sexta-feira, 29 de abril de 2016

La farsa de la doble presidencia en Brasil

EL MUNDO › OPINION

La farsa de la doble presidencia en Brasil

 Por Eric Nepomuceno
Faltaban cuatro minutos para las seis de la tarde de ayer cuando el abogado Miguel Reale Jr., uno de los autores del pedido de destitución de la presidenta Dilma Rousseff, empezó, frente a la Comisión Especial del Senado, la acusación. Esa es la Comisión Especial que votará, dentro de dos semanas, por la apertura del juicio.
Acorde al abogado, lo que justifica la deposición de la presidenta (y de sus 54 millones y medio de votos) es la caótica situación económica que sacude al país. Dijo Reale Jr. que todo es resultado de las maniobras contables realizadas por el gobierno, y que por eso Dilma Rousseff debe ser legalmente juzgada y condenada. Todo, claro, respetando la Constitución.
Hay una evidente hipocresía en lo que se ve en Brasil. Uno de los oyentes más atentos a las palabras tambaleantes del abogado acusador era Antonio Anastasía, relator del caso en la Comisión Especial. A él le tocará recomendar a sus pares que se abra el juicio que alejará, en un primer momento, a Dilma Rousseff de la presidencia, por un plazo de hasta 180 días. Antes de llegar al Senado, Anastasía fue gobernador de la provincia de Minas Gerais. Y en su gobierno practicó, con alegre insistencia, exactamente las mismas operaciones que ahora sirven como argumento para condenar a Dilma Rousseff y encerrar su mandato.
Además, el mismo Anastasía cometió una generosa serie de irregularidades, como no repasar a los sectores de Salud y Educación los porcentuales mínimos (12 y 25%, respectivamente) del presupuesto, establecido por la ley.
En su discurso de acusación frente a la Comisión Especial del Senado, Reale Jr. fue enfático al recurrir a material periodístico para corroborar sus palabras. Se olvidó, seguramente, de la absurda parcialidad de los medios hegemónicos de comunicación, trinchera más activa del golpe en marcha. No hizo una argumentación basada en la Ley de Responsabilidad Fiscal: optó por un discurso esencialmente político.
No hay sorpresa alguna: todo es previsible. Se trata de que las formalidades sean seguidas de forma rigurosa, exactamente para dar la impresión de que la Constitución es respetada. Tanto es así que hoy les tocará a defensores de la presidenta hablar a los señores senadores.
Mientras, el país da por seguro que el resultado será contrario a la decisión que salió de las urnas electorales en 2014. Tanto es así que ayer mismo, y como viene haciendo desde hace un largo par de semanas, Michel Temer, presto a ser elevado a la presidencia, arma su gobierno.
A un kilómetro de distancia, la presidenta en funciones, pasible de ser destituida, arma su estrategia de defensa consciente de su inutilidad. Sabe que perderá, que ya perdió.
La farsa de la legalidad no legitimará el golpe, del cual surgirá un gobierno ilegítimo, encabezado por un Michel Temer que, a lo largo de su larga carrera primero de diputado provincial y, luego, nacional, jamás logró alcanzar votaciones expresivas. Su desempeño siempre fue mediocre, lo suficiente para alcanzar su escaño. Llegará a la presidencia sin ser dueño de un único, miserable voto. Todo el ritual, toda la farsa en curso, no legitimará el golpe, pero irá a sacralizarlo.
Michel Temer asumirá una presidencia con plazo: hasta 180 días. Vencido el plazo, muy difícilmente Dilma Rousseff logrará, en el Senado, votos suficientes para reasumir el puesto del cual está a punto de ser destituida.
¿Cómo será el gobierno de Temer? Seguramente de pleno agrado del empresariado, del sacrosanto mercado financiero. De las elites de siempre, de los conglomerados de comunicación, de las clases medias idiotizadas por la televisión. Lo que se anuncia, y Temer no desmiente, es un retroceso violento en conquistas sociales alcanzadas a lo largo de los últimos trece años. La recesión por la que el país atraviesa ya hizo un desastre en los empleos, en el comercio, en la industria. No hay recuperación en el horizonte, y menos con el plan económico que se aplicará bajo Temer.
Ayer hubo cortes de carreteras en ocho provincias y en Brasilia. Avenidas de varias ciudades fueron bloqueadas. Son las protestas contra el golpe, son una muestra de lo que vendrá. Habrá durísima oposición del PT y de otros partidos de izquierda en el Congreso.
A tiempo: el discurso político del abogado Miguel Reale Jr., que defiende la destitución de la presidenta, fue durísimamente contestado, punto a punto, por el senador Lindbergh Farias, del PT. Antiguo líder estudiantil, Lindbergh Farias dijo que “impeachment, sin demostración de crimen de responsabilidad, es golpe. Un golpe escandaloso”.
Por coincidencia, el abogado se retiró en seguida: es que tenía otro compromiso. El relator del caso, senador Antonio Anastasía, paseaba una mirada un tanto perdida por el ambiente. La impresión era la de que todas aquellas palabras no tenían la más mínima importancia: a él le tocará recomendar que se abra un juicio contra la presidenta. La decisión ya está tomada. El golpe está consumado.


Fonte: Pagina 12

CONSTITUCIONALISTA DEFENDE QUE TEMER NÃO PODERÁ NOMEAR MINISTROS



CONSTITUCIONALISTA DEFENDE QUE TEMER NÃO PODERÁ NOMEAR MINISTROS

Jorge Rubem Folena de Oliveira

Na hipótese de o Senado Federal aceitar o pedido de abertura do processamento de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff, é necessário esclarecer à opinião pública que:

1) Dilma Rousseff não deixará de ser a Presidenta da República Federativa do Brasil, pois o que terá início é somente o julgamento do pedido de seu afastamento do cargo, pelo Senado Federal, sob a presidência do Presidente do Supremo Tribunal Federal (artigo 52, I e seu parágrafo único da Constituição). Esse afastamento deverá ocorrer em respeito ao devido processo legal, ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência (artigo 5.º, LIV e LV e LVII, da Constituição).

2) Aceito o prosseguimento do processo de impeachment, inicia-se o julgamento, durante o qual a Presidenta da República apenas ficará suspensa das suas funções (artigo 86, parágrafo 1.º , II, da Constituição). Ou seja, a Constituição não diz que o seu governo estará destituído. O governo eleito permanece, com os ministros nomeados pela Presidenta, que devem permanecer até o julgamento final do processo de impeachment. Da mesma forma, a Presidenta da República deverá continuar ocupando os Palácios do Planalto e da Alvorada, de onde somente deverá sair se o Senado Federal vier a condená-la. Sendo certo que a Presidenta retomará as suas funções, caso o Senado não a julgue em até 180 dias (art. 86, parágrafo 2.º, da Constituição Federal).

3) As funções e atribuições do Presidente da República estão previstas no artigo 84 da Constituição Federal e dentre elas constam: nomear e exonerar ministros de Estado; iniciar processo legislativo; sancionar leis, expedir decretos, nomear ministros do Tribunal de Contas etc.

Prestados estes esclarecimentos, é importante salientar que o vice-presidente da República somente substituirá o presidente no caso de seu impedimento ou o sucederá em caso de vacância do cargo presidencial. Além disso, o vice-presidente auxiliará o presidente quando convocado por este para missões especiais. É o que dispõe o artigo 79 da Constituição Federal. Suspensão de atribuições não implica impedimento ou sucessão por vacância. São três hipóteses distintas.
Ora, o impedimento presidencial somente ocorrerá caso haja condenação por 2/3 dos Senadores da República, depois de concluído todo o devido processo legal; só então se dará a hipótese da perda do cargo, com a inabilitação, por 8 anos, para o exercício de função pública. (Artigo 52, parágrafo único)

A substituição do(a) presidente(a) da República somente ocorrerá no caso de condenação definitiva no processo de impeachment (depois de esgotadas todas as etapas do impedimento) e em caso de vacância por morte ou renúncia.

Ressalte-se que impedimento não é a mesma coisa que suspensão das funções, pois esta não tem o condão de retirar o status de presidente da República.

Portanto, o vice-presidente somente sucederia a presidenta Dilma, e só então poderia constituir um novo governo, nos casos de condenação definitiva por impeachment (impedimento), ou havendo vacância por morte ou renúncia.

Fora disto, não existe possibilidade constitucional de o vice-presidente constituir um novo governo, com a nomeação de novos ministros, na medida em que o Brasil ainda tem uma Presidenta eleita pela maioria do povo brasileiro, que apenas estará afastada das suas funções para se defender das acusações no Senado Federal.

Então, o que vem sendo veiculado pela imprensa tradicional é mais uma tentativa de implantar o golpe institucional no Brasil, com o estabelecimento de um ilegítimo governo paralelo. Assim, por meio de factoides, tem sido anunciado que o vice-presidente nomeará ministério e já teria um plano de governo, anunciado em 28 de abril de 2016, que não procura esconder seus objetivos de redução dos direitos trabalhistas e previdenciários, além de cortar programas sociais, como o Bolsa Família.

Sendo assim, claro está que o vice-presidente não tem atribuição para instituir novo governo nem nomear ou anular a nomeação de ministros de Estado e, desta forma, deverá se limitar a aguardar, em silêncio e com todo o decoro possível, o resultado final do julgamento do impedimento, no Palácio do Jaburu, sua residência oficial.

*Advogado constitucionalista e cientista político

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Como age o STF diante de um crime



Como age o STF diante de um crime

FERNANDO BRITO

Há um grupo de homens e mulheres que não pode ser excluído do enojado julgamento que se faz, hoje, daquele espetáculo de imundície cívica que se viu na noite de domingo na Câmara dos Deputados.

Nenhum deles se alterou, ninguém invocou Deus, ninguém chamou o nome dos netinhos e dos filhinhos.

Mas o Supremo Tribunal Federal – com as ressalvas honrosas a seu presidente Ricardo Lewandowski e de Marco Aurélio Mello – agiu com idêntico cinismo.

Disse ao país que a votação na Câmara não deveria ser submetida a controles de legalidade ou constitucionalidade porque era, apenas, um pedido de admissão que, em si, não provoca qualquer consequência.

Não, excelências?

Que planeta habitam os senhores ministros?

Há um crime sendo executado e vou narrar, passo a passo, a atitude dos senhores.

Um homem, homem que está como réu diante dos senhores, pega uma arma e a municia.

Os senhores dizem que não há problema, ele tem o porte devido e não há condenação formal sobre ele, embora existam todas as evidências de crime e o país inteiro ouça-o  prometer um assassinato.

Este homem aponta a arma para uma mulher.

De novo, dizem os senhores, não há o que fazer, pois ele é livre para apontar a mão a quem quer que seja, de vez que não constitui crime aponta-la, ainda que armada, em qualquer direção e não se pode supor que o gesto vá significar um assassinato.

Decidem assim, mesmo diante de muitos que gritam: “ele vai matá-la, o covarde vai matá-la”.

Então, excelências, o criminoso puxa o cão do revólver e novamente os senhores dizem que é seu direito, porque não se trata senão de um gesto mecânico, impessoal, e a Constituição diz que ninguém será impedido de fazer algo senão pela lei e não há lei que impeça engatilhar um revólver.

Como vossas excelências (em minúsculas, como os senhores merecem) permitiram, a ousadia do bandido vai ao máximo e ele dispara.

Bem, foi só um disparo e disparo não é crime. Neste microssegundo dos dias que vivemos pode-se dizer que não há lesão alguma. A bala ainda caminha no ar,é cedo para dizer se atingirá mortalmente seu alvo. Quem sabe ele se abaixará, fugirá da trajetória assassina, quem sabe? Cedo para dizer, não é, senhores?

E é assim que estamos, senhores juízes. Já todos sabem onde a bala chegará, já são só centímetros a separá-la do coração de uma mulher que, se erros pode ter, criminosa não é como é seu algoz.

Mas, tecnicamente, nada aconteceu, senão um estrondo e o cheiro fétido da pólvora se espalhando no ar.

Quem sabe a bala vá andar lentamente, como nos truques do Matrix, e a futura vítima escape? Ela ainda olha para os senhores, a dor pressentida em seus olhos, ainda lhes espera um gesto milagroso e o milagre seria apenas que cumprissem seu dever.

Ah, é de lembrar um antecedente, que todos os senhores conhecem de fato e ainda não pode subir ao exame de vossas excelências, ocupados que estavam discutindo os pleitos salariais dos procuradores dos municípios.

É que aquela senhora, percebendo as intenções iminentes de seu futuro assassino, tomou nas mãos um colete que poderia protegê-la, defendê-la.

Veloz como um raio, um dos senhores, o de caratonha mais beiçuda e feroz, veio e impediu-a de vesti-lo. “Pera lá”, disse ele, “pode haver um desvio de finalidade neste colete”, precisamos revirá-lo, ver sua nota fiscal, prazo de validade, registros, selos, taxas e emolumentos. Enquanto isso, está proibida de vesti-lo.

Há um mês, excelências.

A bala atingiu seu alvo, penetrou-lhe o peito, aos gritos de Deus, de “Felipe, Aline, Antenor, meu filhinhos e meus netinhos”.

E os senhores a dizer: não, não há crime, a vitima está de pé, seu coração ainda bate, o que houve é apenas a admissibilidade de sua morte, o que só os médicos do Senado poderão atestar, isso depois de levá-la para a UTI e ao coma induzido de 180 dias, com confortável leito no Alvorada.

É assim que contarei ao meu filho pequeno como agiu a Suprema Corte de meu país.

Ele vai achar que os senhores são idiotas e que são tão responsáveis pelo crime quanto a mão canalha que tomou, armou e disparou a arma com a sua omissão.

Eu, infelizmente, terei que concordar com o julgamento de uma criança que, com seus 11 anos, parece saber melhor do que os senhores que quando um gesto intenta um crime, criminoso o gesto é.

Deu-me asco ver as togas. como anteontem vi a bandeira tão querida e respeitada, a servir como manto de canalhas, ouvindo os gritos: “pela devida vênia, pela lei 1.059, pela alínea C do artigo 1212111 do Regimento da Câmara, eu voto simmmmmm!”.

Golpista tucano presta contas nos EUA



Golpista tucano presta contas nos EUA

A degradante atuação do Congresso brasileiro ao aplicar um golpe em nome da República dos Corruptos, liderada por Eduardo Cunha, teve grande repercussão internacional.

Segundo The Intercept, o site mantido pelo jornalista GlenGreenwald a partir do Rio de Janeiro, a oposição despachou para os Estados Unidos o senador Aloysio Nunes, que se encontrará com integrantes do poderoso Comitê das Relações Exteriores do Senado, com o subsecretário de Estado Thomas Shannon e com um grupo de lobistas ligados à ex-secretária de Estado Madeleine Albright, diplomata influente desde o governo Reagan e que representa dinheiro grosso nos Estados Unidos.

Greenwald não lembra o fato de que a ex-embaixadora dos Estados Unidos no Paraguai, que assistiu ao golpe suave contra Fernando Lugo lá, foi transferida em seguida para o Brasil.

Trata-se de uma viagem, a de Aloysio Nunes, no mínimo curiosa, já que Dilma Rousseff continua no poder no Planalto e o Brasil mantém relações diplomáticas normalizadas com os Estados Unidos, enquanto o senador tucano está prestes a se engajar na batalha do impeachment no Senado, em um papel central.

Texto do Intercept:

Muitos na esquerda brasileira acreditam que os EUA estão planejando ativamente a instabilidade atual no país com o propósito de se livrar de um partido de esquerda que se apoiou fortemente no comércio com a China, e colocar no lugar dele um governo mais favorável aos EUA que nunca poderia ganhar uma eleição por conta própria.

Embora não tenha surgido nenhuma evidência que comprove essa teoria, uma viagem aos EUA, pouco divulgada, de um dos principais líderes da oposição brasileira deve provavelmente alimentar essas preocupações. Hoje — o dia seguinte à votação do impeachment — o Senador Aloysio Nunes do PSDB estará em Washington para participar de três dias de reuniões com várias autoridades norte-americanas, além de lobistas e pessoas influentes próximas a Clinton e outras lideranças políticas.

O Senador Aloysio Nunes vai se reunir com o presidente e um membro do Comitê de Relações Internacionais do Senado, Bob Corker (republicano, do estado do Tennessee) e Ben Cardin (democrata, do estado de Maryland), e com o Subsecretário de Estado e ex-Embaixador no Brasil, Thomas Shannon, além de comparecer a um almoço promovido pela empresa lobista de Washington, Albright StonebridgeGroup, comandada pela ex-Secretária de Estado de Clinton, Madeleine Albright e pelo ex-Secretário de Comércio de Bush e ex-diretor-executivo da empresa Kellogg, Carlos Gutierrez.

A Embaixada Brasileira em Washington e o gabinete do Senador Aloysio Nunes disseram ao The Intercept que não tinham maiores informações a respeito do almoço de terça-feira. Por email, o Albright StonebridgeGroup afirmou que o evento não tem importância midiática, que é voltado “à comunidade política e de negócios de Washington”, e que não revelariam uma lista de presentes ou assuntos discutidos.

Aloysio Nunes é uma figura da oposição extremamente importante — e reveladora — para viajar aos EUA para esses encontros de alto escalão. Ele concorreu à vice-presidência em 2014 na chapa do PSDB que perdeu para Dilma e agora passa a ser, claramente, uma das figuras-chave de oposição que lideram a luta do impeachment contra Dilma no Senado.

Como presidente da Comissão de Relações e Defesa Nacional do Senado, Aloysio Nunes defendeu repetidas vezes que o Brasil se aproxime de uma aliança com os EUA e o Reino Unido.
Aloysio Nunes foi fortemente apontado em denúncias de corrupção; em setembro. Um juiz ordenou uma investigação criminal após um informante, um executivo de uma empresa de construção, declarar a investigadores ter oferecido R$ 500.000 para financiar sua campanha — R$ 300.000 enviados legalmente e mais R$ 200.000 em propinas ilícitas de caixa dois — para ganhar contratos com a Petrobras. E essa não é a primeira acusação do tipo contra ele.

A viagem de Aloysio Nunes a Washington foi divulgada como ordem do próprio Michel Temer, que está agindo como se já governasse o Brasil. Temer está furioso com o que ele considera uma mudança radical e altamente desfavorável na narrativa internacional, que tem retratado o impeachment como uma tentativa ilegal e antidemocrática da oposição, liderada por ele, para ganhar o poder de forma ilegítima.

O pretenso presidente enviou Aloysio Nunes a Washington, segundo a Folha, para lançar uma “contraofensiva de relações públicas” e combater o aumento do sentimento anti-impeachment ao redor do mundo, o qual Temer afirma estar “desmoralizando as instituições brasileiras”. Demonstrando preocupação sobre a crescente percepção da tentativa da oposição brasileira de destituir Dilma Rousseff, Aloysio Nunes disse, em Washington, “vamos explicar que o Brasil não é uma república de bananas”. Um representante de Temer afirmou que essa percepção “contamina a imagem do Brasil no exterior”.

“É uma viagem de relações públicas”, afirma Maurício Santoro, professor de ciências políticas da UFRJ, em entrevista ao The Intercept. “O desafio mais importante que Aloysio Nunes enfrenta não é o governo americano, mas a opinião pública dos EUA. É aí que a oposição está perdendo a batalha”.

Não há dúvida de que a opinião internacional se voltou contra o movimento dos partidos de oposição favoráveis ao impeachment no Brasil. Onde, apenas um mês atrás, os veículos de comunicação da mídia internacional descreviam os protestos contra o governo nas ruas de forma gloriosa, os mesmos veículos agora destacam diariamente o fato de que os motivos legais para o impeachment são, no melhor dos casos, duvidosos, e que os líderes do impeachment estão bem mais envolvidos com a corrupção do que Dilma.

Michel Temer, em particular, estava abertamente preocupado e furioso com a denúncia do impeachment pela Organização de Estados Americanos, apoiada pelos Estados Unidos, cujo secretário-geral, Luis Almagro, disse que estava “preocupado com a credibilidade de alguns daqueles que julgarão e decidirão o processo” contra Dilma. “Não há nenhum fundamento para avançar em um processo de impeachment contra Dilma, definitivamente não”.

O chefe da União das Nações Sul-Americanas, Ernesto Samper, da mesma forma, disse que o impeachment é “um motivo de séria preocupação para a segurança jurídica do Brasil e da região”.

A viagem para Washington dessa figura principal da oposição, envolvida em corrupção, um dia após a Câmara ter votado pelo impeachment de Dilma, levantará, no mínimo, dúvidas sobre a postura dos Estados Unidos em relação à remoção da presidente. Certamente, irá alimentar preocupações na esquerda brasileira sobre o papel dos Estados Unidos na instabilidade em seu país. E isso revela muito sobre as dinâmicas não debatidas que comandam o impeachment, incluindo o desejo de aproximar o Brasil dos EUA e torná-lo mais flexível diante dos interesses das empresas internacionais e de medidas de austeridade, em detrimento da agenda política que eleitores brasileiros abraçaram durante quatro eleições seguidas.

ATUALIZAÇÃO: Antes desta publicação, o gabinete do Sen. Nunes informou ao The Intercept que não tinha mais informações sobre a viagem dele a Washington, além do que estava escrito no comunicado de imprensa, que data de 15 de abril. Subsequente à publicação, o gabinete do Senador nos indicou informação publicada no Painel do Leitor (Folha de S. Paulo, 17.04.2016) onde Nunes afirma - ao contrário da reportagem do jornal - que a ligação do vice-presidente Temer não foi o motivo para sua viagem a Washington.