domingo, 9 de março de 2014

A responsabilidade do voto


Pense bem no voto que você, eleitor, depositará na urna

26/2/2014 13:57
Por Gilberto de Souza - do Rio de Janeiro

Tropa de Choque, em São Paulo, cerca manifestantes em uma espécie de arrastão
Tropa de Choque, em São Paulo, cerca manifestantes em uma espécie de arrastão
Vamos pensar juntos. Se os manifestantes ganham as ruas para exigir mudanças na vida do país (uns pela esquerda, outros pela direita, com os black bloc no final para quebrar tudo), quem prefere ficar em casa, lendo um livro ou simplesmente fazendo outra atividade qualquer, e protestar a cada eleição com o voto na urna, este brasileiro tem o direito de opinar com a mesma severidade com que aquela massa humana demonstra a sua indignação quanto aos preços e a qualidade do transporte público, ao drama nos hospitais, à corrupção, à falta de amor aos bichos ou ao que mais quiser.
Mas fica a pergunta: como conseguir que, diante do voto – expressão máxima da democracia –, as pessoas escolhidas a dedo para representar os anseios de um país mais justo e igualitário, parem de agir contra o desejo da maioria dos brasileiros? Será preciso, então, ir às ruas e, com o apoio dos encapuzados, incendiar um fusca? Certamente que não.
Antes disso, melhor compreender que há uma imensa maioria de brasileiros que, simplesmente, não conhece o lado teórico da realidade e segue, nesta existência, preocupada com os afazeres diários, a vida simples de um domingo de futebol, se muito com um almoço em família, quando há família, mas às vésperas de uma semana inteira de luta para manter as contas pagas no fim do mês. E nem sempre consegue.
A exemplo da nova tática da polícia paulista, de promover uma pesca de arrastão a manifestantes, cercando-os com brutamontes, a maioria dos brasileiros tranquilos é engolfada diariamente pela telinha sonora da TV. Que ninguém se iluda, esta é tão ou mais eficiente para calar a voz das ruas do que os recrutas marombados da PM, a soldo do aparato repressor. Mais ilusória do que mascarado com raiva de ‘orelhão’. Aqueles apenas trocaram as balas de borracha pelas artes marciais, embora o resultado seja idêntico. Já os outros, estes continuam mesmo é quebrando entrada de banco, para alegria dos vidraceiros locais. Mas o pacato cidadão, que se dispôs a ficar na fila com o título de eleitor, preparado para se expressar na urna, este tem sua consciência roubada todos os dias e pouco se fala a respeito.
Basta assistir às notícias transmitidas na hora do jantar. Na telinha, eles dizem que os nazistas naquele frágil poder ocupado na Ucrânia são tão legítimos quanto os meninos que não querem a Copa do Mundo de Futebol. Apenas mais exaltados, ilude o casal televisivo.
Quem nasceu há poucas gerações e não se lembra do catiço em que esse país se transformou, ao longo de duas décadas de ditadura, e para quem a II Guerra Mundial é hoje apenas matéria do colégio ou enredo de filme norte-americano, esses brasileiros não veem nada demais se a mesma orientação nazista que se abateu sobre os ucranianos seja reproduzida aqui ao lado, na Venezuela. Os fascistas que querem derrubar um governo democrático no Caribe recebem ajuda dos mesmos aliados que, hoje, juntam os cascos e estendem o braço acima do ombro, com a mão direita espalmada igual nos tempos do Hitler. Mas isso passa batido. Deixa apenas a mensagem subliminar.
Em seguida, entram com cara de drama, ainda bem que em um número menor de lares a cada dia, para dizer que o governo escorregadio da Dilma Rousseff conseguiu agora a proeza de bater novo recorde na arrecadação de impostos e contribuições, em plena crise mundial. O que qualquer país comemoraria, pois os programas sociais e o desenvolvimento estão garantidos, para os urubus disfarçados de apresentadores isso é motivo de lástima. Quase um drama.
Entre um bloco e outro de notícias, porém, anúncios das empresas governamentais ou dos programas do governo federal recheiam os caixas das empresas reacionárias que choram de saudades dos coturnos, em velocidade semelhante à do passado, quando os generais determinavam o quão bilionários seriam os donos das concessões públicas de rádios e TVs dispostos a encobrir a tortura, os assassinatos em série, o horror. Tanto parece – quanto é, de fato – uma chancela à mentirada toda que, para justificar o engodo, chamam isso de ‘mídia técnica’.
Ora, mas o casal da televisão diz que o governo é sem-vergonha, mequetrefe e seus principais líderes estão presos, com tantas regalias no xadrez que poderão até ser transferidos para uma cana mais dura. Em seguida, um anúncio do programa Minha Casa, Minha Vida atesta a seriedade da emissora que acaba de perseguir aqueles homens encarcerados. Mas, para a militância do partido no governo, estes ícones da esquerda são tão inocentes que receberam mais de R$ 2 milhões em doações para quitar as multas impostas; além da cadeia. Então, das duas, uma: ou o governo é mesmo mequetrefe e sem-vergonha e o canal de TV tem toda razão; ou os militantes do partido no governo estão certos e a emissora é golpista, apoiou a ditadura. E ainda apoia. Mais uma vez, com as bençãos e verbas do governo.
Diante desse enigma, como fazer com que o voto, esse mesmo que os brasileiros maiores de 16 anos destinarão aos próximos deputados, senadores, governadores e presidenta, ou presidente, da República, seja tão forte quanto a ‘tropa ninja’, eletrizante feito inzoneiro com tênis de grife, mais convincente do que âncora de jornal noturno e vendedor de carro usado, mas digno o suficiente para mudar os destinos desse país? Aí é que os convidei a pensar juntos. O jeito é ir às ruas em bloco, com ou sem quebra-quebra no final, ou usar o controle remoto, segundo a sugestão simplista da Dilma para não se queimar com o império, e apagar a telinha da TV?
Entre partir para a ignorância contra os guardas do ‘choque’ ou desligar o aparelho de tevê, fique aqui, na internet. Leia O Cafezinho, do jornalista Miguel do Rosário. Não perca, no Megacidadania, os próximos capítulos da fuga de Henrique Pizzolato para desmascarar a trama do ‘mentirão’, como já apelidaram o julgamento que a mídia conservadora chama de ‘mensalão’. Leia os textos brilhantes do Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo. E não deixe de conhecer o Conexão Jornalismo, do sempre atento editor Fábio Lau. Visite os sites produzidos pela sociedade civil organizada. Converse com os amigos na rede social de sua preferência e comente sobre as matérias que o jornal Correio do Brasil publica em suas edições diárias, digital e online. Dê mais valor à credibilidade.
Viva em seu país, com gente que ama esse país. Não o deixe, jamais. Se achar que tem razão e ninguém o está ouvindo, procure seus direitos e exerça-os. Não foi o suficiente? Vá, sim, para as ruas e proteste, como se protesta em situação de plenitude democrática. Diga não à violência. E, no final, vote. Para fazer valer a sua opinião, vote de forma simples e objetiva. Vote consciente.
Para ser respeitado e mudar o Brasil não é preciso matar, ou morrer. Tanto aqui quanto em qualquer outra democracia séria, no mundo, é preciso votar para que ela exista e seja mais forte do que qualquer brucutu fardado ou disfarçado.
Pense nisso. E vote.
Gilberto de Souza é jornalista, editor-chefe do jornal Correio do Brasil.

Dívida Pública


Dívida pública tem queda expressiva com resgate de títulos

25/2/2014 15:19
Por Redação - de Brasília

divida publica
Pagamentos em série reduzem a divida publica brasileira
Uma forte concentração de vencimentos fez a Dívida Pública Federal (DPF) cair 3,6% em janeiro. De acordo com dados divulgados nesta terça-feira, pela Secretaria do Tesouro Nacional, a DPF fechou o mês passado em R$ 2,046 trilhões, com queda de R$ 76,5 bilhões em relação à de dezembro, quando o endividamento bateu recorde.
A dívida pública mobiliária – em títulos públicos – interna caiu de R$ 2,028 trilhões para R$ 1,950 trilhão. Isso ocorreu porque, no mês passado, o Tesouro resgatou R$ 97,6 bilhões em títulos a mais do que emitiu. Esse resgate foi parcialmente compensado pelo reconhecimento de R$ 20,35 bilhões em juros. O reconhecimento se dá porque a correção que o Tesouro se compromete a pagar aos investidores é incorporada gradualmente ao valor devido.
A dívida pública externa encerrou janeiro em R$ 96,27 bilhões, alta de 1,67% em relação ao valor de dezembro, quando tinha atingido R$ 94,68 bilhões. A redução foi puxada pela alta de 3,57% do dólar no mês passado.
O principal fator que contribuiu para a queda da dívida pública em janeiro foi o elevado volume de vencimentos de títulos, que já havia sido anunciado pelo Tesouro Nacional no fim daquele mês. Apenas em janeiro, R$ 135,42 bilhões foram resgatados. A maior parte desse total, R$ 127,45 bilhões, correspondeu a títulos prefixados (com juros fixos definidos com antecedência).
A concentração de vencimentos de títulos é típica do primeiro mês de cada trimestre por causa do fim do prazo de vigência de títulos prefixados. Dessa forma, a Dívida Pública Federal costuma registrar queda no estoque em janeiro, abril, julho e outubro. Somente no mês passado, os vencimentos corresponderam a 23,9% do montante previsto para todo o ano.
Apesar da queda em janeiro, o próprio Tesouro reconhece que a DPF voltará a subir nos próximos meses. De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), divulgado no fim de janeiro, a tendência é que o estoque da Dívida Pública Federal encerre o ano entre R$ 2,17 trilhões e R$ 2,32 trilhões.

83% dos venezuelanos condenam atos violentos da direita



Sent: quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Subject: Tradicional empresa de levantamento de opinião revela por meio de pesquisa a realidade da situação na venezuela



Pesquisa Hinterlaces: 83% dos venezuelanos rechaçam atos violentos de rua gerados pela direita
Caracas, 25 fev. AVN.- A mais recenté pesquisa de opinião realizada por Hinterlaceshttp://www.hinterlaces.com/ ] assinala que 83% dos venezuelanos rechaçam as ações violentas de rua geradas por setores da direita, informou nesta terça-feira seu director, Oscar Schemel.
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No a la violencia. Ante los hechos violentos que se han registrado por las protestas Schémel destacó que el 85% de la población exige que se tomen medidas y castigos y el 83% rechaza los hechos violentos de cualquier bando político. Sin embargo, explicó que los focos de violencia han sido “programados y organizados” pues a su juicio “el país no está encendido” pese al descontento en la población.

“No es cierto que la sociedad civil está en la calle. Las manifestaciones se han concentrado en el corredor electoral de la oposición y muy especialmente en los sectores de clase media, eso evidentemente no es el país (…) Sobre este clima de descontento se ha montado una clínica de masas orientadas a provocar una acumulación de angustias a provocar un proceso de neurotización”, sentenció.

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"Ao redor de 83% dos venezuelanos não apoia a violência", disse Schemel ao ser entrevistado no programa Primera Página do canal Globovisión, em que destacou que somente 2 de cada 10 venezuelanos está de acordo com "a ideia de sair às ruas para provocar uma saída rápida ou imediata” do governo.
"Há, definitivamente, uma vocação democrática, constitucional, pacífica, numa esmagadora maioria dos venezuelanos", ressaltou ao referir-se aos resultados do levantamento Monitor País.
"Não é certo que a sociedade civil esteja nas ruas. As manifestações se concentraram no corredor eleitoral da oposição e muito especialmente nos setores de clase média, e isto evidentemente não é o país”, assinalou.
Denunciou que na Venezuela se instalou uma “clínica de massas orientada a provocar uma acumulação de angústias, a provocar um proceso de neuratização” tendo por base informações relacionadas com a economía.
Sublinhou que ese tipo de "clínica de massas" vem sendo aplicada em vários países e citou como exemplo o caso da Primavera Árabe. Advertiu que em seguida se fará notório o proceso programado de acumulação de angústia para gerar um eventual "transbordamento" ou resposta neurótica por parte da população.
No entanto, apontou, não é certo que o país esteja “em ponto de bala” e que a sociedade civil esteja nas ruas, como pretendem fazer ver alguns meios de comunicação ou porta-vozes da direita.
Destacou que a Venezuela é um país pacífico, tranquilo e institucional, "que continua apostando nas saídas eleitorais” e asseverou que as manifestações violentas dos últimos días não são espontâneas e sim focalizadas e programadas, com o objetivo de derrocar o governo nacional.
Schemel considerou que a oposição não entendeu que na Venezuela ocorreu um proceso de Mudanças culturais, simbólicas e sociais no país, A oposição debe “entyender que boa parte de seu apoio está concentrado em um setor social, e não precisamente nos setores populares”.
"A Revolução Bolivariana tem níveis de apoio e aceitação muito importantes nos setores populares, Esta condição as forças de oposição não podem subestimar nem ignorar” afirmou.
Assinalou que 71% dos engtrevistados pensam que a via para a solução das diferenças políticas é a constitucional. “O voto segue instalado profundamente na cultura política do venezuelano”.
O presidente da Hinterlaces também indicou que para 7 de cada 10 cidadãos interessa mais a economía que a política, motivo pelo qual considerou que a solução para as pessoas “é económica e está muito vinculada a estimular a produção e o emprego".
Leia mais:
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25 de Fevereiro de 2014 - 14h53
Violência oposicionista é minoritária na Venezuela, diz estudo

A última pesquisa de opinião realizada pelo instituto venezuelano Hinterlaces assinala que 83% da população rejeita a violência gerada pelos setores corretos de rua, disse nesta terça-feira (25) o chefe da agência, Oscar Schemel, no programa Primeira Página do canal Globovisión.

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Manifestantes entram em confronto com policiais em Altamira, no leste de Caracas. Foto: EFE.

 
Segundo Schemel, apenas dois de cada 10 venezulanos está de acordo com "a ideia de sair às ruas para provocar a deposição ou a renúncia" do governo nacional. "Não é correto afirmar que a sociedade civil está na rua. As manifestações se concetraram no corredor eleitoral da oposição e, especialmente, nos setores de classe média e isso não representa todo o país", disse ele.
Ele observou que 71% dos entrevistados acham que o caminho para resolver as diferenças políticas é constitucional. "A votação está profundamente instalado na cultura política venezuelana", afirmou Schemel. O estudo "Monitor País" revelou ainda que 85% da população venezuelana exige que se tomem medidas e punições contra a violência e 83% rechaça os atos violentos de qualquier grupo político.
Schemel sugeriu que o governo de Nicolás Maduro "reestabeleça a esperança" diante da demanda de estabilidade esconômica dos setores populares. "O desafio do oficialismo é levantar uma visão, mas sem abandonar a linha do discurso, ou seja, de onde viemos, onde estamos e para onde vamos", disse o diretor do Hinterlaces.
Apesar das recomendações, a pesquisa indica que os níveis de esperança em relação ao governo venezuelano seguem altos. 78% dos entrevistados afirmou ter esperança, mas 39% afirma estar preocupado diante da situação atual.
ViolênciaO presidente venezuelano, Nicolás Maduro, informou neste domingo (22) a morte de um jovem no oeste do país apunhalado numa barricada montada nos protestos que se repetem desde o dia 12 na Venezuela e que já custaram 11 vidas.

 
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Pedro Pablo Rivero, 81 anos, participa de passeata de anciãos em apoio ao governo de Nicolás Maduro
na capital da Venezuela, Caracas. Foto: AP.
Em discurso a centenas de idosos, que marcharam até o palácio presidencial em apoio a seu governo, Maduro disse que o jovem Danny Vargas morreu em uma "guarimba" (barricada popular) no estado de Táchira, na fronteira com a Colômbia, quando foi esfaqueado por "um senhor humilhado" ante os manifestantes.
"Quando o jovem pretendia passar pela barricada, da qual não participava, chegou ao lugar uma pessoa que tinha sido agredida e o matou com uma arma branca. Um senhor humilhado e um rapaz vítima da agressão dos guarimberos e depois a violência incontrolável: ambas, vítimas", disse Maduro, que denuncia uma tentativa de "golpe de Estado prolongado e fascista" contra ele.
As manifestações se repetem diariamente na Venezuela desde o dia 12 de fevereiro. Tanto governo como oposição multiplicaram os apelos para que as manifestações aconteçam sem recorrer à violência, que além dos 11 mortos deixou mais de 150 feridos e dezenas de detidos.
Théa Rodrigues, da redação do Vermelho,
Com informações da Hinterlaces, AVN e EFE

Quem paga a campanha do candidato privatiza o recurso público

Dowbor: Quem paga a campanha do candidato privatiza o recurso público

publicada terça-feira, 25/02/2014 às 23:42 e atualizada terça-feira, 25/02/2014 às 23:05

Por Ladislau Dowbor*, na Carta Maior
Podemos começar com um exemplo prático. A Friboi é da JBS, o maior grupo mundial na área de carne. O pesquisador Alceu Castilho constata: “Existe uma bancada da Friboi no Congresso, com 41 deputados federais eleitos e 7 senadores. Desses 41 deputados financiados pela empresa, apenas um, o gaúcho Vieira da Cunha, votou contra as modificações no Código Florestal. O próprio relator do código, Paulo Piau, recebeu R$ 1,25 milhão de empresas agropecuárias, sendo que o total de doações para a sua campanha foi de R$ 2,3 milhões. Então temos algumas questões. Por que a Friboi patrocinou essas campanhas? Para que eles votassem contra os interesses da empresa? É evidente que a Friboi é a favor das mudanças no Código Florestal. A plantação de soja empurra os rebanhos de gado para o Norte, para a Amazônia, e a Friboi tem muito interesse nisso. Será que é mera coincidência que somente um entre 41 deputados financiados pela empresa votou contra o novo código?”(1)
No Brasil este sistema foi legalizado através da lei de 1997 que libera o financiamento das campanhas por interesses privados. (2) Podem contribuir com até 2% do patrimônio, o que representa muito dinheiro. Os professores Wagner Pralon Mancuso e Bruno Speck, respectivamente da USP e da Unicamp, estudaram os impactos. “Os recursos empresariais ocupam o primeiro lugar entre as fontes de financiamento de campanhas eleitorais brasileiras. Em 2010, por exemplo, corresponderam a 74,4%, mais de R$ 2 bilhões, de todo o dinheiro aplicado nas eleições (dados do Tribunal Superior Eleitoral)”(3).
A empresa que financia um candidato – um assento de deputado federal tipicamente custa 2,5 milhões de reais – tem interesses. Estes interesses se manifestam do lado das políticas que serão aprovadas, por exemplo contratos de construção de viadutos e de pistas para mais carros, ainda que se saiba que as cidades estão ficando paralisadas.
Ou maior facilidade para o desmatamento, como no exemplo acima. Do lado do candidato, apenas assentado, já lhe aparece a preocupação com a dívida de campanha que ficou pendurada, e a necessidade de pensar na reeleição. Quatro anos passam rápido. Entre representar interesses legítimos do povo – por exemplo, mais transporte de massa e mais saúde preventiva – e assegurar a próxima eleição, o político fica preso na armadilha. É o próprio processo de decisão sobre o uso dos recursos públicos que é de certa maneira privatizado. Neste sentido o resgate da dimensão pública do Estado torna-se essencial.
O Brasil não está sozinho neste processo de deformação da política. O próprio custo das campanhas, quando estas viram uma indústria de marketing político, é cada vez mais descontrolado. Segundo o Economist, no caso dos EUA, os gastos com a eleição de 2004 foram de 2,5 bilhões de dólares, em 2010 foram de 4,5 bilhões, e em 2012 ultrapassaram 5 bilhões. Isto está “baseado na decisão da Corte Suprema em 2010 que permite que empresas e sindicatos gastem somas ilimitadas em marketing eleitoral”. Quanto mais cara a campanha, mais o processo é dominado por grandes contribuintes, e mais a política se vê colonizada. E resultam custos muito mais elevados para todos, já que são repassados para o público através dos preços.


E a deformação é sistêmica: além de amarrar os futuros eleitos, quando uma empresa “contribui” e por tanto prepara o seu acesso privilegiado aos contratos públicos, outras empresas se vêem obrigadas a seguir o mesmo caminho, para não se verem alijadas. E o candidato que não tiver acesso aos recursos, simplesmente não será eleito. E como este dinheiro gira em grande parte na mídia, que veicula as campanhas, não se denuncia o processo. Todos ficam amarrados. Começa a girar a grande roda do dinheiro, partindo do sistema eleitoral. Ficam deformados tanto os sistemas de captação, como de alocação final dos recursos.


O resultado básico, é que no Brasil os impostos indiretos (que todos pagam no mesmo montante, ao comprar um produto) predominam sobre o imposto de renda, que pode ser mais progressivo; que não existe imposto sobre as grandes fortunas; que o imposto territorial rural é simbólico; que os grandes intermediários financeiros pagam pouquíssimo imposto, enquanto o único imposto série a que eram submetidos, a CPMF, foi abolido, em nome, naturalmente, de proteger “os pequenos”. Acrescente-se a isto a evasão fiscal e terminamos tendo um sistema onde os pobres pagam proporcionalmente mais que os ricos, invertendo-se o papel de redistribuição que o Estado deveria ter. No Brasil, o problema não é de impostos elevados, e sim da estrutura profundamente injusta da carga tributária.


Mas custos econômicos maiores ainda resultam do impacto indireto, pela deformação do processo decisório na máquina pública, apropriada por corporações. O resultado, no caso de São Paulo, por exemplo, de eleições municipais apropriadas por empreiteiras e montadoras, são duas horas e quarenta minutos que o cidadão médio perde no trânsito por dia. Só o tempo perdido, multiplicando as horas pelo PIB do cidadão paulistano e pelos 6,5 milhões que vão trabalhar diariamente, são 50 milhões de reais perdidos por dia. Se reduzirmos em uma hora o tempo perdido pelo trabalhador a cada dia, instalando por exemplo corredores de ônibus e mais linhas de metrô. serão 20 milhões economizados por dia, 6 bilhões por ano se contarmos os dias úteis. Sem falar da gasolina, do seguro do carro, das multas, das doenças respiratórias e cardíacas e assim por diante. E estamos falando de São Paulo, mas temos Porto Alegre, Rio de Janeiro e tantos outros centros. É muito dinheiro. Significa perda de produtividade sistêmica, aumento do custo-Brasil, má alocação de recursos públicos.
Uma dimensão importante deste círculo vicioso, e que resulta diretamente do processo, é o sobre-faturamento. Quanto mais se eleva o custo financeiro das campanhas, conforme vimos acima com os exemplos americano e brasileiro, mais a pressão empresarial sobre os políticos se concentra em grandes empresas. Quando são poucas, e poderosas, e com muitos laços políticos, a tendência é a distribuição organizada dos contratos, o que por sua vez reduz a concorrência pública a um simulacro, e permite elevar radicalmente o custo dos grandes contratos. Os lucros assim adquiridos permitirão financiar a campanha seguinte, além de engordarem contas em paraísos fiscais.


Se juntarmos o crescimento do custo das campanhas, os custos do sobre-faturamento das obras, e em particular o custo da deformação do uso dos recursos públicos, estamos falando no vazamento de imensos recursos para onde não deveriam ir. Estes “gatos” que sugam os recursos públicos são muito mais poderosos do que os que encontramos nos postes de iluminação das nossas cidades. Pior: o processo corrói a gestão pública e deforma a democracia ao gerar uma perda de confiança popular nas dinâmicas públicas em geral.


Não que não devam ser veiculados os interesses de diversos agentes econômicos na área pública. Mas para a isto existem as associações de classe e diversas formas de articulação. A FIESP, por exemplo, articula os interesses da classe industrial do Estado de São Paulo, e é poderosa. É a forma correta de exercer a sua função, de canalizar interesses privados. O voto deve representar cidadãos. Quando se deforma o processo eleitoral através de grandes somas de dinheiro, é o processo decisório sobre o uso dos recursos que é deformado.


O absurdo não é inevitável. Na França, a totalidade dos gastos pelo conjunto dos 10 candidatos à presidência em 2012 foi de 74,2 milhões de euros, dez vezes menos do que a eleição municipal no Brasil. (4) Na Polônia, é vedado o financiamento corporativo das campanhas, e a contribuição da pessoa física é limitada a cerca de 4 mil dólares. No Canadá há um teto para quanto se pode gastar com cada nível de candidatura. A proposta de Lessig para os Estados Unidos, é de que apenas a pessoa física possa contribuir, e com um montante muito limitado, por exemplo de algumas centenas de dólares. A contribuição pública seria proporcional ao que o candidato conseguiu junto aos cidadãos. O candidato receberia apoio de recursos públicos proporcionalmente à sua capacidade de convencer cidadãos comuns. A representatividade voltaria a dominar.
As soluções existem. O dilema está no fato que a deformação financeira gera a sua própria legalidade. Já escrevia Rousseau, no seu Contrato Social, em 1762, texto que em 2012 cumpriu 250 anos: “O mais forte nunca é suficientemente forte para ser sempre senhor, se não transformar a sua força em direito e a obediência em dever”. Em 1997, transformou-se o poder financeiro em direito político. O direito de influenciar as leis, às quais seremos todos submetidos. Em resumo, é preciso reformular o sistema, e acompanhar os países que evoluíram para regras do jogo mais inteligentes, e limitaram drasticamente o financiamento corporativo das campanhas. Trata-se aqui de tampar uma das principais frestas de onde se origina o vazamento dos nossos recursos.
* Este artigo foi editado a partir do capítulo 4 do livro “Os Estranhos Caminhos do Nosso Dinheiro”, de autoria do professor. Você pode conferir o livro completo  aqui.
Notas:
1. Alceu Castilho, Partido da Terra
2. O financiamento está baseado na Lei 9504, de 1997 “As doações podem ser provenientes de recursos próprios (do candidato); de pessoas físicas, com limite de 10% do valor que declarou de patrimônio no ano anterior no Imposto de Renda; e de pessoas jurídicas, com limite de 2%, correspondente [à declaração] ao ano anterior”, explicou o juiz Marco Antônio Martin Vargas.
3. “Pouquíssimos candidatos conseguem se eleger com pouco ou nenhum dinheiro”, comenta Mancuso, que coordena o projeto de pesquisa Poder econômico na política: a influência de financiadores eleitorais sobre a atuação parlamentar. Ver em Bruna Romão, Agência USP
4. Le Monde Diplomatique, Manière de Voir, Où va l’Amérique, Octobre-Novembre 2012, p.11

Passos para golpes

Esta fórmula de desestabilização pode ser aplicada em qualquer país democrático da América Latina, portanto deveremos ficar alertas!


ESTOS SON LOS 5 PASOS DEL GOLPE SUAVE QUE EJECUTAN EN ESTE MOMENTO EN VENEZUELA
LaIguana.TV – Venezuela 19/02/2014


El surgimiento de nuevos métodos para tomar el poder han puesto en auge los llamados “golpes suaves” que son mecanismos para derrocar gobiernos de corte progresista en el mundo, a través de la manipulación psicológica de las masas, con la más poderosa herramienta que son los medios de comunicación.

El principal ideólogo del “Golpe suave” se llama Gene Sharp, un político estadounidense conocido por la promoción del derrocamiento de gobiernos por vías no tradicionales y su idea fundamental es que todo gobierno se debe a la obediencia de la gente y si estos no acatan las órdenes, los líderes no tienen poder.

Sharp es autor del ensayo titulado “De la dictadura a la democracia” y también del libro “La política de la acción no violenta” en los que se describen 198 métodos para derrocar gobiernos por medio de los ‘golpes suaves’. Estos métodos son las armas que en la actualidad se usan para derrocar gobiernos sin tener que recurrir a las armas convencionales ya que según el politólogo “la violencia no es tan eficaz”.

Estos golpes son los que están promoviendo en Venezuela sectores políticos de la derecha vinculados a la CIA, por medio de unas medidas que van del ablandamiento institucional hasta la fractura gubernamental.

Los pasos para derrocar los gobiernos serían los siguientes:

Primero: La promoción de factores de malestar y denuncia de corrupción.

Segundo: Campañas en defensa de DD.HH., libertad de prensa y acusaciones de totalitarismo.

Tercera: Reivindicación por demandas políticas y sociales, y toma de instituciones públicas.

Cuarta: Operaciones de guerra psicológica, clima de ingobernabilidad.

Quinta: Desarrollo de una guerra civil prolongada, se prepara la intervención militar extranjera, y se obliga la renuncia del presidente de la República.

Sin embargo, la supuesta “no violencia” que defiende Sharp, sería en términos de Foucault “la guerra invertida en otros medios”, de hecho, el propio Sharp admite que su teoría surge ya que “la naturaleza de la guerra ha cambiado en el siglo XXI”.

Finalmente, la muestra de que esa estrategia de “golpe suave” no deja de ser violenta, se evidencia en las “Revoluciones de colores” de Europa del Este como la de Ucrania, donde han utilizado la metodología de Sharp, dejando como resultado los sanguinarios combates en las calles de Kiev.

(LaIguana.TV)






A desinformação capitalista no caso da Venezuela

A desinformação capitalista no caso da Venezuela

Por Rosângela Ribeiro Gil
Os povos da América Latina estão sendo “bombardeados” pela desinformação vinda dos veículos comerciais de comunicação, que têm lado político e fazem parte da engrenagem do sistema econômico, o capitalismo, aquele que gera a exploração de homens e mulheres e cria a violência, a segregação, a exclusão, a pobreza e a miséria. Esbaldam-se em falar que o presidente da República da Venezuela, democraticamente eleito pelo voto direto, Nicolás Maduro, tem nas ruas uma multidão contra o seu governo. Mentira! Tentam acusá-lo de crimes não cometidos por ele e seu governo, mas escondem que os seus opositores usam a violência e estão sendo bancados por forças estadunidenses para derrubar aquele governo.

Por que? Porque tem a Venezuela o petróleo cobiçado pelos Estados Unidos. Porque tem a Venezuela, desde o governo de Hugo Chávez, feito um governo popular para a maioria e não para a minoria de ricos exploradores. Porque tem a Venezuela, junto com outros governos populares da América Latina, ajudado a mudar o perfil latino-americano, deixando de ser um mero “quintal” (ou lixão) dos EUA. Para que não sejamos manipulados pelos que nos exploram e não querem a informação livre, importante recorrermos a outros meios de informação. Precisamos, sim, ler e apoiar os meios de informação populares! A seguir transcrevemos trechos de uma matéria importante sobre o tema publicada na TeleSUR.

“O governo bolivariano denunciou, na última semana, que a Venezuela é vítima de uma estratégia conhecida como “golpe de Estado suave”, por meio de ações desestabilizadoras orquestradas por governos estrangeiros e focada em aspectos como boicote econômico, manipulação de informação, mobilização e infiltração de pessoas violentas em manifestações, entre outras ações.

“O chamado “golpe brando ou suave” é uma estratégia de ação focada na violência idealizada pelo estadunidense Gene Sharp, do final do século passado, e amplamente utilizada no mundo durante as últimas décadas.

“Numa ocasião, Sharp disse que a natureza da guerra no século XXI combinava armas psicológicas, sociais, econômicas e políticas.

“Nesse sentido, Sharp expõe que essas são as armas que se usam, atualmente, para derrubar governos sem ter que recorrer às armas convencionais.”

* Para ler a matéria naíntegra clique aqui.
* Outros textos sobre o que acontece na Venezuela podem ser lidosaqui.
* Entrevista do professor Igor Fuser no programa Entre Aspas sobre a situação na Venezuela. Acompanhe o programaneste link.
*Sobre a Venezuela: a guerra da informação
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A mídia podre e golpista

domingo, 23 de fevereiro de 2014


Ucrânia e Venezuela: lutar com palavras

“Lutar com palavras é a luta mais vã. No entanto lutamos mal rompe a manhã.” (Drummond)

por Rodrigo Vianna

Não se trata de poesia. Mas de política. A edição da “Folha” desta sexta-feira é mais uma demonstração de que a batalha nas ruas de Kiev ou Caracas não é feita só de coquetéis molotov, bombas e fuzis. A batalha se dá na mídia, na TV, na internet, nas páginas envelhecidas dos jornais. São Paulo, Caracas, Kiev, Moscou e Washington. A batalha é uma só. 

Reparemos bem. Ao lado, temos a primeira página do jornal conservador paulistano – o mesmo que apoiou o golpe de 64 e emprestou seus carros para transporte de presos durante a ditadura militar. Na capa da “Folha”, ucranianos escalam uma montanha de entulho no centro de Kiev, e a legenda avisa: “Manifestantes antigoverno usam pneus e entulho para montar barricadas…” Logo abaixo, uma chamada sobre reintegração de posse em São Paulo: “Em SP, invasores destroem imóveis do Minha Casa”. Numa página interna, o jornal informa que esse “invasores resistiram e, até a noite, praticavam atos de vandalismo”. (página C-1)
Ucranianos não praticam “vandalismo”. São tratados de forma heróica. Ainda que se saiba que parte dos manifestantes em Kiev tem um discurso racista, próximo do nazismo. Brasileiros são “vândalos”. Ucranianos são “manifestantes”.
Mas sigamos adiante. Nas páginas internas, a “Folha” traz vários textos do enviado especial a Kiev. Num deles, o repórter mostra uma pequena fábrica para produção de coquetéis Molotov, dentro do Metrô de Kiev. O cidadão que produz as bombas é descrito assim: “Sem afiliação a partidos ou uma proposta ideológica clara, o cidadão diz ter sido atraído pela praça e pelas manifestações a partir da ideia de que é necessário mudar o sistema político na Ucrânia.” 
Mudar o sistema político. Hum. Não fica claro se o cidadão quer uma ditadura. A Ucrânia não é uma democracia? O governo não foi eleito pela maioria? Hum… “Sem afiliação a partidos” – essa parece ser a chave para legitimar tudo nos dias que correm. A CIA, os EUA, a CNN, a Folha não tem filiação a partidos. Não. Nem o nobre manifestante de Kiev.
Ao lado da reportagem sobre os molotov, um texto opinativo assinado por Igor Gielow (sobrenome “eslavo”, muito bom! Isso dá credibilidade ao comentário). Basicamente, Gielow diz que a crise na Ucrânia é “reflexo da estratégia de Putin para a região”. Ele não está errado. Pena que esqueça de contar uma parte da história. “O importante não é o que eu publico, mas o que deixo de publicar”, dizia Roberto Marinho.
Gielow e a “Folha” ensinam: Putin é um líder malvado, que pretende manter na Ucrânia “a esfera de poder dos tempos imperiais e soviéticos”. Aprendam: só a Rússia tem interesses imperiais na Ucrânia. Do outro lado, há cidadãos sem afiliação partidária, lutando contra um insano governo pró-Moscou. Os EUA e a Europa não têm interesses na Ucrânia. Só Putin. A culpa é dos russos.
Na “Folha” luta-se com as palavras muito antes da manhã começar. Luta-se com as palavras em Kiev, em São Paulo, Moscou. Washington fica invisível. E toda a estratégia passa por aí. O poder imperial só existe por parte da Rússia. Washington não tem qualquer projeto imperial: nem na Ucrânia, nem na Síria, nem tampouco na América Latina…
Falando nisso, a cobertura sobre a Venezuela é também grandiosa no diário da família Frias. Declarações de Maduro aparecem entre aspas. Velho truque jornalistico para desqualificar, colocar no gueto da suspeição, qualquer fala dos chavistas. Segundo a Folha, o governo de Maduro afirma que o movimento (golpista? Isso a Folha não diz) é uma armação de “forças de ultradireita da Venezuela e de Miami”. No texto original a expressão está assim, entre aspas. Por que? Para dar a impressão de que Maduro é um lunático, e que não há forças de ultradireita lutando nas ruas. Não. Há só “estudantes” e “manifestantes” (e agora sou eu que coloco entre aspas).

A legenda da foto ao lado (também publicada pelo jornal conservador paulistano) diz: “Estudantes queimam lixo em atos contra Nicolás Maduro”. Primeiro, como se sabe que o sujeito é um “estudante”? Depois, reparem que queimar lixo na Venezuela é “ato contra Maduro“. Queimar prédios em desapropriação, em São Paulo, vira “vandalismo”.
Em Caracas não há “vândalos”.
Ao lado da foto, um texto assinado por repórter (que está em São Paulo!!!!!) narra roubo de equipamento da CNN em Caracas: “o ataque à CNN se assemelha a inúmeros relatos de motociclistas intimidando manifestantes, com tolerância e até respaldo das forças de segurança do governo”. O roubo ocorreu em manifestação da oposição. Mas o roubo certamente é coisa dos chavistas. Claro. Nem é preciso ir até Caracas pra saber (registro a bem da verdade factual que o repórter - a quem conheço, ótima pessoa – foi correspondente em Caracas).
No mesmo texto (assinado, de São Paulo) os grupos que defendem o governo são chamados de “milícias”. Ok. Já estive em Caracas cinco ou seis vezes. E há grupos chavistas que se assemelham mesmo a milícias. Mas do lado da oposição há o que? Não há milícias? A turma de Leopoldo, que deu golpe em 2002, é formada por cidadãos inocentes. E só.
Quem lê a “Folha” aprende que, em Caracas, há de um lado “milícias chavistas”. De outro, só “estudantes” e “manifestantes”. 
Não há neutralidade no uso das palavras. Nunca houve. Nunca haverá. E quanto mais agudas as crises, mais isso fica claro. Há escolhas. A “Folha” faz as suas. A CNN, a Telesur, a VTV – ou esse blogueiro. A diferença é que uns assumem que têm lado. Outros fingem que estão “a serviço do Brasil”. 
Lutemos, com as palavras. Não há saída. O outro lado luta todos os dias, todas horas.
“Palavra, palavra
(digo exasperado),
se me desafias,
aceito o combate” (Drummond).
Texto original ; O ESCREVINHADOR