sexta-feira, 12 de agosto de 2016

FIDEL, BOLIVARIANO E MARTINIANO

Fidel, bolivariano e martiNIano

Angel Cabrera

Neste sábado, 13 de agosto, Fidel Castro Ruz (Birán, Holguín, Cuba, 1926) fará 90 anos. É impossível nesse espaço enumerar a diversidade de áreas e importantes epopeias revolucionárias das quais ele participou. Por isso, longe de querer esgotar o tema, me concentrarei no seu pensamento latino-americanista, sua irredutível solidariedade com a libertação da América Latina e do Caribe e com a conquista de sua unidade e integração.

Aos 21 anos, Fidel, membro do Comitê Universitário para A Libertação de Santo Domingos, participou da frustrada expedição anti-Trujillo, de Cayo Confines (1947). Um ano depois, no "bogotazo", empunhou armas ao lado dos seguidores de Jorge Eliecer Gaitán. Encontrava-se, então, na capital colombiana organizando um congresso continental de estudantes, que se pronunciaria pela independência de Porto Rico, a devolução ao Panamá pelos Estados Unidos da área do Canal, a reintegração das Ilhas Malvinas à Argentina e contra as ditaduras militares ao sul do Rio Bravo, especialmente a de Trujillo na República Dominicana. O jovem cubano havia conquistado a liderança do comitê organizador da reunião de estudantes, que se colocava na direção oposta à da 9ª Conferência Pan-americana, que acabaria na criação da nefasta Organização dos Estados Americanos (OEA) e adotaria instrumentos de subordinação ao vizinho do norte, contando, entre outras coisas, com a cumplicidade incondicional dos representantes dos governos ditatoriais que havia imposto na região.

Fato simbólico, a OEA, sob enormes pressões e outras manhas de Washington, expulsou de seu seio a Cuba revolucionária (Punta del Este, Uruguai, 1962) e, ao passo de algumas décadas, o clamor unânime dos governos da região (San Pedro Sula, Honduras, 2009), acabou revertendo essa medida.

O governo cubano reiterou que não regressaria à OEA – seria um despropósito –, mas isso não nega a grande carga política do reconhecimento e da dignidade de Cuba, liderada por Fidel, embutida naquela decisão.

Foi precisamente a exclusão da Ilha do organismo que deu condições para que o então primeiro-ministro submetesse a Segunda Declaração de Havana (1962) para a aprovação – clamorosa – da Assembleia Geral Nacional do Povo de Cuba. Um documento essencial na história de nossos povos, que dá continuidade à Carta da Jamaica (1815), de Simon Bolívar e ao ensaio Nuestra América (1891), de José Marti.

Nela está postulado: "Nenhum povo da América Latina é fraco, porque faz parte de uma família de 200 milhões de irmãos que padecem das mesmas misérias, abrigam os mesmos sentimentos, têm o mesmo inimigo, sonham todos com um melhor destino e contam com a solidariedade de todos os homens e mulheres honrados do mundo inteiro".

Discípulo dedicado e consequente de Bolívar e Marti, esse conceito de fraternidade e união da nossa América formou parte do núcleo principal do pensamento político de Fidel desde os dias ancestrais de Cayo Confites e o “bogotaço”.

A Revolução Cubana, cuja profunda repercussão planetária é indiscutível, desencadeou um ciclo de lutas populares, revolucionárias e pela unidade e integração da América Latina e do Caribe que ainda não se concluiu, tampouco se concluirá no futuro próximo. "Quando falamos de humanidade pensamos, em primeiro lugar, nos nossos irmãos latino-americanos e caribenhos, aos que não esqueceremos nunca e, depois, no resto dessa humanidade que habita nosso planeta", disse o Comandante. Inspirada por ele, Cuba foi sempre solidária com as lutas de todos os povos da Terra e, em particular, com as de nossa região.

Foi nela que apoiou as lutas das massas e, quando foi preciso, deu, àqueles que escolheram a via armada, toda a sua solidariedade e o sangue de alguns de seus melhores filhos. Estendeu sua mão amiga aos militares patriotas, desde Turcios Lima, em Guatemala; passando por Caamaño, na resistência dominicana contra a invasão ianque; ao governo nacionalista de Velasco Alvarado no Peru; e à luta dos panamenhos, com Omar Torrijos à frente, pela devolução do canal.

Desafiando o plano descomunal de Washington para derrubá-lo, Fidel e toda Cuba forneceram um apoio extraordinário para o governo da Unidade Popular do presidente Salvador Allende, amigo sincero, na primeira experiência de libertação nacional e socialista pela via política em nossa América.

Daquela experiência, Fidel concluiria: “Nem povo sem armas, nem armas sem povo”.


Fonte: La Jornada, reproduzido em

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