não como juiz, constrange advogados, é parcial e cerceia o direito de defesa.
 
Na caçada obsessiva ao Lula, e diante da monumental ausência de provas, Moro se apega a uma “inabalável convicção” para tentar condenar o ex-presidente.
 
Nas últimas semanas, com a crise terminal do governo golpista e o avanço das delações que incriminam o PSDB, PMDB, DEM e todo o bloco golpista, mas não atingem Lula, Moro e os justiceiros da Lava Jato partiram para a fabricação em série de ações policiais e judiciais delirantes contra o ex-presidente. A obsessão maníaca destes seres bíblicos da força-tarefa da Lava Jato ainda os levará a acusar Lula pelo derretimento da calota polar do planeta.
 
As duas primeiras delações dos diretores da Odebrecht comprovam que Moro não é um juiz, mas um tucano de toga que atua motivado por interesses partidários. A anulação seletiva das perguntas do Cunha para proteger Temer é prova incontornável de que Moro não tem isenção e imparcialidade para continuar atuando na Operação Lava Jato; ele prevaricou e feriu a Lei da Magistratura e se colocou em suspeição; está ética e funcionalmente impedido de prosseguir julgando o caso.


Créditos da foto: Beto Barata/PR

O uso do lawfare contra Lula

Clique:

https://www.youtube.com/watch?v=j_9u0Hjsl60




https://www.youtube.com/watch?v=VY-db8AU9ZE

A falsa briga entre Fux e Gilmar

A falsa briga entre Fux e Gilmar

Maduro envia carta de protesto a governo da Argentina após chanceler denunciar agressão


Maduro envia carta de protesto a governo da Argentina após chanceler denunciar agressão


Chanceler Delcy Rodríguez disse ter sido agredida ao tentar participar de reunião do Mercosul; Chancelaria argentina afirmou 'não saber de nada'
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enviou uma carta de protesto ao governo argentino na noite de quarta-feira (14/12) após a chanceler do país, Delcy Rodríguez, afirmar ter sido agredida por seguranças argentinos ao tentar entrar no Ministério das Relações Exteriores e Culto em Buenos Aires, para participar de uma reunião do Mercosul, do qual Caracas está temporariamente suspensa.
“[Rodríguez] Foi jogada no chão às portas da Chancelaria [argentina] e ao entrar foi agredida pelos chefes de segurança do edifício. Emitimos um protesto enérgico e total à covardia do governo argentino contra esta digna jovem mulher que representa a voz do povo de Simón Bolívar”, disse Maduro na quarta.

Agência Efe

Delcy Rodríguez disse ter sido agredida por seguranças quando tentava participar de reunião do Mercosul em Buenos Aires
O mandatário afirmou ter sido um episódio “nunca antes visto” e que a “direita intolerante” passou a recorrer novamente à violência. “Em vez de buscar que o Mercosul se fortaleça como o Mercosul social dos povos, que já havíamos conseguido, impuseram um plano retrógrado de destruição e divisão do Mercosul”, disse ele.
Além de Maduro, o Ministério das Relações Exteriores de Cuba também mostrou solidariedade à chanceler venezuelana nesta quinta-feira (15/12), publicando uma nota de repúdio ao episódio descrito por Rodríguez.

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“A agressão física em uma reunião internacional contra representantes oficiais de outros governos, um dos quais, além do mais, é mulher, é injustificável”, afirmou o escritório, que também pediu diálogo e negociação para a Argentina e a Venezuela.
Reunião do Conselho do Mercosul
Na quarta-feira, Delcy Rodríguez afirmou ter sido agredida ao intentar ingressar no Ministério das Relações Exteriores argentino para participar da reunião do Conselho do Mercosul, do qual a Venezuela está temporariamente suspensa, e para a qual Caracas "não estava convidada”, segundo os outros participantes.
“Em nenhuma parte do mundo, nunca, se recebeu a chanceleres com tropas de segurança antiprotesto e se agrediu uma chanceler e sua delegação oficial”, disse Rodríguez, após o incidente.
No mesmo dia, a Argentina assumiu a presidência pro tempore do bloco, após meses de impasse, em que a Venezuela foi impedida de assumir o cargo por não ter supostamente cumprido com os protocolos de adesão ao Mercosul - motivo pelo qual o país foi suspenso do grupo.
Na ocasião, a Venezuela insistiu em assumir a Presidência rotativa mesmo assim e agora diz não reconhecer ter sido suspensa do bloco, afirmando ter cumprido com todas as suas obrigações.
Procurada por Opera Mundi, o Ministério de Relações Exteriores e Culto da Argentina afirmou “não saber de nada e não ter visto nada” com relação às agressões relatadas por Rodríguez e disse, ainda, não ter recebido nenhuma carta do presidente Maduro.

Papa lamenta morte de dom Paulo Evaristo Arns e diz que arcebispo 'entregou vida ao povo'


Papa lamenta morte de dom Paulo Evaristo Arns e diz que arcebispo 'entregou vida ao povo'


Mensagem do pontífice foi lida durante velório de Arns na Catedral da Sé; funeral do arcebispo segue até esta sexta-feira, quando ele será sepultado
O Vaticano divulgou nesta quinta-feira (15/12) uma nota enviada pelo papa Francisco ao cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, lamentado a morte de dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito da Arquidiocese de São Paulo que morreu na quarta-feira (14/12).
“Dou graças ao Senhor por ter dado à Igreja tão generoso pastor e elevo fervorosas preces para que Deus acolha na sua felicidade eterna este seu servo bom e fiel, enquanto envio a essa comunidade arquidiocesana que chora a perda do seu amado pastor e à Igreja do Brasil, que nele teve um seguro ponto de referência, e a quantos partilham esta hora de tristeza que anuncia a ressurreição, uma confortadora bênção apostólica”, diz a mensagem, lida durante o velório de Arns hoje, na Catedral Metropolitana de São Paulo, na Sé, região central da cidade.

Agência Efe

Papa Francisco lamentou a morte de Dom Paulo Evaristo Arns, quem "entregou a vida para o povo"
“Paulo Evaristo entregou a vida para o povo”, afirmou o papa no texto.

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O velório de Arns começou às 20h de ontem na Catedral Metropolitana. Durante toda a madrugada, os fiéis rezaram o terço e se despediram do arcebispo emérito de São Paulo.
Na manhã desta quinta, a catedral continuou lotada de amigos, admiradores e parentes do arcebispo. O funeral seguirá de forma ininterrupta até as 15h de sexta-feira (16/12). Ao final, o corpo do religioso será sepultado na cripta da catedral.
Dom Paulo Evaristo Arns morreu aos 95 anos, após permanecer internado na unidade de tratamento intensivo (UTI) do Hospital Santa Catarina, com quadro de broncopneumonia. Figura controversa, Arns ficou conhecido como um defensor dos direitos humanos por ter lutado contra a ditadura militar brasileira, tendo, inclusive, realizado um culto ecumênico do jornalista Vladimir Herzog, morto pelo regime militar.

*com Agência Brasil

Cientistas 'levam' conferência a Adlène Hicheur, impedido de sair da França


Cientistas 'levam' conferência a Adlène Hicheur, impedido de sair da França


Físico de partículas deportado do Brasil vive sob prisão domiciliar; Hicheur pretende se mudar à Argélia após renúncia de cidadania francesa
Cientistas do laboratório suíço CERN (Organização Europeia para Pesquisa Nuclear) atravessaram a fronteira francesa até Vienne, cidade onde Adlène Hicheur se encontra em prisão domiciliar, para realizar uma conferência com a presença do físico franco-argelino, impedido de sair da França, nesta terça-feira (13/12).
“Nós organizamos a conferência para dar apoio a Adlène e mostrar para ele que uma grande parte da nossa comunidade é próxima a ele”, disse Vincenzo Vagnoni, coordenador do experimento LHCb (Large Hadron Collider beauty) e pesquisador no Instituto Nacional de Física Nuclear em Bolonha, na Itália, à revista científica britânica Nature.
Cerca de 30 pesquisadores se deslocaram para o evento, além de outros 15 pesquisadores na China, Estados Unidos e Brasil, que participaram através de videoconferências.
Hicheur foi deportado sumariamente do Brasil no dia 15 de julho de 2016, enquanto estava no país como professor visitante da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), com destino a Paris, na França, mesmo estando em situação regular no Brasil. Em 2009, enquanto trabalhava no CERN, o físico franco-argelino foi acusado de “formação de quadrilha” com o Al Qaeda e por trocar e-mails com um integrante argelino do Al Qaeda, e ficou preso na França até 2012, quando foi libertado.
Reprodução / Facebook

Adlène Richeur, no centro, com cientistas que participaram da conferência em Vienne, na França

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A conferência também é uma espécie de despedida de Hicheur, explica Vagnoni, já que ele decidiu voltar à Argélia durante as próximas semanas, após ter renunciado à cidadania francesa em outubro, única forma que encontrou para acabar com sua prisão domiciliar. Atualmente, ele é obrigado a comparecer a uma delegacia três vezes ao dia (9h, 14h e 19h) e proibido de sair da casa dos pais em Vienne depois das 20h e até 6h, ou sair da cidade, situada a 500 km de Paris.
“Ele provavelmente terá que deixar de lado sua única paixão na vida, a física. Este workshop em Vienne também é para dizer adeus e lhe desejar o melhor para a continuação da sua vida”, disse Vagnoni.
Além da conferência em Vienne, o Simpósio de Física de Alta Energia, realizado em novembro na Guatemala, contou com a participação de Hicheur através de videoconferência. O ato foi um gesto de solidariedade da comunidade, segundo John Ellis, físico da CERN, que ainda ressaltou a importância da escolha de Hicheur por parte do grupo de pesquisas de LHCb brasileiro para apresentar os resultados em nome do grupo.
Caso Hicheur
Entre 2009 e 2012, Hicheur cumpriu pena de dois anos e meio de prisão na França. Ele foi condenado por 5 anos sob a acusação de associação com integrantes do Al Quaeda que planejavam um atentado terrorista, mas ganhou liberdade.
Ele chegou ao Brasil em 2013 como professor visitante no CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas) com a recomendação de cientistas do experimento LHCb do  CERN e, após um ano no CBPF, ele passou em um exame para professor visitante da UFRJ.
Três semanas antes do início dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o governo brasileiro o deportou sumariamente para a França em nome do “interesse nacional”, sem direito a recorrer da decisão, onde foi posto em prisão domiciliar pelas autoridades francesas, causando protestos da comunidade científica. “Acho que Adlène teve muito azar ao se enquadrar no alinhamento de três fatores não triviais: a crise política no Brasil, a realização das Olimpíadas e o estado de emergência na França”, afirmou Vagnoni.

VITÓRIA SÍRIA E RUSSA EM ALEPO PÔS O OCIDENTE EM PÂNICO

Vitória síria e russa em Alepo pôs o ocidente em pânico
Até o final de novembro, União Europeia e Washington só fizeram tentar convencer a comunidade internacional de que nenhum dos lados no conflito sírio seria suficientemente forte para colher vantagem decisiva no campo de batalha.

Martin Berger

Ao mesmo tempo, círculos políticos ocidentais tomaram todas as medidas possíveis para impedir que Damasco e Moscou intensificassem a ofensiva contra os terroristas do ‘Estado Islâmico’ na Síria, sobretudo em Aleppo. Para essa finalidade, o secretário de Estado John Kerry aumentou os esforços diplomáticos para obter um acordo com a Rússia, sobre a Síria, antes de o atual governo deixar o posto –, como registra o Washington Post. Segundo o mesmo jornal, a Secretaria de Estado pouco se incomoda com a chamada “crise humanitária” em Aleppo; o que teme é que a Síria assine acordo diferente com a Rússia.

É curioso que funcionários da União Europeia tenham posto as suas fontes de propaganda a operar em hora extra, forçando aquelas fontes a publicar todos os tipos de acusações mentirosas contra o governo da Rússia e da Síria, dizendo que teriam bombardeado especificamente escolas e hospitais.

O fato é que há completo blecaute em todos os jornais e televisões sobre centenas de civis em Aleppo massacrados por militantes radicais rebeldes, que impediram a evacuação da população local, servindo-se dos corredores humanitários abertos pelo governo do presidente Assad, os territórios que os terroristas ocupavam. Mas todos foram induzidos a crer que os terroristas seriam uma espécie de heróis, prisioneiros que arriscaram a própria vida para expulsar da cidade os extremistas, essa “peste negra”.

Nesse ponto, o palco da ONU virou cenário para que os governos de Grã-Bretanha, França e Alemanha se pusessem a ‘exigir’ que Damasco fizesse uma “pausa humanitária” em Aleppo. Mas não para garantir alívio aos habitantes da cidade sitiada, porque esses países ocidentais não mandou um único caminhão de ajuda humanitário para Aleppo. Os representantes dos três países acima, como também dos EUA, sequer tiveram coragem de escoltar os comboios que a Rússia enviou, para evitar que fossem emboscados pelos terroristas.

Em vez disso, esses países usaram aquelas pausas para introduzir mais terroristas em Aleppo e garantir-lhes o fornecimento de equipamento militar.

Muitas publicações provam que nesse período os jihadistas tinham capacidade militar máxima, quando negócios massivos de armas estavam sendo construídos no Leste da Europa e na Ucrânia, para contrabandear para a Síria quantidades massivas de armas fabricadas pelos soviéticos.

Contudo, as tropas sírias estão sendo extraordinariamente bem-sucedidas, até agora, na libertação de Aleppo, sucesso o qual resultou em Washington descobrir-se em posição muito estranha. O Financial Times já noticiou que os líderes da oposição síria já estão mantendo conversações secretas com a Rússia, para pôr fim às hostilidades em Aleppo.

Pode acontecer de os EUA serem empurrados para fora da equação em vários conflitos chaves no Oriente Médio, inclusive na Síria. Com o desmascaramento do conceito de “oposição moderada”, os Estados Unidos vão perdendo espaço para influenciar a Síria, na medida em que se vai comprovando que não há “moderados”, só há radicais terroristas da Frente Al-Nusra.

Os Estados Unidos e a União Europeia estão em pânico total por causa dos desenvolvimentos na Síria, porque há possibilidade real de que se venha a expor completamente o verdadeiro papel que EUA e aliados europeus desempenharam na criação do chamado “Estado Islâmico” [ing. ISIS]. O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA Mark Toner até já ‘exigiu’ que a Rússia fosse impedida de combater contra o terrorismo internacional na Síria. Imediatamente depois dessa declaração, representantes de França, Grã-Bretanha e Alemanha tentaram aumentar a pressão, contra a Rússia no Conselho de Segurança da ONU.

O estado delirante em que se debatem as elites europeias governantes apareceu muito clara e publicamente, quando o Guardian publicou a sua mais recente demanda:

“Líderes europeus, especialmente o governo francês, estão alertando Vladimir Putin por canais privados de que se ele permitir que o presidente Bashar al-Assad da Síria converta a retomada de Aleppo em vitória militar na maior parte do país, a Rússia será obrigada a pagar a conta da reconstrução.”

É como se os governantes em Londres, Paris e Berlin estivessem em situação de morte cerebral. Só a morte cerebral explica que tenham esquecido quem destruiu Iraque, Líbia, Síria, Afeganistão e inúmeros outros países.

Os EUA, com o apoio ávido que lhe dá a União Europeia, mataram centenas de milhares de civis, destruíram moradias e a infraestrutura indispensável à sobrevivência dos que não foram mortos, o que resultou num verdadeiro êxodo de migrantes, do Oriente Médio e África, para a Europa. Assim sendo, talvez sejam eles obrigados a pagar a conta da reconstrução, em vez de obrigar países europeus menores a receber refugiados que, para começar, eles, sim, geraram. E quanto à responsabilidade de Washington?


www.vermelho.org.br publicado em IrãNews