quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Informativo Semanal do Prof. Ernesto Germano Pares



Prioridade para América do Sul, Latina e Caribe, diz Dilma!
A presidenta Dilma Rousseff foi empossada pelo Congresso Nacional para seu segundo mandato. No discurso de 42 minutos, após assinar o termo de posse, ela afirmou que manterá a prioridade na política externa para América do Sul, Latina e Caribe e sinalizou “ênfase” nas relações com África, Ásia e mundo árabe. Ou seja, o Brasil segue seu rumo para deixar de ser totalmente dependente da economia estadunidense e europeia.
“Manteremos a prioridade para a América do Sul, a América Latina e Caribe, que se traduzirá num empenho de fortalecer o Mercosul, a Unasul e a Comunidade dos Países da América Latina e Caribe, a Celac, sem discriminação de ordem ideológica”, disse.
“Da mesma forma, será dada ênfase às nossas relações com a África, com os países asiáticos e com o mundo árabe. Com os BRICS, nossos parceiros estratégicos globais, avançaremos no comércio, na parceria científica e tecnológica, nas ações diplomáticas e na implementação do Banco de Desenvolvimento dos Brics e a aplicação do acordo contingente de reservas.”
Depois de longo desgaste e do discurso feito por ela na ONU, quando acusou Obama de espionagem e falou das dificuldades de relacionamento com um país que não respeita a soberania dos demais, Dilma acenou com uma melhoria das relações com os EUA. Mas também não deu muita ênfase ao fato em seu discurso.
Em uma crítica direta ao que hoje ocorre com o FMI, com o BIRD e outras entidades que durante anos foram totalmente encabrestadas por Washington, Dilma prometeu insistir na reforma dos principais organismos multilaterais, “cuja governança não reflete, hoje, a correção de forças globais”.
Dilma conversou com Maduro. Um dia após a cerimônia de posse para segundo mandato, Dilma Rousseff se reuniu com Nicolás Maduro. No encontro, concordaram em ampliar a cooperação em áreas como indústria e tecnologia, no âmbito bilateral e do Mercosul.
“Já há iniciativas no campo alimentar, no campo farmacêutico e em outros que vão se abrir. Vamos dinamizar toda a agenda, sobretudo da cooperação econômica, industrial, tecnológica, agrícola, agroalimentar. Temos uma base muito bem construída durante 12 anos desse novo tipo de relacionamento entre Brasil e Venezuela”, comentou Maduro à Agência Brasil.
Os abutres estão se movendo. A declaração de Dilma Rousseff sobre relações com os EUA e a presença do vice-presidente estadunidense Joe Biden na solenidade de posse não significa que “tudo está bem” e que as relações são normais. Há muito mais riscos no ar e a situação não é para deixar de dar atenção aos novos ataques que estão sendo tramados.
Recentemente, acompanhamos em nosso Informativo as práticas e as artimanhas dos chamados “fundos abutres” contra a Argentina. Vimos o poder que esses investidores estadunidenses acumulam, tanto na mídia internacional quanto na “justiça” dos EUA. Vimos como eles manipulam juízes que ditam sentenças contra países que “incomodam” ou que se protegem contra a sanha dos investidores sedentos de mais lucros.
Pois o segundo mandato de Dilma Rousseff pode ser alvo dos fundos abutres e das maracutaias dos juízes venais dos EUA. Por que isto pode acontecer?
Um dos pontos centrais e de grande interesse dos abutres é, como sempre, a Petrobras! No fundo, aí está o motivo de tantas e tantas notícias falsas contra a empresa, de tanto interesse da nossa mídia em desmoralizar a estatal e de tantas denúncias feitas irregularmente.
Para quem não sabe, na semana anterior à posse de Dilma, um o escritório jurídico “Labaton Sucharow”, em Nova Iorque, abriu uma causa contra a Petrobras alegando que acionistas estadunidenses foram prejudicados porque os balanços da petroleira foram manipulados. Mais grave ainda, o tal escritório inclui Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda Guido Mantega como “pessoas de interesse”, ou seja, não são acusadas, mas poderiam ser chamadas a depor em condição de testemunha, com o consequente impacto político que isto implicaria. E, é claro, isto resultaria em mais um ataque contra a estatal e consequente queda das ações.
Os especialistas em golpes da “Labaton Sucharow” e outros escritórios estadunidenses já estão movendo ações contra a Potrobras, da mesma forma como agiram contra a Argentina e a renegociação da sua dívida.
No final de semana anterior à posse de Dilma Rousseff, e após ser revelada uma nova ação judicial em Nova Iorque, o economista Luiz Gonzaga Belluzo, assessor da Presidência, declarou que está em curso um plano para desmantelar a companhia fundada em 1953 por Getúlio Vargas.
“Na verdade, o que se quer é privatizar ao máximo a exploração do petróleo e tirar tudo o que for possível da Petrobras... o que estão fazendo é imperdoável porque tudo isto enfraquece muito a empresa”, disse ao portal Brasil Atual. 
Indicadores de pobreza e extrema pobreza por cor/raça. Estudo do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser), da UFRJ, calculou a evolução da proporção de pobres e extremamente pobres da população residente no Brasil segundo os grupos de cor ou raça de acordo com a definição do Plano Brasil Sem Miséria (Decreto 7.492) e a partir dos microdados da Pnad entre 2003 e 2013. Neste período, o grupo dos negros ampliou sua presença relativa entre os residentes no Brasil em torno de 6 pontos percentuais (p.p.).
Em 2003, 10,7% da população brasileira (cerca de 18,5 milhões de pessoas) encontrava-se abaixo da linha da extrema pobreza, contra 4,9% (por volta de 9,4 milhões de pessoas) em 2013, registrando queda de 5,8 p.p. A redução da população abaixo da linha de indigência foi mais acentuada entre os negros (pretos e pardos, 59% ou 9,1 p.p.) do que os brancos (49,1% ou 3 p.p.), verificando-se diminuição das assimetrias entre negros e brancos: de 9,3 p.p. em 2003 para 3,2 p.p. em 2012.
Quanto à pobreza, entre 2003 e 2013, o percentual de pobres no total da população residente no Brasil passou de 25,8% (cerca de 44,8 milhões de pessoas) para 9,8% (cerca de 18,6 milhões de pessoas), correspondendo a uma queda em termos relativos de quase 60%, como explicitado no gráfico a seguir. O ritmo de queda da proporção estudada foi praticamente igual entre negros (63,9%) e brancos (64,5%).
Entre 2003 e 2013, no Brasil, o peso relativo da população negra abaixo da linha da extrema pobreza não se alterou muito (em torno de 69%). Já no caso da população abaixo da linha de pobreza, o peso dos negros se elevou na última década: de 67% em 2003 para 71,7% em 2013. (Dados da Fundação Perseu Abramo)
Bolívia registra o maior crescimento na América Latina em 2014! O Banco Central da Bolívia anunciou na quinta-feira (1°) que o país registrou um crescimento de 50% das Reservas Internacionais em 2014! O número representa 15 bilhões de dólares do PIB, colocando a economia boliviana como a que alcançou maior alta em termos de reserva na América Latina no ano passado.
De acordo com informações da Rede Telesur, entre os países com melhor desempenho nas Reservas Internacionais, os 50% da Bolívia superam Uruguai (30%), Peru (29%), Paraguai (24%), Brasil (17%), Chile (16%), México (15%) e Colômbia (12%).
O governo boliviano reiterou que crescimento econômico do país “é fruto do aproveitamento racional dos recursos naturais”. Para o Banco Central, utilizar as Reservas Internacionais para a proteção da economia é uma das estratégias para enfrentar a queda dos preços do petróleo.
Bolívia melhorou índices sociais e econômicos. Em termos econômicos, a Bolívia resistiu melhor que grandes economias latino-americanas à crise financeira internacional iniciada em 2008. O movimento de combate aos efeitos da crise foi feito pela forte presença de empresas públicas, que foram ampliadas, em todos os estados do país de forma descentralizada e contribuíram para fortalecer o mercado interno.
Após nacionalizar setores estratégicos, o país ordenou as contas, redistribuiu excedentes econômicos com políticas sociais e isso “teve um efeito dominó no consumo interno, além de satisfazer necessidades básicas, que antes eram insatisfeitas. Além disso, o modelo adotado hoje permite ao país acumular uma reserva que se encontra acima da média regional em termos do PIB, o que aplaude o FMI”, avalia Alfredo Serrano, economista, diretor do Celag (Centro Estratégico Latino-Americano de Geopolítica) e professor de pós-graduação da Flacso (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais).
Mais condenados na Argentina. A Justiça da Argentina condenou a 25 anos de prisão pelo roubo de bebês o ex-ditador Reynaldo Bignone, último presidente do regime militar argentino (1976-1983). É a quinta vez que Bignone, 86 anos de idade, é sentenciado na Justiça por crimes.
Em suas palavras antes de escutar o veredicto, Bignone, que já cumpre a pena de prisão perpétua, assegurou que durante sua carreira militar nunca ordenou nem autorizou “a apropriação de menores de idade nem a falsificação de documentação pertinente”.
Um tribunal oral argentino considerou que Bignone cometeu crimes de lesa humanidade no Campo de Mayo, guarnição militar em que estava a maternidade clandestina de onde os bebês foram roubados. Ao todo, estima-se que passaram pelos quatro centros de detenção do quartel militar cerca de 5 mil detidos, dos quais apenas 50 sobreviveram ao regime militar.
No julgamento, que durou três meses, o general Santiago Omar Riveros, principal acusado no julgamento, foi sentenciado a prisão perpétua. O médico militar Norberto Atilio Bianco e a parteira Luisa Yolanda Arroche, acusados de realizar os partos e forjar as certidões de nascimento, também foram condenados a 13 e 7 anos de prisão, respectivamente.
Da série “pobre México”. A mais recente “iniciativa” de Obama mostra como a prepotência tornou-se a prática mais usual dos EUA. Washington acaba de assinar um contrato de 33 milhões de dólares com a empresa multinacional SGS para a construção de aeroportos exclusivos para o exército nos terrenos de Forte Bliss, em El Paso, Texas. Ou seja, na fronteira com o México.
O motivo de tal “investimento”? O governo de Obama pretende usar aviões não tripulados, “drones”, para vigiar o México e, supostamente, para impedir imigrantes clandestinos.
Segundo informações oficiais do Corpo de Engenheiros de Forte Worth, serão usados dois tipos de “drones” nas operações: o “Grey Eagle” e o “Shadow”. O primeiro tem 8,8 metros de comprimento e autonomia de voo de 30 horas; o segundo tem apenas 3,3 metros de comprimento e pode voar até 6 horas. A diferença é que o primeiro, “Grey Eagle”, pode se usado para ataques (é fortemente armado e está sendo usado no Iraque e no Afeganistão).
Curiosamente, em nota oficial, um porta-voz de Forte Bliss declarou que “a Associação Estadunidense de Fabricantes de Drones está de parabéns, porque o novo contrato vai abrir 100 mil postos de trabalho e gerar 82 bilhões de dólares nos próximos 10 anos”.
Venezuela: decreto para proibir demissão de trabalhadores. O presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro, assinou documento prorrogando por mais um ano o decreto que proíbe demissão de trabalhadores.
“Acabo de assinar o decreto de inamovibilidade e proteção do Trabalho para 2015, seguirei defendendo os direitos do Povo Trabalhador”, anunciou Maduro em mensagem através de uma rede social.
Há dois anos, a Venezuela tem uma legislação que estabelece o pagamento em dobro no caso de demissões injustificadas, com base no último salário, e jornada semanal de 40 horas para trabalhos diurnos. Em 2014, Maduro elevou o salário mínimo em 68,28%!
Grécia (1). A crise grega já saiu do terreno meramente social e econômico para o campo da política. Ou seja, avança a passos largos para um impasse que pode colocar o atual “modelo europeu” traçado pelo neoliberalismo em dura batalha.
Na segunda-feira (29), o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, anunciou que é preciso antecipar as eleições legislativas do país para 25 de janeiro. A iniciativa, prevista pela Constituição, foi anunciada após o fracasso de seu candidato e único postulante à presidência, Stavros Dimas, que não conseguiu votos suficientes para ser eleito presidente da República.
Para quem não sabe, na Grécia, sempre lembrada como “berço da democracia”, não existe eleição direta para presidente que é indicado pelo Parlamento. Mas acontece que o candidato único, Stavros Dimas, não conseguiu a quantidade de votos necessários para sua eleição, o que levará o país a eleger um novo Congresso que deverá indicar o presidente. A Constituição grega estabelece que as eleições presidenciais devem ser realizadas entre três e cinco semanas após o fracasso da escolha do presidente.
Na terceira e decisiva votação da segunda-feira (29), Dimas, ex-comissário europeu e várias vezes ministro, de 73 anos, obteve o respaldo de 168 dos 300 deputados, 12 a menos do que os 180 votos necessários. No plenário, estiveram presentes os 300 parlamentares, dos quais 132 só votaram com “presente”.
Curiosamente, o impasse abre o caminho para que a coligação de esquerda Syriza, favorita segundo as últimas pesquisas de opinião, chegue ao poder.
A coalizão liderada por Alexis Tsipras é, atualmente, o maior partido da oposição e defende a renegociação do acordo de ajuda à Grécia com a UE e o FMI, além da revisão de algumas medidas de austeridade impostas pela Troika (Banco Central Europeu, FMI e Comissão Europeia).
Diante do cenário, o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, ameaçou dizendo que “novas eleições não mudam nada na dívida grega”, que é de 175% do PIB, e que “cada novo governo deve respeitar os acordos feitos pelos antecessores”.
Grécia (2). Poucos minutos depois do anúncio do impasse nas eleições gregas, o FMI declarou que suspenderá o programa de resgate financeiro à Grécia até que seja anunciada a formação de um novo governo.
De acordo com o porta-voz do FMI, Gerry Rice, o FMI já havia consultado a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu antes de anunciar essa decisão. A próxima avaliação da troika (FMI, BCE e Comissão Europeia) estava prevista para acontecer em meados de janeiro.
Piketty recusa prêmio em protesto contra políticas de austeridade. Thomas Piketty, um dos mais conhecidos intelectuais franceses da atualidade e autor do livro “O Capital no Século XXI”, anunciou na quinta-feira (01) que recusa a maior homenagem que um civil francês pode ganhar: a Legião de Honra! “Recuso essa homenagem porque não acredito que caiba ao Governo decidir quem é merecedor de honra e quem não é”, disse ele em declaração à Agência AFP. “Fariam melhor se procurassem ressuscitar o crescimento econômico na França e na Europa”, concluiu.
Ultimamente, Piketty tem se pronunciado várias vezes contra as medidas de austeridade impostas na França e é um ferrenho crítico da reforma trabalhista que está em andamento no país.
França: aumenta o número de pessoas que moram nas ruas! Pelo menos sete pessoas morreram com o frio intenso nos últimos dias, um fato que está causando indignação popular na França! De acordo com a Fundação Abbé Pierre, dedicada a dar proteção aos desvalidos, o número de pessoas que vivem nas ruas aumentou no país em mais de 50%, desde 2001.
A organização calcula que mais de 140.000 pessoas vivem “sem teto” na França, mais de 30.000 são crianças!
Na Espanha, o que já era ruim pode piorar. A crise espanhola vai se aprofundando, o desemprego chegou a novo recorde e o povo vai perdendo cada vez mais diante da força dos programas neoliberais.
A partir de 01 de janeiro de 2015, os espanhóis estão pagando mais por medicamentos depois que o governo resolveu elevar os impostos do “valor agregado” (IVA) entre 10% e 21%. O aumento atinge em cheio o preço de remédios e produtos sanitários. São também muito afetados pelos aumentos os equipamentos médicos, instrumentos cirúrgicos, artigos sanitários e material médico/hospitalar, além de medicamentos de uso humano e animal.
O imposto de 10% recairá sobre produtos para deficiências físicas e mentais (lentes de contacto, próteses, muletas, equipamentos para diálise, etc.)
500 despejos por dia. Os bancos espanhóis não perdoam e aproveitam-se da crise que se espalha pelo país. Em média, são 500 despejos por dia, sem considerar idades, afetando numerosas famílias. A maioria dos casos de despejos atinge idosos que haviam servido como “fiadores” de filhos com problemas de desemprego.
O caso que mais mobilizou os espanhóis foi o despejo de Carmen Martínez Ayuso, de 85 anos, obrigada a abandonar sua casa por servir de fiadora a um empréstimo feito por seu filho desempregado e sem condições de manter os compromissos com o banco. Uma equipe de futebol espanhola, Rayo Vallecano, se comprometeu a pagar um aluguel para ela.
Despejados espanhóis estão “se mudando” para o aeroporto de Barajas, em Madri. Um grupo de aproximadamente 30 pessoas, desempregadas e sem moradia, está vivendo no terminal quatro do aeroporto internacional de Barajas, em Madri, segundo a agência de notícias AFP.
As autoridades espanholas estão preocupadas em tentar identificar os clientes das empresas que estão viajando para separar dos que recorrem ao aeroporto para fugir do frio das ruas.
Enquanto isto... Enquanto o governo espanhol aumenta os impostos sobre remédios e equipamentos médicos, eleva o orçamento militar do país para 2015, chegando agora a 23.373.930.000 euros (mais de 23 bilhões de euros!). Mas, espertamente, usam uma artimanha para esconder os valores reais.
Segundo os dados apresentados oficialmente, o orçamento do Ministério da Defesa será de apenas 17bilhões 606,16 milhões de euros, mas o restante do dinheiro está “distribuído” entre outros ministérios, ainda que tenha a mesma finalidade: orçamento militar.
Os números foram divulgados pela organização pacifista “Utopia Contagiosa”, com apoio da organização “Ecologistas em Ação” e outras instituições pacifistas espanholas, depois de um longo estudo e pesquisas em vários relatórios oficiais. O estudo mostra que os gastos militares estão “escondidos” nos orçamentos de outros ministérios como, por exemplo, a Secretaria da Presidência (55,3% dos seus gastos) ou o Ministério do Interior (35,6% dos gastos).
Espanha envia aviões de guerra para “vigiar” espaço aéreo nos Países Bálticos. Quatro aviões do tipo Eurofighter foram enviados para a Estônia, onde permanecerão pelos próximos quatro meses, para “garantir a segurança do espaço aéreo nos Países Bálticos”, segundo nota oficial da Força Aérea da Espanha.
O pessoal militar necessário para a “ajuda” já foi deslocado para a Base Aérea de Aeri, a cerca de 40 quilômetros da capital da Estônia. São mais de 120 militares, homens e mulheres, que fazem parte da Ala 11 (espécie de esquadrilha de elite).
O “prêmio”. É claro que, com tanta subserviência, a Espanha ganha um “prêmio” dos EUA e da União Europeia! Desde o dia 01/01/2015, a Espanha passa a fazer parte como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU para o biênio 2015/2016!
O inverno muito frio da Inglaterra. O número de famílias que não podem gastar suas rendas com calefação aumentou no Reino Unido durante os últimos 10 anos e já chega a um milhão de lares, segundo informe oficial publicado pelo instituto oficial “Valle del Don”.
O número de famílias que estão sendo afetadas pelo fenômeno já chamado de “pobreza de combustível” chega a 1.027.000. Dessas, 348.000 são famílias onde apenas um membro do casal trabalha.
Um gesto de honra. O tenente-coronel Marek Obrtel, ex-diretor do hospital militar tcheco no Afeganistão, solicitou ao Ministério da Defesa de seu país que retire de sua lista de condecorações a medalha que foi concedida pela OTAN! Ele justificou seu ato dizendo que não poderia receber uma homenagem de uma “organização criminosa” que só atende a “interesses brutais”!
Em carta dirigida ao Ministério, ele diz que devolve suas medalhas recebidas em por participação em missões internacionais de paz, porque está “imensamente envergonhado” de servir a uma organização “liderada pelos EUA com seus monstruosos interesses em todo o mundo”.
As canalhices do Império! Washington, mais uma vez, manobrou sem qualquer vergonha para defender os interesses de Israel na ONU. Na terça-feira (30), com sua sempre aliada Austrália, conseguiu barrar a solicitação de reconhecimento da Palestina como Estado no Conselho de Segurança.
Para ser aprovada, a solicitação palestina precisava conquistar, no mínimo, nove votos. Mas o governo de Obama pressionou a Austrália a votar contra o pedido. Votaram a favor: Jordânia, Argentina, Chade, Chile, China, França, Luxemburgo y Rússia. Reino Unido, Lituânia, Nigéria, Coreia e Ruanda se abstiveram de votar. Ou seja, a Palestina conseguiu apenas oito votos dos nove necessários!
O que Washington faz com seus soldados? Um de cada cinco veteranos das guerras dos EUA no Iraque e no Afeganistão sofre com estresse pós-traumático e lesões cerebrais severas e seu estado de saúde é muito debilitado porque não recebem tratamento adequado. Isso é o que constata Adin Dobkin, analista de temas de segurança nacional, em um artigo publicado no jornal estadunidense The Hill.
Os ex-combatentes não conseguem se reincorporar à sociedade civil e a média de suicídios é de 22 a cada dia entre essas pessoas, afirma Dobkin.
Essa informação vai de encontro com dados do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que afirma que o suicídio é a principal causa de morte atualmente entre os militares da ativa e os da reserva, superando inclusive o número de vítimas fatais em combate.
No Afeganistão, por exemplo, morreram menos militares em combate do que os que se suicidaram após voltar para casa.
Neste ano, o Departamento de Assuntos de Veteranos constatou que mais de 120 mil ex-militares permaneceram durante muito tempo em listas de espera para receber atendimento médico. Em um hospital de Phoenix, 40 morreram devido a essa demora no início do ano.
Quatro fatos de 2014 para uma projeção em 2015. Estou preparando uma Edição Especial do nosso Informativo Semanal para tentar resgatar os principais fatos aqui levantados durante o ano de 2014 e podermos fazer uma projeção para o que esperar de 2015. Por enquanto, deixo apenas, para reflexão, quatro temas que ocuparam muito espaço no nosso trabalho semanal: 1) O novo papel que está sendo construído na geopolítica mundial a partir da criação de um novo eixo asiático, com o fortalecimento de novos laços na região, a criação de um espaço econômico que pode fazer frente ao poderio dos EUA e seus aliados, e a participação da Rússia nessa aproximação com o eixo asiático. É claro que a OTAN vai jogar um papel importante na tentativa de esvaziar essas relações; 2) Diretamente vinculada ao primeiro ponto, a situação da Ucrânia é uma das grandes incógnitas para os próximos meses e muito depende de como vai se desdobrar o processo de separação de algumas regiões que não aceitam o golpe comandado pelos EUA e União Europeia. O fato mais concreto é que alguns países (França, Itália, Portugal, Espanha, etc.) já sentem o prejuízo causado com o boicote imposto à Rússia pelos EUA; 3) A desagregação da África e do Oriente Médio, comandada pelos interesses de Washington pode levar o mundo a mais algumas violentas guerras. Os conflitos que estão surgindo a partir dos interesses dos EUA e de Israel, promovendo quedas de governos para impor seus interesses, pode levar a um processo de novas disputas, principalmente se começarem a atingir interesses da Rússia e da China na região; 4) Por fim, um tema que já nos levou a escrever uma série de artigos e que – creio – será um dos pontos centrais das disputas políticas em 2015: EUA contra o BRICS! A reeleição de Dilma Rousseff e seu compromisso com o fortalecimento do BRICS, a possibilidade de ser criado um Banco alternativo que vai colocar em risco o poder do dólar é uma realidade indigesta para Washington. Voltaremos a falar sobre esses temas em um número especial do Informativo. 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

EUA e a estratégia de guerra contra a Rússia na Ucrânia

EUA e a estratégia de guerra contra Rússia na Ucrânia

J. Carlos de Assis

Os Estados Unidos do Prêmio Nobel da Paz Barak Obama empreendem uma guerra virtual contra a Rússia e preparam obstinadamente uma guerra real para ser travada em território ucraniano. Não importa a inviabilidade dessa aventura militar, do ponto de vista estratégico. O objetivo não é controlar o território ucraniano e “salvá-lo para a democracia”, mas esgotar em combate o poderio russo mediante seu estrangulamento econômico e militar numa guerra convencional em terceiro país. É que nem os lunáticos neoconservadores instalados no Pentágono, no Departamento de Estado e no Conselho de Segurança Nacional proporiam um ataque direto à nação russa, dada sua condição de potência nuclear de primeira linha.

A estratégia central norte-americana é afirmar sua hegemonia mundial a partir da força. É-lhe intolerável a realidade de um mundo apolar ou multipolar em face da presença de um competidor nuclear como a Rússia e de uma potência econômica ascendente como a China, também ameaçadora, a médio prazo,  no campo militar. Para os neoconservadores, a hora de agir é agora, antes que essas forças rivais criem raízes mais profundas. O pretexto ucraniano vem a calhar. Depois de derrubar um governo legítimo e colocar em seu lugar um bando de facínoras, o próximo passo é a incorporação da Ucrânia à OTAN, em aberto desafio à Rússia. Só com muito sangue frio Putin poderá contornar mais essa provocação no quintal da Rússia.

É muito fácil começar uma guerra de grandes proporções na terra dos outros,  sobretudo quando se tem a ilusão de um poder assimétrico em relação ao adversário  e mesmo quando não se tem certeza quanto aos efeitos. É que, uma vez instalado o caos que se segue a uma guerra, não basta ter imensa superioridade miliar para controlar suas consequências. Os Estados Unidos são peritos em começar guerras inacabadas: foi assim na Coreia, no Vietnã, no Iraque, no Afeganistão; mais recentemente insuflaram revoluções no norte da África, que resultaram em dramática carnificina e permanente instabilidade na Líbia e no Egito. Entretanto, quando se trata de conseguir a paz, os Estados Unidos lavam as mãos. Os outros é que cuidem do estrago que provocam, como no Haiti e no Iraque.

É muito fácil entender a estratégia dos chamados neoconservadores americanos que acabaram de colocar agora um representante na principal cadeira no Departamento de Defesa. Querem repetir o processo que levou à exaustão a antiga União Soviética. Dado que Estados Unidos e Rússia estão em virtual paridade nuclear, a solução é levar a Rússia à capitulação através de uma guerra convencional, não em território russo, que arriscaria uma guerra nuclear, mas no território de um terceiro país. Nada melhor, pois, que a Ucrânia.

O objetivo dos neoconservadores é tentar repetir uma estratégia que, embora tendo dado certo na liquidação da União Soviética, não liquidou o Estado russo que estava em seu coração. O Estado socialista desmoronou, mas a nação russa, mesmo ferida, continuou de pé. Putin tratou de recuperá-la por inteiro colocando-a na condição de um estorvo nuclear que limita a vontade de poder ilimitada de Washington. A intenção norte-americana de atacar o governo sírio esbarrou efetivamente no veto russo e chinês. Isso, claramente, expôs a impossibilidade prática do exercício de um poder hegemônico na era nuclear partilhada. Transformado num boneco operado pelos neoconservadores, Obama resolveu “estrangular” a Rússia com embargos econômicos.

Recordemos os passos que levaram à extinção da União Soviética a fim de examinarmos os paralelos atuais. Em meados dos anos 70, foi refundada em Washington por influência do então diretor da CIA, George Bush pai, a ONG denominada “Comitee on the present danger”, ou Comitê para o Perigo Presente (CPD). Tinha como principal objetivo estatutário “levar a União Soviética à rendição, se necessário por meios militares”. Do Comitê faziam parte 60 personalidades notáveis do círculo conservador norte-americano, sendo que o futuro Presidente Ronald Reagan filiou-se à ela pouco antes de eleger-se em 1979. Como Presidente, levou a posições de alto destaque no Departamento de Defesa, no Departamento de Estado e no Conselho de Segurança Nacional 33 integrantes do Comitê.

Em 1985, quando estive na Alemanha para cobrir a reunião dos Sete Grandes, andava por lá o chefe do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Richard Perle, membro do CPD, fazendo conferências sobre o conceito subjacente ao programa de escudo nuclear, então conhecido como Guerra nas Estrelas, que se baseava no princípio de “guerra nuclear protegida”. Perguntei aos alemães o que achavam daquilo, pois a guerra nuclear “protegida” no contexto de Guerra nas Estrelas implicava a proteção nuclear do território norte-americano, mas não do europeu. Os alemães com quem conversei estavam perplexos. Imagino que estejam perplexos de novo com a marcha forçada pela guerra em território da Ucrânia, que os expõe diretamente às forças militares russas convencionais em seu próprio território.

É importante assinalar que não se tratava apenas de retórica. Diretivas presidenciais de Reagan, na virada do primeiro para o segundo mandato, introduziram mudanças cruciais nos programas de computador que põem em posição de ataque os três sistemas estratégicos baseados em terra, mar e ar das forças nucleares norte-americanas. Através de vazamentos de imprensa, soube-se de mudanças fundamentais  no SIOP (Single Integrated Operational Program, ou Programa Operacional Integrado Único), a parafernália eletrônica capaz de desencadear uma guerra nuclear contra a então União Soviética a partir do teatro europeu.

A principal alteração no SIOP, de acordo com os fragmentos de diretivas presidenciais secretas,  recolhidos e reconstituídos por um cientista canadense, F. Knelman (em “America, God and the Bomb”), consistiu em recuar para oito minutos, pelo princípio do prêmio por resposta rápida, o início de um ataque nuclear total à União Soviética a partir do primeiro alarme. Não se tratava de uma questão acadêmica. Como um hipotético míssil soviético em cruzeiro levaria 36 minutos para mergulhar em território nacional norte-americano (trata-se de míssil disparado de terra: não se menciona a frota indetectável de submarinos nucleares, por expediente elusivo de convencimento), o programa Guerra nas Estrelas só se justifica se houver uma capacidade efetiva de interceptá-lo no meio da trajetória, isto é, no mínimo 18 minutos depois do disparo.

O mesmo tempo é o que levaria um míssil americano disparado de terra para alcançar o míssil hostil na estratosfera. Entretanto, seria necessário um sistema de detecção instantânea do início do ataque. Para qualquer efeito prático, não há possibilidade de alcançar o míssil antes que cruze o ponto médio da trajetória, a não ser de uma base em órbita. O programa Guerra nas Estrelas pretendia pôr bases em órbita, mas até lá seria necessário contar com a boa vontade dos estrategistas soviéticos para não atacarem primeiro. Por isso reduziram o tempo de resposta do SIOP a oito minutos, pelo que ficou limitado a um nível de redundância o processo de checagem para confirmar se um disparo captado na tela de controle eletrônico era um disparo real. Com isso ficamos todos expostos à possibilidade de uma guerra nuclear casual na medida em que o SIOP reagiria automaticamente a uma checagem errada sem tempo de consulta para resposta ao falso ataque do Presidente da República.

O primeiro passo para implementar Guerra nas Estrelas era ignorar o tratado SALT II, que vedava a construção de sistemas antibalísticos por parte de EUA e União Soviética. A lógica do SALT II, jamais aprovado pelo Senado norte-americano mas até então respeitado pelo Executivo, era simples: a dissuasão nuclear só se efetiva na base da autodestruição assegurada por quem iniciar uma guerra nuclear. Se um dos lados conseguir construir um sistema operacional que efetivamente proteja seu território de um contra-ataque nuclear, ele estará livre para desencadear um primeiro ataque sem medo de retaliação. Cientistas de todo mundo, inclusive americanos, questionaram as bases técnicas de Guerra nas Estrelas, mas Reagan, a fim de esgotar a União Soviética numa corrida tecnológica para construir seu próprio escudo, levou Gorbachev a uma posição insustentável por falta de condições econômicas e técnicas para isso.

Foi a combinação de pressão tecnológica, econômica e política norte-americana que levou a União Soviética à autodestruição. É este mesmo caminho que está sendo seguido agora para levar a Rússia à exaustão econômica e à rendição política. Não se trata de teoria conspiratória. Os norte-americanos, conscientes de sua superioridade militar e econômica, nunca escondem suas reais intenções. Seus movimentos são explícitos e claramente apresentados em documentos estratégicos públicos. Assim, eis como a intenção de eliminar qualquer possibilidade de “um novo rival” era colocada em 1992, imediatamente depois da derrota da União Soviética, pelo neoconservador Paul Wolfowitz, do CPD, então Subsecretário da Defesa, no Manual de Planejamento de Defesa:
“Nosso primeiro objetivo é prevenir a re-emergência de um novo rival, seja no território da antiga União Soviética seja em outro lugar, que coloque uma ameaça do tipo que foi colocado pela antiga União Soviética. Isso é uma consideração dominante sublinhando a nova estratégia de defesa regional e requer que previnamos qualquer  tentativa de um poder hostil de dominar uma região cujos recursos poderiam, sob controle consolidado, ser suficiente para gerar poder global.”

Essa linha estratégica está sendo trilhada religiosamente no sentido de evitar que a Rússia seja um embaraço para a hegemonia militar absoluta norte-americana, contornando a realidade elidida da virtual paridade nuclear. O SALT II foi revogado,  unilateralmente, pelos EUA. Eles se recusam, por outro lado, a fazer um tratado de desmilitarização do espaço.  Assim, é necessário recuar à geopolítica anterior à Guerra Fria para entender os movimentos americanos. De fato, há uma década e meia a possibilidade real de uma guerra na Ucrânia está sendo preparada metodicamente pela OTAN, que agora mesmo acaba de decidir aumentar o comprometimento de orçamento militar de seus membros (2% do PIB) por pressão americana. Desde 1999 que a Organização avança para o Leste. Naquele ano, incluiu a República Checa, a Hungria e a Polônia. Uma segunda expansão se deu em 2004, incluindo Bulgária, Estônia, Latvia, Lituânia, România, Eslováquia e Eslovênia.  Com isso, quase metade dos países atualmente membros da OTAN foram incorporados, rumo ao Leste, depois do fim da URSS. Paralelamente expandia-se para Leste a União Europeia, cujo último movimento seria a tentativa de tomada de posse da Ucrânia. E só não houve a efetiva incorporação da Ucrânia e da Geórgia, formalmente sinalizada na cúpula de Bucareste em 2008, porque dessa vez Putin reagiu pela força, pois se tratava, a seu ver, de colocar uma fortaleza militar hostil no quintal de seu país.

O cerco militar à Rússia segue uma tríplice estratégia: alargamento da OTAN, expansão da União Europeia e promoção da “democracia”, obviamente desconsiderando o risco de uma guerra aberta. Diante do baile estratégico que foi a absorção da Crimeia pela Rússia, com apoio esmagador da população da península, os Estados Unidos se movem na direção da guerra através inicialmente de sanções econômicas, a partir de uma posição forte, recém-conquistada, no campo da energia. Contudo, não nos iludamos. Uma guerra convencional seria de alto interesse norte-americano, desde que ela pudesse esgotar a capacidade militar e econômica russa sem o risco de escalar para uma guerra nuclear. É com essa possibilidade que os neoconservadores contam para iniciar a guerra.

Sabemos, por outro lado, pela experiência histórica, que os Estados Unidos não se preocupam muito em como acabar com guerras. Para eles trata-se de um jogo estratégico para assegurar a afirmação da hegemonia mundial. Por isso, no momento, a única força capaz de parar a máquina de guerra americana é o povo dos Estados Unidos, tocado pela consciência de solidariedade com os bilhões de inocentes do mundo, e eles próprios, que sofreriam as consequência de uma guerra proto-nuclear. É necessário que os inocentes rompam com a passividade, falem e votem. De fato, os Estados Unidos podem esgotar as forças econômicas e militares dos russos numa guerra em território de terceiro. Mas o que acontece com uma potência derrotada, humilhada, sitiada, e não obstante de posse de um imenso arsenal nuclear?

Aos que consideram essa análise exagerada peço que leiam “Foreign Affairs”, uma das mais prestigiosas revistas do estabelecimento norte-americano, em detalhados e esclarecedores artigos sobre a “crise” na Ucrânia, na edição de setembro último. Um deles diz claramente: “a crise na Ucrânia é nossa culpa”, referindo-se aos Estados Unidos. No corpo da matéria vem a narrativa da marcha da OTAN para Leste, em confronto direto com entendimentos anteriores com os russos e sob constantes protestos destes. Ali também se encontra o relato do caos planejado pelo Departamento de Estado e ONGs patrocinadas pelo Governo norte-americano para derrubar o governo legítimo pró-russo de Kiev, colocando em seu lugar um governo que tem pelo menos quatro membros proeminentes neofacistas.

Ainda em termos de medidas provocativas contra a Rússia, destaca-se a monstruosa derrubada do avião comercial MH 17 sobre o Leste da Ucrânia, um típico atentado terrorista que os Estados Unidos pretenderam atribuir a forças pró-russas. Falso. O avião, de que já não se fala mais muito sintomaticamente, foi derrubado por forças do governo de Kiev, conforme denunciou o presidente russo Vladmir Putin, numa reunião internacional, com base em investigações independentes, e com praticamente nula repercussão no Ocidente.

O ânimo dos neoconservadores  norte-americanos para o confronto global com os russos, a partir da economia, ganhou força com a revolução energética representada pela exploração de gás de xisto nos Estados Unidos através de uma das mais criminosas tecnologias do ponto de vista ambiental, o fracting. O sucesso comercial do empreendimento, com rápida expansão de produção de gás e petróleo de xisto, possibilitou atacar o principal pilar da economia russa, grande produtora e exportadora de petróleo e gás, e, simultaneamente, “tranquilizar” os europeus quanto à possibilidade de cessação de suprimento de gás russo à Europa, o qual seria substituído pelo norte-americano.

Não se sabe se os sauditas entraram nesse jogo por razões geopolíticas, evitando reduzir a produção de petróleo para prejudicar os russos, ou por suas próprias razões de tentar inviabilizar economicamente a produção de hidrocarbonetos por fracting. O fato é que também grandes empresas norte-americanas, que investiram pesadamente no petróleo e gás de xisto, estão tendo pesados prejuízos com a redução do preço do petróleo, que agrada mesmo só ao consumidor. Por outro lado, as promessas supostamente infinitas do fracting  se revelaram surpreendentemente  limitadas nos últimos meses:  em Monterey, na Califórnia, reservas de petróleo de xisto antes avaliadas em 13,7 bilhões de barris foram reavaliadas oficialmente para 600 milhões, ou 96% menos. Além disso, a opinião pública norte-americana começa a ser mover contra o fracting: segundo uma pesquisa de opinião recente, em 2008, 48% a 38% dos norte-americanos apoiavam essa tecnologia; em novembro último, 47% a 41% se manifestaram contra. Isso certamente reflete a comprovação inequívoca da destruição ambiental, sobretudo de aquíferos, que essa tecnologia suja provoca no meio ambiente de forma irreversível.

Enquanto o mercado de hidrocarbonetos não sofrer nova reviravolta, refletindo o fracasso da Califórnia, a Rússia, sem dúvida, será penalizada pela estratégia norte-americana de seu estrangulamento econômico. Putin, com sua frieza característica, ponderou que a Rússia é um país autossuficiente e, de qualquer modo, tem meios de retaliação – imaginando certamente um embargo na exportação de gás para a Europa. Uma importante ficha para a Rússia é certamente a China, que já lhe garantiu um contrato de fornecimento de gás por 20 anos no montante de 400 bilhões de dólares, e que tem se alinhado com ela em questões geopolíticas, como no caso da Síria. Contudo, estamos claramente diante de uma escalada.

O novo passo estimulado pelos EUA foi a recente decisão do Parlamento da Ucrânia de renegar sua neutralidade. Note-se que o próprio Kissinger, num artigo recente, assinalou que a solução definitiva para a crise ucraniana, de uma forma aceitável pela Rússia, seria transformar a Ucrânia num país neutro entre a União Europeia/OTAN e a Rússia, como aconteceu com a Finlândia na Guerra Fria. Contudo, Kissinger é um velho conservador lúcido, não um neoconservador alucinado. Os EUA, sob controle destes, indicam que não aceitarão perder mais essa oportunidade de guerra. Tudo indica que forçarão a Rússia a aceitá-la. Com a integração da Ucrânia na OTAN, numa iniciativa indiferente aos milhões de russos e russófilos no Leste do país, a aliança militar ocidental estaria nas costas da Rússia, o que significa ameaça direta a seu território. O mínimo que a Rússia buscaria seria retalhar a Ucrânia com apoio local, o que de uma certa forma foi ensaiado na Crimeia. Seria então uma guerra global em território ucraniano?

E nós, que temos a ver com tudo isso? Os inocentes entre nós acham que os neoconservadores norte-americanos veem com muita naturalidade nossa aproximação, via BRICS, com sua arqui-inimiga Rússia. Acreditam que a gravação das conversas da Presidenta foi mero divertimento. Acham que as tentativas de desestabilização do legítimo Governo brasileiro atual, assim como o reeleito, são fenômenos exclusivamente internos, ou resultantes dos impulsos éticos de alguns tribunais. Pelo fato de termos passado à margem de guerras, e estarmos no centro de um continente  peculiarmente pacífico, nos acostumamos a não pensar geopoliticamente – mesmo porque, na era nuclear, a geopolítica devia estar definitivamente fora de moda. Contudo, querendo ou não, estamos no jogo. Se o preço do petróleo cair abaixo de 40 dólares o barril, a exploração do pré-sal estará inviabilizada. Se os Estados Unidos fizeram a guerra contra a Rússia em território ucraniano, teremos de fazer difíceis escolhas. 



J. Carlos de Assis - Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB

Informativo Semanal do Prof. Ernesto Germano Pares

 




A verdade que a direita esconde.
Apesar da gritaria da direita contra a Petrobras e o Governo Dilma, a verdade é que o escândalo do Banestado ainda é o caso público, conhecido, a envolver o maior volume de recursos: R$ 60 bilhões.
Segundo levantamento do Instituto Avante Brasil, em valores atualizados, os 31 principais casos de corrupção (de 1980 a 2014) geraram rombo ao erário público de R$ 120 bilhões.
O escândalo do Banestado foi descoberto em 2003, por uma força-tarefa que investigou o esquema que transferia dinheiro de corrupção, sonegação fiscal e tráfico de drogas para paraísos fiscais usando contas CC5 (de uso exclusivo para não residentes) abertas ilegalmente no banco.
O caso envolvia não apenas políticos ligados ao Governo Fernando Henrique Cardoso, como grande parte do empresariado nacional e donos de meios de comunicação, o que, talvez, explique a menor atenção dada ao episódio, principalmente no noticiário televisivo.
Em abril de 2013, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) extinguiu a punição aplicada na instância inferior a sete de 14 gerentes e ex-diretores do Banestado. O STJ alegou que os crimes já haviam prescrito.
Petrobras anuncia recordes históricos. A Petrobras informa que bateu um novo recorde histórico de produção própria diária de petróleo e gás natural liquefeito no último dia 21, quando produziu 2 milhões 286 mil barris. O volume produzido não considera a parcela de seus parceiros e supera o recorde anterior de 2 milhões 257 mil barris, alcançado no dia 27/12/2010. A Petrobras também bateu recorde diário de produção operada no dia 21, tendo produzido 2 milhões 470 mil bpd.
O novo patamar histórico decorre principalmente da contribuição de nove sistemas de produção. Cinco deles começaram a operar em 2013 e tiveram novos poços interligados ao longo de 2014. Outros quatro sistemas de produção foram instalados este ano.
Das plataformas instaladas em 2013, contribuíram para esse resultado a P-63, no campo de Papa-Terra, e P-55, no campo de Roncador - ambas na Bacia de Campos, além do FPSO Cidade de Itajaí, em Baúna, no pós-sal da Bacia de Santos. No pré-sal da Bacia de Santos, destaque para a produção dos FPSOs Cidade de São Paulo, no campo de Sapinhoá, e Cidade de Paraty, na área de Lula Nordeste.
A produção de 700 mil barris por dia foi alcançada apenas oito anos depois da primeira descoberta de petróleo na camada pré-sal, ocorrida em 2006, e apenas seis meses após a marca dos 500 mil barris, obtida em junho. Essa produção representa uma marca extremamente significativa na indústria do petróleo, especialmente diante do fato dos campos se situarem em profundidade de água profundas e ultraprofundas.
O patamar de 700 mil bpd foi conseguido com a contribuição de somente 34 poços produtores. Isso evidencia a elevada produtividade dos campos já descobertos na camada pré-sal. Desses poços, 16 estão localizados na Bacia de Santos, que responde por cerca de 61% do volume produzido no pré-sal - aproximadamente 429 mil barris por dia. Os demais 18 poços estão localizados no pré-sal da Bacia de Campos e respondem pelos 39% restantes da produção - cerca de 273 mil barris por dia.
Mas os tucanos insistem em vender a Petrobras! O líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes (PSDB-SP), aproveitando-se do pânico que a imprensa criou contra a Petrobras, apresentou Projeto de Lei pondo fim ao regime de partilha, adotado por Lula para exploração do pré-sal.
O objetivo do vendilhão tucano é que, a partir de 2015, volte a valer o modelo de concessão, que vigorou desde 1997, no Governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), até a implantação da partilha.
Para a Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet), a troca seria “um retrocesso”: “Deixar o pré-sal no regime de concessão seria entregar o maior tesouro brasileiro às empresas estrangeiras”, denuncia a Aepet.
Nicarágua começa a construir o canal. Autoridades do Governo da Nicarágua, representantes da empresa chinesa HKND, membros da Comissão do Grande Canal Interoceânico, realizaram a cerimônia oficial de início das obras para a construção do desafiador projeto.
“No dia de hoje, damos início às obras que levarão à construção do Grande Canal”, disse o vice-presidente da Nicarágua, Moisés Omar Halleslevens. “Esse projeto gigantesco não só transformará a história da Nicarágua e sua geografia, mas também a economia de forma sustentável, necessidade de todo o povo nicaraguense”, disse em sua apresentação.
O representante da empresa chinesa HKND, Wang Jing, agradeceu de maneira muito especial ao Governo do presidente Daniel Ortega e ao povo nicaraguense por haver abraçado um projeto tão importante.
Uruguai aprova Lei de Meios! Lamentavelmente, parece que o Brasil está ficando “na rabeira” de uma importante mudança que se dá no mundo. Uma direita reacionária e o monopólio da imprensa no país impede que possamos debater uma regulamentação para a mídia, enquanto tantos outros países já avançam rapidamente neste sentido.
Após um ano e meio de tramitação, o Legislativo uruguaio aprovou a lei que regulamentará a reforma no setor de telecomunicações no país. Com 50 votos a favor e 25 contra, contando com o apoio dos parlamentares da governista Frente Ampla, a Câmara dos Representantes do Uruguai deu sanção definitiva à iniciativa, que será regulamentada pelo governo de Tabaré Vázquez, substitui José Mujica na Presidência.
Ao declarar os serviços de comunicação como “interesse público”, a Lei de Meios uruguaia, cujo nome oficial é Ley de Servicios de Comunicación Audiovisual, regulamenta os setores de rádio, televisão, além de outros serviços de comunicação audiovisual — deixando de fora internet e redes sociais. Segundo os autores da reforma, o intuito da lei é evitar a concentração econômica no setor de telecomunicações e fomentar a diversidade e a pluralidade na oferta do serviço e na produção de conteúdos.
Alguns dos principais pontos da nova lei aprovada no Uruguai:
- lei proíbe o monopólio na radiodifusão; cada empresa poderá ter até seis concessões para prestar serviços televisivos (em caso de concessões na capital Montevidéu, o número cai para três);
- TVs públicas deverão ter pelo menos 60% da programação de origem nacional — deste percentual, um terço deverá ser realizado por diferentes produtores independentes;
- ficará fixado um horário de ‘proteção a crianças’ (das 6h às 22h), período em que deverão ser evitados programas que promovem condutas violentas, discriminatórias, pornográficas, ou relacionadas a jogos de azar e apostas;
- crianças e adolescentes não poderão participar de campanhas publicitárias de marcas de bebidas alcoólicas, cigarros ou qualquer produto prejudicial à saúde;
- será criado um Conselho de Comunicação Audivisual, composto por cinco membros (um indicado pelo Executivo e os outros quatro por meio de maiorias especiais do Poder Legislativo); e,
- distribuição da verba de publicidade eleitoral gratuita será feita de acordo com os votos de cada partido na eleição anterior.
A sessão foi turbulenta na sede do Legislativo uruguaio: a aprovação se deu sob fortes críticas dos 25 opositores. Por isso, a Frente Ampla, partido governista, precisava de cada um dos seus 50 votos para conseguir fazer passar a lei.
Como fazem aqui, a oposição fez duras críticas à legislação taxada de “inconstitucional”, dizendo que a Lei de Meios “afeta a liberdade de expressão” e “discrimina” e “atinge o setor privado em benefício do Estado”.
Mais 10 torturadores são condenados na Argentina! O Tribunal Federal de Tucumán condenou mais 10 implicados na repressão durante a ditadura militar argentina por crimes de lesa humanidade, aumentando para 576 o número de torturadores e repressores sentenciados no país.
Entre os 10 novos condenados, três receberam penas de prisão perpétua. Juan Carlos Medrano, Pedro García, antigo chefe da guarda do “pavilhão da morte” e  Héctor Valenzuela foram condenados por “violação de domicílio, privação ilegítima de liberdade, torturas, delitos sexuais e homicídio de Juan Torrente e Juan Carlos Suter.
Pobre México! Invadido e assaltado pelo seu vizinho do norte, conquistado em uma guerra que lhe tomou todo o estado da Califórnia e, atualmente, obrigado a se curvar diante de um “acordo de livre comércio” que só lhe rouba as riquezas e não produz frutos para seus cidadãos, o México vai afundando em crise e barbárie. Dominado pelas máfias estadunidenses que controlam o tráfico de drogas, o país que foi berço da grande civilização Maia está agora entregue ao banditismo e impunidade.
Mais de 500.000 crianças desapareceram nos últimos seis anos. Os dados foram divulgados por um grupo de ONGs do país para alertar que “há falta de vontade do governo para resolver os problemas”.
O deputado José Francisco Coronato Rodríguez, eleito pelo Movimento Cidadão e secretário da Comissão de Direitos Humanos do Congresso, fez as denúncias sobre o desaparecimento de crianças dizendo que os dados recolhidos pelas ONGs mostram que, a cada hora, desaparecem entre 9 e 10 crianças no país. Desse total, 58% entre quatro e doze anos de idade! Dois terços das crianças desaparecidas são do sexo feminino!
Venezuela bate novo recorde: mais de 10 milhões de estudantes! A Venezuela está encerrando o ano de 2014 com o maior número de matrículas escolares da sua história: são 10.508.538 estudantes registrados na rede escolar. O governo investiu, durante o ano, 6,9% do PIB na área de educação básica, média, universitária e tecnológica.
Do total de estudantes matriculados, 6.156.076 estão registrados em escolas públicas; 1.722.462 estão na rede privada e 2.630.000 são universitários! Nesses 15 anos de “Revolução Bolivariana”, o número de crianças entre 3 e 6 anos de idade matriculadas pulou de 45% para 77%; na rede primária, com crianças entre 6 e 12 anos, o índice cresceu de 86% para 96%; na rede secundária, com jovens entre 12 e 18 anos, o aumento foi de 48% para 77%. Mas no meio universitário o índice deu um verdadeiro salto: 294% a mais de estudantes.
Ucrânia continua fazendo “o jogo de Washington”. O parlamento da Ucrânia anunciou na terça-feira (23) que o país renunciou ao status de Estado “não-alinhado”. Ao modificar a legislação interna que impedia o alinhamento a blocos militares, a manobra do Legislativo revela o objetivo ucraniano de eventualmente juntar-se à OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), aliança militar ocidental que se opõe à Rússia.
O governo de Moscou reagiu classificando como “contraproducente” a mudança constitucional na Ucrânia. “Apenas serve para aumentar os confrontos e criar a ilusão de que a solução para a crise interna na Ucrânia possa ser solucionada por meio da adoção de leis como esta”, disse o chanceler russo, Serguei Lavrov.
As emendas legislativas foram propostas pelo presidente Petro Poroshenko e conseguiram a aprovação de 303 deputados, garantindo com folga de 77 votos a maioria constitucional necessária para sancionar as mudanças. Eleito presidente em maio deste ano, Poroshenko sempre reiterou que a entrada na Otan será decidida, em última instância, por meio de um referendo popular.
O status de “país não-alinhado” é uma classificação jurídica dada a Estados — como a Suíça, por exemplo — que se recusam a participar de alianças militares de quaisquer tipos, bem como exercer algum papel em uma eventual guerra.
Provas da farsa. Nosso Informativo já trouxe várias notícias e análises sobre a farsa montada pelos EUA para justificar o boicote contra a Rússia, no caso do avião da Malaysia Airlines abatido no espaço aéreo da Ucrânia. Mas, a cada dia, novos dados vão se somando para mostrar quem é o verdadeiro culpado. Lamentavelmente, a nossa imprensa nada divulga.
No dia da catástrofe do Boeing malaio na região de Donetsk o avião de assalto ucraniano Su-25 tinha levantado voo do aeródromo com mísseis ar-ar, mas retornou sem a carga de combate e o piloto estava muito assustado. Esta informação foi publicada pelo jornal Komsomolskaya Pravda que fala de certo empregado da base aérea, a que o periódico chama “testemunha secreta”.
O interlocutor do jornal revelou que se encontrava “na cidade de Dnepropetrovsk, povoado Aviatorskoe”. “É um aeroporto comum. Naquela época aí se baseavam caças e helicópteros”, informou.
“Os aviões levantavam voo e bombardeavam regularmente, os aviões de assalto SU-25 bombardeavam Donetsk e Lugansk. Isso se prolongou por muito tempo... À tarde, aproximadamente uma hora antes do abatimento do Boeing, três aviões de assalto levantaram voo. Não me lembro da hora concreta. Um destes aviões estava munido de mísseis deste tipo (ar-ar). Era um Su-25, disse o interlocutor do jornal.
Afirmou que não podia confundir estes mísseis com os mísseis tipo ar-terra. “Não, não pude confundir. As suas dimensões, empenagem e coloração são diferentes. Além disso, eles possuem a ogiva de guiamento. A sua identificação é fácil”, disse o empregado desta base aérea.
“Em poucas palavras, algum tempo depois retornou apenas um avião, mais dois foram abatidos. Segundo me disseram, foram abatidos em algum local do leste da Ucrânia. Retornou apenas o avião que estava munido destes mísseis... Retornou sem os mísseis. O piloto estava muito assustado”, disse o interlocutor do jornal.
Comitê de Investigação aceita “testemunha secreta”. Um detector de mentiras comprovou serem verdadeiras as afirmações do funcionário de uma base aérea da Ucrânia que informou ao jornal russo “Komsomolskaya Pravda” ter presenciado fatos que indicam ter sido um avião de combate ucraniano o responsável pela tragédia ocorrida em julho deste ano com o Boeing 777 da Malaysia Airlines que caiu na região de Donetsk. O Comitê de Investigação da Rússia afirma ter provas da participação do Su-25 na tragédia.
Um comunicado do Comitê diz que “o detector de mentiras confirmou a veracidade das declarações da testemunha da catástrofe do Boeing na Ucrânia”. Segundo Vladimir Markin, chefe da comissão, está em estudo a concessão de segurança de Estado à nova testemunha.
O Boeing 777 da Malaysia Airlines que fazia a rota entre Amsterdã e Kuala Lumpur caiu em 17 de julho na região de Donetsk, provavelmente abatido por um míssil. A bordo do avião estavam 298 pessoas, e todas morreram.
Putin preocupa o “Império”? Com certeza, a resposta é sim! Já no seu primeiro mandato com o presidente da Rússia, ele tomou providências para recuperar o controle do Estado sobre o petróleo e o gás! Mesmo dentro da esquerda, ouvimos alguns protestos e até certo desprezo pelas mediadas. Mas não restam dúvidas de que o ex-coronel da marinha russa é o principal alvo das operações do imperialismo. O que acontece atualmente na Ucrânia é a principal comprovação disso.
Putin tem levado adiante uma política de unificação de um campo anti-imperialista. De um lado, através de acordos energéticos e militares com a China, por outro, a partir da decisão de defender a Síria, para o que tem sido importantíssima, também, uma cooperação crescente, inclusive militar, com o Irã, outro defensor dos sírios e já com presença militar naquele país.
Diante da desvalorização artificial do petróleo, afetando acordos energéticos russos com inúmeros países, anuncia-se que a partir de janeiro o petróleo e o gás da Rússia somente serão comercializados em rublo. É um ataque frontal ao petrodólar, artificialmente emitido, sem lastro, aceito como moeda internacional face ao lastro-nuclear com que os EUA ameaçam o mundo. Mas, além da riqueza física energética, a Rússia também tem capacidade nuclear e já declarou que vai usá-la para defender-se.
O cenário exige uma evolução do posicionamento dos BRICS para a esfera militar, já que todos são afetados pela emissão sem lastro do dólar e desvalorização do petróleo.  Há sinais de que a cooperação entre estes países tende a expandir-se. Amplia-se a possibilidade de novos acordos com a Argentina, Venezuela, Bolívia, Cuba, Equador. E também com o Brasil, seja na compra de armas, seja no anúncio de que os russos podem instalar aqui uma fábrica de aviões.
Futebol do BRICS. Um torneio de futebol acontecerá paralelamente à próxima cúpula do grupo, em julho do ano que vem, e tem por objetivo aproximar os cinco Estados-membros do BRICS, usando esporte como catalisador.
Durante a semana passada, a Embaixada do Brasil em Moscou apresentou o projeto para o Primeiro Campeonato de Futebol entre países do BRICS. Segundo o embaixador brasileiro Antonio Guerreiro, o torneio será realizado na cidade russa de Ufa, paralelamente à sétima cúpula do grupo, em julho de 2015, e contará com a participação das seleções juvenis de futebol do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
“O efeito positivo gerado pelo futebol poderá facilitar o desenvolvimento das relações comerciais e culturais entre os nossos países, assim como os projetos conjuntos em outras áreas. Levando em consideração o clima político atual, o futebol poderá ser uma ferramenta importante para ajudar na resolução dos conflitos diplomáticos", diz João Gilberto Vaz, diretor da empresa de consultoria Arena Solutions, responsável pela organização do evento.
O empresário aproveitou para ressaltar que os países dos BRICS foram recentemente escolhidos pela Fifa como sedes da Copa do Mundo por três vezes consecutivas: a edição de 2010 foi realizada na África do Sul, de 2014 foi recebida pelo Brasil e em 2018 acontecerá em solo russo. “Todos os líderes que confirmaram presença na próxima cúpula são fãs de futebol.”
Rússia quer ampliar cooperação em alta tecnologia com o Brasil. O governo russo está oferecendo ao Brasil uma colaboração ativa em esferas de alta tecnologia, incluindo exploração do espaço, construção naval e setor de aviação. Delegação comandada pelo vice-premiê russo Dmítri Rogôzin tem expectativa de que visita ao país resulte em acordos e reforço da parceria estratégica.
Na quarta-feira (18), o vice-primeiro-ministro russo Dmítri Rogôzin participou de uma reunião com o vice-presidente Michel Temer e com o ministro da Defesa do Brasil, Celso Amorim. Além disso, visitou a estação terrestre do Glonass, na Universidade de Brasília, onde é realizado acompanhamento do sistema global de navegação por satélite.
“Os brasileiros não querem comprar produtos acabados, mas querem participar da concepção e instalação dessas tecnologias russas no país”, declarou o vice-premiê russo, ao mencionar o setor espacial.
A parceria militar entre os países não se limita ao fornecimento de produtos acabados para o país sul-americano, uma vez que “o Brasil está ajudando a criar um centro de serviços para trabalhos de reparo e manutenção de helicópteros russos”.
No setor de construção naval, os projetos e tecnologias brasileiras e russas destinadas a exploração de jazidas de petróleo e gás apresentam boa compatibilidade, apesar de determinadas tarefas serem executadas em diferentes condições climáticas e geológicas.
Itália: trabalhadores protestam contra reformas trabalhistas. As propostas do primeiro ministro Matteo Renzi para “aliviar” a crise interna (política, econômica e social) na Itália estão gerando uma forte resistência na população que já sofre há cinco anos com a situação. Uma pretendida “reforma trabalhista” anunciada por Renzi foi o estopim de uma série de protestos e para a greve geral realizada no dia 12 de dezembro.
Novas informações indicam que mais de um milhão de trabalhadores e trabalhadoras da Itália atenderam ao chamado da CGIL (Confederação Geral Italiana do Trabalho) para protestar contra as medidas, no dia 25 de dezembro. Poucos dias antes, os trabalhadores do setor metalúrgico ligados à FIOM-CGIL e milhares de estudantes secundaristas participaram de grandes mobilizações e paralisações de serviços em todo o território nacional.
O novo governo da Itália, atendendo ao comando da “troika” está tentando desmontar toda a regulamentação trabalhista no país e retirar direitos antigos, conquistados ao longo de décadas de lutas.
Europa: 1 em cada 4 cidadãos em risco de pobreza! É grave a situação do “antigo continente”, antigamente visto como um exemplo de prosperidade, riqueza e trabalho. Muitas vezes, ao longo de nossa adolescência e mesmo na idade adulta, víamos e ouvíamos coisas sobre a Europa, transformando-a em uma espécie de “sonho” de cultura e avanços sociais. Mas o quadro está mudando muito rapidamente.
Segundo o instituto de pesquisas Eurostat, a proporção de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social na União Europeia já chega a 24,5% da população (cerca de 122,6 milhões de pessoas).
Entre os países mais afetados com a crise estão: Bulgária (48,0%), Romênia (40,4%), Grécia (35,7%), Letônia (35,1%) e Hungria (33,5%). Na Espanha o índice chega a 27,3%.
França vive novo recorde de desemprego. São 3.840.000 trabalhadores e trabalhadoras desempregados/as na França, segundo as estatísticas oficiais. Ou seja, um novo recorde para o país! A taxa de desemprego cresceu 0,8% entre os meses de outubro e novembro, segundo a pesquisa realizada pelo Instituto Pôle Emploi (estatal). Isto representa um crescimento de 5,8% com relação ao mesmo período de 2013.
Se incluídas as pessoas que realizaram pequenas atividades, biscates ou serviços temporários sem registro o número chega a 5.170.000 de pessoas.
Wikileaks revela manual da CIA para assassinatos. O relatório secreto da agência de espionagem estadunidense analisa diversas operações de assassinato em vários países, principalmente contra líderes afegãos do Talibã, do grupo terrorista Al-Qaida e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Também aparecem como possíveis pontos de ataque dirigentes do grupo libanês Hezbolá, a Organização para a Libertação de Palestina (OLP), Hamas, o grupo guerrilheiro peruano Sendero Luminoso, Os Tigres de Libertação do Tamil Eelam (LTTE), o Exército Republicano Irlandês (IRA) e a Frente de Libertação Nacional de Argélia (FLN).
A publicação do Wikileaks chegou às redes sociais apenas dez dias depois que o Comitê de Inteligência do Senado dos EUA tornasse público um polêmico relatório secreto sobre o emprego da tortura em suas formas mais brutais contra prisioneiros supostamente vinculados a ações terroristas.
O manual revelado pelo Wikileaks data de 7 de julho de 2009, seis meses depois de Leon Panetta assumir a direção da CIA e pouco depois de que o agente John Kiriakou – atualmente preso – denunciasse pela primeira vez a prática de torturas por parte de oficiais interrogadores.
EUA: mais um jovem negro, desarmado, é morto pela polícia. Mais um caso de racismo policial está gerando protestos e muita indignação na cidade de Berkeley, a mesma onde foi assassinado um jovem de 18 anos.
Desta vez, Antonio Martin, um jovem negro, foi assassinado com um tiro mortal durante uma operação policial em uma estação de serviços. Segundo o relato policial, os agentes encontraram dois homens na estação de serviços e um deles teria apontado uma arma para o policial que apenas reagiu. Mas testemunhas confirmam que o jovem estava desarmado.
É uma longa lista de crimes contra negros, todos impunes. Em julho passado, Eric Garner, de 43 anos, morreu depois de ser estrangulado por um policial branco, Daniel Pantaleo, que foi absolvido pela justiça de Staten Island, em Nova Iorque, por “não haver provas”, ainda que tudo tenha sido filmado por populares.
Um mês mais tarde, o policial Darren Wilson matou o jovem negro Michael Brown, de 18 anos. A “justiça” sequer chegou a formular uma acusação contra o policial. No dia 20 de novembro, o policial Peter Liang matou com um tiro o negro Akai Gurley, de 28 anos, no Brooklyn, alegando “legítima defesa”, mesmo estando Akai desarmado. No dia 22 de novembro foi a vez de Tamir Rice, de 12 anos, ser crivado de balas pela Polícia de Cleveland, em Ohio, quando brincava em um parque da cidade. Ele estava com uma arma de brinquedo e os policiais alegaram “legítima defesa”.

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