segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Informativo Semanal do Prof. Ernesto Germano Pares



 Mourão é palavra que lembra repressão!
Sim, fui consultar o velho e bom “Aurélio” para confirmar que “mourão” é uma estaca de concreto, madeira ou pedra que serve para construir uma cerca. Escavada no solo, serve para sustentar telas, arames, placas de madeiras e outros para se criar uma cerca, ou seja, para reprimir a livre circulação. No caso mais recente do Brasil, Mourão quer impedir a livre circulação de ideias, coisa garantida na Constituição.
Mas, além da definição, esse nome não tem boa memória na história brasileira. Imediatamente veio à nossa lembrança a imagem de outro general, Olímpio Mourão Filho! Conhecido por suas preferências integralistas, na década de 1930, chegou a ser diretor do serviço secreto da Ação Integralista Brasileira. Foi o mentor de um incrível golpe que jogou o país na ditadura do Estado Novo. É de sua autoria o falso Plano Cohen, um documento “descoberto” pelos militares e que atribuía aos comunistas um plano para tomar o Brasil. O documento serviu de justificativa para Getúlio Vargas fechar o Congresso e implantar um regime de exceção que durou até o final da Guerra!
Mas aquele “Mourão” não parou por aí. Em março de 1964 ele comandava a 4ª Região Militar e a 4ª Divisão de Infantaria do I Exército, em Juiz de Fora quando deu ordens para suas tropas marcharem em direção ao Rio de Janeiro, na noite de 31 de março! A ordem daquele Mourão precipitou o golpe militar que mergulhou o país na escuridão por mais de duas décadas!
E agora vem outro “general Mourão” tentar assombrar a vida política nacional. Dessa vez é o general Antônio Hamilton Martins Mourão, conhecido por suas tendências de direita. Exonerado em 2015 do Comando Militar do Sul pelo comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, o “novo” general Mourão ocupa uma função burocrática em algum departamento. Foi afastado do comando após criticar o governo de Dilma Rousseff.
Qual o motivo de tantas matérias em torno do tal general Mourão?
Na noite de sexta-feira (15), em uma palestra na Loja Maçônica Grande Oriente, em Brasília, ele teria ameaçado um novo golpe militar ao dizer que o país poderá recorrer a uma “intervenção militar” se o Judiciário “não solucionar o problema político”.
A gravação da palestra mostra sua ameaça: “Ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então teremos que impor isso”.
Ou seja, ele comparece em uma palestra em uma das instituições mais direitistas que temos no país para dizer que o Judiciário, o poder mais desacreditado, deve solucionar o problema político? Quem conhece o “judiciário” brasileiro sabe que o tal Mourão só pode estar de brincadeira!
O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, foi chamado a dar explicações ao ministro da Defesa, Raul Jungmann, sobre a declaração do general, mas é claro que esperamos muito pouco disso!
É claro que a sempre golpista Rede Globo aproveitou o momento e fez matéria especial no seu Jornal Nacional, com a mesma cara deslavada e cínica de Bonner. Curiosamente, o general Villas Bôas fez um elogio a Hamilton Mourão, segundo ele “um grande soldado, uma figura fantástica, um gauchão”, e disse que não haverá punição, pois seu subordinado fez as declarações em um local fechado (uma loja da Maçonaria em Brasília) e após ser provocado por uma pergunta. Curioso é que o mesmo Villas Bôas havia afastado Mourão do cargo em outro incidente parecido.
Segundo a revista Carta Capital, grande parte dos parlamentares que dominam o Congresso estão tratando de “esfriar” o tema e relativizam a importância do discurso. Diz a revista: “À exceção de deputados de oposição, os parlamentares da Câmara têm preferido não repercutir as polêmicas declarações do general Antônio Hamilton Mourão. Enquanto a maioria dos congressistas da base aliada prefere manter-se em silêncio sobre o tema, o militar tem recebido apoio de colegas após garantir haver ‘planejamentos muito bem feitos’ para uma possível solução do ‘problema político’”.
Nada para comemorar. Alguns companheiros mais precipitados comemoraram a notícia, mas não há muito o que esperar. Na sexta-feira (22), o advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira anunciou a decisão de renunciar à defesa de Michel Temer na segunda denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o golpista. Foi Mariz quem conduziu a defesa de Temer na primeira denúncia feita e rejeitada pelo Congresso em 2 de agosto deste ano.
Acontece que o afastamento do advogado deve-se apenas ao fato de ele ter defendido no passado o doleiro Lúcio Funaro, um dos delatores citados na nova denúncia, o que configuraria conflito ético. Mariz continuará trabalhando para Temer em outros casos.
A segunda denúncia contra Temer chegou à Câmara dos Deputados na sexta-feira (22), depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter rejeitado pedido da defesa do presidente para interromper a tramitação. Antes mesmo da decisão do STF, Mariz já havia comunicado a Temer que deixaria de defendê-lo caso a denúncia prosseguisse.
“Tudo está em seu lugar”... A nova “chefa” dos juízes federais não poderia ser mais talhada para dar ao golpista Temer tranquilidade diante da enxurrada de acusações e provas contra ele. Raquel Dodge (poderia ser Ford ou Chrysler, não é) foi nomeada para a Procuradoria Geral da República e, assim, fica estabelecida uma harmonia entre os poderes Executivo e Judiciário.
O fato só demonstra a enorme capacidade que o golpista tem de mover suas peças no tabuleiro político nacional. Antes de embarcar para um “rega bofe” com Trump, “o troglodita”, ele fez uma declaração à imprensa dizendo que tinha “um prazer extraordinário” ao nomear sua amiga para as novas funções.
A nova Procuradora tomou para si a causa apresentada por Rodrigo Janot, afastado do cargo, onde Temer é acusado de “associação ilícita” e de ter recebido 175 milhões de dólares resultantes de subornos em contratos da Petrobras e outras empresas estatais. Curiosamente, Janot não compareceu à cerimônia de posse de Raquel Dodge.
Ninguém sabe a razão do sorriso de Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco na fotografia quando embarcava para os EUA, todos envolvidos na denúncia de Janot!
O Brasil “quase parando”. As primeiras manchetes dos jornais enganam e tentam dissimular a realidade do país. O golpista Temer, no exterior, tenta mostrar um Brasil “cor de rosa”. Ainda que as notícias digam que, em agosto, o número de novas vagas de trabalho com carteira assinada continuou aumentando, a informação não resiste a uma análise mais objetiva.
As matérias dizem que o número de novas vagas somou 35.457, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta quinta-feira (21) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Segundo o Caged, agosto foi o quinto mês seguido com mais vagas de trabalho formal abertas do que fechadas no país. No mês anterior, julho, foram gerados mais 35.900 postos de trabalho com carteira assinada. De janeiro a agosto deste ano, o mês de abril foi o que apresentou melhor resultado: 71.193 novas vagas em postos de trabalho formal.
Mas é preciso ver com calma esses números. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o desemprego continua alto. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), no trimestre de maio a julho, 12,8% dos brasileiros estavam desocupados, número que representa um quantitativo de 13,3 milhões de pessoas.
A Região Nordeste foi a que gerou mais postos de trabalho em agosto, com 19.964 vagas. Em seguida, vêm a Região Sul, com 5.935 vagas; o Centro-Oeste, com 4.655; o Norte, com 3.275; e o Sudeste 1.628 postos.
De acordo com o ministério, a média salarial de admissão no país ficou em R$ 1.482,07. A Região Sudeste aparece com a maior média (R$ 1.600,31). Em seguida, aparecem as regiões Sul (R$ 1.441,12); Centro-Oeste (R$ 1.369,69), Norte (R$ 1.293,60) e Nordeste (R$ 1.246,48).
Setor de serviços está entrando em crise. A atual crise econômica está interrompendo um período de sete anos de crescimento do setor de serviços no Brasil, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Desde o início da série histórica da Pesquisa Anual dos Serviços (PAS), em 2007, o IBGE registrou crescimento em dados como número de empresas, pessoas ocupadas e massa salarial real na área de serviços, além do valor adicionado pelo setor à economia. Em 2015, quando o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil caiu 3,8%, os serviços registram queda em seus principais indicadores.
Segundo o IBGE, vários fatores influenciaram o desempenho negativo do setor. Entre eles, está o fraco desempenho do consumo das famílias, que caiu 4% com a retração da renda e do mercado de trabalho (veja nosso artigo no Informativo passado). Ainda de acordo com o instituto, houve piora nas condições de crédito e aumento da inflação, que chegou a 10,6%.
O número de trabalhadores ocupados pelo setor de serviços atingiu o pico de 12.986.478 pessoas em 31 de dezembro de 2014.
Entre as atividades pesquisadas agora, apenas os serviços prestados às famílias (+0,09%) e as atividades imobiliárias (+5,09%) tiveram variação positiva no número de empregados. Principais empregadores, os serviços profissionais, administrativos e complementares tiveram queda de 3,4%, de 5.247.882 de funcionários para 5.069.708.
O salário médio real dos trabalhadores do setor de serviços também foi afetado pela crise econômica em 2015. O valor médio caiu 4,6%, de R$ 1.959,30 em 2014 para R$ 1.869,38. O melhor salário médio real em 2015 foi pago pelos serviços de comunicação e informação, com R$ 3.830,64, apesar da queda de 5,15% sobre 2014. Os serviços prestados principalmente às famílias pagavam os menores salários em 2015, de 1.177,76.
A atividade de telecomunicações perdeu mais de cinco pontos percentuais de peso na receita operacional líquida do setor de serviços, conforme a pesquisa do IBGE. De 2007 a 2015, o setor deixou de responder por 18,9% da receita e caiu para 11,3%, o que não alterou sua posição como setor que mais gerou receita em 2015. No último ano pesquisado pelo IBGE, a receita da atividade foi de R$ 162 bilhões, valor inferior ao registrado nos anos de 2014 e 2013, segundo a Pesquisa Anual dos Serviços (PAS).
Colômbia diz não à Trump. O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, fez um alerta a Donald Trump ao afirmar que uma intervenção militar na Venezuela não teria qualquer apoio por parte da América Latina! “Reiteramos ao presidente dos EUA (...) que qualquer intervenção não teria ajuda ou apoio por parte dos demais países da região”, disse ele.
O aviso foi feito durante um encontro no Palace Hotel de Nova Iorque e estavam presentes o presidente panamenho, Juan Carlos Varela, a vice-presidente da Argentina, Gabriela Michetti, e o golpista brasileiro Temer.
MNOAL diz não a medidas coercitivas de Trump. O Movimento de Países Não Alinhados (MNOAL) aprovou por unanimidade uma declaração repudiando as sanções unilaterais que EUA e outras nações aplicam a alguns membros desse grupo.
“O mais importante é que 120 países, mais de dois terços do total de Estados membros da ONU, deram uma resposta clara e firme sobre tudo aos EUA, mas também a outros Estados que pretendem impor medidas unilaterais coercitivas, as chamadas sanções, também a estados membros”, disse o chanceler da Venezuela, Jorge Arreaza, em uma coletiva com a imprensa.
A Venezuela, no momento, exerce a presidência rotativa do MNOAL e tem sido alvo constantes de recentes sanções aprovadas por Washington.
O encontro de chanceleres e altos representantes dos governos que integram o MNOAL aconteceu em Nova Iorque, durante a realização da 72ª Assembleia Geral da ONU.
Rússia chama de inaceitáveis as ameaças de Trump contra a Venezuela. Sergéi Lavrov, ministro das relações exteriores da Rússia, declarou, na quinta-feira (21), que “é inaceitável incitar distúrbios e ameaçar com o uso da força para democratizar a Venezuela ou para minar as autoridades legitimas em qualquer país”.
O ministro fazia referência às ameaças do presidente estadunidense que, em agosto deste ano, disse que seu país “muitas opções para a Venezuela, inclusive a militar, se for necessário”.
Sem se importar com a opinião geral, em discurso na Assembleia Geral da ONU, na quinta-feira, a embaixadora dos Estados Unidos, Nikki Haley, disse que o país não descarta novas sanções à Venezuela. Ela disse que todas as opções estão em aberto caso “as coisas não melhorem”. Nikki disse que possibilidade de novo embargo petroleiro “não está fora da mesa”.
“Oposição” perde a força na Venezuela? A última ação coordenada pela chamada “oposição democrática” da Venezuela foi uma explosão em Altamira, bairro nobre de Caracas, em 30 de julho desse ano. Naquele dia 8 milhões de venezuelanos saiam de suas casas para votar na Assembleia Nacional Constituinte (ANC) e os grupos de direita e os partidos que se opõem a Maduro planejaram o atentado com explosivos, que atingiu homens da Guarda Nacional Bolivariana e deixou mais de dez feridos. Não tivemos mais notícias de protestos ou ações dos direitistas desde então.
Na semana seguinte à Constituinte, os partidos opositores convocaram um protesto, mas apenas 100 manifestantes compareceram ao local do ato. Desde então, acabaram as convocações, as barricadas, os piquetes, e as ruas de Caracas voltaram a ter paz.
O jornalista venezuelano Victor Hugo Majano afirma que o recuo da oposição está relacionado à importante participação da população no processo que elegeu 545 deputados constituintes. “Foi uma derrota política muito contundente. O grande número de participação legitimou totalmente o processo eleitoral realizado pelo chavismo e o governo, apesar da propaganda maldosa que fizeram sobre a Constituindo no exterior. Também houve um certo desencantamento das pessoas devido ao uso da violência por parte da oposição durante os protestos”, apontou o jornalista. E a oposição deve estar repensando sua estratégia de não ter participado do processo eleitoral.
Duas semanas depois da eleição da Constituinte, dois dos partidos da oposição que protagonizaram os protestos contra o Presidente Maduro acumularam outra derrota - dessa vez, no contexto das eleições prévias para governador realizada pela Mesa da Unidade Democrática (MUD), coalisão que 18 partidos opositores.
As eleições internas da MUD são feitas para escolher um candidato único entre os postulantes opositores para, depois, concorrer com o candidato do Partido Socialista Unidos da Venezuela (PSUV), do presidente Nicolas Maduro. As primárias foram realizadas em função das eleições para governadores de 23 estados venezuelanos, convocadas para 15 de outubro.
O partido Primeira Justiça, liderado pelo atual presidente da Assembleia Nacional da Venezuela (ANV), Júlio Borges, ganhou em apenas três dos 19 estados onde houve disputa. Já o partido Vontade Popular, do político Leopoldo Lopez (que cumpre prisão domiciliar depois de ser acusado de liderar protestos violentos em 2014), não ganhou em nenhum estado. O processo foi liderado por um partido que representa a velha oligarquia venezuelana, o Ação Democrática, que se manteve afastado dos protestos violentos.
A escravidão não acabou! Segundo recentes pesquisas realizadas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), cerca de 40 milhões de pessoas ainda são vítimas da “escravidão moderna”. Dessas, 25 milhões são submetidas a trabalho forçado e 15 milhões são levadas a matrimônio sem consentimento.
O informe foi divulgado durante a recente Assembleia Geral da ONU e retrata um estudo conjunto realizado pela OIT, Walk Free Fundation e a Organização Mundial para Migrações. Revelou o alcance da “escravidão moderna” e considerou impossível cumprir as metas divulgadas como Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
O documento diz que mulheres e meninas representam 71% do total, cerca de 29 milhões. Isto alimenta 99% do comércio de sexo e 84% dos casamentos forçados!
Completando a informação, o documento diz ainda que cerca de 152 milhões de crianças, entre 5 e 17 anos, são objeto de trabalho infantil, concentrado fundamentalmente na agricultura (70,9%) e no setor de serviços (17,1%), enquanto 11,9% estão na indústria.
Uma grande contradição? Em números recentes, nosso Informativo falou no crescimento da fome no mundo e da crise humanitária que já avança aceleradamente em alguns países, mas estamos diante de uma grande contradição: a fome aumenta e a produção de alimentos também está aumentando?
A produção mundial de cereais pode atingir o recorde de 2,61 bilhões de toneladas em 2017, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). O estudo Perspectivas de Safras e Situação Alimentar, lançado na quinta-feira (21) em Roma, prevê que a situação global do abastecimento alimentar melhore com as boas colheitas na América Latina e a recuperação das condições agrícolas na região da África Austral.
A FAO prevê ainda que a produção global de arroz chegue ao máximo histórico de 503 milhões de toneladas este ano, um aumento de 0,5% em relação à estimativa revista em 2016. Na África, a produção total de cereais poderá crescer mais de 10%, após um aumento das safras de milho no sul do continente e de trigo no norte.
Qual o mistério? O mundo produz cada vez mais alimentos, mas esta sociedade produz mais famintos a cada dia!
De olho na Alemanha (1). Hoje será um dia para acompanhar os acontecimentos na Alemanha. Durante a semana a campanha eleitoral alemã entrou na reta final. Segundo as pesquisas, a atual chanceler Angela Merkel, segue como favorita nas pesquisas e pode assumir seu quarto mandato. Sondagem mostra que 34% dos eleitores não pretendem votar ou ainda estão indecisos.
No último dia 3, Merkel e seu principal adversário, Martin Schulz, participaram do único debate televisivo da campanha, visto como a grande oportunidade para os candidatos convencerem os eleitores indecisos. Apesar de Schulz ter atacado duramente Merkel com questões sobre imigração e relações com a Turquia, a atual chanceler se saiu melhor no debate.
Analistas locais consideram a reeleição de Merkel como certa. Mas, segundo alguns, o número de pessoas que pode se abster de votar é considerado muito alto.  De acordo com a pesquisa divulgada na quinta-feira (21) pela empresa GSM, o índice de abstenção (34%) é 5% maior do que nas últimas eleições.
A maior preocupação é que as abstenções podem favorecer o partido de extrema-direita, o AfD, que tem cerca de 10% de intenções de voto. Seus militantes declaram abertamente a simpatia pelo nazismo e usam habitualmente a violência. Alexander Gauland, um dos fundadores do AfD, é uma figura polêmica e já declarou, por exemplo, que os alemães deviam “ter orgulho” do que o seu exército fez nas duas grandes guerras.
De olho na Alemanha (2). As eleições deste domingo (24) na Alemanha estão marcadas por grandes enfrentamentos entre os principais partidos locais, mas a preocupação geral dos analistas não é com a possível formação de alianças para compor o Governo, mas com o avanço eleitoral de setores da extrema-direita.
A verdade é que existe um crescente descontentamento com a administração de Merkel e isso é comprovado pela queda de sua popularidade nas recentes pesquisas, mas não deve tirar sua vitória.
Segundo pesquisa do Instituto Emnid, 58% dos alemães acreditam que o desempenho de Merkel facilitou o desenvolvimento da eurocêntrica e xenófoba Alternativa para Alemanha (AfD) que deve receber cerca de 11% dos votos nas eleições gerais.
Criada em 2013, a AfD tem um programa claramente contrário à atual administração e conta com militantes partidários do nazismo e até mesmo defensores do extermínio de judeus. E muitos analistas consideram que seus seguidores representam o voto de protesto contra a posição vacilante de “la” Merkel e suas medidas de austeridade.
Em entrevistas recentes a chanceler, de 63 anos, tem tentado se distanciar da extrema-direita, mas a maioria dos cidadãos a responsabilizam pelo crescimento da AfD!
De olho na Alemanha (3). Em meio aos debates e campanhas para as eleições gerais, a Alemanha passou a semana envolvida em outro debate: a divulgação por economistas da Fundação Heinrich Boell, ligada aos sindicatos locais, sobre o crescimento da desigualdade social no país.
Segundo a matéria, “durante as últimas três décadas cresceram as diferenças sociais”, assegurou Gurtav Horn, chefe do Instituto de Macroeconomia e Pesquisas da Fundação. Segundo ele, ainda que os governos tenham anunciado crescimentos econômicos não conseguiram reduzir a desigualdade de rendas no país. Os números da pesquisa mostram que, entre 1991 e 2014, enquanto as rendas mais altas subiram 17%, as rendas médias cresceram 10% e os salários mais baixos apenas 3%!
Democracia? Não sabemos o que é! O governo espanhol, leia-se Mariano Rajoy, não tem qualquer ideia do significado da palavra “democracia”. Enquanto se mete quase diariamente nas questões internas da Venezuela, sustentando grupos de direita da chamada “oposição democrática” e exigindo “abertura democrática” no país, impede a realização do referendo popular sobre a independência da Catalunha.
Em recentes pronunciamentos, Rajoy declarou que na Espanha “há excesso de liberdade de expressão” e que “isso dá lugar a besteiras”. Ele se referia diretamente a um “porta-voz de um grupo parlamentar no Congresso que declarou que há presos políticos na Espanha”! Ele se referia às declarações de Pablo Iglesias.
Sobre a sua ordem para impedir a realização do referendo sobre a Catalunha ele disse que “o Estado de direito impediu o referendo” ao demitir sumariamente os componentes da junta eleitoral que organizava o processo. Mas não disse que deu ordens pessoais ao diretor do Tribunal Superior da Catalunha, nomeado por ele, para fazer o comunicado à polícia e à Guarda Civil.
Democracia? Não sabemos o que é! (2) A partir da determinação de Rajoy, prontamente atendida pelo juiz do Tribunal Superior, todo o corpo policial autônomo da Catalunha passa a estar sob o comando único do Ministério do Interior e vai ser comandado pelo secretário de Estado de Segurança! Simples assim!
O resultado da medida “democrática” de Rajoy foi imediato. Operação realizada na quarta-feira (20) terminou com 14 pessoas presas por envolvimento com referendo independentista, o que provocou a reação de milhares de pessoas que protestaram em frente à sede da Generalitat – sede do poder legislativo catalão.
A concentração começou depois das prisões de pessoas por suposta ligação com consulta popular sobre a independência da Catalunha a ser realizado no dia 1º de outubro. O referendo foi suspenso no último dia 07 de setembro pelo Supremo Tribunal Constitucional Espanhol.
Os manifestantes começaram a se concentrar às 10h da manhã após chamado da Assembleia Nacional Catalã (ACN) e de instituições ligadas a independência da Catalunha.

Segundo o portal El Diário “uma multidão ocupa a Gran Via de Barcelona e não para de chegar gente”. Os voluntários da ACN fizeram um cordão em frente à sede da Generalitat para que os políticos independentistas pudessem entrar e sair do edifício. A previsão é de que a manifestação dure por todo o dia. 

VAI JORRAR PETRÓLEO PARA OS NORUEGUESES



Revista da família Civita retrata com alegria a entrega de campos do pré-sal pelo governo de Michel Temer; no texto, Veja concede amplo espaço para o presidente da estatal norueguesa Statoil, Eldar Saetre, que celebra as decisões do governo Temer que estão desnacionalizando a cadeia de petróleo e gás no País; "Ponto positivo é o fim da obrigatoriedade de ter a Petrobras como sócia em todos os campos do pré-sal. Também vejo com bons olhos a flexibilização da política do conteúdo nacional, que determinava a compra de uma enormidade de itens produzidos pela indústria local", afirma Saetre; o engenheiro e professor Roberto Moraes já alertou que o País perderá o dobro do que foi descoberto na Lava Jato com os leilões.

Reportagem da revista VEJA deste fim de semana retrata com alegria a entrega de campos do pré-sal pelo governo ilegítimo de Michel Temer. Intitulada "Vai jorrar petróleo", a matéria fala sobre o leilão do campo de Carcará.

"Serão três rodadas de leilões em um mês, dois de campos do pré-sal. O governo espera arrecadar 8 bilhões de reais nas concorrências, uma injeção de ânimo no combalido caixa federal e uma boia de salvação para o Rio de Janeiro, onde 30% da economia gira em torno do chamado ouro negro. Quarenta empresas planejam entrar na briga por um espaço em águas brasileiras, entre elas os gigantes Shell, Total e Statoil, da Noruega", diz trecho da reportagem.

No texto, Veja concede amplo espaço para o presidente da Statoil, Eldar Saetre, que celebra todas as decisões do governo Temer que estão desnacionalizando a cadeia de petróleo e gás no País. "Pela primeira vez, vejo no Brasil um calendário de leilões de mais longo prazo, para os próximos três anos. Sabe-se agora quando e como será ofertada cada área de exploração. E previsibilidade é tudo em um negócio. Outro ponto positivo é o fim da obrigatoriedade de ter a Petrobras como sócia em todos os campos do pré-sal. Também vejo com bons olhos a flexibilização da política do conteúdo nacional, que determinava a compra de uma enormidade de itens produzidos pela indústria local", afirma Saetre.

“Para quem acha que o petróleo perderá relevância em pouco tempo, é bom lembrar que os combustíveis que movem o transporte de carga por terra, água e mar correspondem a 50% da demanda mundial. Em um planeta em que a população chegará a 9 bilhões nas próximas décadas, ainda vamos precisar de petróleo por muitos anos. O Brasil está no mapa”, acrescenta o executivo.

"Brasil perderá o dobro da-Lava Jato com leilão"

O engenheiro Roberto Moraes, professor do Instituto Federal Fluminense em Campos dos Goytacazes fez um sério alerta sobre o que o Brasil está perdendo de riquezas com leilão do pré-sal, celebrado pela Veja.


"No dia 29 de julho do ano passado, os 'gênios' do mercado, hoje na direção da Petrobras, liderados pelo Pedro Parente, venderam por US$ 2,5 bilhões, o direito de 66% de participação no bloco exploratório BM-S-8, onde está localizada a área de Carcará, no pré-sal da Bacia de Santos, para a estatal norueguesa Statoil. As estimativas da Statoil consideram o campo de Carcará como um ativo de classe mundial. Ele detém cerca de 700 a 1300 milhões de barris de óleo equivalente e a área unitizável no BM-S-8 de pelo menos mais 250 milhões de barris. A entrega da Joia da Coroa do campo de Carcará produz um prejuízo que é praticamente o dobro do que toda a Lava Jato", diz o engenheiro.

CASOS DE ALCKMIN E SERRA NA ODEBRECHT PODEM PRESCREVER

CASOS DE ALCKMIN E SERRA NA ODEBRECHT PODEM PRESCREVER

O Ministério Público de São Paulo rejeitou um acordo com a Odebrecht para receber provas de pagamento de propinas a políticos em obras do Metrô, CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), Dersa e DER (Departamento de Estradas de Rodagem); o resultado prático do impasse com os promotores de São Paulo é que as investigações sobre autoridades dos governos dos tucanos Geraldo Alckmin e José Serra, respectivamente o "Santo" e o "Careca" da lista da empreiteira, e da gestão de Gilberto Kassab na Prefeitura de São Paulo devem atrasar ainda mais; há risco de prescrição em algumas ações


SP 247 - Dez promotores do Ministério Público de São Paulo que investigam corrupção decidiram que não vão assinar um acordo com a Odebrecht para receber provas de que houve pagamento de propina em obras do Metrô, CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), Dersa e DER (Departamento de Estradas de Rodagem).
Eles dizem que não endossam o acordo de leniência porque há irregularidades no texto, como a ausência de concordância da CGU (Controladoria Geral da União) e da AGU (Advocacia Geral da União) com os termos acertados, como está previsto na legislação brasileira.

Acordo de leniência é uma espécie de delação, mas da empresa, não de pessoas que se envolveram com suborno.

Sem endossar os termos do acordo, os promotores não receberão as provas que fazem parte do trato e que serviriam para sustentar ações contra aqueles que são apontados pela Odebrecht como recebedores de propina.

O resultado prático do impasse com os promotores de São Paulo é que as investigações sobre autoridades dos governos de Geraldo Alckmin e José Serra, ambos do PSDB, e da gestão de Gilberto Kassab na Prefeitura de São Paulo devem atrasar ainda mais. Há risco de prescrição em algumas ações. Alckmin, Serra e Kassab negam ter recebido suborno da Odebrecht.

A ilegalidade no acordo de leniência da Odebrecht foi apontada em decisão do Tribunal Regional Federal de Porto Alegre, que julga os recursos de decisões do juiz Sergio Moro. O TRF analisava um pedido da União para que a Justiça mantivesse o bloqueio de bens da empresa.


Apesar dessas divergências, tanto os promotores quanto a própria Odebrecht cogitam a negociação de um acordo paralelo à leniência.

ESCRAVIDÃO, E NÃO CORRUPÇÃO, DEFINE SOCIEDADE BRASILEIRA

Escravidão, e não corrupção, define sociedade brasileira
Carlos André Cavalcanti/Jessé Souza







Quem sintetizou a interpretação dominante do Brasil, que todos aprendemos nas escolas e nas universidades, foi Gilberto Freyre (1900-87). É a ideia de que viemos de Portugal e que de lá herdamos um jeito específico de ser. Para o autor de "Casa-Grande e Senzala" e para seguidores como Darcy Ribeiro (1922-97), essa herança era positiva ou, pelo menos, ambígua.
Sérgio Buarque de Holanda (1902-82), outro filho de Freyre, reinterpreta a ideia como pura negatividade em registro liberal. Cria, assim, o brasileiro como vira-lata, pré-moderno, emotivo e corrupto. Tal visão prevaleceu, e quase todos a seguem, de Raymundo Faoro (1925-2003), Fernando Henrique Cardoso e Roberto DaMatta a Deltan Dallagnol e Sergio Moro.
Essa é a única interpretação totalizante da sociedade brasileira que existe até hoje.
A "esquerda", entendida como a perspectiva que contempla os interesses da maioria da sociedade, jamais construiu alternativa a essa leitura liberal e conservadora. Existem contribuições tópicas geniais, mas elas esclarecem fragmentos da realidade social, não a sua totalidade, permitindo que, por seus poros e lacunas, penetre a explicação dominante.
A ausência de interpretação própria fez com que a esquerda sempre fosse dominada pelo discurso do adversário. Reescrever essa história é a ambição de meu novo livro, "A Elite do Atraso - Da Escravidão à Lava Jato" [Leya, 240 págs., R$ 44,90]. O fio condutor é a ideia de que a escravidão nos marca como sociedade até hoje —e não a suposta herança de corrupção, como se convencionou sustentar.
Para Faoro, por exemplo, a história do Brasil é a história da corrupção transplantada de Portugal e aqui exercida pela elite do Estado. Nessa narrativa, senhores e escravos raramente aparecem e nunca têm o papel principal.
Essa abordagem seria apenas ridícula se não fosse trágica. Faoro imagina a semente da corrupção já no século 14, em Portugal, quando não havia nem sequer a concepção de soberania popular, que é parteira da noção moderna de bem público. É como ver um filme sobre a Roma antiga cheio de cenas românticas que foram inventadas no século 18. Não obstante, o país inteiro acredita nessa bobagem.
ESCRAVIDÃO
Os adeptos dessa interpretação dominante parecem não se dar conta de que, em uma sociedade, cada indivíduo é criado pela ação diária de instituições concretas, como a família, a escola, o mundo do trabalho.
No Brasil Colônia, a instituição que influenciava todas as outras era a escravidão (que não existia em Portugal, a não ser de modo tópico). Tanto que a (não) família do escravo daquele período sobrevive até hoje, com poucas mudanças, na (não) família das classes excluídas: monoparental, sem construir os papéis familiares mais básicos, refletindo o desprezo e o abandono que existiam em relação ao escravo.
Também no mundo do trabalho a continuidade impressiona. A "ralé de novos escravos", mais de um terço da população, é explorada pela classe média e pela elite do mesmo modo que o escravo doméstico: pelo uso de sua energia muscular em funções indignas, cansativas e com remuneração abjeta.
Em outras palavras, os estratos de cima roubam o tempo dos de baixo e o investem em atividades rentáveis, ampliando seu próprio capital social e cultural (com cursos de idiomas e pós-graduação, por exemplo) e condenando a outra classe à reprodução de sua miséria.
A classe que chamo provocativamente de ralé é uma continuação direta dos escravos. Ela é hoje em grande parte mestiça, mas não deixa de ser destinatária da superexploração, do ódio e do desprezo que se reservavam ao escravo negro. O assassinato indiscriminado de pobres é atualmente uma política pública informal de todas as grandes cidades brasileiras.
A nossa elite econômica também é uma continuidade perfeita da elite escravagista. Ambas se caracterizam pela rapinagem de curto prazo. Antes, o planejamento era dificultado pela impossibilidade de calcular os fatores de produção. Hoje, como o recente golpe comprova, ainda predomina o "quero o meu agora", mesmo que a custo do futuro de todos.
É importante destacar essa diferença. Em outros países, as elites também ficam com a melhor fatia do bolo do presente, mas além disso planejam o bolo do futuro. Por aqui, a elite dedica-se apenas ao saque da população via juros ou à pilhagem das riquezas naturais.
INTERMEDIÁRIAS
Historicamente, a polarização entre senhores e escravos em nossa sociedade permaneceu até o alvorecer do século 20, quando surgiram dois novos estratos por força do capitalismo industrial: a classe trabalhadora e a classe média.
Em relação aos trabalhadores, a violência e o engodo sempre foram o tratamento dominante. Com a classe média, porém, a elite se viu contraposta a um desafio novo.
A classe média não é necessariamente conservadora. Tampouco é homogênea. O tenentismo, conhecido como nosso primeiro movimento político de classe média, na década de 1920, já revelava essas características, pois abrigava múltiplas posições ideológicas.
A elite paulistana, tendo perdido o poder político em 1930, precisava fazer com que a heterodoxia rebelde da classe média apontasse para uma única direção, agora em conformidade com os interesses das camadas mais abastadas. Como naquele momento os endinheirados de São Paulo não controlavam o Estado, o caminho foi dominar a esfera pública e usá-la como arma.
O que estava em jogo era a captura intelectual e simbólica da classe média letrada pela elite do dinheiro, para a formação da aliança de classe dominante que marcaria o Brasil dali em diante.
O acesso ao poder simbólico exige a construção de "fábricas de opiniões": a grande imprensa, as grandes editoras e livrarias, para "convencer" seu público na direção que os proprietários queriam, sob a máscara da "liberdade de imprensa" e de opinião.
A imprensa, todavia, só distribui informação e opinião. Ela não cria conteúdo. A produção de conteúdo é monopólio de especialistas treinados: os intelectuais. A elite paulistana, então, constrói a USP, destinando-a a ser uma espécie de gigantesco "think tank" do liberalismo conservador brasileiro, de onde saem as duas ideias centrais dessa vertente: as noções de patrimonialismo e de populismo.
LAVA JATO
Enquanto conceito, o patrimonialismo procede a uma inversão do poder social real, localizando-o no Estado, não no mercado. Abre-se espaço, assim, para a estigmatização do Estado e da política sempre que se contraponham aos interesses da elite econômica. Nesse esquema, a classe média cooptada escandaliza-se apenas com a corrupção política dos partidos ligados às classes populares.
A noção de populismo, por sua vez, sempre associada a políticas de interesse dos mais pobres, serve para mitigar a importância da soberania popular como critério fundamental de uma sociedade democrática —afinal, como os pobres ("coitadinhos!") não têm consciência política, a soberania popular sempre pode ser posta em questão.
É impressionante a proliferação dessa ideia na esfera pública a partir da sua "respeitabilidade científica" e, depois, pelo aparato legitimador midiático, que o repercute todos os dias de modos variados.
As noções de patrimonialismo e de populismo, distribuídas em pílulas pelo veneno midiático diariamente, são as ideias-guia que permitem à elite arregimentar a classe média como sua tropa de choque.
Essas noções legitimam a aliança antipopular construída no Brasil do século 20 para preservar o privilégio real: o acesso ao capital econômico por parte da elite e o monopólio do capital cultural valorizado para a classe média. É esse pacto que permite a união dos 20% de privilegiados contra os 80% de excluídos.
A atual farsa da Lava Jato é apenas a máscara nova de um jogo velho que completa cem anos.
Em conluio com a grande mídia, não se atacou apenas a ideia de soberania popular, pela estigmatização seletiva da política e de empresas supostamente ligadas ao PT —o saque real, obra dos oligopólios e da intermediação financeira, que capturam o Estado para seus fins, ficou invisível como sempre. Destruiu-se também, com protagonismo da Rede Globo nesse particular, a validade do próprio princípio da igualdade social entre nós.
O ataque seletivo ao PT, de 2013 a 2016, teve o sentido de transformar a luta por inclusão social e maior igualdade em mero instrumento para um fim espúrio: a suposta pilhagem do Estado.
Desqualificada enquanto fim em si mesma, a demanda pela igualdade se torna suspeita e inadequada para expressar o legítimo ressentimento e a raiva que os excluídos sentem, mas que agora não podem mais expressar politicamente.
Assim, abriu-se caminho para quem surfa na destruição dos discursos de justiça social e de valores democráticos —Jair Bolsonaro como ameaça real é filho do casamento entre a Lava Jato e a Rede Globo.

O pacto antipopular das classes alta e média não significa apenas manter o abandono e a exclusão da maioria da população, eternizando a herança da escravidão. Significa também capturar o poder de reflexão autônoma da própria classe média (assim como da sociedade em geral), que é um recurso social escasso e literalmente impagável."

No Brasil do “prove que é inocente”, Lula entrega recibos do aluguel

No Brasil do “prove que é inocente”, Lula entrega recibos do aluguel

A defesa de Lula protocolou no Santo Ofício, digo, na vara criminal do Dr. Sérgio Moro o contrato e vários recibos do aluguel pagos por Marisa da Silva pelo apartamento localizado ao lado do seu, em São Bernardo do Campo, aprazível cidade da Riviera Francesa.
Numa incrível inversão do ônus da prova, o Moro “mandou” Lula apresentar os recibos do aluguel, sem que houvesse qualquer prova de que teriam sido pagos por terceiros. Ainda assim, neste completo absurdo, a defesa de Lula o fez, em petição apresentada hoje, à qual juntou a cópia de 26 recibos para comprovar pagamento de aluguel :
Na ausência absoluta de qualquer elemento que pudesse dar sustentação à fantasiosa tese de que o Peticionário teria sido beneficiado com recursos provenientes de contratos com a Petrobras, a Força Tarefa da Lava Jato elegeu
artificialmente uma relação privada de locação entre o Sr. Glaucos da Costamarques (locador) e D. Marisa Letícia Lula da Silva (locatária), envolvendo o citado apartamento 121 do residencial Hill House, como algo relevante para a acusação.
Também no que tange a essa relação privada de locação o Ministério Público Federal nada demonstrou que pudesse amparar a acusação formulada contra o Peticionário.
De qualquer forma, em atenção à deliberação constante no item 3 do “Termo de Audiência” de 19/09/2017, requer-se a juntada do incluso Instrumento de Locação relativo ao apartamento 121, do Residencial Hill House, Bloco 1, localizado na Avenida Francisco Prestes Maia, nº 1501, São Bernardo/SP (SP) bem como a juntada dos inclusos “Recibos de Aluguel” relativos à locação do apartamento 121, do Residencial Hill House, Bloco 1, localizado na Avenida Francisco Prestes Maia, nº 1501, São Bernardo/SP (SP) localizados até a presente data.
Vejam a loucura que se atingiu: Lula declarou o aluguel pago no IR, o locador declarou o recebimento, há recibos  e….não vem ao caso.
Aliás, o Estadão hoje faz estardalhaço com os recibos fornecidos pelo Instituto Lula de doações recebidas da Odebrecht, alegadamente propina. Vai pro Guiness! Propina com talão de recibo e assinatura, depositada na conta bancária (no Brasil) do próprio instituto!
E o pior é que, nos comentários do jornal alguns “jênios” dizem: aí está a prova. Prova de que? De que o dinheiro foi recebido legalmente, com recibo e depósito em banco?
Olha, nem o lobo da fábula era capaz de tamanho cinismo.

Ao pato pavão de Doria sobrou a panela do Alckmin? Ou só o Kim?

Ao pato pavão de Doria sobrou a panela do Alckmin? Ou só o Kim?

Hoje cedo, pela cortesia da Folha de dar cobertura a um evento de 50 pessoas, publicou-se aqui a imagem da dupla Kim-João Doria, com o prefeito saudado como futuro presidente pelo menino da panela.
Pois cada vez mais está ficando evidente que desandou o caldo da candidatura doriana.
Já não é novidade e  deixou de ser “sensação”.
Era, para usar sua linguagem moderninha, um gadget: chama a atenção mas logo se descobre que não serve para nada.
É incensado por Michel Temer e pelo DEM, sem que em sua parca imaginação não surja a dúvida de que essa turma é falsa como uma nota de três reais, embora Dória se considere o titular imbatível da cara-de-pau.
Não conseguiu tomar um milímetro do terreno do fanatismo direitista onde assentou acampamento o  escoteiro Jair Bolsonaro,
No PSDB, desenhou um perfil de traidor do qual dificilmente se livrará, ainda mais com alianças que desmentem escancaradamente a sua imagem de “novo, como bem observa o jornalista Aziz Filho, em artigo n’Os Divergentes:
A defesa de políticos “velhos”, como Michel Temer e Aécio Neves, a facada da criatura nas costas do criador, as costuras noturnas e o marketing calculado são ações típicas de um político como qualquer outro. É hora de ajustar a mensagem para não atrair outro adjetivo pouco apreciado pelo dono do voto, o de mentiroso.
O mais recente argumento dos dorianos é que, se o prefeito trocar o PSDB pelo DEM, haverá revoada de tucanos tristonhos para vários partidos. É provável que se trate de uma miragem. O PSDB de Alckmin já contabilizou a perda da prefeitura de São Paulo, por mais frustrante que seja depois de arrancá-la do PT, e muitos até torcem pela saída de Dória. Quando isso acontecer, o governador une o partido em uma semana… 
Doria, de fato, subiu como um foguete após sua eleição e posse como prefeito de São Paulo. Mas seu foguete era pirotécnico, de um só estágio e vai visivelmente perdendo o empuxo. O “Rocket Man”, para furtar a expressão de Trump sobre o gorduchinho da Coreia, é míssil de curto alcance, destes rojões do santo que tem seu primeiro nome.
De candidato da elite, o pato de chashmère quebrou a panela da política e ficou só com os paneleiros da histeria. Confundiu inflar-se e ser inflado  com crescer.
Doria, abraçe o Kim, aperte o Kim, segure o Kim, Kim, Kimkimkim. Talvez não sobre outro “tchan” para sua candidatura.

Mentindo mas, falando somente a verdade!!! Assistam ao vídeo.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Mentindo mas, falando somente a verdade!!!

 Desde criança . ouço essa frase mas, só fui entender quando já era adulto e estava na metade do curso universitário e já tinha conseguido um emprego no Banco Estatal local.. Como a inflação era alta, o poder de compra dos salários se perdia rapidamente, era comum também as greves, em vários setores, exigindo reposição das perdas salárias.
Esta foto mostra uma das vigas de sustentação de uma das Torres Gêmeas que segundo o Governo Americano foram derrubadas por terroristas usando aviões!!!!  Você acredita que algumas coisa sendo destroçada fica com essa aparência? Elas foram destroças ou cortadas??? 
Nesta época eu trabalhava no Banco Estatal local e também estávamos em greve por melhores salários e coincidentemente o Governador do Estado tinha viajado para Brasília atrás de recursos. No dia da volta do governador, a maioria dos funcionários envolvidos nas greves, nos diversos setores do Estado, resolveram fazer uma manifestação na chegada do Governador ao aeroporto. No salão de entrada do aeroporto se concentraram os grevistas e os correligionários do governador (termos usado na época para designar os aliados políticos) formando um corredor polonês. Os aliados, de um lado, aplaudiam a chegada do governador e, do outro lado, os grevistas vaiavam e gritavam palavras de ordem. Foram entrevistados Governador, aliados e lideres sindicais pela TV local.
Tudo isso ocorreu ainda no final do Regime militar e as pessoas que criticavam o governo (em qualquer esfera) eram considerados agitadores ou baderneiros. Como não saia na televisão as manifestações contra o governo, que o mesmo nunca era criticado ou contestado, ficava a ideia de aprovação popular.
 Ao chegar em casa narrei o ocorrido a minha mãe (eu trabalhava na capital e morava no interior) e falei para ela que ia passar no Jornal Local das sete horas da noite. Qual a minha surpresa! O apresentador fez a seguinte apresentação da noticia: governador volta de Brasília e é recebido com festa no Aeroporto de Aracaju. Foi ai que minha mãe perguntou, cadê as manifestações contra o governador que você falou? Tá aprendendo a mentir moleque? Não adiantou eu dá explicações, passei por mentiroso e ainda recebi uma bela bronca!!!! Foi então que deste dia em diante sempre passei a duvidar dos noticiários das Rede de Televisão, Rádios e Jornais e ao longo do tempo percebo que esse tipo de procedimento vem aumentando a cada dia nos noticiários.

Para piorar a situação, não se pode chamar o apresentador de mentiroso, ele falou somente a verdade, o Governador foi aplaudido, ele somente omitiu os fatos que não interessava a ele e é claro, para que as pessoas  tirassem conclusões erradas. Isso quer dizer que os que tem mais acesso aos meios de comunicação tem o grande poder de manipular e levar a população a tirar conclusões erradas sobre determinado assunto e direciona-los como massa de manobra.
Nesta última eleição ocorreram fatos semelhante, onde o apresentador mostra somente as coisas boas do então candidato a Presidente José Serra (clique aqui), mas pode-se mentir generalizando dados de uma pesquisa (clique aqui) e tem aqueles noticiarios que são montados para fazer pensar errado ou tira conclusão errada sobre determinado assunto de maneira proposital como foi o caso da Ficha Falsa,  da então candidata a Presidente Dilma Russef ,publicada pelo Jornal Folha de São Paulo (clique aqui) e tem até casos de se darem explicações diferentes sobre o mesmo assunto como foi o caso da Revista Veja em relação as enchentes da Cidade de São Paulo e Rio de Janeiro (clique aqui).

Quando relato oas fatos acima, muitos dos amigos e pessoas que tenho convivência, costumam dizer que estou vendo mentiras e teoria de conspiração em tudo. Foi quando assistir aos vídeos abaixo e percebi que tem muita gente,  até em outros países, vendo conspirações com direito a pesquisa cientifica e tudo mais. Assista o vídeo abaixo (não deixem de assistir) e tirem suas próprias conclusões:

Texto relacionado  A Farsa do 11 de Setembro