quinta-feira, 24 de novembro de 2016

POR QUE RÚSSIA NÃO PARTICIPA DA OPERAÇÃO EM ALEPPO?

Por que Rússia não participa da operação em Aleppo?

O grupo de porta-aviões liderado pelo Almirante Kuznetsov deixou “intencionalmente” de participar da operação para libertar Aleppo oriental, afirmou o jornal chinês People’s Daily, dizendo que a Rússia não quer que seus ataques provoquem vítimas civis. "A Rússia não está interessada em conduzir uma campanha de grande escala em Aleppo (Síria) porque os ataques maciços poderiam causar numerosas vítimas civis. Por seu lado, os grupos extremistas e as forças antirrussas poderiam beneficiar disso, o que teria implicações políticas e sociais inversas, informou a mídia".

Os resultados inesperados das últimas eleições presidências nos EUA foram considerados como mais um fator. "A razão mais importante é que as relações entre a Rússia e os EUA mudaram de novo na sequência da vitória de Trump. Nesta fase, aquilo que a Rússia menos quer é ter problemas com vítimas civis no campo de batalha sírio e outras questões que possam complicar as relações bilaterais", notou o jornal.

O People's Daily apontou que a guerra na Síria ainda não atingiu o ponto crucial. A publicação supõe que a Rússia espera enfraquecer os grupos terroristas, que estão combatendo contra o governo legítimo do presidente da Síria Bashar al-Assad, lançando ataques contra alvos localizados em várias regiões, esperando o momento certo para se juntar à campanha para libertar Aleppo.

A Rússia enviou o porta-aviões Almirante Kuznetsov, o cruzador Pyotr Velikiy, os contratorpedeiros antissubmarino Severomorsk e Almirante Kulakov e navios de apoio para o leste do mar Mediterrâneo para realizar treinamentos militares e aumentar as capacidades de luta contra o terrorismo na Síria.

O grupo chegou ao destino em 8 de novembro. O Almirante Kuznetsov entrou em combate pela primeira vez na história do navio alguns dias depois, em 15 de novembro. Os caças multifuncionais Su-33, embarcados no porta-aviões, realizaram ataques contra alvos terroristas do Estado Islâmico  (Daesh) e da Frente al-Nusra (organizações proibidas em muitos países, incluindo Rússia) nas províncias de Idlib e de Homs, depois de um reconhecimento abrangente, informou o ministro da Defesa russo Sergei Shoigu.

Como parte dessa operação, os militares russos eliminaram Abul Baha al-Asfari, um comandante operacional da Frente al-Nusra que estava encarregado de várias operações ofensivas na província de Aleppo.

Os caças Su-33 baseados nos porta-aviões Almirante Kuznetsov tomaram parte noutro ataque maciço contra alvos dos terroristas na Síria em 17 de novembro, focalizado nos centros de comando, depósitos de munições, material militar e instalações usadas para produzir armas.

O Ministério da Defesa da Rússia destaca que todos os alvos foram verificados através de vários canais de inteligência, enquanto veículos aéreos não tripulados estavam monitorando a operação. "Ataques aéreos de alta precisão ajudam a diminuir o número de vítimas civis durante operações de grande escala. Ao mesmo tempo, a Rússia necessita de testar suas armas e equipamento militar", sugere o People's Daily. O país introduziu múltiplos tipos de material militar (durante a sua operação contra terrorismo na Síria) e conduziu ataques de alta precisão para testar sua eficiência e características de desempenho das suas armas.


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